{"id":2539,"date":"2019-01-29T08:58:14","date_gmt":"2019-01-29T11:58:14","guid":{"rendered":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/?p=2539"},"modified":"2019-01-29T09:25:57","modified_gmt":"2019-01-29T12:25:57","slug":"legislacao-e-insuficiente-para-a-protecao-do-meio-ambiente","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/legislacao-e-insuficiente-para-a-protecao-do-meio-ambiente\/","title":{"rendered":"Legisla\u00e7\u00e3o \u00e9 insuficiente para a prote\u00e7\u00e3o do meio ambiente"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_2540\" aria-describedby=\"caption-attachment-2540\" style=\"width: 960px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/poluicao-cresce-mesmo-com-acoes-legais-foto-pixabay.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-2540\" src=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/poluicao-cresce-mesmo-com-acoes-legais-foto-pixabay.jpg\" alt=\"Cria&ccedil;&atilde;o de aparatos legais pelos pa&iacute;ses n&atilde;o consegue barrar a expans&atilde;o dos problemas clim&aacute;ticos globais - foto: Pixaay\" width=\"960\" height=\"640\" srcset=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/poluicao-cresce-mesmo-com-acoes-legais-foto-pixabay.jpg 960w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/poluicao-cresce-mesmo-com-acoes-legais-foto-pixabay-300x200.jpg 300w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/poluicao-cresce-mesmo-com-acoes-legais-foto-pixabay-768x512.jpg 768w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/poluicao-cresce-mesmo-com-acoes-legais-foto-pixabay-480x320.jpg 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\"><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-2540\" class=\"wp-caption-text\">Cria&ccedil;&atilde;o de aparatos legais pelos pa&iacute;ses n&atilde;o consegue barrar a expans&atilde;o dos problemas clim&aacute;ticos globais<\/figcaption><\/figure>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Radar do Futuro<\/p>\n<p>A primeira avalia&ccedil;&atilde;o global do Estado de Direito Ambiental, divulgada pela ONU no &uacute;ltimo dia 24 de janeiro, um dia antes do estouro da Barragem da Vale em Brumadinho, que matou centenas de pessoas, mostra que&nbsp;a fraca aplica&ccedil;&atilde;o das leis &eacute; uma tend&ecirc;ncia que est&aacute; agravando os problemas ambientais. O estudo constata que as leis n&atilde;o bastam para enfrentar o poder dos interesses econ&ocirc;micos. E pol&iacute;ticos, como no caso do Brasil, onde o governo Bolsonaro se coloca ao lado da defesa do afrouxamento da legisla&ccedil;&atilde;o de prote&ccedil;&atilde;o ambiental.<\/p>\n<p>O novo relat&oacute;rio da ONU Meio Ambiente&nbsp;registra que n&uacute;mero de leis e ag&ecirc;ncias ambientais aumentou de forma exponencial em todo o mundo nas &uacute;ltimas quatro d&eacute;cadas. Houve um um aumento de 38 vezes da legisla&ccedil;&atilde;o ambiental em vigor desde 1972. Apesar dos esfor&ccedil;os e iniciativas, a incapacidade de implementar e de fazer cumprir essas leis &eacute; um dos maiores desafios para mitigar a mudan&ccedil;a do clima, reduzir a polui&ccedil;&atilde;o e evitar a perda generalizada de esp&eacute;cies e habitats.<\/p>\n<p>Trag&eacute;dias ocorridas em Mariana, em 2015, e Brumadinho, agora em janeiro, casos mais recentes envolvendo a mineradora Vale, s&atilde;o exemplos contundentes das limita&ccedil;&otilde;es de aplica&ccedil;&atilde;o das leis ambientais. O primeiro caso, que deixou 19 mortos e 329 fam&iacute;lias desabrigadas, comprometendo 663 quil&ocirc;metros do rio Doce, em Minas e Esp&iacute;rito Santo, &eacute; exemplar da fragilidade da exist&ecirc;ncia de leis. At&eacute; hoje, os respons&aacute;veis pelo crime ambiental est&atilde;o impunes.<\/p>\n<h2>Urg&ecirc;ncia de a&ccedil;&otilde;es<\/h2>\n<p>O relat&oacute;rio est&aacute; sendo publicado em um momento crucial, quando especialistas em clima e lideran&ccedil;as pol&iacute;ticas e econ&ocirc;micas buscam enfrentar as devastadoras&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ipcc.ch\/report\/sr15\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">conclus&otilde;es<\/a>&nbsp;publicadas em outubro de 2018 pelo Painel Intergovernamental sobre Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas, &oacute;rg&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas, que instou a&ccedil;&otilde;es urgentes para transformar a economia global a uma velocidade e escala &ldquo;sem precedentes hist&oacute;ricos&rdquo;.<\/p>\n<p>Para o&nbsp;relator especial da ONU sobre Direitos Humanos e Meio Ambiente, David Boyd, este novo e convincente relat&oacute;rio soluciona o mist&eacute;rio de entender por que problemas como a polui&ccedil;&atilde;o, diminui&ccedil;&atilde;o da biodiversidade e mudan&ccedil;a do clima persistem, apesar da prolifera&ccedil;&atilde;o de leis ambientais nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas. &ldquo;A menos que o Estado de Direito Ambiental seja fortalecido, leis aparentemente rigorosas est&atilde;o fadadas a falhar e o direito humano fundamental a um meio ambiente saud&aacute;vel n&atilde;o ser&aacute; usufru&iacute;do.&rdquo;<\/p>\n<p>Embora a ajuda internacional tenha, de fato, auxiliado dezenas de pa&iacute;ses a assinar mais de 1,1 mil acordos ambientais desde 1972 e a elaborar muitos dispositivos legais na &aacute;rea ambiental, nem a ajuda nem os or&ccedil;amentos nacionais levaram ao estabelecimento de ag&ecirc;ncias e &oacute;rg&atilde;os ambientais capazes de aplicar as leis e regulamentos de forma eficaz. Os autores identificam m&uacute;ltiplos fatores para a baixa implementa&ccedil;&atilde;o do Estado de Direito Ambiental, tais como a falta de coordena&ccedil;&atilde;o entre as ag&ecirc;ncias governamentais, a fraca capacidade institucional, a falta de acesso &agrave; informa&ccedil;&atilde;o, a corrup&ccedil;&atilde;o e o sufocamento do engajamento civil.<\/p>\n<h2>Vontade pol&iacute;tica<\/h2>\n<p>&ldquo;Temos um conjunto de leis, regulamentos e ag&ecirc;ncias para governar nosso meio ambiente de forma sustent&aacute;vel&rdquo;,&nbsp;declarou Joyce Msuya, diretora-executiva interina da ONU Meio Ambiente. &ldquo;Agora &eacute; essencial que haja vontade pol&iacute;tica para assegurar que nossas leis trabalhem pelo planeta. Essa primeira avalia&ccedil;&atilde;o global sobre o Estado de Direito Ambiental ressalta o trabalho daqueles que ficaram do lado certo da hist&oacute;ria &mdash; e de quantas na&ccedil;&otilde;es se tornaram mais fortalecidas e seguras&rdquo;, complementou.<\/p>\n<p>O relat&oacute;rio apresenta v&aacute;rias conquistas do direito ambiental desde 1972, inclusive a ado&ccedil;&atilde;o do direito constitucional a um meio ambiente saud&aacute;vel por 88 pa&iacute;ses, sendo que outras 65 na&ccedil;&otilde;es incorporaram a prote&ccedil;&atilde;o ambiental em suas constitui&ccedil;&otilde;es. Al&eacute;m disso, mais de 350 cortes ambientais foram criadas em mais de 50 pa&iacute;ses e mais de 60 pa&iacute;ses contam com dispositivos legais sobre o direito dos cidad&atilde;os &agrave; informa&ccedil;&atilde;o ambiental.<\/p>\n<p>De acordo com Carl Bruch, diretor de Programas Internacionais do Instituto de Direito Ambiental&nbsp;(<em>Environmental Law Institute<\/em>), &ldquo;a comunidade internacional pode fazer mais. Com frequ&ecirc;ncia, o apoio de doadores se concentra em &aacute;reas espec&iacute;ficas, o que resulta em programas s&oacute;lidos em algumas &aacute;reas ambientais e outras com nenhum financiamento ou aten&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Essa abordagem fragmentada pode minar o Estado de Direito Ambiental ao n&atilde;o fornecer consist&ecirc;ncia na implementa&ccedil;&atilde;o e aplica&ccedil;&atilde;o das leis e ao enviar mensagens conflitantes &agrave; comunidade regulamentada e ao p&uacute;blico. Muitas dessas leis ainda t&ecirc;m que se enraizar na sociedade e, na maioria dos casos, a cultura de conformidade ambiental &eacute; fraca ou inexistente.&rdquo;<\/p>\n<h2>Tend&ecirc;ncia preocupante<\/h2>\n<p>O relat&oacute;rio dedica aten&ccedil;&atilde;o especial a uma tend&ecirc;ncia particularmente preocupante: a crescente resist&ecirc;ncia &agrave;s leis ambientais, que tem sido mais evidenciada nos casos de ass&eacute;dio, amea&ccedil;as, pris&otilde;es arbitr&aacute;rias e assassinatos de defensores ambientais. Entre 2002 e 2013, 908 pessoas &mdash; incluindo agentes florestais, inspetores governamentais e ativistas locais &mdash; foram mortos em 35 pa&iacute;ses e, s&oacute; em 2017, 197 defensores ambientais foram assassinados.<\/p>\n<p>&ldquo;A criminaliza&ccedil;&atilde;o e os crescentes ataques aos defensores ambientais constituem claras viola&ccedil;&otilde;es ao Estado de Direito Ambiental e uma afronta aos direitos, pap&eacute;is e contribui&ccedil;&otilde;es dos povos ind&iacute;genas e da sociedade civil na prote&ccedil;&atilde;o do meio ambiente. Esse relat&oacute;rio capta a falta de responsabiliza&ccedil;&atilde;o, de uma governan&ccedil;a ambiental forte e do respeito aos direitos humanos para a sustentabilidade do nosso meio ambiente&rdquo;,&nbsp;afirmou Joan Carling, ativista de direitos ind&iacute;genas e defensora ambiental das Filipinas.<\/p>\n<p>O engajamento de uma sociedade civil informada leva &agrave; melhor tomada de decis&otilde;es pelo governo, a a&ccedil;&otilde;es ambientais mais respons&aacute;veis por parte das empresas e a um direito ambiental mais eficaz. A produ&ccedil;&atilde;o peri&oacute;dica de relat&oacute;rios sobre a qualidade ambiental dos pa&iacute;ses, inclusive sobre a qualidade do ar e da &aacute;gua, tamb&eacute;m pode ajudar a atingir essas metas.<\/p>\n<p>Infelizmente, de acordo com o &Iacute;ndice de Democracia Ambiental, apenas 20 dos 70 pa&iacute;ses avaliados, ou seja, 28%, s&atilde;o classificados como sendo &ldquo;bom&rdquo; ou &ldquo;muito bom&rdquo; na produ&ccedil;&atilde;o de relat&oacute;rios peri&oacute;dicos, abrangentes e atuais do &ldquo;Estado do Meio Ambiente&rdquo;. Na &Iacute;ndia, Tail&acirc;ndia e Uganda, por exemplo, os dados sobre a polui&ccedil;&atilde;o gerada por instala&ccedil;&otilde;es industriais s&oacute; podem ser obtidos por meio de contatos pessoais.<\/p>\n<p>O relat&oacute;rio ainda oferece diversos exemplos de boas pr&aacute;ticas, inclusive inova&ccedil;&otilde;es aplicadas em pa&iacute;ses em desenvolvimento que muitas vezes enfrentam os mesmos desafios dos pa&iacute;ses desenvolvidos, mas com menos recursos. A diversidade geogr&aacute;fica desses esfor&ccedil;os e inova&ccedil;&otilde;es refor&ccedil;a dois pontos-chave desse relat&oacute;rio:&nbsp;O desenvolvimento e a promo&ccedil;&atilde;o do Estado de Direito Ambiental &eacute; um desafio para todos os pa&iacute;ses e &eacute; tamb&eacute;m uma prioridade crescente. Para que as metas de centenas de leis, regulamentos e pol&iacute;ticas nacionais que regem o meio ambiente em todo o mundo sejam alcan&ccedil;adas &mdash; inclusive a sa&uacute;de e o bem-estar p&uacute;blicos, economias s&oacute;lidas e sociedades pac&iacute;ficas &mdash;, &eacute; preciso atribuir prioridade m&aacute;xima ao fortalecimento do Estado de Direito Ambiental.<\/p>\n<p>Acesse o relat&oacute;rio na &iacute;ntegra&nbsp;<a href=\"https:\/\/wedocs.unep.org\/bitstream\/handle\/20.500.11822\/27279\/Environmental_rule_of_law.pdf?sequence=1&amp;isAllowed=y\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">clicando aqui<\/a>.<\/p>\n<p>[amazon_link asins=&rsquo;857283978X,8537818003,8535930914&prime; template=&rsquo;ProductCarousel&rsquo; store=&rsquo;oportunidad0f-20&prime; marketplace=&rsquo;BR&rsquo; link_id=&rsquo;7573a704-07b7-486e-b3ab-8da82016d716&prime;]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":2540,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[20,19],"tags":[158,452,897,191,898,899,896],"class_list":{"0":"post-2539","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-destaques","8":"category-insights","9":"tag-clima","10":"tag-crise-climatica","11":"tag-interesses-economicos","12":"tag-meio-ambiente","13":"tag-onu","14":"tag-onu-meio-ambiente","15":"tag-protecao-do-meio-ambiente"},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/01\/poluicao-cresce-mesmo-com-acoes-legais-foto-pixabay.jpg","post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2539","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2539"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2539\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2540"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2539"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2539"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2539"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}