{"id":240,"date":"2016-05-30T11:46:15","date_gmt":"2016-05-30T14:46:15","guid":{"rendered":"https:\/\/litebold.co\/~radardofuturo\/profissoes-antigas-resistem-aos-processos-automatizados\/"},"modified":"2020-10-07T20:26:54","modified_gmt":"2020-10-07T23:26:54","slug":"profissoes-antigas-resistem-aos-processos-automatizados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/profissoes-antigas-resistem-aos-processos-automatizados\/","title":{"rendered":"Profiss\u00f5es antigas resistem aos processos automatizados"},"content":{"rendered":"\n<!--more-->\n\n\n<p>Em um pr&eacute;dio do centro de Belo Horizonte, a dispensa de quatro ascensoristas foi um dos temas centrais da assembleia geral dos propriet&aacute;rios dos im&oacute;veis. Diante dos apertos da economia brasileira, a proposta era a realiza&ccedil;&atilde;o de cortes. Afinal, reconhecia o sindico, os elevadores j&aacute; t&ecirc;m recursos autom&aacute;ticos suficientes para funcionar sem a necessidade de algu&eacute;m para administrar subidas e descidas pelos andares. No final das contas, a decis&atilde;o foi adiada.&nbsp;<\/p>\n<p>Exemplos como esse s&atilde;o cada vez mais frequentes nas cidades brasileiras. As mudan&ccedil;as, que podem levar &agrave; extin&ccedil;&atilde;o de algumas profiss&otilde;es, nem sempre s&atilde;o r&aacute;pidas. E sempre pode haver os sobreviventes, como atesta mat&eacute;ria publicada pelo site do Correio de Uberl&acirc;ndia, que identificou profissionais que permanecem na ativa em fun&ccedil;&otilde;es com alto potencial de desaparecimento.&nbsp;<\/p>\n<p>Os avan&ccedil;os da tecnologia, que ocorrem cada vez mais rapidamente, fazem com que surjam profiss&otilde;es &ndash; naturalmente movidas por novas demandas, ao mesmo tempo em que provocam a extin&ccedil;&atilde;o de v&aacute;rias outras fun&ccedil;&otilde;es. Com os processos automatizados e a produ&ccedil;&atilde;o em s&eacute;rie, &eacute; raro achar atividades que dependam, fundamentalmente, de habilidades artesanais, como a produ&ccedil;&atilde;o de uma pe&ccedil;a de roupa masculina ou mesmo a fundi&ccedil;&atilde;o de ouro e prata. No entanto, mesmo com a modernidade, algumas profiss&otilde;es vindas de s&eacute;culos passados conseguiram atravessar os tempos e permanecem sendo executadas ainda hoje. O CORREIO de Uberl&acirc;ndia foi &agrave;s ruas para encontrar esses profissionais e ouvir deles quais foram as principais mudan&ccedil;as ao longo dos anos.<\/p>\n<p>Alfaiate<\/p>\n<p>Jo&atilde;o Batista da Silva, conhecido em Uberl&acirc;ndia como JB Alfaiate, tinha 11 anos quando come&ccedil;ou a trabalhar como alfaiate. &ldquo;Naquela &eacute;poca, crian&ccedil;as trabalhavam e meu pai me arranjou um emprego em um bar. Um alfaiate que frequentava o local me viu, me achou esperto e quis me levar. Meu pai deixou e, com 15 anos, vesti o primeiro terno que fiz na vida&rdquo;, disse. Nos anos de 1950, quando JB come&ccedil;ou a investir no of&iacute;cio, a demanda por ternos fabricados sob medida era comum. &ldquo;Pol&iacute;ticos, advogados, autoridades sempre mandavam fazer as roupas. Cheguei a ter mais de mil clientes, criei fam&iacute;lia com a alfaiataria. Levantava antes de o sol nascer para cortar os servi&ccedil;os, porque, depois que eu abria as portas, n&atilde;o era mais poss&iacute;vel fazer nada. A alfaiataria lotava&rdquo;, disse.<\/p>\n<p>Hoje em dia, depois de mais de meio s&eacute;culo de trabalho e com 85 anos de vida, ele conta que o movimento caiu. &ldquo;A maioria prefere roupas prontas, mas tem sempre aquele cliente que ainda gosta de lembrar os velhos tempos e manda fazer um terno. Minha clientela atravessou gera&ccedil;&otilde;es e ainda hoje atendo filhos e netos de homens que foram meus clientes. O p&uacute;blico &eacute; de pessoas que ainda mant&ecirc;m a tradi&ccedil;&atilde;o ou ent&atilde;o de gente que quer ternos em medidas especiais, porque n&atilde;o os encontra prontos.&rdquo;<\/p>\n<p>Ourives<\/p>\n<p>Tamb&eacute;m foi observando o trabalho de outros profissionais que Geovane Felipe dos Santos, de 42 anos, se tornou ourives h&aacute; mais de tr&ecirc;s d&eacute;cadas. &ldquo;Minha m&atilde;e trabalhava em casa de fam&iacute;lia e os patr&otilde;es procuravam um menino que pudesse limpar as pe&ccedil;as da oficina de joias deles. Ela sugeriu que me contratassem e eu fui. Ficava olhando curioso e um dia disse para o ourives que sabia soldar correntinhas. Ele me desafiou, dizendo que se eu soldasse, ele me contrataria para auxiliar. No dia seguinte, comecei a fazer consertos e, aos poucos, fui aperfei&ccedil;oando. Montei oficina em casa enquanto trabalhava para joalherias e, h&aacute; seis anos, comecei apenas a prestar servi&ccedil;os, na minha pr&oacute;pria oficina&rdquo;. Ele disse que, apesar de estar em extin&ccedil;&atilde;o, a profiss&atilde;o ainda tem mercado. &ldquo;Muitas empresas segmentam a fabrica&ccedil;&atilde;o, ent&atilde;o, &eacute; raro encontrar algu&eacute;m que pegue a pepita de ouro e transforme em pedra, mas ainda h&aacute; mercado. Trabalho de 7h &agrave;s 21h de segunda a sexta, e amo o que fa&ccedil;o&rdquo;, disse.<\/p>\n<p>Engraxate<\/p>\n<p>Foi com pouco mais de 10 anos que Jovair Machado Lemes, de 55 anos, aprendeu a ser engraxate. &ldquo;Era uma &eacute;poca em que crian&ccedil;a podia trabalhar, inclusive para ajudar em casa, e o que tinha para fazer era isso. V&aacute;rias crian&ccedil;as eram engraxates na pra&ccedil;a Tubal Vilela. A maioria dos homens importantes, como gerentes de bancos e pol&iacute;ticos, gostava de manter os sapatos limpos e lustrados e paravam na pra&ccedil;a para a gente engraxar. Era muito comum, e a maioria dos trabalhadores era crian&ccedil;a mesmo&rdquo;, disse.<\/p>\n<p>Ao longo da vida, Lemes foi conciliando o of&iacute;cio com outros trabalhos, para criar a fam&iacute;lia, at&eacute; que, h&aacute; 20 anos, passou a dedicar-se exclusivamente &agrave; engraxataria. &ldquo;Hoje, a quantidade de servi&ccedil;o que tenho &eacute; muito menor do que antes, porque &eacute; bem menos gente que usa sapato social e, com a crise, os que usam preferem engraxar em casa mesmo. Mas &eacute; um bom trabalho, conhe&ccedil;o muitas pessoas, converso com v&aacute;rias delas o dia todo. Facilita o contato com os outros&rdquo;, afirmou.<\/p>\n<p>Sapateiro<\/p>\n<p>O interesse por ter uma profiss&atilde;o foi o que motivou Francisco de Assis Pereira Rodrigues a procurar, ainda na inf&acirc;ncia, uma forma de aprender o of&iacute;cio de sapateiro. &ldquo;Sou de Ituiutaba e, com mais ou menos 10 anos, fiz curso t&eacute;cnico para ser sapateiro em uma escola na minha cidade. Aos 11, me mudei para Uberl&acirc;ndia em busca de emprego e fui morar com uma tia e trabalhar em f&aacute;bricas. Aprendi a costurar e a fazer todo o processo do sapato, porque na minha cidade, sabia s&oacute; o b&aacute;sico, o in&iacute;cio. Aos poucos, fui progredindo. Houve um tempo em que a gente fabricava direto para o cliente, depois foram abrindo muitas lojas e come&ccedil;amos a vender para elas. Montei uma f&aacute;brica, mas quebrei no in&iacute;cio dos anos 2000 e voltei a trabalhar para outras pessoas. Aos poucos, fui me reerguendo. Hoje tenho outra f&aacute;brica em sociedade com um amigo, e presto servi&ccedil;o para v&aacute;rios estabelecimentos da cidade&rdquo;, disse.<\/p>\n<p>Ele conta que se especializou em sapatos femininos, por causa da possibilidade de criar modelos. &ldquo;&Eacute; como se fosse uma folha em branco, posso fazer o desenho que eu quiser. Modelo o sapato desde a forma at&eacute; a finaliza&ccedil;&atilde;o. Fiz botinas e outros sapatos masculinos muitos anos, mas me especializei somente nos femininos, porque &eacute; o p&uacute;blico que mais compra e porque h&aacute; mais variedade.<\/p>\n<p>A cearense Helena Moror&oacute; de Ara&uacute;jo tinha 18 anos rec&eacute;m-completos quando foi contratada para ser ascensorista em uma companhia telef&ocirc;nica no Rio de Janeiro, no in&iacute;cio dos anos 1980. Na d&eacute;cada seguinte, ela mudou-se para Uberl&acirc;ndia com o marido e os filhos e come&ccedil;ou a trabalhar na mesma profiss&atilde;o em um edif&iacute;cio no hipercentro da cidade, onde permanece at&eacute; hoje, aos 56 anos. &ldquo;Estou h&aacute; 17 anos como ascensorista aqui, e amo o que eu fa&ccedil;o. A vida de dentro do elevador &eacute; boa, conhe&ccedil;o v&aacute;rias pessoas, converso com muita gente todos os dias. &Eacute; um trabalho que n&atilde;o d&aacute; para ser exercido quando se est&aacute; com problema, porque voc&ecirc; n&atilde;o aguenta ficar dentro do elevador, puxando assunto o tempo todo, pensando em outra coisa&rdquo;, disse.<\/p>\n<p>Segundo ela, apesar da tecnologia, seu trabalho &eacute; importante. Hoje, os aparelhos est&atilde;o modernos, quase conversam com as pessoas, anunciam o andar e s&atilde;o bem f&aacute;ceis de serem operados. &ldquo;Mas ainda tem muitas pessoas que preferem e precisam de um ascensorista. Muitos n&atilde;o prestam aten&ccedil;&atilde;o no que a m&aacute;quina fala, outros t&ecirc;m medo ou p&acirc;nico de altura e de lugares fechados, e meu papel &eacute; acalmar essas pessoas. H&aacute; crian&ccedil;as que entram gritando de medo. Sem uma pessoa l&aacute;, isso seria ainda pior, porque seria s&oacute; a frieza da m&aacute;quina. O ascensorista humaniza o elevador.&rdquo;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[10],"tags":[],"class_list":{"0":"post-240","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","6":"category-estudos-prospectivos"},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/240","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=240"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/240\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=240"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=240"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=240"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}