{"id":634,"date":"2018-02-18T10:22:33","date_gmt":"2018-02-18T13:22:33","guid":{"rendered":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/?p=634"},"modified":"2018-03-05T17:20:20","modified_gmt":"2018-03-05T20:20:20","slug":"634-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/634-2\/","title":{"rendered":"Por que criatividade n\u00e3o ser\u00e1 valorizada no futuro?"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_635\" aria-describedby=\"caption-attachment-635\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/pagamento-pelo-trabalho-de-um-criativo-foto-flickr-1024x767-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-635\" src=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/pagamento-pelo-trabalho-de-um-criativo-foto-flickr-1024x767-1-1024x767.jpg\" alt=\"&Eacute; um mito a ideia de que a automa&ccedil;&atilde;o vai liberar as pessoas para desenvolver trabalhos criativos.\" width=\"1024\" height=\"767\" srcset=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/pagamento-pelo-trabalho-de-um-criativo-foto-flickr-1024x767-1.jpg 1024w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/pagamento-pelo-trabalho-de-um-criativo-foto-flickr-1024x767-1-300x225.jpg 300w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/pagamento-pelo-trabalho-de-um-criativo-foto-flickr-1024x767-1-768x575.jpg 768w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/pagamento-pelo-trabalho-de-um-criativo-foto-flickr-1024x767-1-640x480.jpg 640w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-635\" class=\"wp-caption-text\">&Eacute; um mito a ideia de que a automa&ccedil;&atilde;o vai liberar as pessoas para desenvolver trabalhos criativos.<\/figcaption><\/figure>\n<p><!--more-->Carlos Teixeira<br>\nJornalista I Futurista<\/p>\n<p>&ldquo;A automa&ccedil;&atilde;o e a rob&oacute;tica v&atilde;o liberar as pessoas para realizarem trabalhos mais criativos&rdquo;. Voc&ecirc; j&aacute; deve ter ouvido essa frase pelo menos uma vez em sua vida recente. Seja de um amigo da &aacute;rea de tecnologia, que acha tudo muito legal, ou de um consultor super gente boa. Aquele sujeito de terno e gravata que, com toda aquela simpatia, foi na empresa onde voc&ecirc; trabalha h&aacute; uns dois anos. Conversou, olhou, anotou e depois sumiu. Uns tempos depois, com toda a mesma simpatia, sugeriu ao patr&atilde;o v&aacute;rios cortes de empregos.<\/p>\n<p>Voc&ecirc; at&eacute; reparou, enquanto o choro dos despedidos rolava, que nenhum dos seus colegas cortados foi preservado no emprego por que era criativo. Nem mesmo o pessoal de design do departamento de novos produtos. O setor terceirizado, atendendo o conselho do consultor bacana. Agora os criativos s&atilde;o todos chineses e online &ndash; como s&atilde;o eficientes esses trabalhadores asi&aacute;ticos. Uma pena, mas s&atilde;o as coisas da vida.<\/p>\n<p>Ent&atilde;o, voc&ecirc; pensa, &ldquo;o importante &eacute; que a automa&ccedil;&atilde;o vai liberar pessoas para trabalhos criativos&rdquo;. E sorri porque voc&ecirc;, primeiro, &eacute; ir&ocirc;nico, segundo, &eacute; s&aacute;dico e, terceiro, &eacute; da &aacute;rea de ci&ecirc;ncias exatas.<\/p>\n<p>Resta saber quando, onde e para quem a criatividade vai sorrir.&nbsp;Eis uma sugest&atilde;o, que lhe dou de gra&ccedil;a: pesquise com os seus amigos criativos e confira se eles realmente est&atilde;o se sentindo assim, nas nuvens, valorizados como s&oacute; eles.&nbsp;Enquanto voc&ecirc; lembra de alguns deles, seguem algumas reflex&otilde;es sobre o que anda rolando por a&iacute;, pelo mundo afora.<\/p>\n<h2>Trabalhos criativos: use a palavra-chave no intert&iacute;tulo<\/h2>\n<p>Caso voc&ecirc; leve em conta as hist&oacute;rias de gente que atua em &aacute;reas como jornalismo e publicidade, a descoberta &eacute; que n&atilde;o, a tecnologia n&atilde;o &eacute; nossa amiga como criadora de empregos. A tecnologia &eacute; como aquele seu amigo de trabalho, bom companheiro, muito &uacute;til no dia a dia. Mas que voc&ecirc; n&atilde;o chama para tomar um chopp, mesmo que voc&ecirc; ache ele o m&aacute;ximo.<\/p>\n<p>E seja voc&ecirc; um &ldquo;freela&rdquo;, o tal do libertado para ser criativo, que precisa de dinheiro para, pelo menos, comprar um marmitex na hora do almo&ccedil;o. Um dia, algu&eacute;m, que se diz seu amigo, oferece um trabalho a 20 reais por uma lauda de texto. Ainda avisa que tem uma fila de interessados, mas voc&ecirc; &eacute; amigo, n&eacute;. Por isso, ele lembrou de voc&ecirc; e quer te ajudar.<\/p>\n<p>Como precisa mesmo garantir o seu suplemento m&iacute;nimo de prote&iacute;nas e carboidratos para se manter pelo menos sentado, voc&ecirc; topa. Vinte reais representam o valor de um criativo, certo? Que nada. Mentira. Na verdade, a criatividade &eacute; o que menos importa. Isso porque o seu contratante j&aacute; avisou que a produ&ccedil;&atilde;o de textos deve seguir as regras de Search Engine Optimization (SEO). Traduzindo, otimiza&ccedil;&atilde;o para mecanismos de buscas.<\/p>\n<h2>N&atilde;o importa a criatividade<\/h2>\n<p>Isso quer dizer que, para ter o seu &ldquo;trabalho criativo&rdquo;, voc&ecirc; n&atilde;o deve priorizar a criatividade. Preste aten&ccedil;&atilde;o na palavra n&atilde;o no par&aacute;grafo atr&aacute;s. N&atilde;o viaje, dir&aacute; o seu contratante. &Eacute; impositivo seguir boas normas para que o Google encontre o seu texto e d&ecirc; destaque a ele na primeira p&aacute;ginas das buscas.<\/p>\n<p>A&iacute;, entra um detalhe. Quanto mais adequado &agrave;s regras, maior a chance do seu texto ser identificado. E ser visto. Visto n&atilde;o &eacute; igual a ser lido, muito menos compreendido. Entenda bem. Lembra daqueles palavr&otilde;es que voc&ecirc; colocava no meio da reda&ccedil;&atilde;o da dona Adalgisa, a sua professora de portugu&ecirc;s, para testar se ela lia mesmo aquelas seus textos do ginasial &mdash; bem antigo isso, n&eacute;.<\/p>\n<p>&Eacute; mais ou menos isso. Voc&ecirc; pode escrever um texto absolutamente tosco, mas de acordo com as regras de SEO. Voc&ecirc; ser&aacute; um bem-aventurado no reino dos SEO&rsquo;s. Isso porque nem mesmo o cara que contratou o seu amigo vai ler o texto. O importante &eacute; que tenha algo l&aacute; como &ldquo;compre agora o seu im&oacute;vel dos sonhos&rdquo;. Lacrou.<\/p>\n<p>J&aacute; aquele seu amigo que escreve &ldquo;textos-cabe&ccedil;a&rdquo; interessant&iacute;ssimos e curiosos sobre &ldquo;a import&acirc;ncia da filosofia na constru&ccedil;&atilde;o de uma nova sociedade do s&eacute;culo 21&rdquo;, mas n&atilde;o abre m&atilde;o do estilo, est&aacute; fadado a aparecer na cent&eacute;sima vig&eacute;sima nova p&aacute;gina das buscas do Google. N&atilde;o ser&aacute; o sistema de busca que vai valorizar a criatividade do seu amigo. Ningu&eacute;m vai valorizar, no final das contas.<\/p>\n<p>Caia na real. Voc&ecirc; foi contratado para escrever 300, 600 ou mil palavras. N&atilde;o um texto bacana sobre &ldquo;a import&acirc;ncia de fazer exerc&iacute;cios para ter uma vida saud&aacute;vel&rdquo;. Ou sobre &ldquo;sete estrat&eacute;gias para comprar o im&oacute;veis dos seus sonhos&rdquo;.&nbsp; Nada disso. Nananina n&atilde;o! Para que estilo ou uma boa met&aacute;fora. Troque a palavra sa&uacute;de pelas palavras qualidade de vida &mdash; uma por tr&ecirc;s, sacou &mdash; e senta a lenha. Um t&iacute;tulo que explore uma palavra-chave, par&aacute;grafos curtinhos e intert&iacute;tulos &mdash; n&atilde;o se esque&ccedil;a de de formatar em h2 (o sistema entende). Pronto, o texto perfeito existe. E &ldquo;foda-se&rdquo; a criatividade, em portugu&ecirc;s r&uacute;stico, mas que d&aacute; resultado porque as pessoas gostam de palavr&otilde;es.<\/p>\n<h2>E tem mais<\/h2>\n<p>Bom, at&eacute; que aqui tivemos uma linha de racioc&iacute;nio. A outra talvez n&atilde;o seja t&atilde;o &oacute;bvia. Em s&iacute;ntese, a tecnologia vai tornar a criatividade humana desnecess&aacute;ria. Por diferentes caminhos, &eacute; o que veremos. Primeiro, com sensores por todos os cantos, sistemas de intelig&ecirc;ncia artificial v&atilde;o entender demandas das ruas. Mil consumidoras passaram em frente a uma loja e olharam mais para um item do que o outro. Pronto, est&aacute; identificando um padr&atilde;o. Acione-se o sistema de produ&ccedil;&atilde;o e a divulga&ccedil;&atilde;o autom&aacute;tica.<\/p>\n<p>Al&eacute;m disso, o criativo da publicidade tamb&eacute;m estar&aacute; fadado a ser desnecess&aacute;rio porque vai acabar a l&oacute;gica da propaganda que d&aacute; mil tiros de canh&atilde;o para alcan&ccedil;ar um consumidor. Aqueles an&uacute;ncios super criativos da televis&atilde;o ou do r&aacute;dio, destinado a milh&otilde;es de patos na linha de tiro, perde o sentido. Com apoio da tal intelig&ecirc;ncia artificial, &eacute; poss&iacute;vel dar um &uacute;nico tiro certeiro. E pronto. Dispense-se o criativo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":635,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[23,20],"tags":[],"class_list":{"0":"post-634","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-carlos-placido-teixeira","8":"category-destaques"},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2018\/02\/pagamento-pelo-trabalho-de-um-criativo-foto-flickr-1024x767-1.jpg","post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/634","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=634"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/634\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media\/635"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=634"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=634"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=634"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}