{"id":8397,"date":"2019-11-12T19:52:23","date_gmt":"2019-11-12T22:52:23","guid":{"rendered":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/?p=8397"},"modified":"2019-11-12T19:52:23","modified_gmt":"2019-11-12T22:52:23","slug":"unicef-avalia-avancos-e-retrocessos-em-politicas-para-criancas-e-adolescentes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/unicef-avalia-avancos-e-retrocessos-em-politicas-para-criancas-e-adolescentes\/","title":{"rendered":"Unicef avalia avan\u00e7os e retrocessos em pol\u00edticas para crian\u00e7as e adolescentes"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_8398\" aria-describedby=\"caption-attachment-8398\" style=\"width: 887px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-8398\" src=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/pobreza-infantil.jpg\" alt=\"Tend&ecirc;ncia de redu&ccedil;&atilde;o do or&ccedil;amento voltado aos temas da inf&acirc;ncia e adolesc&ecirc;ncia no Brasil precisa ser revertida\" width=\"887\" height=\"554\" srcset=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/pobreza-infantil.jpg 887w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/pobreza-infantil-300x187.jpg 300w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/pobreza-infantil-768x480.jpg 768w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/pobreza-infantil-696x435.jpg 696w\" sizes=\"auto, (max-width: 887px) 100vw, 887px\"><figcaption id=\"caption-attachment-8398\" class=\"wp-caption-text\">Tend&ecirc;ncia de redu&ccedil;&atilde;o do or&ccedil;amento voltado aos temas da inf&acirc;ncia e adolesc&ecirc;ncia no Brasil precisa ser revertida<\/figcaption><\/figure>\n<p><!--more--><\/p>\n<p><em>Unicef<\/em><\/p>\n<p>Nos &uacute;ltimos 30 anos, o Brasil alcan&ccedil;ou conquistas importantes, mas ainda enfrenta problemas &ndash; antigos e novos &ndash; para garantir todos os direitos a cada crian&ccedil;a e adolescente, sem exce&ccedil;&atilde;o. Em comemora&ccedil;&atilde;o ao 30&ordm; anivers&aacute;rio da Conven&ccedil;&atilde;o sobre os Direitos da Crian&ccedil;a (CDC), o Fundo das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para a Inf&acirc;ncia (UNICEF) lan&ccedil;a&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.unicef.org\/brazil\/relatorios\/30-anos-da-convencao-sobre-os-direitos-da-crianca\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">relat&oacute;rio<\/a>&nbsp;com os principais avan&ccedil;os e desafios enfrentados por meninas e meninos brasileiros.<\/p>\n<p>Uma das hist&oacute;rias de sucesso mais impressionantes &eacute; a redu&ccedil;&atilde;o da mortalidade infantil (at&eacute; 1 ano). Somente entre os anos 1996 e 2017, o Pa&iacute;s evitou a morte de 827 mil beb&ecirc;s. N&atilde;o obstante, no mesmo per&iacute;odo, aumentaram em grande escala a viol&ecirc;ncia armada e os homic&iacute;dios, que tiraram a vida de 191 mil meninas e meninos de 10 a 19 anos.<\/p>\n<p>Tratado mais ratificado da hist&oacute;ria, por 196 pa&iacute;ses, a Conven&ccedil;&atilde;o sobre os Direitos da Crian&ccedil;a mudou a vida de meninas e meninos em todo o mundo. &ldquo;Gra&ccedil;as &agrave; Conven&ccedil;&atilde;o, crian&ccedil;as e adolescentes deixaram de ser considerados objetos de caridade, propriedades dos pais, ou &ldquo;menores&rdquo; em situa&ccedil;&atilde;o irregular. Em vez disso, passaram a ser reconhecidos, oficialmente, como sujeitos de direitos&rdquo;, explica Florence Bauer, representante do UNICEF no Brasil.<\/p>\n<p>No Brasil, a Conven&ccedil;&atilde;o inspirou o Artigo 227 da Constitui&ccedil;&atilde;o Federal de 1988 e o Estatuto da Crian&ccedil;a e do Adolescente (ECA), de 1990. Influenciado por esses tr&ecirc;s marcos legais, o Pa&iacute;s criou um Sistema de Garantia de Direitos inovador, ainda entre os mais avan&ccedil;ados do mundo, baseado na ideia de prote&ccedil;&atilde;o integral &agrave; crian&ccedil;a e ao adolescente.<\/p>\n<p><strong>As principais conquistas brasileiras<\/strong><br>\nNesses 30 anos, o Brasil reduziu a mortalidade infantil de 47,1 a cada mil nascidos vivos, em 1990, para 13,4 em 2017. &ldquo;Este resultado extraordin&aacute;rio &eacute; o resultado duma abordagem integrada de amplia&ccedil;&atilde;o do acesso das mulheres ao pr&eacute;-natal, da cria&ccedil;&atilde;o do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS) e do investimento nos cuidados na primeira inf&acirc;ncia. Agora &eacute; importante salvaguardar e fortalecer esse progresso&rdquo;, explica Florence Bauer.<\/p>\n<p>Aos avan&ccedil;os na sa&uacute;de, unem-se as conquistas na educa&ccedil;&atilde;o. Em 1990, a escola era obrigat&oacute;ria apenas dos 7 aos 14 anos e 20% das crian&ccedil;as dessa faixa et&aacute;ria estavam longe das salas de aula. Em 2009, a escolaridade foi ampliada para 4 a 17 anos. E, em 2017, apenas 4,7% das meninas e dos meninos dessas idades estavam fora da escola &ndash; a maioria deles nas faixas et&aacute;rias de 4 a 6 anos e 15 a 17 anos.<\/p>\n<p>Na &aacute;rea de prote&ccedil;&atilde;o &agrave; crian&ccedil;a, o Brasil melhorou em aspectos espec&iacute;ficos como o registro de nascimento e a redu&ccedil;&atilde;o do trabalho infantil. Em 1990, apenas 64% das crian&ccedil;as eram registradas no seu primeiro ano de vida. J&aacute; em 2013, esse n&uacute;mero passava dos 95%. Entre 1992 e 2015, o Pa&iacute;s evitou que 5,7 milh&otilde;es de meninas e meninos de 5 a 17 anos estivessem em situa&ccedil;&atilde;o de trabalho infantil. O n&uacute;mero de crian&ccedil;as de 5 a 17 anos afetadas pelo trabalho infantil diminui de 8,4 milh&otilde;es em 1992 para 2,7 milh&otilde;es em 2015.<\/p>\n<p><strong>O desafio da viol&ecirc;ncia<\/strong><br>\n&Eacute; na &aacute;rea de prote&ccedil;&atilde;o &agrave; crian&ccedil;a, no entanto, que o Pa&iacute;s enfrenta seus maiores desafios. Em 30 anos, o Brasil viu crescer a viol&ecirc;ncia armada em diversas cidades, e hoje est&aacute; diante de um quadro alarmante de homic&iacute;dios. A cada dia, 32 meninas e meninos de 10 a 19 anos s&atilde;o assassinados no Pa&iacute;s. Em 2017, foram 11,8 mil mortes.<\/p>\n<p>Morar em um territ&oacute;rio vulner&aacute;vel faz com que crian&ccedil;as e adolescentes estejam mais expostos &agrave; viol&ecirc;ncia armada. Grande parte das mortes no Brasil se concentra em bairros espec&iacute;ficos, desprovidos de servi&ccedil;os b&aacute;sicos de sa&uacute;de, assist&ecirc;ncia social, educa&ccedil;&atilde;o, cultura e lazer.<\/p>\n<p>As v&iacute;timas de homic&iacute;dio s&atilde;o, em sua maioria, meninos negros, pobres, que vivem nas periferias e &aacute;reas metropolitanas das grandes cidades. Segundo uma an&aacute;lise de dados feita pelo UNICEF em 10 capitais, 2,6 milh&otilde;es de crian&ccedil;as vivem em &aacute;reas diretamente afetadas pela viol&ecirc;ncia armada. Nos &uacute;ltimos dez anos, os homic&iacute;dios v&ecirc;m caindo entre adolescentes brancos e crescendo entre n&atilde;o brancos &ndash; que, em 2017, representavam 82,9% das v&iacute;timas de homic&iacute;dios entre 10 e 19 anos no Brasil. &ldquo;Reverter esse quadro &eacute; urgente. &Eacute; preciso investir nos territ&oacute;rios mais vulner&aacute;veis, com pol&iacute;ticas p&uacute;blicas de qualidade, voltadas a cada crian&ccedil;a e cada adolescente, em especial os mais exclu&iacute;dos &ndash; oferecendo a eles um ambiente seguro em que possam desenvolver plenamente o seu potencial&rdquo;, defende Florence Bauer.<\/p>\n<p><strong>Riscos &agrave; sa&uacute;de e &agrave; educa&ccedil;&atilde;o<\/strong><br>\nAl&eacute;m da viol&ecirc;ncia, o Brasil t&ecirc;m outros desafios relacionados &agrave;s desigualdades. Ainda h&aacute; quase 2 milh&otilde;es de meninas e meninos fora da escola, e grande parte deles vem de fam&iacute;lias de baixa renda. E h&aacute; tamb&eacute;m milhares de crian&ccedil;as e adolescentes que est&atilde;o na escola, sem aprender. Em 2018, 3,5 milh&otilde;es de estudantes de escolas estaduais e municipais foram reprovados ou abandonaram a escola no Brasil.<\/p>\n<p>Na &aacute;rea de sa&uacute;de, tamb&eacute;m h&aacute; pontos de aten&ccedil;&atilde;o. Embora a mortalidade infantil venha caindo no longo prazo, ela subiu pela primeira vez em 20 anos, em 2015, acendendo um sinal de alerta. Ao mesmo tempo, as coberturas vacinais ca&iacute;ram no Pa&iacute;s, trazendo de volta doen&ccedil;as como o sarampo, que estava erradicado.<\/p>\n<p>A esses desafios, soma-se o problema da m&aacute; nutri&ccedil;&atilde;o. De um lado, a desnutri&ccedil;&atilde;o cr&ocirc;nica caiu maci&ccedil;amente, com a exce&ccedil;&atilde;o das crian&ccedil;as ind&iacute;genas, que registram uma taxa m&eacute;dia de 30% entre crian&ccedil;as menores de 5 anos, &iacute;ndice que chega a quase 80% entre os ianom&acirc;mis. De outro lado, uma em cada tr&ecirc;s crian&ccedil;as brasileiras de 5 a 9 anos est&aacute; com sobrepeso.<\/p>\n<p><strong>Novos desafios para meninas e meninos<\/strong><br>\nPor fim, o Brasil e o mundo est&atilde;o diante de novos desafios que n&atilde;o estavam previstos na Conven&ccedil;&atilde;o, e hoje impactam a vida de crian&ccedil;as e adolescentes.<\/p>\n<p>Cada vez mais, as migra&ccedil;&otilde;es e os conflitos afetam meninas e meninos e os afastam de seus direitos. No mundo, em 2016, 28 milh&otilde;es de crian&ccedil;as estavam em deslocamento for&ccedil;ado, sendo 12 milh&otilde;es de refugiadas e 16 milh&otilde;es de deslocadas internamente em seus pa&iacute;ses. No Brasil, at&eacute; julho de 2019, quase 200 mil venezuelanos haviam procurado ref&uacute;gio no Pa&iacute;s. Desses, 30% eram crian&ccedil;as e adolescentes.<\/p>\n<p>Outro desafio atual est&aacute; relacionado &agrave; sa&uacute;de mental. Nos &uacute;ltimos 10 anos, os suic&iacute;dios de crian&ccedil;as e adolescentes v&ecirc;m aumentando no Brasil, passando de 714, em 2007, para 1.047, em 2017. Problemas como&nbsp;<em>bullying<\/em>&nbsp;e&nbsp;<em>cyberbullying<\/em>&nbsp;precisam ser olhados com aten&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>A eles, somam-se os desafios globais, como as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas, que cada vez mais interferem na vida de crian&ccedil;as e adolescentes em diferentes partes do mundo.<\/p>\n<p><strong>Um olhar para o futuro<\/strong><br>\n&ldquo;Estamos diante de duas janelas de oportunidade, na primeira inf&acirc;ncia e na adolesc&ecirc;ncia. &Eacute; preciso consolidar os avan&ccedil;os na primeira inf&acirc;ncia, garantindo a equidade nas pol&iacute;ticas p&uacute;blicas e chegando aos mais exclu&iacute;dos. E &eacute; essencial investir na adolesc&ecirc;ncia e nos territ&oacute;rios mais vulner&aacute;veis, revertendo o quadro da viol&ecirc;ncia e salvando vidas&rdquo;, afirma Florence Bauer.<\/p>\n<p>H&aacute; uma tend&ecirc;ncia de redu&ccedil;&atilde;o do or&ccedil;amento voltado aos temas da inf&acirc;ncia e adolesc&ecirc;ncia no Brasil que precisa ser revertida. Investir nessas etapas da vida traz resultados para toda a sociedade. Cada d&oacute;lar investido na 1&ordf; inf&acirc;ncia, por exemplo, traz um retorno de 7 at&eacute; 10 d&oacute;lares.<\/p>\n<p>Nesse sentido, o UNICEF refor&ccedil;a a import&acirc;ncia de reafirmar os compromissos do Brasil com a Conven&ccedil;&atilde;o sobre os Direitos da Crian&ccedil;a, colocar crian&ccedil;as e adolescentes como prioridade absoluta, engajar toda a sociedade, consolidar os avan&ccedil;os alcan&ccedil;ados at&eacute; aqui e investir na inf&acirc;ncia e na adolesc&ecirc;ncia com um foco naqueles mais vulner&aacute;veis.<\/p>\n<p><strong>Acesse o relat&oacute;rio completo:<\/strong>&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.unicef.org\/brazil\/relatorios\/30-anos-da-convencao-sobre-os-direitos-da-crianca\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">30 anos da Conven&ccedil;&atilde;o sobre os Direitos da Crian&ccedil;a: avan&ccedil;os e desafios para meninas e meninos no Brasil<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":8398,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[20,19],"tags":[787,1625,1626],"class_list":{"0":"post-8397","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-destaques","8":"category-insights","9":"tag-aumento-da-miseria","10":"tag-miseria-infantil","11":"tag-politicas-publicas"},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/11\/pobreza-infantil.jpg","post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8397","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=8397"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/8397\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media\/8398"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=8397"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=8397"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=8397"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}