{"id":473,"date":"2017-09-15T12:17:11","date_gmt":"2017-09-15T15:17:11","guid":{"rendered":"https:\/\/litebold.co\/~radardofuturo\/onu-critica-rentismo-por-ganhos-sem-producao\/"},"modified":"2017-09-15T12:17:11","modified_gmt":"2017-09-15T15:17:11","slug":"onu-critica-rentismo-por-ganhos-sem-producao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/onu-critica-rentismo-por-ganhos-sem-producao\/","title":{"rendered":"ONU critica rentismo por ganhos sem produ\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<div class=\"post_excerpt\">\n<p>Relat&oacute;rio da Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para Com&eacute;rcio e Desenvolvimento (UNCTAD) mostrou que, com o aumento cont&iacute;nuo de seu poder de mercado e de lobby, as grandes empresas inflam seus lucros pela manipula&ccedil;&atilde;o das regras do jogo. A crise de 2008 exp&ocirc;s essas pr&aacute;ticas nos mercados financeiros; o uso dos para&iacute;sos fiscais por parte do 1% mais rico &eacute; fato conhecido. Contudo, tais pr&aacute;ticas tamb&eacute;m t&ecirc;m se estendido a setores n&atilde;o financeiros, alertou o documento.<\/p>\n<p>&ldquo;Estamos enfrentando um mundo de &lsquo;lucros sem prosperidade&rsquo;, onde o poder de mercado assim&eacute;trico &eacute; um fator que contribui fortemente para a desigualdade de renda&rdquo;, disse o secret&aacute;rio-geral da UNCTAD, Mukhisa Kituyi.<\/p>\n<\/div>\n<div id=\"attachment_125881\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/nacoesunidas.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Wall_Street.jpg\" srcset=\"https:\/\/nacoesunidas.org\/wp-content\/uploads\/2017\/07\/Wall_Street.jpg 1024w, &lt;a href=\" alt=\"Edif&iacute;cios nos arredores de Wall Street. 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Foto: Michael Aston\/Flickr (CC)<\/p>\n<\/div>\n<p>A hiperglobaliza&ccedil;&atilde;o&nbsp;<a href=\"https:\/\/unctad.org\/en\/pages\/PressRelease.aspx?OriginalVersionID=425\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tem alimentado pr&aacute;ticas restritivas de neg&oacute;cios<\/a>&nbsp;como abuso de posi&ccedil;&atilde;o dominante e restri&ccedil;&atilde;o &agrave; competi&ccedil;&atilde;o, segundo novo relat&oacute;rio da Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para Com&eacute;rcio e Desenvolvimento (UNCTAD) divulgado nesta quinta-feira (14). Os rendimentos derivados dessas pr&aacute;ticas t&ecirc;m aumentado a desigualdade, &ldquo;em um mundo onde o vencedor leva (quase) tudo&rdquo;, disse o documento.<\/p>\n<p>&ldquo;Para impedir que esse ciclo saia do controle, as autoridades p&uacute;blicas, nos planos nacional e internacional, devem resgatar o car&aacute;ter de bens p&uacute;blicos do conhecimento e da concorr&ecirc;ncia&rdquo;, disse o secret&aacute;rio-geral da UNCTAD, Mukhisa Kituyi, para o lan&ccedil;amento do &ldquo;Trade and Development Report, 2017: Beyond Austerity &ndash; Towards a Global New Deal&rdquo; (Relat&oacute;rio de Com&eacute;rcio e Desenvolvimento 2017: para al&eacute;m da austeridade &ndash; rumo a um novo pacto global).<\/p>\n<h3>Lucrando com o poder, sem gerar prosperidade<\/h3>\n<p>O relat&oacute;rio mostra que, com o aumento cont&iacute;nuo de seu poder de mercado e de&nbsp;<em>lobby<\/em>, as grandes empresas inflam seus lucros pela manipula&ccedil;&atilde;o das regras do jogo. A crise de 2008 exp&ocirc;s essas pr&aacute;ticas nos mercados financeiros; o uso dos para&iacute;sos fiscais por parte do 1% mais rico &eacute; fato conhecido. Contudo, tais pr&aacute;ticas tamb&eacute;m t&ecirc;m se estendido a setores n&atilde;o financeiros.<\/p>\n<p>&ldquo;O poder de mercado e a concentra&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m aumentando de forma aguda tamb&eacute;m em termos de receita, ativos f&iacute;sicos e ativos como direitos de propriedade intelectual&rdquo;, disse o secret&aacute;rio-geral da UNCTAD.<\/p>\n<p>Por meio de uma an&aacute;lise de dados de companhias n&atilde;o financeiras em 56 pa&iacute;ses desenvolvidos e em desenvolvimento, o relat&oacute;rio mostrou que os ganhadores levam (quase) tudo. Entre 1995 e 2015, os lucros &ldquo;extraordin&aacute;rios&rdquo; (lucros que n&atilde;o decorrem das atividades centrais da empresa) passaram de 4% para 23% do lucro total do conjunto das empresas, e de 19% para 40% nas 100 maiores empresas. Em 1995, a capitaliza&ccedil;&atilde;o de mercado das 100 maiores empresas globais era 31 vezes maior que a das 2 mil empresas no piso da pir&acirc;mide; 20 anos depois, passou a ser 7 mil vezes maior.<\/p>\n<p>Os economistas da UNCTAD constataram que grandes empresas de pa&iacute;ses emergentes come&ccedil;aram a se tornar globais, em grande parte devido ao&nbsp;<em>boom&nbsp;<\/em>de seus mercados dom&eacute;sticos. Contudo, as empresas de pa&iacute;ses desenvolvidos ainda dominam, particularmente em setores de alta lucratividade como medicamentos, m&iacute;dia e tecnologia da informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o, respondendo pela maior parte das remessas internacionais de lucros.<\/p>\n<p>Mas o crescimento do controle dos mercados pelas grandes empresas n&atilde;o tem sido proporcional ao crescimento do emprego por elas oferecido. Medida pela capitaliza&ccedil;&atilde;o de mercado, a participa&ccedil;&atilde;o das 100 maiores empresas quadruplicou, mas sua participa&ccedil;&atilde;o no emprego apenas dobrou.<\/p>\n<p>&ldquo;Estamos enfrentando um mundo de &lsquo;lucros sem prosperidade&rsquo;, onde o poder de mercado assim&eacute;trico &eacute; um fator que contribui fortemente para a desigualdade de renda&rdquo;, disse Kituyi.<\/p>\n<h3>A hiperglobaliza&ccedil;&atilde;o criando novas formas de protecionismo<\/h3>\n<p>Segundo o relat&oacute;rio, monop&oacute;lios naturais decorrentes de avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos s&atilde;o apenas uma pequena parte da hist&oacute;ria. As chamadas&nbsp;<em>superstar firms<\/em>&nbsp;devem seus imp&eacute;rios tanto &agrave;s proezas tecnol&oacute;gicas quanto &agrave; inefici&ecirc;ncia da legisla&ccedil;&atilde;o antitruste, &agrave; excessiva prote&ccedil;&atilde;o da propriedade intelectual e &agrave;s agressivas estrat&eacute;gias de fus&atilde;o e aquisi&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Com base em dados de filiais de empresas norte-americanas no Brasil, na China e na &Iacute;ndia, o relat&oacute;rio mostra que, em tr&ecirc;s setores intensivos em tecnologia (tecnologias da informa&ccedil;&atilde;o e comunica&ccedil;&atilde;o, qu&iacute;mico e farmac&ecirc;utico), o aumento da prote&ccedil;&atilde;o por patentes est&aacute; associado &agrave; crescente rentabilidade das filiais, deixando para tr&aacute;s as empresas locais.<\/p>\n<p>Elis&atilde;o fiscal, liquida&ccedil;&otilde;es de ativos p&uacute;blicos, subs&iacute;dios p&uacute;blicos para grandes corpora&ccedil;&otilde;es e recompras de a&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m oferecido novas oportunidades de rentabilidade e aumentado a remunera&ccedil;&atilde;o de diretores-executivos.<\/p>\n<p>De acordo com o relat&oacute;rio, um c&iacute;rculo vicioso em que poder de mercado gera poder de&nbsp;<em>lobby<\/em>&nbsp;deu legitimidade ao submundo do &ldquo;rentismo&rdquo; empresarial (corporate rent-seeking), contribuindo sistematicamente para o aumento das desigualdades de renda e para os desequil&iacute;brios&nbsp;de poder na economia global.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Relat&oacute;rio da Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas para Com&eacute;rcio e Desenvolvimento (UNCTAD) mostrou que, com o aumento cont&iacute;nuo de seu poder de mercado e de lobby, as grandes empresas inflam seus lucros pela manipula&ccedil;&atilde;o das regras do jogo. 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