{"id":374,"date":"2017-06-21T13:12:52","date_gmt":"2017-06-21T16:12:52","guid":{"rendered":"https:\/\/litebold.co\/~radardofuturo\/apenas-5-das-profissoes-serao-totalmente-extintas\/"},"modified":"2017-06-21T13:12:52","modified_gmt":"2017-06-21T16:12:52","slug":"apenas-5-das-profissoes-serao-totalmente-extintas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/apenas-5-das-profissoes-serao-totalmente-extintas\/","title":{"rendered":"Apenas 5% das profiss\u00f5es ser\u00e3o totalmente extintas"},"content":{"rendered":"<p>O trabalho na era da automa&ccedil;&atilde;o<\/p>\n<p>Os avan&ccedil;os em intelig&ecirc;ncia artificial e rob&oacute;tica est&atilde;o provocando uma nova onda de automa&ccedil;&atilde;o, com m&aacute;quinas que combinam ou superam os seres humanos numa rapidamente crescente gama de tarefas, inclusive algumas que exigem capacidades cognitivas complexas e educa&ccedil;&atilde;o de n&iacute;vel superior.<\/p>\n<p>Esse processo superou as expectativas dos especialistas. N&atilde;o &eacute; de surpreender que seus poss&iacute;veis efeitos negativos sobre a quantidade e a qualidade do emprego levantaram s&eacute;rias preocupa&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Ouvindo o governo do presidente Donald Trump, poder&iacute;amos pensar que o com&eacute;rcio continua a ser o principal motivo para a perda de empregos de manufatura nos EUA. O secret&aacute;rio do Tesouro de Trump, Steven Mnuchin, declarou que o poss&iacute;vel deslocamento tecnol&oacute;gico dos trabalhadores &ldquo;sequer est&aacute; na tela do radar [do governo]&rdquo;.<\/p>\n<p>Entre os economistas, por&eacute;m, o consenso &eacute; de que cerca de 80% da perda de empregos na ind&uacute;stria de transforma&ccedil;&atilde;o americana nas &uacute;ltimas tr&ecirc;s d&eacute;cadas foi resultado de mudan&ccedil;as tecnol&oacute;gicas que poupam m&atilde;o de obra e incrementam a produtividade, ficando o com&eacute;rcio em distante segundo lugar.<\/p>\n<p>A quest&atilde;o, ent&atilde;o, &eacute; se estamos rumando para um futuro de desemprego, em que a tecnologia deixa muita gente desempregada, ou um &ldquo;bom futuro sem empregos&rdquo; , no qual um n&uacute;mero crescente de trabalhadores n&atilde;o pode mais auferir uma renda de classe m&eacute;dia, independentemente de educa&ccedil;&atilde;o e habilidades. A resposta pode ser: um pouco de cada coisa.<\/p>\n<p>O estudo mais recente sobre o tema descobriu que, de 1990 a 2007, a penetra&ccedil;&atilde;o de rob&ocirc;s industriais prejudicou tanto o emprego como os sal&aacute;rios.<\/p>\n<p>Com base nas simula&ccedil;&otilde;es do estudo, os rob&ocirc;s custam provavelmente cerca de 400 mil postos de trabalho por ano nos EUA. Muitos deles s&atilde;o empregos de renda m&eacute;dia na produ&ccedil;&atilde;o, especialmente em setores como o automobil&iacute;stico, de pl&aacute;sticos e de produtos farmac&ecirc;uticos.<\/p>\n<p>Claro, como salientou um recente relat&oacute;rio do Instituto de Pol&iacute;tica Econ&ocirc;mica, esses n&atilde;o s&atilde;o n&uacute;meros grandes, em compara&ccedil;&atilde;o com a dimens&atilde;o geral do mercado de trabalho americano.<\/p>\n<p>Mas as perdas locais de emprego tiveram efetivamente um impacto: muitas das comunidades mais afetadas estavam nos estados do Meio-&shy;Oeste e do Sul dos Estados Unidoa, que votaram em Trump, em grande parte por suas promessas protecionistas.<\/p>\n<p>&Agrave; medida que a automa&ccedil;&atilde;o substitui o trabalho em um n&uacute;mero crescente de ocupa&ccedil;&otilde;es, o impacto sobre a quantidade e a qualidade dos empregos se intensificar&aacute;.<\/p>\n<p>E, como mostra um estudo do McKinsey Global Institute, h&aacute; muito mais espa&ccedil;o para tal substitui&ccedil;&atilde;o. O estudo, que abrangeu 46 pa&iacute;ses e 80% da for&ccedil;a de trabalho mundial, descobriu que poucas ocupa&ccedil;&otilde;es, &shy; menos de 5%,&shy; poderiam ser totalmente automatizadas. Mas cerca de 60% de todas as ocupa&ccedil;&otilde;es podem ter pelo menos 30% de suas tarefas ou atividades automatizadas com base em tecnologias atuais comprovadas.<\/p>\n<p>As atividades mais suscet&iacute;veis &agrave; automa&ccedil;&atilde;o em curto prazo s&atilde;o tarefas cognitivas rotineiras, como coleta e processamento de dados, bem como atividades manuais e f&iacute;sicas de rotina em ambientes estruturados e previs&iacute;veis. Tais atividades agora representam 51% dos sal&aacute;rios nos EUA e predominam em setores que empregam grande n&uacute;mero de<\/p>\n<p>A ampla distribui&ccedil;&atilde;o dos benef&iacute;cios das m&aacute;quinas inteligentes n&atilde;o depender&aacute; de seu design, mas da estrutura&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas que as cercam. Infelizmente, a equipe do presidente Donald Trump n&atilde;o compreendeu a mensagem trabalhadores, entre eles servi&ccedil;os de hotelaria e de alimentos, manufatura e varejo.<\/p>\n<p>O relat&oacute;rio McKinsey tamb&eacute;m identificou uma correla&ccedil;&atilde;o negativa entre, por um lado, a remunera&ccedil;&atilde;o de tarefas e os n&iacute;veis de habilidades por elas exigidas e, por outro, o potencial para sua automa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>No c&ocirc;mputo geral, a automa&ccedil;&atilde;o reduz a demanda por m&atilde;o de obra de baixa e m&eacute;dia habilidades em tarefas rotineiras de menor remunera&ccedil;&atilde;o, ao mesmo tempo em que intensifica a demanda por m&atilde;o de obra altamente qualificada e de alto desempenho, realizando tarefas abstratas que exigem habilidades t&eacute;cnicas e de resolu&ccedil;&atilde;o de problemas. Em suma, as mudan&ccedil;as tecnol&oacute;gicas tendem a privilegiar os mais capacitados.<\/p>\n<p>Ao longo dos &uacute;ltimos 30 anos, as mudan&ccedil;as tecnol&oacute;gicas que privilegiam os mais capacitados alimentaram a polariza&ccedil;&atilde;o tanto dos empregos como dos sal&aacute;rios, e assim os trabalhadores m&eacute;dios que enfrentam estagna&ccedil;&atilde;o salarial real e os trabalhadores sem curso superior sofrem um decl&iacute;nio significativo em seus ganhos reais. Essa polariza&ccedil;&atilde;o alimenta a crescente desigualdade na distribui&ccedil;&atilde;o da renda da m&atilde;o de obra, o que por sua vez impulsiona o crescimento da desigualdade geral de renda &shy; din&acirc;mica enfatizada por muitos economistas, de David Autor a Thomas Piketty.<\/p>\n<p>Como Michael Spence e eu argumentamos em artigo recente, m&aacute;quinas inteligentes que privilegiam as pessoas mais capacitadas e deslocam m&atilde;o de obra, e a tend&ecirc;ncia para a automa&ccedil;&atilde;o, impulsionam a desigualdade de renda de v&aacute;rias outras maneiras.<\/p>\n<p>Mudan&ccedil;as tecnol&oacute;gicas, ressaltamos Spence e eu, tamb&eacute;m produziram outra consequ&ecirc;ncia amplificadora de desigualdades: elas &ldquo;turbinaram&rdquo; a globaliza&ccedil;&atilde;o, permitindo que empresas forne&ccedil;am, monitorem e coordenem processos de produ&ccedil;&atilde;o em locais distantes de forma r&aacute;pida e barata com o objetivo de aproveitar menores custos trabalhistas. Diante disso, &eacute; dif&iacute;cil distinguir entre os efeitos da tecnologia e os efeitos da globaliza&ccedil;&atilde;o sobre o emprego, os sal&aacute;rios e a desigualdade de renda nos pa&iacute;ses desenvolvidos.<\/p>\n<p>O relat&oacute;rio &ldquo;Perspectivas Econ&ocirc;micas Mundiais&rdquo; do FMI de abril de 2017, atribui cerca de 50% do decl&iacute;nio de 30 anos da participa&ccedil;&atilde;o do trabalho na renda nacional nas economias desenvolvidas ao impacto da tecnologia. A globaliza&ccedil;&atilde;o, estima o FMI, contribuiu para cerca de metade do decl&iacute;nio.<\/p>\n<p>O aumento dos temores quanto aos poss&iacute;veis efeitos de ferramentas cada vez mais inteligentes sobre o emprego, sal&aacute;rios e a desigualdade de renda resultou na defesa de pol&iacute;ticas como um imposto sobre os rob&ocirc;s. No entanto, tais pol&iacute;ticas prejudicariam a inova&ccedil;&atilde;o e o crescimento da produtividade, a principal for&ccedil;a por tr&aacute;s do aumento dos padr&otilde;es de vida.<\/p>\n<p>Em vez de enjaular a galinha dos ovos de ouro do progresso tecnol&oacute;gico, os formuladores de pol&iacute;ticas deveriam concentrar&shy;se em medidas que ajudem os prejudicados, como programas de educa&ccedil;&atilde;o e treinamento e redes de seguran&ccedil;a social.<\/p>\n<p>Tr&ecirc;s anos atr&aacute;s, argumentei que a ampla distribui&ccedil;&atilde;o dos benef&iacute;cios das m&aacute;quinas inteligentes n&atilde;o depender&aacute; de seu design, mas da estrutura&ccedil;&atilde;o das pol&iacute;ticas que as cercam. A partir de ent&atilde;o, n&atilde;o permaneci sozinha. Infelizmente, a equipe de Trump n&atilde;o compreendeu a mensagem. (Tradu&ccedil;&atilde;o de Sergio Blum)<\/p>\n<p>Laura Tyson, ex&shy;presidente do Conselho de Assessores Econ&ocirc;micos do presidente dos EUA, &eacute; professora da Haas School of Business da Universidade da Calif&oacute;rnia, em Berkeley, e assessora s&ecirc;nior do Rock Creek Group.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O trabalho na era da automa&ccedil;&atilde;o Os avan&ccedil;os em intelig&ecirc;ncia artificial e rob&oacute;tica est&atilde;o provocando uma nova onda de automa&ccedil;&atilde;o, com m&aacute;quinas que combinam ou superam os seres humanos numa rapidamente crescente gama de tarefas, inclusive algumas que exigem capacidades cognitivas complexas e educa&ccedil;&atilde;o de n&iacute;vel superior. Esse processo superou as expectativas dos especialistas. 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