{"id":314,"date":"2017-05-10T23:12:28","date_gmt":"2017-05-11T02:12:28","guid":{"rendered":"https:\/\/litebold.co\/~radardofuturo\/o-futuro-do-ensino-do-direito\/"},"modified":"2017-05-10T23:12:28","modified_gmt":"2017-05-11T02:12:28","slug":"o-futuro-do-ensino-do-direito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/o-futuro-do-ensino-do-direito\/","title":{"rendered":"O futuro do ensino do direito"},"content":{"rendered":"<section id=\"secao1\">\n<div class=\"content\">\n<div class=\"content-holder\">\n<h1>D&uacute;vidas, desafios e o breve relato de uma experi&ecirc;ncia<\/h1>\n<p>Estamos nos aproximando do antes long&iacute;nquo ano de 2020. O S&eacute;culo XX agora pertence aos livros de hist&oacute;ria, acompanhado de muitas das ideias, certezas, pr&aacute;ticas e institui&ccedil;&otilde;es que, h&aacute; 20 ou 30 anos, pareciam imut&aacute;veis. No campo jur&iacute;dico, percebem-se mudan&ccedil;as substanciais, como a judicializa&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;tica, a politiza&ccedil;&atilde;o do Direito, um enorme e eficaz incremento no combate &agrave; corrup&ccedil;&atilde;o, a sedimenta&ccedil;&atilde;o das t&eacute;cnicas alternativas de resolu&ccedil;&atilde;o de conflitos, a consagra&ccedil;&atilde;o da jurisdi&ccedil;&atilde;o constitucional, dentre tantas outras. Especificamente quanto aos desafios na pr&aacute;tica cotidiana do Direito, relembrem-se o processo eletr&ocirc;nico, a massifica&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es jur&iacute;dicas, a facilidade no acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, a linguagem menos rebuscada, a revolu&ccedil;&atilde;o da brevidade, a interdisciplinaridade, a velocidade das altera&ccedil;&otilde;es normativas e jurisprudenciais e a atua&ccedil;&atilde;o colaborativa e orientada ao consenso.<\/p>\n<p>N&atilde;o s&atilde;o pequenas as mudan&ccedil;as. Aqueles que, como eu, frequentaram os Cursos de Direito na d&eacute;cada de 90 do S&eacute;culo passado, j&aacute; n&atilde;o reconhecem aquilo que estudaram e aprenderam nos quatro ou cinco anos que passaram na Faculdade. A realidade &eacute; outra. O conte&uacute;do &eacute; diferente. Exigem-se novas habilidades do profissional jur&iacute;dico, que lida com desafios impens&aacute;veis h&aacute; bem pouco tempo.<\/p>\n<p>&Eacute; ineg&aacute;vel, nesse contexto, que os Bachar&eacute;is de hoje encaram quest&otilde;es distintas e mais complexas do que aquelas enfrentadas pelos rec&eacute;m-formados de alguns anos atr&aacute;s. A vida profissional desses jovens n&atilde;o ser&aacute; nada f&aacute;cil. O conhecimento adquirido na Faculdade deve ser suficiente para um ou dois anos de atividades profissional, e olhe l&aacute;. T&iacute;tulos de p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, mestrado e doutorado tornam-se cada dia mais exigidos, especialmente para aqueles que sonham com a vida acad&ecirc;mica. N&atilde;o saber uma l&iacute;ngua estrangeira, especialmente o ingl&ecirc;s, j&aacute; &eacute; quase inaceit&aacute;vel para algu&eacute;m que almeje sucesso. Um mercado privado ultracompetitivo espera pelos novos formados. O exame da OAB n&atilde;o ser&aacute; moleza. O sonho dourado da aprova&ccedil;&atilde;o em um concurso p&uacute;blico, em tempos de crise fiscal, menos oportunidades e grande concorr&ecirc;ncia, mostra-se um desafio heroico.<\/p>\n<p>Diante desse quadro, um leitor mais atento j&aacute; far&aacute; as inevit&aacute;veis perguntas: e as Faculdades de Direito, como est&atilde;o preparando esses estudantes, em sua maioria jovens na casa dos vinte e poucos anos, para desafios profissionais t&atilde;o intensos? Ser&aacute; que o nosso modelo de ensino jur&iacute;dico atende a essa importante miss&atilde;o? Como as nossas Institui&ccedil;&otilde;es de Ensino Superior est&atilde;o se atualizando e oferendo uma prepara&ccedil;&atilde;o adequada e moderna para os seus estudantes?<\/p>\n<p>S&atilde;o indaga&ccedil;&otilde;es importantes e muito necess&aacute;rias. Contudo, em vez de ficar tentando refletir em demasia a respeito dessas perguntas, permanecer na in&eacute;rcia absoluta, adotar um tom pessimista ou, ent&atilde;o, oferecer explica&ccedil;&otilde;es puramente te&oacute;ricas, vamos relatar um pouco da experi&ecirc;ncia por que passamos na Escola de Direito de Bras&iacute;lia &ndash; EDB\/IDP recentemente. Essa breve exposi&ccedil;&atilde;o talvez ajude o leitor a compreender parte dos desafios que se apresentam para o ensino jur&iacute;dico brasileiro, algumas <a href=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/ddof\/o-que-sao-tendencias\/\" target=\"_self\" title=\"Confira o que s&atilde;o tend&ecirc;ncias, os fatos ou fen&ocirc;menos que podem acontecer em algum momento adiante na hist&oacute;ria da sociedade, como um novo comportamento individual ou de um grupo\" class=\"encyclopedia\">tend&ecirc;ncias<\/a> importantes que j&aacute; podem ser constatadas e, por fim, as solu&ccedil;&otilde;es que, acertadamente ou n&atilde;o, estamos tentando implementar na nossa Faculdade. Ao final, espero que possamos ter aprofundado a discuss&atilde;o sem, pretensiosamente, oferecer um manual recheado de ideias e propostas inovadoras e infal&iacute;veis.<\/p>\n<p>Ao longo de 2016, institu&iacute;mos uma Comiss&atilde;o de Moderniza&ccedil;&atilde;o do Curso de Direito, que, composta por tr&ecirc;s professores, ficou respons&aacute;vel pela avalia&ccedil;&atilde;o da nossa gradua&ccedil;&atilde;o, com a sugest&atilde;o de eventuais mudan&ccedil;as tendentes a atualizar o curso em todos os aspectos que se entendesse necess&aacute;rio. Esse Colegiado promoveu as reuni&otilde;es pertinentes, dialogando com os alunos, professores, colaboradores e dire&ccedil;&atilde;o da institui&ccedil;&atilde;o. Houve conversas e reuni&otilde;es com especialistas externos e bate papos informais com integrantes de outras faculdades que passaram por um processo semelhante. Tamb&eacute;m foi realizado um ciclo de debates ao longo de tr&ecirc;s dias na Escola. O grupo de participantes foi composto por convidados externos (pesquisadores, professores, advogados, representantes de ONGs, autoridades p&uacute;blicas, dentre outros), que deram a sua contribui&ccedil;&atilde;o sobre os desafios atuais do ensino jur&iacute;dico e os caminhos que devem ser trilhados para a oferta de um ambiente acad&ecirc;mico moderno, vibrante e qualificado.<\/p>\n<p>Ap&oacute;s a conclus&atilde;o dos trabalhos, a Comiss&atilde;o de Moderniza&ccedil;&atilde;o apresentou o relat&oacute;rio de suas atividades &agrave; Dire&ccedil;&atilde;o Acad&ecirc;mica da EBD\/IDP que, imediatamente, em conjunto com a Coordena&ccedil;&atilde;o do Curso de Direito, come&ccedil;ou a implementar as medidas necess&aacute;rias a partir dos diagn&oacute;sticos que recebeu. O que segue abaixo &eacute; um breve relato dessas conclus&otilde;es alcan&ccedil;adas no &acirc;mbito da Comiss&atilde;o e das medidas que foram adotadas at&eacute; aqui, com a miss&atilde;o de conferir-se ao ensino oferecido na nossa Faculdade uma roupagem moderna e condizente, ainda que em m&iacute;nima medida, com os desafios que ser&atilde;o enfrentados pelos nossos alunos quando deixarem a institui&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Em primeiro lugar, concluiu-se o &oacute;bvio. O ensino jur&iacute;dico, seja na sua perspectiva estritamente metodol&oacute;gica, seja, ainda, quanto ao conte&uacute;do oferecido aos alunos, precisa ser revisto. Contrariamente &agrave;s aulas totalmente expositivas, a participa&ccedil;&atilde;o do aluno precisa ser incentivada, tanto no que se refere ao di&aacute;logo com o professor, quanto no que tange &agrave; sua intera&ccedil;&atilde;o com os colegas. O aluno deve fazer parte do processo de aprendizado de forma ativa, com uma necess&aacute;ria modifica&ccedil;&atilde;o na apreens&atilde;o do conte&uacute;do e no m&eacute;todo de avalia&ccedil;&atilde;o dos discentes. Al&eacute;m disso, mais importante que o conte&uacute;do assimilado, &eacute; o desenvolvimento de novas habilidades pelo aluno. Talentos de natureza cr&iacute;tica, comunicativa e anal&iacute;tica devem ser incentivados. A criatividade do aluno deve ser potencializada. A capacidade de intera&ccedil;&atilde;o (<i>networking skills<\/i>) com seus pr&oacute;prios colegas, com os professores e com representantes acad&ecirc;micos de outras &aacute;reas deve ser desenvolvida. Ali&aacute;s, um trabalho de pesquisa realizado j&aacute; na d&eacute;cada de 70 pelo economista americano James Heckman, ganhador do pr&ecirc;mio Nobel de Economia, mostrava essa realidade. O desenvolvimento de uma personalidade curiosa, capaz de trabalhar em grupo e com habilidades organizacionais &eacute; muito mais importante do que a mat&eacute;ria efetivamente oferecida aos estudantes. Ou seja, cuida-se do desenvolvimento de talentos totalmente diversos, mais complexos e duradouros do que a simples memoriza&ccedil;&atilde;o de um vasto conte&uacute;do.<\/p>\n<p>Nesse contexto, como segundo diagn&oacute;stico, vem a necessidade de empoderamento do aluno na escolha de seu percurso formativo. Vive-se em um mundo de verticaliza&ccedil;&atilde;o do conhecimento. Os aspectos te&oacute;ricos aprendidos na Faculdade duram pouqu&iacute;ssimos anos e pedem r&aacute;pida atualiza&ccedil;&atilde;o. A ideia de uma abordagem horizontal, ampla e gen&eacute;rica, numa infrut&iacute;fera tentativa de ensinar aos alunos um pouco de cada &aacute;rea do Direito, mostra-se ultrapassada. Se o objetivo &eacute; o desenvolvimento de habilidades espec&iacute;ficas, a mat&eacute;ria ensinada, ainda que importante, perde a relev&acirc;ncia de antes. Al&eacute;m disso, o processo de amadurecimento pessoal, acad&ecirc;mico e profissional do estudante reclama um certo distanciamento do corpo docente e da Dire&ccedil;&atilde;o da Faculdade no processo de forma&ccedil;&atilde;o do aluno, especificamente no que se refere aos conte&uacute;dos que ser&atilde;o a ele ensinados. A independ&ecirc;ncia, maturidade, capacidade de escolha, responsabilidade pessoal, proatividade e outras qualidades t&atilde;o necess&aacute;rias em um profissional moderno demandam que o estudante seja, em alguma medida, livre e respons&aacute;vel pela escolha de seu caminho, com a necess&aacute;ria orienta&ccedil;&atilde;o dos professores e da Dire&ccedil;&atilde;o da Escola. Imp&otilde;e-se, tamb&eacute;m, a observ&acirc;ncia de um per&iacute;odo inicial de adapta&ccedil;&atilde;o e flu&ecirc;ncia, no qual a tutela docente mostra-se imprescind&iacute;vel. Em s&iacute;ntese: a partir de um certo ponto, mais disciplinas optativas, menos obrigat&oacute;rias.<\/p>\n<p>Ainda como desdobramento desse novo processo metodol&oacute;gico, em terceiro lugar, surge a interdisciplinaridade. Um profissional verdadeiramente moderno e preparado para lidar com a realidade de um mercado extremamente competitivo e complexo deve ter habilidades interdisciplinares. As diversas &aacute;reas do conhecimento se interelacionam e dessa rela&ccedil;&atilde;o espec&iacute;fica emerge um conte&uacute;do completamente novo. &Eacute; preciso estar preparado para isso. Aqui, uma vez mais, vale muito o desenvolvimento de uma habilidade especial, consistente na compreens&atilde;o da din&acirc;mica e do di&aacute;logo entre setores t&atilde;o espec&iacute;ficos, como Direito, Psicologia, Filosofia, Economia e Sociologia, entre outros. N&atilde;o se trata apenas de ensinar essas mat&eacute;rias na Faculdade. Cuida-se de mostrar a sua intera&ccedil;&atilde;o e desenvolver a capacidade de permanente conjuga&ccedil;&atilde;o entre tais disciplinas. O sistema de conhecimento que deve ser apreendido pelo aluno &eacute; integrado por variadas &aacute;reas extremamente fluidas, sem que se saiba exatamente as fronteiras que as separam. Al&eacute;m disso, a pr&oacute;pria intera&ccedil;&atilde;o entre as diversas &aacute;reas do Direito deve ser compreendida pelo aluno nessa mesma perspectiva.<\/p>\n<p>Uma quarta conclus&atilde;o que se alcan&ccedil;ou consiste na necessidade de maior integra&ccedil;&atilde;o entre os discentes. N&atilde;o se cuida, apenas, de promover-se a coes&atilde;o das turmas ou de realizarem-se semin&aacute;rios e eventos no &acirc;mbito da institui&ccedil;&atilde;o. Essas s&atilde;o pr&aacute;ticas relevantes, mas o objetivo em si demanda uma abordagem mais ousada, no sentido de permitir que alunos de semestres diferentes e, por evidente, com graus de amadurecimento pessoal e acad&ecirc;mico distintos, possam interagir dentro de sala de aula. Se o escopo maior &eacute; o desenvolvimento de habilidades, muitas delas de car&aacute;ter interpessoal, &eacute; leg&iacute;tima essa intera&ccedil;&atilde;o, especialmente porque o grau de assimila&ccedil;&atilde;o dessas habilidades &eacute; diferente em cada aluno, n&atilde;o podendo, de forma geral, ser categorizada na cl&aacute;ssica figura do semestre letivo. Um estudante do oitavo semestre pode ter muito a aprender, por exemplo, com um colega do terceiro, observadas, por evidente, certas cautelas no exame da progress&atilde;o do aprendizado de cada um deles.<\/p>\n<p>A internacionaliza&ccedil;&atilde;o da Faculdade, e por consequ&ecirc;ncia de seus alunos, &eacute; outro desafio. N&atilde;o &eacute; necess&aacute;rio qualquer coment&aacute;rio a respeito das repercuss&otilde;es que a globaliza&ccedil;&atilde;o trouxe para as atividades profissionais em geral, e para o Direito em particular. Oferecer aos seus estudantes uma experi&ecirc;ncia mais global, mais rica, &eacute; uma miss&atilde;o e uma clara obriga&ccedil;&atilde;o da Faculdade. Significa lan&ccedil;ar um olhar para al&eacute;m das fronteiras do Pa&iacute;s e do Direito nacional. Representa um ensino diferente, verdadeiramente internacional e menos autocentrado. A vinda de palestrantes estrangeiros &eacute; fundamental. A intera&ccedil;&atilde;o com institui&ccedil;&otilde;es do exterior &eacute; muito relevante. Per&iacute;odos de estudo fora do Pa&iacute;s s&atilde;o recomend&aacute;veis para os nossos alunos. Disciplinas e trabalhos de conclus&atilde;o em l&iacute;ngua estrangeira devem ser algo natural, leg&iacute;timo e incentivado.<\/p>\n<p>Embora o conte&uacute;do oferecido aos alunos deixe de ser a &uacute;nica preocupa&ccedil;&atilde;o da Faculdade, ele ainda &eacute; um dos aspectos centrais da pesquisa e do ensino existentes no &acirc;mbito da institui&ccedil;&atilde;o. &Eacute; preciso, nesse sentido, rever os temas abordados. Disciplinas tradicionais talvez j&aacute; n&atilde;o sejam mais absolutamente obrigat&oacute;rias. Vive-se o mundo jur&iacute;dico da responsabilidade civil exacerbada, da defesa do consumidor, dos crimes econ&ocirc;micos, da prote&ccedil;&atilde;o ao meio ambiente, da judicializa&ccedil;&atilde;o da Pol&iacute;tica, da politiza&ccedil;&atilde;o do Direito, do <i>compliance<\/i>, das formas alternativas de resolu&ccedil;&atilde;o de conflitos, da concorr&ecirc;ncia internacional, dentre outros temas muito interessantes, novos e seguidamente desprestigiados nos curr&iacute;culos acad&ecirc;micos. &Eacute; preciso sabedoria para reconhecer que determinadas mat&eacute;rias, por mais importantes que ainda sejam, perderam o seu anterior protagonismo. &Eacute; necess&aacute;rio, sobretudo, coragem para implementar as medidas e substitui&ccedil;&otilde;es necess&aacute;rias em prol de um conte&uacute;do mais moderno e condizente com a pr&aacute;tica jur&iacute;dica atual.<\/p>\n<p>Finalmente, a responsabilidade social. A forma&ccedil;&atilde;o do aluno deve ser necessariamente a forma&ccedil;&atilde;o do ser humano e do cidad&atilde;o. N&atilde;o se trata apenas de entregar ao mundo bons profissionais, mas pessoas melhores, cientes de seu papel social e da necessidade de devolver &agrave; comunidade parte dos que lhes foi dado. Esse deve ser um compromisso fundamental das faculdades de direito, talvez o maior de todos. Uma vez mais, essa espec&iacute;fica forma&ccedil;&atilde;o est&aacute; associada ao desenvolvimento de habilidades especiais, treinando-se profissionais emocionalmente inteligentes, cognitivamente preparados e socialmente conscientes. Incutir nos alunos uma forma&ccedil;&atilde;o &eacute;tica e respons&aacute;vel &eacute; uma tarefa di&aacute;ria. Nasce na sala de aula, passa pelas avalia&ccedil;&otilde;es, cresce nas rela&ccedil;&otilde;es entre os variados atores da institui&ccedil;&atilde;o e amadurece nos projetos desenvolvidos pela escola. &Eacute; mais que uma miss&atilde;o. &Eacute; uma cultura organizacional, prestigiada obsessivamente pela sua dire&ccedil;&atilde;o, seus colaboradores e professores.<\/p>\n<p>A respeito dessa tem&aacute;tica em torno da responsabilidade social, assume especial relev&acirc;ncia a pr&aacute;tica jur&iacute;dica. &Eacute; preciso prestigi&aacute;-la e desenvolv&ecirc;-la, n&atilde;o apenas como m&eacute;todo de aprendizado. O estudante precisa compreender a import&acirc;ncia de seu papel social, independentemente do caminho que venha a escolher. A pr&aacute;tica moderna envolve uma efetiva outorga de autonomia ao aluno, caracterizando-se pela entrega do problema a ele, que fica respons&aacute;vel pela sua solu&ccedil;&atilde;o. Essa metodologia traduz-se necessariamente no rompimento da bolha institucional e acad&ecirc;mica que supostamente protege o aluno. &Eacute; preciso sair da faculdade e ver o mundo real, nos sentidos figurado e literal. Al&eacute;m disso, o desenvolvimento de habilidade t&atilde;o espec&iacute;fica requer, por evidente, o engajamento do estudante. Isso pode demandar projetos mais interessantes e cujo alcance se revele mais amplo. Uma boa dose de realidade, de autonomia e de desafio &eacute; parte importante da receita. Em s&iacute;ntese: visitas externas, liberdade no trato com o cliente, independ&ecirc;ncia na condu&ccedil;&atilde;o dos casos e litig&acirc;ncia estrat&eacute;gica com repercuss&atilde;o geral. &Eacute; essencialmente disso que se precisa.<\/p>\n<p>Feitos esses diagn&oacute;sticos, vem a parte mais dif&iacute;cil do problema. Que solu&ccedil;&otilde;es apresentar? Como implement&aacute;-las? Como vencer as resist&ecirc;ncias naturais, fruto do conservadorismo humano? Que argumentos usar para aqueles que resistem pelo medo da perda de poder, da competi&ccedil;&atilde;o, da necessidade de aprendizado ou simplesmente do novo, qualquer que seja ele? Como e por onde come&ccedil;ar?<\/p>\n<p>A Escola de Direito de Bras&iacute;lia reconhece que esse &eacute; um trabalho longo e complexo, sujeito a todo tipo de obst&aacute;culo e a alguns equ&iacute;vocos, que s&atilde;o parte necess&aacute;ria do amadurecimento e da moderniza&ccedil;&atilde;o da institui&ccedil;&atilde;o, bem como daqueles que a integram. O maior inimigo &eacute; a in&eacute;rcia. Foi preciso agir r&aacute;pido, come&ccedil;ar por algum lugar.<\/p>\n<p>Em tal contexto, promoveu-se, nos &uacute;ltimos meses, uma profunda reformula&ccedil;&atilde;o curricular e metodol&oacute;gica no &acirc;mbito da institui&ccedil;&atilde;o. Passou-se de 3% para 20% de disciplinas optativas. Novos professores foram agregados ao quadro docente. Mat&eacute;rias antes intoc&aacute;veis deixaram de ser obrigat&oacute;rias. Novas mat&eacute;rias foram apresentadas. Institu&iacute;ram-se cinco Semin&aacute;rios Interdisciplinares, com conte&uacute;dos diferentes &agrave; livre escolha dos alunos. Eles contam com ao menos dois professores em sala de aula. Esses docentes s&atilde;o de &aacute;reas distintas do Direito ou mesmo de fora do Direito. H&aacute;, por exemplo, um Semin&aacute;rio Interdisciplinar sobre Bio&eacute;tica, comandado por um Professor de Direito Civil e um Educador especializado em Filosofia. Existem, agora, disciplinas em ingl&ecirc;s, potencializando-se um processo de internacionaliza&ccedil;&atilde;o que j&aacute; se faz presente h&aacute; alguns anos. As disciplinas optativas e os Semin&aacute;rios Interdisciplinares podem ser frequentados por alunos de diferentes semestres, com algum cuidado na verifica&ccedil;&atilde;o dos pr&eacute;-requisitos. O N&uacute;cleo de Pr&aacute;tica Jur&iacute;dica foi reformulado e conta agora com duas Cl&iacute;nicas Especiais, uma delas sobre direitos fundamentais e a outra sobre habilidades espec&iacute;ficas do profissional do Direito. Al&eacute;m disso, visitas regulares aos pres&iacute;dios locais e acompanhamento de casos de presos est&atilde;o sendo incrementados. S&atilde;o mudan&ccedil;as importantes, feitas com a velocidade necess&aacute;ria. O aprimoramento nos parece evidente: (a) um ambiente acad&ecirc;mico mais integrado, (b) maior liberdade e engajamento dos alunos, (c) mais entusiasmo de todos os participantes, (d) intera&ccedil;&atilde;o entre os estudantes de variados semestres e entre os pr&oacute;prios professores, (e) aprofundamento do processo de internacionaliza&ccedil;&atilde;o, (f) mudan&ccedil;as metodol&oacute;gicas relevantes em sala de aula, dentre outros aspectos.<\/p>\n<p>&Eacute; ineg&aacute;vel, contudo, que ainda h&aacute; muito a fazer. Os diagn&oacute;sticos, fruto de um trabalho &aacute;rduo, transparente e plural, est&atilde;o em nossas m&atilde;os. As solu&ccedil;&otilde;es ainda est&atilde;o sendo constru&iacute;das, &eacute; verdade. Acreditamos, de todo modo, que a mudan&ccedil;a mais importante j&aacute; est&aacute; acontecendo. Ela &eacute; silenciosa, intang&iacute;vel, quase impercept&iacute;vel. Trata-se do amadurecimento de uma cultura de ensino totalmente voltada ao aluno, &agrave; sua forma&ccedil;&atilde;o humana e profissional. Cuida-se de incutirem-se em nossos estudantes habilidades espec&iacute;ficas, potencializando a sua intelig&ecirc;ncia emocional, maturidade, criatividade, an&aacute;lise cr&iacute;tica e responsabilidade social, sem se esquecer do conhecimento t&eacute;cnico, evidentemente. Temos ainda um longo caminho, mas seguimos avan&ccedil;ando.<\/p>\n<p>________________________________________________________________________<\/p>\n<p><em>Marcelo Proen&ccedil;a &eacute; doutor em Direito pela Universidade de Bras&iacute;lia (UnB), &eacute; procurador do Distrito Federal, advogado e coordenador do Curso de Gradua&ccedil;&atilde;o da Escola de Direito de Bras&iacute;lia &ndash; EDB\/IDP<\/em><\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/section>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D&uacute;vidas, desafios e o breve relato de uma experi&ecirc;ncia Estamos nos aproximando do antes long&iacute;nquo ano de 2020. O S&eacute;culo XX agora pertence aos livros de hist&oacute;ria, acompanhado de muitas das ideias, certezas, pr&aacute;ticas e institui&ccedil;&otilde;es que, h&aacute; 20 ou 30 anos, pareciam imut&aacute;veis. 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