{"id":2757,"date":"2019-02-22T10:50:04","date_gmt":"2019-02-22T13:50:04","guid":{"rendered":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/?p=2757"},"modified":"2019-02-22T10:50:04","modified_gmt":"2019-02-22T13:50:04","slug":"como-a-consulta-a-distancia-impacta-a-medicina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/como-a-consulta-a-distancia-impacta-a-medicina\/","title":{"rendered":"Como a consulta a dist\u00e2ncia impacta a medicina"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_2767\" aria-describedby=\"caption-attachment-2767\" style=\"width: 960px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/medicina-computador-e-medicina-imagem-pixabay.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-2767 size-full\" src=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/medicina-computador-e-medicina-imagem-pixabay.jpg\" alt=\"A regulamenta&ccedil;&atilde;o de consultas a dist&acirc;ncia preocupa m&eacute;dicos e gera interesse de fornecedores tecnol&oacute;gicos. A tend&ecirc;ncia &eacute; irrevers&iacute;vel - foto: PIxabay\" width=\"960\" height=\"703\" srcset=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/medicina-computador-e-medicina-imagem-pixabay.jpg 960w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/medicina-computador-e-medicina-imagem-pixabay-300x220.jpg 300w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/medicina-computador-e-medicina-imagem-pixabay-768x562.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\"><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2767\" class=\"wp-caption-text\">A regulamenta&ccedil;&atilde;o de consultas a dist&acirc;ncia preocupa m&eacute;dicos e gera interesse de fornecedores tecnol&oacute;gicos. A tend&ecirc;ncia &eacute; irrevers&iacute;vel<\/figcaption><\/figure>\n<p><!--more--><em>Carlos Teixeira<\/em><br>\n<em>Jornalista &ndash; Radar do Futuro<\/em><\/p>\n<p>A regulamenta&ccedil;&atilde;o do uso de computadores como intermedi&aacute;rios da rela&ccedil;&atilde;o entre m&eacute;dicos e pacientes, apresentada em fevereiro pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), marca o momento em que a tecnologia se incorpora definitivamente &agrave; pr&aacute;tica e ao cotidiano dos profissionais. A telemedicina n&atilde;o chega a ser novidade. O que h&aacute; de novo &eacute; a tend&ecirc;ncia de crescimento exponencial do uso das tecnologias digitais.&nbsp;Independente de alguma resist&ecirc;ncia demonstrada por parte da comunidade m&eacute;dica, a telemedicina vai avan&ccedil;ar no sistema brasileiro de sa&uacute;de a partir de maio, quando as regras passam a valer definitivamente.<\/p>\n<p><em>O &ldquo;exerc&iacute;cio da medicina mediado por tecnologias para fins de assist&ecirc;ncia, educa&ccedil;&atilde;o, pesquisa, preven&ccedil;&atilde;o de doen&ccedil;as e les&otilde;es e promo&ccedil;&atilde;o de sa&uacute;de<\/em>&rdquo;, de acordo com a defini&ccedil;&atilde;o da resolu&ccedil;&atilde;o, existe h&aacute; d&eacute;cadas. O que causa impacto no momento foi a teleconsulta, a possibilidade de realizar o atendimento por sistemas de mensagens com imagens via internet. O que &eacute; visto como possibilidade concreta de substitui&ccedil;&atilde;o do trabalho do profissional em algum momento.<\/p>\n<p>A consulta a dist&acirc;ncia &eacute;, ent&atilde;o,&nbsp;a raz&atilde;o principal para a regulamenta&ccedil;&atilde;o determinada pelo CFM ter sido rejeitada pela categoria, com apoio dos conselhos regionais. A rejei&ccedil;&atilde;o chegou a ser agressiva em m&iacute;dias sociais, lembrando o comportamento de eleitores durante a campanha para presidente no ano passado. No Twitter, m&eacute;dicos acusaram o CFM de traidor da categoria, utilizando a <em>hashtag<\/em>&nbsp;#vergonhacfm.<\/p>\n<p>Cirurgi&atilde;o pl&aacute;stico em Belo Horizonte, Bruno Sander reconhece que a maioria dos m&eacute;dicos recebeu a divulga&ccedil;&atilde;o da novidade com preocupa&ccedil;&atilde;o. &ldquo;&Eacute; necess&aacute;rio entender os impactos da decis&atilde;o. O contato entre m&eacute;dicos e seus pacientes &eacute; parte essencial da atividade desde os prim&oacute;rdios&rdquo;, refor&ccedil;a o especialista. Ele reconhece, entretanto, que os avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos s&atilde;o importantes. &Eacute; natural, por exemplo, que um cliente tire d&uacute;vidas pelo celular, como j&aacute; vem acontecendo.<\/p>\n<h2>Expectativas positivas<\/h2>\n<p>Os defensores da consulta a dist&acirc;ncia assinalam que a regra definida pelo conselho federal imp&otilde;e uma rela&ccedil;&atilde;o pr&eacute;via entre m&eacute;dico e paciente. O contato inicial tem de ser pessoal. E mesmo os atendimentos posteriores devem ter um profissional da &aacute;rea de sa&uacute;de como intermedi&aacute;rio. A exce&ccedil;&atilde;o existe apenas para os casos em que envolvam o atendimento a pessoas que vivam em &aacute;reas remotas do Pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Ant&ocirc;nio Carlos Endrigo, diretor de Tecnologia da Informa&ccedil;&atilde;o da Associa&ccedil;&atilde;o Paulista de Medicina (APM) acredita que a resolu&ccedil;&atilde;o do CFM traz avan&ccedil;os importantes para o atendimento em sa&uacute;de ao legitimar solu&ccedil;&otilde;es tecnol&oacute;gicas j&aacute; fartamente utilizadas na Europa, Estados Unidos e at&eacute; na&ccedil;&otilde;es da &Aacute;frica. &ldquo;As normativas at&eacute; ent&atilde;o em vigor eram muito t&iacute;midas, atrasadas e mantinham o Pa&iacute;s &agrave; margem do desenvolvimento da telemedicina&rdquo;, avalia Endrigo.<\/p>\n<p>As proje&ccedil;&otilde;es dos otimistas levam em conta a possibilidade de impactos positivos. Inclusive com a possibilidade levantada pelo diretor da APM de que seja possibilitada a &ldquo;integralidade do Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de (SUS) para milh&otilde;es de cidad&atilde;os&rdquo;. Endrigo acredita que &ldquo;o apoio das tecnologias viabilizaria a integra&ccedil;&atilde;o entre muitos pacientes que n&atilde;o conseguem atendimento, por conta de barreiras geogr&aacute;ficas, e muitos m&eacute;dicos dispon&iacute;veis, &agrave; espera de pacientes&rdquo;.<\/p>\n<p>Enquanto parte da categoria expressa preocupa&ccedil;&atilde;o nas redes sociais em rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s consultas on line, Endrigo defende a tese de que os avan&ccedil;os poderiam ser maiores. No centro da quest&atilde;o est&aacute; a consulta pr&eacute;via presencial que, para ele, poderia ser dispensada em casos de consultas simples, seguindo exemplos da Europa, onde 24 dos 28 pa&iacute;ses do Mercado Comum tamb&eacute;m possuem legisla&ccedil;&atilde;o sobre teleconsulta. Destes, 17 permitem a consulta remota de forma plena e apenas tr&ecirc;s com restri&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<h2>Descentraliza&ccedil;&atilde;o do atendimento<\/h2>\n<p>Naturalmente interessados, os fornecedores de servi&ccedil;os de telemedicina apostam nas promessas de melhora do sistema de sa&uacute;de brasileiro. &ldquo;Se bem aplicado e, principalmente, adotado pelo governo, as novas diretrizes da telemedicina trar&atilde;o resultados imediatos na redu&ccedil;&atilde;o de filas em hospitais e na maior amplitude do atendimento em localidades mais isoladas ou para aquelas sem capacidade de investimentos em sa&uacute;de&rdquo;, avalia Alexandre Pimentel, diretor da Telec&aacute;rdio, primeira empresa brasileira de telemedicina.<\/p>\n<p>Caso a implanta&ccedil;&atilde;o de sistemas seja concretizada, o crescimento do uso das inova&ccedil;&otilde;es de atendimento pela internet pode ultrapassar a m&eacute;dia de 20% ao ano at&eacute; o final de 2020, de acordo com proje&ccedil;&otilde;es de Pimentel. &ldquo;Isso porque nossa demanda por m&eacute;dicos e a pouca capacidade de investimentos em sa&uacute;de s&atilde;o doen&ccedil;as para as quais a telemedicina pode contribuir, e muito, na cura&rdquo;, diz.<\/p>\n<p>O otimismo do executivo contrasta com as preocupa&ccedil;&otilde;es do m&eacute;dico Luiz Viana, integrante do Observat&oacute;rio da Medicina,&nbsp;laborat&oacute;rio vinculado &agrave; Escola Nacional de Sa&uacute;de P&uacute;blica S&eacute;rgio Arouca (ENSP), da Fiocruz. Em <a href=\"http:\/\/observatoriodamedicina.ensp.fiocruz.br\/telemedicina-teleconsulta-a-telenovela\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">artigo<\/a> publicado no site da institui&ccedil;&atilde;o, ele avalia &ldquo;a quest&atilde;o principal do enredo &eacute; a&nbsp;<em>teleconsulta.<\/em>&nbsp;E para entender toda a trama dessa telenovela, temos de atentar para o que foi dito sobre o&nbsp;<em>mercado.<\/em>&nbsp;O que est&aacute; se discutindo, por enquanto, n&atilde;o &eacute; seguran&ccedil;a do paciente, seguran&ccedil;a da informa&ccedil;&atilde;o do paciente, rela&ccedil;&atilde;o m&eacute;dico-paciente, qualidade ou acur&aacute;cia do diagn&oacute;stico&hellip; o que incomoda &eacute; a consulta a dist&acirc;ncia. Aquela que poder&aacute; ser distribu&iacute;da por grandes corpora&ccedil;&otilde;es como um servi&ccedil;o em s&eacute;rie, se tornar uma&nbsp;<em>commodity.&rdquo;<\/em><\/p>\n<p>O medo &eacute; de que&nbsp;a vulgariza&ccedil;&atilde;o da oferta de consultas&nbsp;<em>on-line<\/em>&nbsp;a baixo pre&ccedil;o poder&aacute; desvirtuar totalmente qualquer projeto de assist&ecirc;ncia integral do SUS. C&eacute;tico, Viana imagina que n&atilde;o tardar&aacute; para o mercado ter grandes &ldquo;<em>call-health-centers&rdquo;<\/em>, vinculados ou n&atilde;o aos planos de sa&uacute;de, ou talvez diretamente &agrave;&nbsp;<em>Amazon,<\/em>&nbsp;ao&nbsp;<em>Peixe-Urbano<\/em>&nbsp;ou afins. Mesmo representantes do CFM confessam que estamos num mercado sem controle. Ali&aacute;s, por sinal, na <a href=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/a-solucao-chinesa-para-enfrentar-a-escassez-de-medicos\/\">China uma empresa<\/a> lan&ccedil;ou recentemente um sistema em que o paciente entra em uma estrutura de 3 metros quadrados para ter acesso a atendimento virtual.<\/p>\n<h2>Sem retorno<\/h2>\n<p>O exerc&iacute;cio da medicina mediado por tecnologias ser&aacute; irrevers&iacute;vel. O interesse de hospitais, planos de sa&uacute;de e fornecedores, entre outros integrantes do ecossistema do mercado de sa&uacute;de, tende a prevalecer em decis&otilde;es de interesse p&uacute;blico. E privado, claro. Luiz Viana assinala, no artigo do Observat&oacute;rio M&eacute;dico, que&nbsp;um hospital de Fortaleza, no Cear&aacute;, diminuiu o n&uacute;mero de cardiologistas no plant&atilde;o noturno de sua unidade de atendimento de emerg&ecirc;ncia, pois contratou os servi&ccedil;os de&nbsp;<em>Teleinterconsulta<\/em>&nbsp;(aux&iacute;lio m&eacute;dico a m&eacute;dico) do&nbsp;<em>Hospital TotalCor<\/em>, de S&atilde;o Paulo.<\/p>\n<p>N&atilde;o houve irregularidade, o m&eacute;dico e pesquisador reconhece. Mas h&aacute; sinais de que o debate &eacute;tico deve ser priorizado. Ele tem raz&atilde;o em demonstrar preocupa&ccedil;&atilde;o. A perspectiva de cortes de investimentos p&uacute;blicos em sa&uacute;de, de empobrecimento da popula&ccedil;&atilde;o diante do baixo crescimento econ&ocirc;mico do Pa&iacute;s e da crise do pr&oacute;prio setor, em que os planos de sa&uacute;de perderam 3 milh&otilde;es de clientes em tr&ecirc;s anos, estimulam o uso da medicina a dist&acirc;ncia.<\/p>\n<p>A tend&ecirc;ncia de ades&atilde;o indiscriminada &agrave;s &ldquo;magias tecnol&oacute;gicas&rdquo; &eacute; fortalecido ainda mais pelos avan&ccedil;os das inova&ccedil;&otilde;es, como intelig&ecirc;ncia artificial, internet das coisas, automa&ccedil;&atilde;o e robotiza&ccedil;&atilde;o. A medicina entra nos anos 2020 com a perspectiva de informatiza&ccedil;&atilde;o ampla. E os m&eacute;dicos precisar&atilde;o se preparar e se organizar para adaptar a novos rumos do mercado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":2767,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[20,16],"tags":[944,280,140,946,945,947],"class_list":{"0":"post-2757","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-destaques","8":"category-tendencias-setores","9":"tag-consultas-a-distancia","10":"tag-futuro-da-medicina","11":"tag-medicina","12":"tag-teleconsulta","13":"tag-teleconsultas","14":"tag-telemedicina"},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/medicina-computador-e-medicina-imagem-pixabay.jpg","post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2757","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2757"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2757\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2767"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2757"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2757"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2757"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}