{"id":8566,"date":"2019-11-26T08:42:49","date_gmt":"2019-11-26T11:42:49","guid":{"rendered":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/?p=8566"},"modified":"2019-11-26T08:42:49","modified_gmt":"2019-11-26T11:42:49","slug":"discussoes-sobre-geracao-distribuida-de-energia-geram-incertezas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/discussoes-sobre-geracao-distribuida-de-energia-geram-incertezas\/","title":{"rendered":"Discuss\u00f5es sobre gera\u00e7\u00e3o  distribu\u00edda de energia geram incertezas"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_4638\" aria-describedby=\"caption-attachment-4638\" style=\"width: 1200px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Mais-de-11-milh%C3%B5es-de-pessoas-empregadas-no-setor-de-renov%C3%A1veis-Pixabay.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-4638 size-full\" src=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Mais-de-11-milh%C3%B5es-de-pessoas-empregadas-no-setor-de-renov%C3%A1veis-Pixabay.jpg\" alt=\"Revis&atilde;o do sistema pode causar efeitos negativos no setor de energia renov&aacute;veis no pa&iacute;s, que, apesar do evidente crescimento, ainda se encontra em fase inicial Foto: Pixabay\" width=\"1200\" height=\"807\" srcset=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Mais-de-11-milh&otilde;es-de-pessoas-empregadas-no-setor-de-renov&aacute;veis-Pixabay.jpg 1200w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Mais-de-11-milh&otilde;es-de-pessoas-empregadas-no-setor-de-renov&aacute;veis-Pixabay-300x202.jpg 300w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Mais-de-11-milh&otilde;es-de-pessoas-empregadas-no-setor-de-renov&aacute;veis-Pixabay-768x516.jpg 768w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Mais-de-11-milh&otilde;es-de-pessoas-empregadas-no-setor-de-renov&aacute;veis-Pixabay-1024x689.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 1200px) 100vw, 1200px\"><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-4638\" class=\"wp-caption-text\">Revis&atilde;o do sistema pode causar efeitos negativos no setor de energia renov&aacute;veis no pa&iacute;s, que, apesar do evidente crescimento, ainda se encontra em fase inicial &ndash; Foto: Pixabay<\/figcaption><\/figure>\n<p><!--more--><em>Mariana de Meira Todeschini<\/em> *<\/p>\n<p>Em 15 de outubro, a Ag&ecirc;ncia Nacional de Energia El&eacute;trica (Aneel) aprovou a realiza&ccedil;&atilde;o de consulta p&uacute;blica de n&ordm; 026\/2019, que trata sobre a proposta de taxa&ccedil;&atilde;o do sistema de compensa&ccedil;&atilde;o de energia el&eacute;trica decorrente da Gera&ccedil;&atilde;o Distribu&iacute;da (GD). Tal consulta provocou in&uacute;meras cr&iacute;ticas da sociedade e reacendeu os debates sobre a gera&ccedil;&atilde;o de energia el&eacute;trica distribu&iacute;da no pa&iacute;s, que, desde a Resolu&ccedil;&atilde;o Normativa n&ordm; 482\/2012 da Aneel, revisada em 2015, apresenta incentivos ao crescimento do setor de energia renov&aacute;veis.<\/p>\n<p>Mas antes de comentar a cobran&ccedil;a proposta pela Aneel, importante esclarecer a sistem&aacute;tica de compensa&ccedil;&atilde;o de energia el&eacute;trica atualmente vigente, que prev&ecirc; a instala&ccedil;&atilde;o de centrais sustent&aacute;veis de mini ou microgera&ccedil;&atilde;o distribu&iacute;da de energia el&eacute;trica (fonte solar, biomassa, e&oacute;lica e cogera&ccedil;&atilde;o qualificada, por exemplo) e o acesso &agrave; rede de distribui&ccedil;&atilde;o das concession&aacute;rias atrav&eacute;s de unidades consumidoras.<\/p>\n<p>Pela sistem&aacute;tica atual, a energia el&eacute;trica gerada por uma unidade consumidora com mini ou microgera&ccedil;&atilde;o de energia, que exceda o pr&oacute;prio consumo, ser&aacute; cedida, mediante empr&eacute;stimo gratuito, &agrave; Companhia Distribuidora local, para posterior compensa&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s do consumo de energia el&eacute;trica pela pr&oacute;pria unidade ou por outras unidades previamente registradas, com possibilidade de gera&ccedil;&atilde;o de cr&eacute;ditos energ&eacute;ticos com validade de 60 meses. Em outras palavras, a partir da instala&ccedil;&atilde;o de placas solares em um edif&iacute;cio residencial, por exemplo, a energia solar gerada de dia que exceda o consumo simult&acirc;neo da unidade condominial ser&aacute; injetada na rede de distribui&ccedil;&atilde;o para o posterior consumo &agrave; noite, tanto da pr&oacute;pria unidade quanto das unidades particulares de cada morador (previamente registradas para este fim).<\/p>\n<p>A Aneel permite a utiliza&ccedil;&atilde;o do sistema de compensa&ccedil;&atilde;o por meio de 3 modalidades: (i) Autoconsumo Remoto, caracterizado pela gera&ccedil;&atilde;o e consumo de energia el&eacute;trica por unidades consumidoras de titularidade de uma mesma Pessoa Jur&iacute;dica, inclu&iacute;das matriz e filial, ou Pessoa F&iacute;sica; (ii) Empreendimento com M&uacute;ltiplas Unidades Consumidoras, caracterizado pela utiliza&ccedil;&atilde;o da energia el&eacute;trica de forma independente, no qual cada fra&ccedil;&atilde;o com uso individualizado constitua uma unidade consumidora e as instala&ccedil;&otilde;es para atendimento das &aacute;reas de uso comum constituam uma unidade consumidora distinta, de responsabilidade do condom&iacute;nio, da administra&ccedil;&atilde;o ou do propriet&aacute;rio do empreendimento, com micro ou minigera&ccedil;&atilde;o distribu&iacute;da, e desde que as unidades consumidoras estejam localizadas em uma mesma propriedade ou em propriedades cont&iacute;guas; e (iii) Gera&ccedil;&atilde;o Compartilhada, caracterizada pela reuni&atilde;o de consumidores, dentro da mesma &aacute;rea de concess&atilde;o ou permiss&atilde;o, que possua unidade consumidora com microgera&ccedil;&atilde;o ou minigera&ccedil;&atilde;o distribu&iacute;da em local diferente das unidades consumidoras nas quais a energia excedente ser&aacute; compensada.<\/p>\n<p>Para o aproveitamento do sistema de compensa&ccedil;&atilde;o pelas modalidades de Empreendimento com M&uacute;ltiplas Unidades Consumidoras e Gera&ccedil;&atilde;o Compartilhada, a ANEEL estabelece que devem ser observadas, especificamente, a natureza jur&iacute;dica de Condom&iacute;nio e Cons&oacute;rcio ou Cooperativa, sendo que caber&aacute; &agrave; Companhia Distribuidora local analisar o ato constitutivo do Condom&iacute;nio, do Cons&oacute;rcio e da Cooperativa apresentado pelo consumidor, no intuito de comprovar a adequa&ccedil;&atilde;o do documento &agrave; legisla&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica, n&atilde;o podendo ser aceito outro arranjo jur&iacute;dico na modalidade de gera&ccedil;&atilde;o distribu&iacute;da.<\/p>\n<p>Importante destacar que a Aneel veda, taxativamente, o aluguel ou arrendamento do terreno, lote ou propriedade que se encontra a central geradora da energia el&eacute;trica em condi&ccedil;&otilde;es nas quais o valor do aluguel ou do arrendamento se d&ecirc; em reais por unidade de energia el&eacute;trica. De tal regra, cumulada com a exig&ecirc;ncia de valida&ccedil;&atilde;o do ato pela Companhia Distribuidora, decorre a import&acirc;ncia de que os instrumentos jur&iacute;dicos utilizados para a implementa&ccedil;&atilde;o do sistema de compensa&ccedil;&atilde;o sejam realizados por profissionais com experi&ecirc;ncia no segmento, com objetivo de diminuir o risco de o investimento realizado ser infrut&iacute;fero na etapa final de registro.<\/p>\n<p>Apresentada a sistem&aacute;tica atual de compensa&ccedil;&atilde;o de energia el&eacute;trica, bem como as exig&ecirc;ncias jur&iacute;dicas relacionadas, que por si s&oacute; demandam a aten&ccedil;&atilde;o redobrada dos consumidores, o setor de energias renov&aacute;veis ter&aacute; que se atentar para a poss&iacute;vel revis&atilde;o do sistema de compensa&ccedil;&atilde;o, visto que a ANEEL, por meio de consulta p&uacute;blica, pretende rever as regras que tratam da gera&ccedil;&atilde;o distribu&iacute;da, cujo prazo para contribui&ccedil;&atilde;o da sociedade finaliza em 30 de dezembro.<\/p>\n<p>Pela proposta da ANEEL, o consumidor que detenha mini ou microgera&ccedil;&atilde;o de energia passar&aacute; a ser cobrado pelo uso da rede el&eacute;trica, que hoje se d&aacute; a t&iacute;tulo gratuito, e por demais encargos presentes na conta de luz.<\/p>\n<p>A proposta de taxa&ccedil;&atilde;o gerou in&uacute;meras manifesta&ccedil;&otilde;es e cr&iacute;ticas da sociedade e do setor, inclusive da Comiss&atilde;o de Infraestrutura do Senado, que no dia 31 de outubro realizou audi&ecirc;ncia p&uacute;blica interativa para debater a possibilidade de gera&ccedil;&atilde;o, distribui&ccedil;&atilde;o e taxa&ccedil;&atilde;o no setor solar fotovoltaico e demais fontes renov&aacute;veis de energia; e da Comiss&atilde;o de Minas e Energia da C&acirc;mara dos Deputados, que no dia 30 de outubro discutiu o tema. Em ambas as comiss&otilde;es, os senadores e deputados consideraram que a proposta da ANEEL pode inviabilizar o crescimento da gera&ccedil;&atilde;o distribu&iacute;da no pa&iacute;s, pelo que defenderam a manuten&ccedil;&atilde;o dos incentivos &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de energia solar.<\/p>\n<p>Diante das in&uacute;meras discuss&otilde;es, o diretor da Aneel e relator do tema, Rodrigo Limp, prop&ocirc;s recentemente a prorroga&ccedil;&atilde;o do prazo da consulta por mais 30 dias. A prorroga&ccedil;&atilde;o foi aprovada pelos demais diretores na Reuni&atilde;o P&uacute;blica Ordin&aacute;ria da diretoria colegiada da ANEEL e divulgada no dia 19 de novembro. O prazo anterior da consulta se encerraria no dia 30\/11.<\/p>\n<p>A taxa&ccedil;&atilde;o pelo uso da rede el&eacute;trica no sistema de compensa&ccedil;&atilde;o reduzir&aacute; a vantagem econ&ocirc;mica que o consumidor alcan&ccedil;a na instala&ccedil;&atilde;o da mini ou microgera&ccedil;&atilde;o distribu&iacute;da, ao passo que a cobran&ccedil;a refletir&aacute; no aumento proporcional do per&iacute;odo de recupera&ccedil;&atilde;o do investimento assumido para a instala&ccedil;&atilde;o de um sistema solar fotovoltaico, por exemplo. Ou seja, pela perspectiva do consumidor final, a economia na conta de luz poder&aacute; n&atilde;o ser mais t&atilde;o atrativa em compara&ccedil;&atilde;o ao custo assumido para a instala&ccedil;&atilde;o de geradores de energias renov&aacute;veis.<\/p>\n<p>Diante das cr&iacute;ticas levantadas pelo governo e pela sociedade, resta a apreens&atilde;o dos consumidores quanto &agrave; poss&iacute;vel taxa&ccedil;&atilde;o, bem como quanto aos impactos negativos que a revis&atilde;o do sistema pode causar no setor de energia renov&aacute;veis no pa&iacute;s, que, apesar do evidente crescimento, ainda se encontra em fase inicial.<\/p>\n<hr>\n<ul>\n<li><em>Advogada da &Aacute;rea Corporativa do escrit&oacute;rio do Marins Bertoldi.<\/em><\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":4638,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[36,1423],"tags":[1449,146,1273,147],"class_list":{"0":"post-8566","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-pensadores-futuro","8":"category-sustentabilidade","9":"tag-energias-renovaveis","10":"tag-energias-sustentaveis","11":"tag-futuro-da-energia","12":"tag-sustentabilidade"},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/Mais-de-11-milh\u00f5es-de-pessoas-empregadas-no-setor-de-renov\u00e1veis-Pixabay.jpg","post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8566","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8566"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8566\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4638"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8566"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8566"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8566"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}