{"id":3351,"date":"2019-04-16T12:09:31","date_gmt":"2019-04-16T15:09:31","guid":{"rendered":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/?p=3351"},"modified":"2019-04-16T12:10:11","modified_gmt":"2019-04-16T15:10:11","slug":"ciencia-de-dados-impacta-a-capital-brasileira-da-tecnologia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/ciencia-de-dados-impacta-a-capital-brasileira-da-tecnologia\/","title":{"rendered":"Ci\u00eancia de dados impacta a capital brasileira da tecnologia"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_3370\" aria-describedby=\"caption-attachment-3370\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/DATA4_tratada_Credito_Reinaldo_Mizutani.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3370 size-large\" src=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/DATA4_tratada_Credito_Reinaldo_Mizutani-1024x577.jpg\" alt=\"quem atua no ensino e na pesquisa na &aacute;rea de ci&ecirc;ncia de dados tem se surpreendido com a constante peregrina&ccedil;&atilde;o realizada pelas empresas a institutos especializados buscando m&atilde;o-de-obra qualificada - foto: Reinaldo_Mizutani\" width=\"1024\" height=\"577\" srcset=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/DATA4_tratada_Credito_Reinaldo_Mizutani-1024x577.jpg 1024w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/DATA4_tratada_Credito_Reinaldo_Mizutani-300x169.jpg 300w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/DATA4_tratada_Credito_Reinaldo_Mizutani-768x433.jpg 768w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/DATA4_tratada_Credito_Reinaldo_Mizutani.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3370\" class=\"wp-caption-text\">Quem atua no ensino e na pesquisa na &aacute;rea de ci&ecirc;ncia de dados tem se surpreendido com a constante peregrina&ccedil;&atilde;o realizada pelas empresas a institutos especializados buscando m&atilde;o-de-obra qualificada -foto: Reinaldo_Mizutani<\/figcaption><\/figure>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>ICMC USP<\/p>\n<p>O <em>foodtruck<\/em> que fornece sua comida favorita, o laborat&oacute;rio onde voc&ecirc; fez seus &uacute;ltimos exames m&eacute;dicos, o banco em que voc&ecirc; &eacute; correntista, a seguradora do seu carro e a prefeitura da cidade onde voc&ecirc; mora. H&aacute; um elo unindo essa lista aparentemente desconectada: os dados valiosos que cada um tem sobre voc&ecirc;. S&atilde;o como sementes que, se adequadamente germinadas, podem revelar qual tipo de culin&aacute;ria mais agrada seu paladar, o progn&oacute;stico do seu tratamento, suas futuras movimenta&ccedil;&otilde;es financeiras, a prov&aacute;vel data em que seu carro precisar&aacute; de conserto ou de um guincho e qual ser&aacute; o consumo de &aacute;gua, luz e energia da sua resid&ecirc;ncia nos pr&oacute;ximos meses.<\/p>\n<p>&Agrave; primeira vista, parece o in&iacute;cio do roteiro de mais uma s&eacute;rie futurista de fic&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica, mas pare e pense: todos esses dados est&atilde;o &agrave; disposi&ccedil;&atilde;o das institui&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas e privadas com as quais voc&ecirc; se relaciona e boa parte da tecnologia para analis&aacute;-los j&aacute; foi criada. O que falta ent&atilde;o para o futuro se tornar presente? Profissionais capacitados para gerar valor a partir da captura, do tratamento e da obten&ccedil;&atilde;o de novos conhecimentos, &uacute;teis e relevantes, com base em todos esses dados.<\/p>\n<p>&Eacute; fato que o Brasil e os demais pa&iacute;ses do mundo n&atilde;o est&atilde;o conseguindo formar a quantidade necess&aacute;ria de pessoas para lidar com esse desafio. A escassez de cientistas de dados nos Estados Unidos oscilava em torno de 140 a 190 mil profissionais, em 2018, um n&uacute;mero que s&oacute; tende a crescer. No Brasil, embora n&atilde;o exista um levantamento que mostre o tamanho da demanda n&atilde;o atendida, quem atua no ensino e na pesquisa na &aacute;rea de ci&ecirc;ncia de dados tem se surpreendido com a constante peregrina&ccedil;&atilde;o realizada pelas empresas a institutos especializados buscando m&atilde;o-de-obra qualificada e o estabelecimento de parcerias.<\/p>\n<p>Essa efervescente demanda &eacute; evidente no Instituto de Ci&ecirc;ncias Matem&aacute;ticas e de Computa&ccedil;&atilde;o da USP, em S&atilde;o Carlos, a cerca de 240 quil&ocirc;metros da capital do Estado de S&atilde;o Paulo. Conhecida como capital da tecnologia, a cidade est&aacute; se transformando na &ldquo;meca&rdquo; brasileira da ci&ecirc;ncia de dados, um campo que se constr&oacute;i na interse&ccedil;&atilde;o de conhecimentos computacionais, estat&iacute;sticos e matem&aacute;ticos.<\/p>\n<p>&ldquo;S&atilde;o Carlos est&aacute; no olho do furac&atilde;o&rdquo;, declara o professor Andr&eacute; de Carvalho, vice-diretor do ICMC e do Centro de Ci&ecirc;ncias Matem&aacute;ticas Aplicadas &agrave; Ind&uacute;stria da USP. Ele revela que grandes corpora&ccedil;&otilde;es visitam constantemente o ICMC para efetuar processos seletivos e buscar parcerias cient&iacute;ficas para lidar com seus bancos de dados. Recentemente, por exemplo, Serasa Experian, Intel e Magazine Luiza anunciaram que v&atilde;o instalar centros de pesquisa na cidade.<\/p>\n<h2>Eles valem ouro<\/h2>\n<p>Mas por que tantas empresas est&atilde;o desesperadas pela ajuda dos cientistas de dados? Ora, hoje, cada ser humano com um dispositivo m&oacute;vel em m&atilde;os &eacute; um produtor de dados, os quais s&atilde;o gerados em velocidade, volume e variedade cada vez maiores. Esses bancos de dados, quando n&atilde;o s&atilde;o utilizados adequadamente pelas institui&ccedil;&otilde;es, acabam se tornando verdadeiros elefantes brancos.<\/p>\n<p>S&atilde;o elefantes que consumem recursos valiosos &ndash; pense em quanto espa&ccedil;o f&iacute;sico e virtual &eacute; preciso para armazen&aacute;-los &ndash; e n&atilde;o s&atilde;o poucos os gestores que se assustam diante desse cen&aacute;rio complexo de n&uacute;meros, nomes, datas, telefones, e-mails, endere&ccedil;os, coment&aacute;rios, curtidas, imagens, v&iacute;deos&hellip; &Eacute; um amontoado heterog&ecirc;neo que costuma conter informa&ccedil;&otilde;es preciosas, capazes de levar &agrave; solu&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rios problemas e permitir avan&ccedil;os significativos &agrave;s institui&ccedil;&otilde;es, contribuindo para a tomada de melhores decis&otilde;es. H&aacute; potencial para aumentar receitas, reduzir custos, aprimorar experi&ecirc;ncias de clientes e promover inova&ccedil;&otilde;es. N&atilde;o saber o que fazer diante dessa riqueza de dados &eacute;, no m&iacute;nimo, desesperador.<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; &agrave; toa que, nos rankings internacionais que apresentam as melhores carreiras, os cientistas de dados sempre est&atilde;o em destaque. Na avalia&ccedil;&atilde;o sobre os melhores empregos do site carreercast.com, eles aparecem na 7&ordf; coloca&ccedil;&atilde;o; no glassdoor.com, surge como a profiss&atilde;o n&uacute;mero 1 dos Estados Unidos.<\/p>\n<p>&ldquo;Os cientistas de dados buscam utilizar, de modo eficiente, ferramentas matem&aacute;ticas e computacionais para auxiliar no processo de extra&ccedil;&atilde;o de conhecimentos a partir de dados, auxiliando principalmente a tomada de decis&otilde;es&rdquo;, explica o professor Gustavo Nonato, do ICMC. Ele acabou de voltar &agrave; USP depois de passar um per&iacute;odo como professor visitante no Center for Data Science da Universidade de Nova Iorque: &ldquo;a experi&ecirc;ncia l&aacute; foi muito &uacute;til para ter uma vis&atilde;o mais clara do que &eacute; a ci&ecirc;ncia de dados, uma &aacute;rea ainda muito nova&rdquo;.<\/p>\n<p>Diante da aus&ecirc;ncia de profissionais com forma&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica, as institui&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m recrutado graduados e p&oacute;s-graduados em computa&ccedil;&atilde;o, matem&aacute;tica e estat&iacute;stica para ocupar cargos com nomenclaturas que v&atilde;o desde o cl&aacute;ssico &ldquo;cientista de dados&rdquo; at&eacute; engenheiro\/analista\/arquiteto de dados, seguindo por varia&ccedil;&otilde;es como analista de intelig&ecirc;ncia de neg&oacute;cios entre outras. Segundo Nonato, os alunos rec&eacute;m-formados do ICMC t&ecirc;m sido recrutados a pre&ccedil;o de ouro para trabalhar com ci&ecirc;ncia de dados. Outro professor do ICMC, Marinho de Andrade Filho, explica que os egressos do curso de estat&iacute;stica t&ecirc;m entrado no mercado com sal&aacute;rios iniciais variando entre R$ 4 e R$ 6 mil, chegando a R$ 10 mil ap&oacute;s cerca de um ano de atua&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Pensando com dados &ndash; Ser&aacute; que a Universidade est&aacute; em sintonia com a revolu&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia de dados? No ICMC, j&aacute; &eacute; oferecida uma &ecirc;nfase em ci&ecirc;ncia de dados, op&ccedil;&atilde;o dispon&iacute;vel para os alunos dos cursos de gradua&ccedil;&atilde;o em computa&ccedil;&atilde;o e em matem&aacute;tica (exceto Licenciatura), e tamb&eacute;m existe uma especializa&ccedil;&atilde;o em ci&ecirc;ncia de dados no Mestrado Profissional em Matem&aacute;tica, Estat&iacute;stica e Computa&ccedil;&atilde;o Aplicadas &agrave; Ind&uacute;stria (MECAI). Al&eacute;m disso, em breve, ser&atilde;o efetuadas altera&ccedil;&otilde;es significativas no Bacharelado em Estat&iacute;stica &ndash; que passar&aacute; a se chamar Bacharelado em Estat&iacute;stica e Ci&ecirc;ncia de Dados &ndash; e dois novos cursos ser&atilde;o criados: uma especializa&ccedil;&atilde;o do tipo Master Business Administration (MBA), destinada a quem j&aacute; est&aacute; inserido no mercado de trabalho; e uma nova gradua&ccedil;&atilde;o surgir&aacute;, o Bacharelado em Ci&ecirc;ncia de Dados.<\/p>\n<p>No momento, as propostas dos novos cursos est&atilde;o sendo avaliadas por diversas inst&acirc;ncias da USP. Quando o Bacharelado em Ci&ecirc;ncias de Dados for oficialmente lan&ccedil;ado, vai se tornar o primeiro curso desse tipo a ser oferecido no pa&iacute;s. No mundo, h&aacute; apenas 57 cursos de gradua&ccedil;&atilde;o em ci&ecirc;ncia de dados, sendo que nenhum deles &eacute; brasileiro, de acordo com informa&ccedil;&otilde;es dispon&iacute;veis em abril no website http:\/\/datascience.community\/colleges. Ao serem levadas em conta as op&ccedil;&otilde;es de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o (especializa&ccedil;&atilde;o, mestrado e doutorado), chega-se a um total de 545 programas espalhados pelo globo e somente um deles &eacute; oferecido no Brasil por uma institui&ccedil;&atilde;o particular.<\/p>\n<p>Como n&atilde;o h&aacute; diretrizes curriculares nacionais espec&iacute;ficas para o Bacharelado em Ci&ecirc;ncias de Dados, o grupo de professores que elaborou a proposta foi buscar inspira&ccedil;&atilde;o em diretrizes internacionais. Um dos documentos que fundamentam a proposta &ndash; Diretrizes Curriculares para Programas de Gradua&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncia de Dados &ndash; apresenta o resultado de um trabalho realizado por representantes de 25 institui&ccedil;&otilde;es de ensino, que se reuniram durante tr&ecirc;s semanas nos Estados Unidos para discutir as habilidades essenciais na forma&ccedil;&atilde;o desse profissional.<\/p>\n<p>O professor Thiago Pardo, que preside a Comiss&atilde;o de Gradua&ccedil;&atilde;o do Instituto, explica que o Bacharelado em Ci&ecirc;ncia de Dados do ICMC seguir&aacute; essas diretrizes internacionais, propondo um curr&iacute;culo interdisciplinar, que integre conhecimentos provenientes da computa&ccedil;&atilde;o, da estat&iacute;stica e da matem&aacute;tica. Ele afirma que a ideia &eacute; formar um profissional capaz de &ldquo;pensar com dados&rdquo;, que tenha compet&ecirc;ncia e experi&ecirc;ncia pr&aacute;tica para lidar com as mais variadas situa&ccedil;&otilde;es e dom&iacute;nios de aplica&ccedil;&atilde;o da &aacute;rea.<\/p>\n<p>Mas, afinal, quais s&atilde;o exatamente as habilidades que esse novo profissional precisa ter? No documento com a proposta de cria&ccedil;&atilde;o do curso, destaca-se que o Bacharel em Ci&ecirc;ncia de Dados ser&aacute; capaz de: entender, formular e refinar quest&otilde;es apropriadas; obter, modelar e explorar os dados relacionados; processar os dados e realizar as an&aacute;lises necess&aacute;rias; obter e comunicar o conhecimento relevante e, se necess&aacute;rio, apoiar o desenvolvimento e implanta&ccedil;&atilde;o de solu&ccedil;&otilde;es com base nos resultados atingidos.<\/p>\n<p>Para se tornar apto a realizar tudo isso, h&aacute; v&aacute;rias habilidades que precisam ser desenvolvidas. Em primeiro lugar, est&aacute; o aprendizado de t&eacute;cnicas de coleta, armazenamento e gerenciamento de dados, envolvendo os processos de limpeza, transforma&ccedil;&atilde;o e estrutura&ccedil;&atilde;o dos dados, os quais podem ser provenientes de fontes variadas e ter formatos e tamanhos diversos. Depois, &eacute; necess&aacute;rio processar esses dados e realizar an&aacute;lises por meio de t&eacute;cnicas computacionais e estat&iacute;sticas. S&atilde;o essas t&eacute;cnicas que possibilitar&atilde;o extrair conhecimentos desses dados, empregando estrat&eacute;gias que podem incluir a utiliza&ccedil;&atilde;o de modelagem estat&iacute;stica\/matem&aacute;tica, visualiza&ccedil;&atilde;o, minera&ccedil;&atilde;o e aprendizado de m&aacute;quina.<\/p>\n<p>Por&eacute;m, para que todo esse conhecimento ligado ao racioc&iacute;nio l&oacute;gico e &agrave; abstra&ccedil;&atilde;o resulte, de fato, em solu&ccedil;&otilde;es, o profissional precisa desenvolver tamb&eacute;m as chamadas soft skills &ndash; aquelas habilidades n&atilde;o-t&eacute;cnicas que o permitir&atilde;o se comunicar adequadamente, ser criativo, trabalhar em equipe e ter uma vis&atilde;o ampla e cr&iacute;tica sobre os processos que ocorrem dentro e fora das institui&ccedil;&otilde;es. Note que formar um profissional assim &eacute; um desafio e tanto.<\/p>\n<p>A fim de possibilitar que os alunos formados em Estat&iacute;stica no ICMC tamb&eacute;m possam ter acesso a essa forma&ccedil;&atilde;o mais ampla, atendendo &agrave; crescente demanda do mercado, outra iniciativa em andamento prop&otilde;e uma atualiza&ccedil;&atilde;o na grade curricular do curso. A proposta tamb&eacute;m est&aacute; passando pela aprova&ccedil;&atilde;o de diversas inst&acirc;ncias da USP e a expectativa &eacute; de que os ingressantes da Universidade em 2020 j&aacute; tenham acesso &agrave; novidade, que prev&ecirc; at&eacute; uma altera&ccedil;&atilde;o no nome do curso, que passar&aacute; a se chamar Bacharelado em Estat&iacute;stica e Ci&ecirc;ncia de Dados.<\/p>\n<p>O professor Marinho explica que a espinha dorsal do curso continua sendo a estat&iacute;stica, que &eacute; uma profiss&atilde;o regulamentada no Brasil, o que se prop&otilde;e &eacute; uma amplia&ccedil;&atilde;o no escopo de algumas disciplinas a fim de associar o ensino de t&eacute;cnicas computacionais ao ensino das t&eacute;cnicas estat&iacute;sticas, as quais j&aacute; eram abarcadas pela grade curricular do curso. &ldquo;N&atilde;o existe uma competi&ccedil;&atilde;o entre a estat&iacute;stica e a computa&ccedil;&atilde;o pela fatia da ci&ecirc;ncia de dados. O que h&aacute; &eacute; uma necessidade de unir os dois campos para tratar dos problemas que surgem a partir dos dados. &Eacute; claro que existem diferen&ccedil;as nas abordagens, mas s&atilde;o conhecimentos que se completam&rdquo;, diz Marinho.<\/p>\n<p>Com as altera&ccedil;&otilde;es nas disciplinas oferecidas, houve uma vantagem adicional: a redu&ccedil;&atilde;o no tempo de forma&ccedil;&atilde;o no curso de Estat&iacute;stica. Em vez dos atuais 4,5 anos, a gradua&ccedil;&atilde;o poder&aacute; ser conclu&iacute;da em 4 anos. &ldquo;Assim, o rec&eacute;m-formado poder&aacute; planejar mais facilmente o in&iacute;cio das atividades do ano seguinte, quer seja no mercado de trabalho ou em um programa de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o&rdquo;, completa o professor Marinho.<\/p>\n<h2>Nasce o DATA<\/h2>\n<p>A demanda por capacita&ccedil;&atilde;o &eacute; t&atilde;o grande que quatro estudantes do ICMC se mobilizaram para criar o DATA, um grupo de extens&atilde;o que surgiu oficialmente no in&iacute;cio deste ano especialmente para difundir os conhecimentos sobre ci&ecirc;ncia de dados. A ideia nasceu depois que os quatro alunos do curso de Ci&ecirc;ncias de Computa&ccedil;&atilde;o foram selecionados para a final de um concurso internacional de ci&ecirc;ncia de dados, o Data Science Game, que aconteceu em outubro do ano passado. O time &ndash; formado por Bruno Coelho, Gustavo Sutter, Marcello Pagano e Tobias Veiga &ndash; conquistou o 12&ordm; lugar entre as 20 melhores equipes do mundo e, considerando-se as tr&ecirc;s equipes brasileiras que concorreram &agrave; final, ficou em 2&ordm; lugar.<\/p>\n<p>O encanto pela ci&ecirc;ncia de dados floresceu nos quatro estudantes depois que se envolveram em projetos de inicia&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica e estabeleceram contato com novos conhecimentos da &aacute;rea, o que levou &agrave; forma&ccedil;&atilde;o do time. Bruno conta que participar da competi&ccedil;&atilde;o foi um processo intenso e enriquecedor: &ldquo;Mesmo tendo que fazer tudo em um curto per&iacute;odo de tempo, a experi&ecirc;ncia foi fant&aacute;stica. Sa&iacute;mos muito motivados a estudar ainda mais sobre ci&ecirc;ncia de dados.&rdquo; Ent&atilde;o, os quatro decidiram criar um novo grupo de extens&atilde;o, a partir do est&iacute;mulo do professor Thiago Pardo e da inspira&ccedil;&atilde;o de outros grupos bem-sucedidos criados no ICMC, como o Grupo de Estudos para a Maratona de Programa&ccedil;&atilde;o (GEMA) e o grupo de desenvolvimento de jogos Fellowship of the Game (FoG). O passo seguinte foi contatar o professor Gustavo Nonato, que aceitou assumir o papel de tutor da iniciativa.<\/p>\n<p>Atualmente, o DATA est&aacute; oferecendo um curso de introdu&ccedil;&atilde;o a ci&ecirc;ncia de dados, de 12 semanas, para cerca de 40 estudantes do ICMC, &agrave;s quartas-feiras, das 14 &agrave;s 16 horas. O que o grupo ensina? &ldquo;Introdu&ccedil;&atilde;o &agrave; linguagem de programa&ccedil;&atilde;o Python, aos principais algoritmos, a aprendizado de m&aacute;quina e a t&eacute;cnicas de pr&eacute;-processamento de dados. A ideia &eacute; incentivar essa turma a participar de competi&ccedil;&otilde;es e prepar&aacute;-los para futuros processos seletivos&rdquo;, conta Gustavo.<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m &agrave;s quartas, das 17 &agrave;s 18 horas, o DATA re&uacute;ne os alunos que j&aacute; t&ecirc;m conhecimentos mais avan&ccedil;ados na &aacute;rea para promover discuss&otilde;es e aprimorarem, colaborativamente, o know-how que j&aacute; possuem. &ldquo;Al&eacute;m de tornar a &aacute;rea de ci&ecirc;ncia de dados mais conhecida, outro objetivo do grupo &eacute; oferecer, futuramente, treinamento para a popula&ccedil;&atilde;o em geral, por meio de cursos de extens&atilde;o&rdquo;, conta Nonato. &ldquo;&Eacute; claro que, para voc&ecirc; se tornar um cientista de dados, &eacute; preciso ter uma forma&ccedil;&atilde;o s&oacute;lida. Mas &eacute; fato que uma pessoa que possua alguma no&ccedil;&atilde;o de programa&ccedil;&atilde;o, se fizer bons cursos sobre Python e sobre aprendizado de m&aacute;quina, pode desenvolver interessantes solu&ccedil;&otilde;es a partir de dados j&aacute; dispon&iacute;veis&rdquo;, acrescenta o professor.<\/p>\n<h2>De volta ao futuro<\/h2>\n<p>Voc&ecirc; &eacute; capaz de imaginar as solu&ccedil;&otilde;es interessantes que podem ser criadas por quem faz ci&ecirc;ncia com dados? O professor Andr&eacute; de Carvalho enumera uma s&eacute;rie de possibilidades: melhorar o ensino identificando o perfil de cada aluno para disponibilizar conte&uacute;dos e avalia&ccedil;&otilde;es particularizados; localizar trechos de processos jur&iacute;dicos e senten&ccedil;as que podem ser &uacute;teis para argumenta&ccedil;&otilde;es futuras; predizer quais clientes est&atilde;o insatisfeitos com uma empresa e o porqu&ecirc;, buscando reduzir o problema; prever o resultado de rea&ccedil;&otilde;es qu&iacute;micas a partir das condi&ccedil;&otilde;es experimentais e das subst&acirc;ncias utilizadas; prever falhas em linhas de transmiss&atilde;o de energia el&eacute;trica; diagnosticar fadiga em estruturas como pontes e barragens; classificar objetos em imagens obtidas por telesc&oacute;pios espaciais; criar modelos capazes de dar suporte ao diagn&oacute;stico m&eacute;dico; prevenir a queda de idosos; melhorar o desempenho de equipes em pr&aacute;ticas de esportes ol&iacute;mpicos e profissionais; prever a ocorr&ecirc;ncia de doen&ccedil;as e pragas; classificar automaticamente a qualidade de frutas; melhorar as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas; reduzir danos ao meio ambiente e aos seres humanos.<\/p>\n<p>Todas essas possibilidades e outras mais est&atilde;o descritas no artigo &ldquo;Interdisciplinaridade da ci&ecirc;ncia de dados&rdquo;, publicado por Andr&eacute; na Revista da Sociedade Brasileira de Computa&ccedil;&atilde;o, edi&ccedil;&atilde;o de fevereiro de 2016. O que era futuro h&aacute; tr&ecirc;s anos est&aacute; se tornado cada vez mais presente. N&atilde;o falta muito para que os cientistas de dados descubram a culin&aacute;ria que mais agrada seu paladar, o progn&oacute;stico do seu tratamento m&eacute;dico, suas pr&oacute;ximas movimenta&ccedil;&otilde;es financeiras, o defeito que seu carro ter&aacute; e quanta &aacute;gua, luz e energia a resid&ecirc;ncia em que voc&ecirc; mora consumir&aacute;. Resta saber quais decis&otilde;es ser&atilde;o tomadas a partir desses novos conhecimentos. H&aacute; quem vislumbre o surgimento de um mundo mais humano e justo a partir de tantos dados; e h&aacute; quem tema pela vulnerabilidade que o acesso a esses dados pode nos trazer. O fato &eacute; que as consequ&ecirc;ncias de qualquer tipo de novo conhecimento depende do comportamento &eacute;tico da humanidade. Isso vale tamb&eacute;m para ci&ecirc;ncia que brota dos dados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":3370,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[20,14,31,32],"tags":[623,1113,240,239],"class_list":{"0":"post-3351","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-destaques","8":"category-mercado-de-trabalho","9":"category-tendencias-profissoes","10":"category-profissoes-do-futuro","11":"tag-ciencias-de-dados","12":"tag-cientista-de-dados","13":"tag-futuro-das-profissoes","14":"tag-profissoes-do-futuro"},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/04\/DATA4_tratada_Credito_Reinaldo_Mizutani.jpg","post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3351","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3351"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3351\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3370"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3351"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3351"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3351"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}