{"id":43,"date":"2015-09-22T13:25:47","date_gmt":"2015-09-22T16:25:47","guid":{"rendered":"https:\/\/litebold.co\/~radardofuturo\/ativista-defende-expansao-das-politicas-de-ciclismo\/"},"modified":"2020-10-07T20:13:59","modified_gmt":"2020-10-07T23:13:59","slug":"ativista-defende-expansao-das-politicas-de-ciclismo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/ativista-defende-expansao-das-politicas-de-ciclismo\/","title":{"rendered":"Ativista defende expans\u00e3o das pol\u00edticas de ciclismo"},"content":{"rendered":"<p>Pessoas est&atilde;o confundindo direito de ir e vir com direito de dirigir<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12.8px; line-height: 1.5;\">Bruno Bocchini<br><\/span>Rep&oacute;rter da Ag&ecirc;ncia Brasil<\/p>\n\n<p>Diretor da Associa&ccedil;&atilde;o dos Ciclistas Urbanos de S&atilde;o Paulo (Ciclocidade), uma das entidades mais ativas na defesa do uso de bicicletas na capital paulista, Daniel Guth defende o desest&iacute;mulo ao uso de ve&iacute;culos na cidade e o incremento a outros modais de transporte como a bicicleta e o transporte coletivo.<\/p>\n<p>Para ele, a instala&ccedil;&atilde;o de vias exclusivas de &ocirc;nibus na cidade, assim como para as bicicletas, a retirada de vagas de estacionamento para carros e o fechamento de rua aos ve&iacute;culos motorizados tem gerado nos motoristas o sentimento de perda de espa&ccedil;o e a falsa sensa&ccedil;&atilde;o da perda de direitos.<\/p>\n<p>&ldquo;As pessoas est&atilde;o confundindo o direito de ir e vir com o direito de dirigir. N&atilde;o pode haver essa confus&atilde;o. Quando n&atilde;o &eacute; permitido a voc&ecirc; circular de carro, n&atilde;o est&aacute; se cerceando o seu direito de ir e vir, voc&ecirc; pode muito bem se deslocar, a p&eacute;, de bicicleta, de transporte p&uacute;blico, uma s&eacute;rie de outros modos de transporte. As pessoas confundem, muitas vezes, o direito constitucional de ir e vir com o direito de dirigir&rdquo;, disse Guth, em entrevista &agrave; Ag&ecirc;ncia Brasil, para marcar o Dia Nacional sem Carro, comemorado no dia 22 de setembro.<\/p>\n<p>A seguir, a &iacute;ntegra da entrevista:<\/p>\n<p><strong>Ag&ecirc;ncia Brasil<\/strong>: os modais bicicleta e carro n&atilde;o t&ecirc;m como se complementar sem que haja um enfrentamento entre as partes, como hoje vemos em S&atilde;o Paulo?<\/p>\n<p><strong>Daniel Guth<\/strong>: n&atilde;o &eacute; que existe um enfrentamento deliberado, do ponto de vista do discurso. Quando voc&ecirc; tira uma faixa de estacionamento na rua e coloca uma ciclovia, os motoristas t&ecirc;m visto isso como enfrentamento. Mas isso n&atilde;o &eacute; enfrentamento, isso &eacute; s&oacute; uma pol&iacute;tica de inclus&atilde;o.<\/p>\n<p>Quem se desloca de autom&oacute;vel na cidade de S&atilde;o Paulo representa pouco menos de um ter&ccedil;o da popula&ccedil;&atilde;o, e esse um ter&ccedil;o ocupa 80% da via p&uacute;blica. A via p&uacute;blica &eacute; para todos, n&atilde;o &eacute; s&oacute; para o autom&oacute;vel. Um &uacute;nico meio de transporte est&aacute; ocupando 80% do espa&ccedil;o que &eacute; para todo mundo. Isso &eacute; chocante, isso &eacute; falta de equidade.<\/p>\n<p>Quando voc&ecirc; tira um pouco desse espa&ccedil;o para dar a outros modais, que t&ecirc;m tantos direitos ou mais, como diz a legisla&ccedil;&atilde;o, ent&atilde;o as pessoas veem isso como enfrentamento. Mas isso tem a ver muito mais com um s&eacute;culo de narrativa da ind&uacute;stria automobil&iacute;stica, da publicidade, do que efetivamente um enfrentamento na pr&aacute;tica, como voc&ecirc; citou.<\/p>\n<p>Tem muito mais a ver com a sensa&ccedil;&atilde;o de perda de direitos que, na verdade, n&atilde;o s&atilde;o direitos, s&atilde;o privil&eacute;gios. Estacionar na rua nunca foi um direito, sempre foi um privil&eacute;gio, e um privil&eacute;gio que a gente tem que aprender a abrir m&atilde;o. Estacionar na via p&uacute;blica &eacute; uma privatiza&ccedil;&atilde;o tosca do espa&ccedil;o p&uacute;blico. Quando se retira estacionamentos, as pessoas sentem que perderam direito.<\/p>\n<p>H&aacute; uma confus&atilde;o entre direito de ir e vir e direito de dirigir. N&atilde;o pode haver essa confus&atilde;o. Quando n&atilde;o &eacute; permitido a voc&ecirc; circular de carro, n&atilde;o est&aacute; se cerceando o seu direito de ir e vir, voc&ecirc; pode muito bem se deslocar, a p&eacute;, de bicicleta, de transporte p&uacute;blico, uma s&eacute;rie de outros modos de transporte. As pessoas confundem muitas vezes o direito constitucional de ir e vir com o direito de dirigir.<\/p>\n<p>No caso do fechamento de ruas para carros, como ocorre na Avenida Paulista, o debate, em vez de ser feito no sentido de entender que esse espa&ccedil;o tem de ser devolvido &agrave;s pessoas, que podem usufruir a avenida de outra maneira, as pessoas elas encaram isso como um enfrentamento, como se tivessem perdendo direitos. Isso tem a ver muito mais com uma an&aacute;lise subjetiva, social, cultural, do que com enfrentamento direto, um embate, uma acarea&ccedil;&atilde;o de ideias, de argumentos.<\/p>\n<p><strong>Ag&ecirc;ncia Brasil<\/strong>: h&aacute; muita resist&ecirc;ncia dos motoristas?<\/p>\n<p><strong>Guth<\/strong>: n&atilde;o h&aacute; nenhuma medida de desest&iacute;mulo ao uso do carro que n&atilde;o seja acompanhada de uma resist&ecirc;ncia dos motoristas. E n&atilde;o &eacute; falta de di&aacute;logo, n&atilde;o &eacute; falta de argumentos, n&atilde;o &eacute; falta de campanhas, &eacute; simplesmente o fato de que essas pessoas est&atilde;o sentindo a perda de privil&eacute;gios.<\/p>\n<p>Todas as cidades do mundo que entenderam que o modelo &ldquo;rodoviarista&rdquo; tem um limite &ndash; h&aacute; um ponto em que a cidade n&atilde;o anda mais porque n&atilde;o h&aacute; sistema que comporte a quantidade de autom&oacute;veis &ndash; passaram a criar medidas e pol&iacute;ticas p&uacute;blicas que, de certa forma, criaram resist&ecirc;ncias porque tiveram que tirar espa&ccedil;o desse &uacute;nico modal que reinou nas cidades.<\/p>\n<p>Nova York, Londres e Paris passaram por isso, Bogot&aacute; passou por isso, Buenos Aires tem passado por isso, a Cidade do M&eacute;xico tem passado por isso, e n&atilde;o estou s&oacute; falando de cidades europeias, estou falando de cidades vizinhas nossas. S&atilde;o Paulo tem de enfrentar isso com serenidade, com argumenta&ccedil;&atilde;o, porque n&atilde;o &eacute; uma quest&atilde;o de bicicleta contra o carro, transporte p&uacute;blico contra o carro, n&atilde;o.<\/p>\n<p>&Eacute; uma quest&atilde;o de dar maior equidade &agrave;queles que merecem ser inclu&iacute;dos, aqueles que sempre estiveram marginalizados, e isso significa obviamente tirar espa&ccedil;o do carro. Isso n&atilde;o &eacute; um enfrentamento, isso &eacute; um processo natural, que tem que acontecer.<\/p>\n<p><strong>Ag&ecirc;ncia Brasil<\/strong>: em que medida o uso da bicicleta pode dar mais acesso &agrave; cidade e &agrave; cidadania?<\/p>\n<p><strong>Guth<\/strong>: a bicicleta &eacute; um ve&iacute;culo porta a porta. Voc&ecirc; consegue sair da sua origem e chegar a seu destino com esse &uacute;nico meio de transporte. Isso d&aacute; autonomia, garante direito ao deslocamento. &Eacute; um ve&iacute;culo econ&ocirc;mico, n&atilde;o apenas porque &eacute; mais barato comprar uma bicicleta, mas tamb&eacute;m porque a manuten&ccedil;&atilde;o &eacute; m&iacute;nima, &eacute; com a sua pr&oacute;pria energia que voc&ecirc; vai se deslocar.<\/p>\n<p>Ela n&atilde;o requer nenhuma outra media&ccedil;&atilde;o de combust&iacute;vel, a n&atilde;o ser a sua pr&oacute;pria energia, o que tamb&eacute;m garante maior direito &agrave; cidade, uma vez que ela pode ser acess&iacute;vel a todos, todos que tenham condi&ccedil;&otilde;es f&iacute;sicas de utiliz&aacute;-la. Outro elemento importante &eacute; a velocidade, a bicicleta traz um elemento importante para a rela&ccedil;&atilde;o com a cidade que &eacute; velocidade mais baixa.<\/p>\n<p>Faz com que a pessoa tenha uma rela&ccedil;&atilde;o de maior troca, de maior diversidade de trocas com a cidade, seja com o com&eacute;rcio de rua, seja com as pessoas. Ao pedalar a uma m&eacute;dia de 10 a 15 quil&ocirc;metros por hora, voc&ecirc; est&aacute; muito mais afeito a consumir em uma loja, a parar para cumprimentar algu&eacute;m, a conversar com as pessoas, a interagir com a cidade de outra maneira, coisa que com outros meios de transporte, no caso o carro, &ocirc;nibus ou o metr&ocirc; e trem, voc&ecirc; n&atilde;o consegue fazer.<\/p>\n<p>H&aacute; v&aacute;rios outros elementos, como promover a sa&uacute;de, seja para a cidade seja para si mesmo, a sensa&ccedil;&atilde;o de pertencimento e de senso cr&iacute;tico da cidade, Todo mundo que passa a se deslocar de bicicleta naturalmente acaba tendo uma vis&atilde;o mais cr&iacute;tica sobre o meio urbano. Passa a sentir as agruras da cidade de uma maneira mais intensa, seja a viol&ecirc;ncia do tr&acirc;nsito, sejam os cheiros, a falta de infraestrutura, a qualidade do asfalto, a feiura e a beleza da arquitetura. Ou seja, em cima de uma bicicleta voc&ecirc; consegue perceber a sutileza dos elementos urban&iacute;sticos de maneira muito mais intensa, o que agu&ccedil;a o senso cr&iacute;tico.<\/p>\n<p><strong>Ag&ecirc;ncia Brasil<\/strong>: neste dia 22 de setembro se comemora o Dia Mundial Sem Carro. Como voc&ecirc; avalia as alternativas a esse meio de transporte em S&atilde;o Paulo?<\/p>\n<p><strong>Guth<\/strong>: &eacute; um dia de concentra&ccedil;&atilde;o de esfor&ccedil;os para mostrar que outra cidade, do ponto de vista da mobilidade, &eacute; poss&iacute;vel. S&atilde;o Paulo chegou a um esgotamento do modelo &ldquo;carroc&ecirc;ntrico&rdquo;, de s&oacute; nortear as pol&iacute;ticas de mobilidade em uma vis&atilde;o exclusivista nesse modelo &ldquo;rodovi&aacute;rista&rdquo;. Um novo paradigma para a mobilidade urbana &eacute; necess&aacute;rio, e ele est&aacute; em curso.<\/p>\n<p>N&oacute;s temos o amparo bastante forte de legisla&ccedil;&otilde;es, sejam elas federais, estaduais ou municipais, que colocam a devida prioridade para a mobilidade urbana a partir do transporte coletivo, e depois dos modos ativos de transporte, que s&atilde;o majoritariamente a bicicleta e o pedestre.<\/p>\n<p>Tendo esses marcos legais importantes, a gente entende que a cidade de S&atilde;o Paulo tem feito isso, talvez com um pouco mais de intensidade, e por isso tem gerado mais debates. [A cidade] tem passado a inverter a l&oacute;gica que sempre foi vigente. E, necessariamente para isso, &eacute; preciso desestimular o uso do carro.<\/p>\n<p>S&atilde;o Paulo tem tomado diversas medidas para desestimular o uso do carro, de maneira piloto. Mudan&ccedil;as que precisam ser feitas, como por exemplo a remo&ccedil;&atilde;o de faixas de estacionamento nas ruas, a cria&ccedil;&atilde;o de mais infraestrutura ciclovi&aacute;ria, a cria&ccedil;&atilde;o de corredores e faixas exclusivas de &ocirc;nibus, a amplia&ccedil;&atilde;o de cal&ccedil;adas, a retirada de vagas de estacionamento para ampliar as cal&ccedil;adas, para que quem queira caminhar a p&eacute; possa fazer isso com conforto e seguran&ccedil;a.<\/p>\n<p>O que o Poder P&uacute;blico faz ao dar prioridade ao transporte coletivo, aos modos ativos de transporte, n&atilde;o &eacute; nada mais do que seguir o que a legisla&ccedil;&atilde;o j&aacute; manda. Ent&atilde;o, n&atilde;o h&aacute; nenhuma grande ilumina&ccedil;&atilde;o de um gestor, pol&iacute;tico ou prefeito. O que h&aacute; &eacute; o cumprimento do que est&aacute; na legisla&ccedil;&atilde;o. Que precisa ser intensificado.<\/p>\n<div>Edi&ccedil;&atilde;o: Gra&ccedil;a Adjuto<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pessoas est&atilde;o confundindo direito de ir e vir com direito de dirigir<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[20],"tags":[],"class_list":{"0":"post-43","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","6":"category-destaques"},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=43"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/43\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=43"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=43"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=43"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}