{"id":4328,"date":"2019-06-28T13:44:29","date_gmt":"2019-06-28T16:44:29","guid":{"rendered":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/?p=4328"},"modified":"2020-10-30T21:23:20","modified_gmt":"2020-10-31T00:23:20","slug":"seis-meses-de-governo-hora-de-analisar-a-que-vieram","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/seis-meses-de-governo-hora-de-analisar-a-que-vieram\/","title":{"rendered":"Seis meses de governo: hora de analisar a que vieram"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_4329\" aria-describedby=\"caption-attachment-4329\" style=\"width: 2720px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-4329\" src=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/fila-para-comida-3454118288-1561740259439.jpg\" alt=\"A dedu&ccedil;&atilde;o que se faz dos indicadores de mercado &eacute; de uma tremenda estagna&ccedil;&atilde;o com vi&eacute;s de crescimento zero, ou negativo.\" width=\"2720\" height=\"1532\" srcset=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/fila-para-comida-3454118288-1561740259439.jpg 2720w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/fila-para-comida-3454118288-1561740259439-300x169.jpg 300w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/fila-para-comida-3454118288-1561740259439-768x433.jpg 768w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/fila-para-comida-3454118288-1561740259439-1024x577.jpg 1024w\" sizes=\"auto, (max-width: 2720px) 100vw, 2720px\"><figcaption id=\"caption-attachment-4329\" class=\"wp-caption-text\">A dedu&ccedil;&atilde;o que se faz dos indicadores de mercado &eacute; de uma tremenda estagna&ccedil;&atilde;o com vi&eacute;s de crescimento zero, ou negativo.<\/figcaption><\/figure>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Paulo Roberto Bretas<br>\nEconomista<\/p>\n<p>Ap&oacute;s quase seis meses de governo, mesmo representando apenas uma amostra de 12,5% do seu tempo total de quatro anos do mandato, n&atilde;o se pode esperar boas coisas para o futuro do Brasil, mesmo com Deus acima de todos. O pa&iacute;s desejado pelos brasileiros, inclusive por n&oacute;s, economistas, &eacute; um pa&iacute;s com desenvolvimento econ&ocirc;mico; com distribui&ccedil;&atilde;o de renda e consumo ao alcance das pessoas; cuidados adequados com as crian&ccedil;as, adolescentes e idosos; justi&ccedil;a social e tribut&aacute;ria; al&eacute;m de uma democracia forte e respeitada. Este pa&iacute;s, desafortunadamente, est&aacute; longe de acontecer nos pr&oacute;ximos anos.<\/p>\n<p>A pouca certeza que se t&ecirc;m &eacute; a de termos que conviver com um governo do improviso, alicer&ccedil;ado em ideologias fundamentalistas crist&atilde;s, situado &agrave; direita no espectro pol&iacute;tico, envolto num conservadorismo radical, quase medieval, que muitas vezes expressa sua ignor&acirc;ncia e estupidez como quem advoga as falsas verdades do pensamento &uacute;nico. Seus pilares s&atilde;o suportados por ampla gama de militares da reserva &ndash; alguns j&aacute; arrependidos ao verificar a &ldquo;queima&ccedil;&atilde;o&rdquo; do nome da institui&ccedil;&atilde;o, evang&eacute;licos radicais e alguns seguidores do Professor Olavo de Carvalho, que ocupam alguns dos mais importantes cargos da Rep&uacute;blica. Mesmo com esta base de apoio derivada do processo eleitoral, o presidente n&atilde;o constr&oacute;i nenhuma estabilidade administrativa, na medida em que ministros e dirigentes de estatais seguem sendo trocados todos os meses, pelos mais inusitados e imagin&aacute;rios motivos.<\/p>\n<p>Verdades cient&iacute;ficas v&ecirc;m sendo negadas continuadamente pelos novos expoentes da Rep&uacute;blica. Muitos dos participantes agem e se expressam sem compromisso com a verdade, ou mesmo com respeito &agrave;s diverg&ecirc;ncias inerentes &agrave; busca da verdade. Atuam com desprezo &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas e com impaci&ecirc;ncia em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s diferen&ccedil;as. Fica claro um desejo &iacute;ntimo autorit&aacute;rio de poder governar por decretos, em continuar em guerra eleitoral com os opositores e com os demais poderes da Rep&uacute;blica.<\/p>\n<p>As conex&otilde;es com ideologias que advogam combater a viol&ecirc;ncia com mais viol&ecirc;ncia, traduzidas pelo incondicional apoio &agrave; libera&ccedil;&atilde;o de armas, transfere as pol&iacute;ticas de seguran&ccedil;a da esfera p&uacute;blica para a esfera privada &ndash; a l&oacute;gica &eacute; que cada qual se proteja com suas armas, como puder. Bandido bom &eacute; bandido morto, desde que a direita armada eleja esses bandidos.<\/p>\n<p>Algumas das conquistas civilizat&oacute;rias da humanidade no campo da igualdade de g&ecirc;neros, da justi&ccedil;a do trabalho, da participa&ccedil;&atilde;o social, da garantia dos direitos sociais e do respeito ao meio ambiente est&atilde;o sendo revistas para pior. Minorias s&atilde;o tratadas a ferro e fogo, ind&iacute;genas e quilombolas que o digam.<\/p>\n<p>No &acirc;mbito da pol&iacute;tica ambiental Bolsonaro prometeu abrir a Floresta Amaz&ocirc;nica para a minera&ccedil;&atilde;o, acabar com a demarca&ccedil;&atilde;o de terras ind&iacute;genas e enfraquecer as ag&ecirc;ncias de prote&ccedil;&atilde;o ambientais, al&eacute;m de desqualificar as discuss&otilde;es sobre o aquecimento global. O presidente do Brasil que sempre foi reconhecido como uma lideran&ccedil;a mundiais, pela import&acirc;ncia do pa&iacute;s, hoje fica isolado nos encontros internacionais muito pelo seu descaso com o meio ambiente.<\/p>\n<p>A pol&iacute;tica externa, capitaneada pelo Ministro Ernesto Ara&uacute;jo &eacute; alvo de cr&iacute;ticas internacionais pelo alinhamento absoluto aos Estados Unidos e a Israel, colocando em risco anos de constru&ccedil;&atilde;o de uma diplomacia mais neutra e amea&ccedil;ando a balan&ccedil;a comercial do Brasil, dependente de vendas para Pa&iacute;ses &Aacute;rabes, Europa e China. N&atilde;o s&atilde;o poucos os diplomatas que v&ecirc;m a p&uacute;blico manifestar vergonha em rela&ccedil;&atilde;o ao que est&aacute; acontecendo no campo das rela&ccedil;&otilde;es internacionais.<\/p>\n<p>No campo da economia, at&eacute; o momento n&atilde;o se conseguiu fazer com que tenhamos mais crescimento, com mais empregos. A cada nova divulga&ccedil;&atilde;o das proje&ccedil;&otilde;es do PIB de 2019 a taxa vem mais reduzida. A dedu&ccedil;&atilde;o que se faz dos indicadores de mercado &eacute; de uma tremenda estagna&ccedil;&atilde;o com vi&eacute;s de crescimento zero, ou negativo.<\/p>\n<p>A infla&ccedil;&atilde;o segue bastante comportada, na faixa dos 4,0%, e o Banco Central insiste em n&atilde;o reduzir a taxa b&aacute;sica de juros, se esquecendo que sua miss&atilde;o deveria ir al&eacute;m do controle da infla&ccedil;&atilde;o ajudando na recupera&ccedil;&atilde;o da economia. Se os juros seguirem altos, o Governo seguir&aacute; rolando a d&iacute;vida p&uacute;blica a custos elevados, os empres&aacute;rios n&atilde;o ter&atilde;o cr&eacute;dito barato e os consumidores fugir&atilde;o das compras parceladas.<\/p>\n<p>A economia brasileira segue com baixos &iacute;ndices de competitividade e uma m&atilde;o de obra de baixa qualifica&ccedil;&atilde;o. O desenvolvimento do pa&iacute;s depende da incorpora&ccedil;&atilde;o de novas tecnologias aos neg&oacute;cios. Para tanto &eacute; preciso haver cr&eacute;dito e incentivos. O crescimento econ&ocirc;mico depende de investimentos, que tragam mais empregos e aumentem a produtividade. O crescimento t&atilde;o almejado por toda a sociedade depende da amplia&ccedil;&atilde;o do consumo e de uma maior confian&ccedil;a de empres&aacute;rios e trabalhadores. Precisa antes esgotar a capacidade ociosa da economia para que o empres&aacute;rio volte a investir.<\/p>\n<p>Os investimentos p&uacute;blicos e privados seguem extremamente baixos em rela&ccedil;&atilde;o ao PIB. O consumo das fam&iacute;lias continua bastante t&iacute;mido. O cr&eacute;dito na ponta segue dificultado por juros elevados, alimentados pelo combust&iacute;vel da especula&ccedil;&atilde;o. Os impostos seguem altos para padr&otilde;es internacionais, o crescimento da rela&ccedil;&atilde;o d&iacute;vida\/PIB vai chegando aos 80%. Os desentendimentos com o Congresso Nacional e as mais altas cortes do pa&iacute;s t&ecirc;m sido constantes.<\/p>\n<p>Para um governo adepto da livre iniciativa e do pouco intervencionismo do Estado, este tem sido muito pouco afeito para abrir mais a economia brasileira &agrave; concorr&ecirc;ncia. Um, governo que faz pouco para desburocratizar suas rela&ccedil;&otilde;es com a sociedade, faz muito pouco para simplificar impostos e taxas, reduzindo suas al&iacute;quotas. Afinal, que esp&eacute;cie de liberalismo &eacute; este? Qual &eacute; o plano de voo do Governo nos ajustes microecon&ocirc;micos?<\/p>\n<p>Que ningu&eacute;m venha dizer que a Reforma da Previd&ecirc;ncia resolver&aacute; os problemas do pa&iacute;s, Nem mesmo reduzir&aacute; os gastos p&uacute;blicos, no curto prazo. A Previd&ecirc;ncia Social precisa mesmo &eacute; retomar seu lugar no cen&aacute;rio brasileiro de combate aos hist&oacute;ricos desn&iacute;veis de renda do pa&iacute;s. O atual governo s&oacute; consegue enxerg&aacute;-la pela &oacute;tica das despesas. Se aprovada uma reforma, j&aacute; se pode definir quem pagar&aacute; boa parte da conta: o povo pobre e humilde, ganhador de at&eacute; um sal&aacute;rio-m&iacute;nimo. S&atilde;o 67 milh&otilde;es de brasileiros, que sobrevivem com um sal&aacute;rio-m&iacute;nimo por m&ecirc;s. Destes, algo em torno de 23 milh&otilde;es s&atilde;o aposentados e 44 milh&otilde;es est&atilde;o em atividade.<\/p>\n<p>A confian&ccedil;a dos chamados agentes econ&ocirc;micos, que j&aacute; esteve alta no in&iacute;cio do ano, vem caindo a cada m&ecirc;s. A sociedade vai se cansando de um governo que segue se equilibrando em meio a tentativas e erros. Talvez mais erros do que tentativas.<\/p>\n<p>Enquanto o governo naufraga, as desigualdades sociais se ampliam no pa&iacute;s, com n&iacute;vel de desemprego elevado, trabalho informal substituindo o formal e a renda m&eacute;dia dos brasileiros em queda. Mais e mais pessoas v&atilde;o dando adeus &agrave; classe m&eacute;dia. O Brasil vai voltando ao mapa da fome, enquanto a renda se concentra nas m&atilde;os de uma elite rentista e retr&oacute;grada. Num cen&aacute;rio como este qual o futuro para a maioria dos brasileiros? Que futuro tem este governo?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":4329,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[22,2245,2246],"tags":[1327,369,1325,1326],"class_list":{"0":"post-4328","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-indicadores","8":"category-conjuntura","9":"category-paulo-roberto-bretas","10":"tag-balanco-de-governo","11":"tag-futuro-da-economia","12":"tag-governo-bolsonaro","13":"tag-tendencias-da-economia"},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/fila-para-comida-3454118288-1561740259439.jpg","post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4328","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4328"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4328\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4329"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4328"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4328"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4328"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}