{"id":238,"date":"2016-05-30T09:53:13","date_gmt":"2016-05-30T12:53:13","guid":{"rendered":"https:\/\/litebold.co\/~radardofuturo\/robotizacao-avanca-na-china\/"},"modified":"2016-05-30T09:53:13","modified_gmt":"2016-05-30T12:53:13","slug":"robotizacao-avanca-na-china","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/robotizacao-avanca-na-china\/","title":{"rendered":"Robotiza\u00e7\u00e3o avan\u00e7a na China"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por toda a China, as f&aacute;bricas est&atilde;o a substituir os seres humanos por rob&ocirc;s numa nova revolu&ccedil;&atilde;o industrial comandada pela automa&ccedil;&atilde;o. E os seus efeitos ser&atilde;o sentidos por todo o mundo. Ainda nesta semana, a Foxconn, a maior fabricante mundial de telem&oacute;veis, anunciou que conseguiu reduzir para metade o n&uacute;mero de trabalhadores devido &agrave; introdu&ccedil;&atilde;o de m&aacute;quinas na sua linha de montagem<\/p>\n<p>A fundi&ccedil;&atilde;o de lava-loi&ccedil;as Ying Ao na prov&iacute;ncia de Guangdong, no Sul da China, n&atilde;o tem a apar&ecirc;ncia de uma f&aacute;brica do futuro. O letreiro por cima da porta de entrada est&aacute; desbotado; l&aacute; dentro, o ch&atilde;o est&aacute; gorduroso e com manchas de lama e o ar est&aacute; cheio de uma espessa poeira met&aacute;lica, o subproduto do processo de polimento do a&ccedil;o inoxid&aacute;vel. Enquanto os trabalhadores empurram carrinhos pelo ch&atilde;o da f&aacute;brica, o edif&iacute;cio cavernoso e parecido com um barrac&atilde;o reverbera com um som met&aacute;lico.<\/p>\n<p>Guangdong &eacute; o motor de crescimento da produ&ccedil;&atilde;o industrial chinesa, tendo gerado 615 mil milh&otilde;es de d&oacute;lares em exporta&ccedil;&otilde;es no ano passado &ndash; mais de um quarto do total do pa&iacute;s. Nesta parte da prov&iacute;ncia, o sal&aacute;rio normal dos trabalhadores &eacute; de 4000 renmimbis por m&ecirc;s (600 d&oacute;lares ou 536 euros). A Ying Ao, que fabrica lava-loi&ccedil;as destinados &agrave;s cozinhas da Europa e dos EUA, tem de pagar o dobro disso por as condi&ccedil;&otilde;es na f&aacute;brica serem t&atilde;o desagrad&aacute;veis, diz Chen Conghan, o vice&ndash;diretor. Assim, h&aacute; quatro anos, a empresa come&ccedil;ou a comprar m&aacute;quinas para substituir a m&atilde;o-de&ndash;obra humana cada vez mais cara.<\/p>\n<p>Nove rob&ocirc;s fazem agora o trabalho de 140 trabalhadores a tempo inteiro. Bra&ccedil;os rob&oacute;ticos pegam em lava-loi&ccedil;as de uma pilha, pulem-nos at&eacute; ficarem a brilhar e depois depositam-nos num carrinho com piloto autom&aacute;tico que os leva at&eacute; uma c&acirc;mara ligada a um computador para um controlo de qualidade final.<\/p>\n<p>A empresa, que exporta 1500 lava-lou&ccedil;as por dia, gastou mais de tr&ecirc;s milh&otilde;es de d&oacute;lares nos rob&ocirc;s. &ldquo;Estas m&aacute;quinas s&atilde;o mais baratas, mais precisas e mais confi&aacute;veis do que as pessoas&rdquo;, afirma Chen. Nunca tive um lote inteiro estragado por rob&ocirc;s. Estou ansioso por substituir mais pessoas no futuro&rdquo;, acrescenta ele, com um sorriso ir&oacute;nico.<\/p>\n<p>Em toda a cintura industrial da costa sul da China, milhares de f&aacute;bricas como a de Chen est&atilde;o a voltar-se para a automa&ccedil;&atilde;o, numa revolu&ccedil;&atilde;o industrial centrada na rob&oacute;tica, apoiada pelo governo e de uma dimens&atilde;o nunca vista. Desde 2013 que a China tem vindo, todos os anos, a comprar mais rob&ocirc;s do que qualquer outro pa&iacute;s, incluindo os gigantes da fabrica&ccedil;&atilde;o de alta tecnologia como a Alemanha, o Jap&atilde;o e a Coreia do Sul. No final deste ano, a China ir&aacute; ultrapassar o Jap&atilde;o e passar&aacute; a ser o maior operador de rob&ocirc;s industriais do mundo, segundo a Federa&ccedil;&atilde;o Internacional de Rob&oacute;tica (IFR, sigla em ingl&ecirc;s), um grupo da ind&uacute;stria rob&oacute;tica. O ritmo de transforma&ccedil;&atilde;o na China &eacute; &ldquo;&uacute;nico na hist&oacute;ria dos rob&ocirc;s&rdquo;, diz Gudrun Litzenberger, secret&aacute;ria-geral da IFR, que tem sede na Alemanha, onde est&atilde;o localizados alguns dos maiores fabricantes de rob&ocirc;s industriais do mundo.<\/p>\n<p>A transforma&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica da China tem ainda muito caminho a percorrer &ndash; o pa&iacute;s possui apenas 36 rob&ocirc;s por dez mil trabalhadores fabris, enquanto a Alemanha tem 292, o Jap&atilde;o 314 e a Coreia do Sul 478. Mas est&aacute; j&aacute; a mudar a face da ind&uacute;stria fabril global. Este processo est&aacute; a levantar quest&otilde;es mais amplas: poder&atilde;o ainda as economias emergentes ter esperan&ccedil;a de seguir o caminho tradicional para a prosperidade no qual o mundo desenvolvido se tem apoiado desde a revolu&ccedil;&atilde;o industrial brit&acirc;nica do s&eacute;culo XVIII? Ou ir&atilde;o os rob&ocirc;s assumir muitos dos empregos que em tempos tiraram centenas de milh&otilde;es da pobreza?<\/p>\n<p>Vantagem competitiva em queda<\/p>\n<p>O enorme investimento da China em rob&ocirc;s industriais tem as suas ra&iacute;zes num problema econ&oacute;mico premente. A partir de 1980, quando os governantes comunistas de Pequim se abriram ao com&eacute;rcio global, a enorme e barata m&atilde;o-de-obra do pa&iacute;s ajudou este a tornar-se o maior exportador mundial de produtos industriais. O vertiginoso crescimento econ&oacute;mico tirou centenas de milh&otilde;es de chineses da pobreza e transformou zonas inteiras do pa&iacute;s com os trabalhadores a migrarem do campo para a cidade. Mas uma classe m&eacute;dia em crescimento e o envelhecimento da popula&ccedil;&atilde;o t&ecirc;m levado ao aumento dos sal&aacute;rios, desgastando a vantagem competitiva da China. Em parte devido &agrave; pol&iacute;tica do filho &uacute;nico, formalmente extinta em 2015, calcula-se que a popula&ccedil;&atilde;o chinesa em idade ativa v&aacute; cair de um bilh&atilde;o de pessoas em 2015 para 960 milh&otilde;es em 2030 e 800 milh&otilde;es em 2050.<\/p>\n<p>Nos &uacute;ltimos anos, o governo chin&ecirc;s tem vindo a promover a automa&ccedil;&atilde;o como uma forma de preencher a lacuna de trabalhadores. Prometeu generosos subs&iacute;dios &ndash; a serem repartidos pelos governos locais &ndash; para suavizar o caminho para as empresas chinesas usarem e, tamb&eacute;m, constru&iacute;rem rob&ocirc;s. Em 2014, o presidente Xi Jinping apelou a uma &ldquo;revolu&ccedil;&atilde;o rob&oacute;tica&rdquo; que transformaria primeiro a China e, a seguir, o mundo. &ldquo;O nosso pa&iacute;s vai ser o maior mercado para os rob&ocirc;s&rdquo;, disse ele num discurso na Academia Chinesa de Ci&ecirc;ncias, &ldquo;mas conseguir&aacute; a nossa tecnologia e a nossa capacidade de produ&ccedil;&atilde;o lidar com a concorr&ecirc;ncia? N&atilde;o s&oacute; precisamos de atualizar os nossos rob&ocirc;s, como tamb&eacute;m precisamos de conquistar mercados em muitos lugares&rdquo;.<\/p>\n<p>A marcha das m&aacute;quinas, n&atilde;o apenas na China, mas em todo o mundo, foi acelerada pela queda acentuada do pre&ccedil;o dos rob&ocirc;s industriais e por um aumento constante das suas capacidades. O Boston Consulting Group, uma consultora de gest&atilde;o, prev&ecirc; que o pre&ccedil;o dos rob&ocirc;s industriais e do seu software v&aacute; cair cerca de 20% durante a pr&oacute;xima d&eacute;cada, enquanto o seu desempenho ir&aacute; melhorar em 5% a cada ano que passe.<\/p>\n<p>Liu Hui, um empres&aacute;rio de 40 e poucos anos, est&aacute; a aproveitar ao m&aacute;ximo a explos&atilde;o da rob&oacute;tica na China. Em 2001, quando abriu a sua primeira f&aacute;brica em Foshan, uma cidade industrial de sete milh&otilde;es de habitantes em Guangdong, ele come&ccedil;ou a fazer c&oacute;pias de ventoinhas el&eacute;tricas. Com o crescimento do neg&oacute;cio passou para a fabrica&ccedil;&atilde;o legal, produzindo componentes para as marcas de eletrodom&eacute;sticos chineses. Depois, em 2012, descobrindo uma oportunidade num mercado em crescimento, saltou para o mundo emergente da rob&oacute;tica. Liu importa agora bra&ccedil;os rob&oacute;ticos, de fornecedores como o conglomerado sueco-su&iacute;&ccedil;o ABB, e vende-os aos fabricantes chineses, ajudando-os a integrar as m&aacute;quinas nas suas linhas de produ&ccedil;&atilde;o. &Eacute; um neg&oacute;cio altamente especializado. A maioria dos seus clientes s&atilde;o fabricantes de componentes que fornecem motores e outras pe&ccedil;as a grandes marcas de eletrodom&eacute;sticos chineses, como a Midea e a Galanz, que produzem aparelhos de ar condicionado, frigor&iacute;ficos e outra maquinaria.<\/p>\n<p>O neg&oacute;cio expandiu-se t&atilde;o rapidamente no ano passado que Liu n&atilde;o tem espa&ccedil;o suficiente na sua f&aacute;brica para todas as m&aacute;quinas em fase de montagem. Ele tem de armazenar pe&ccedil;as destinadas a um rob&ocirc; da ABB num alpendre exterior improvisado. &ldquo;As coisas est&atilde;o a mudar rapidamente&rdquo;, diz ele. &ldquo;O custo do trabalho est&aacute; a aumentar todos os anos e os jovens n&atilde;o querem trabalhar na linha de produ&ccedil;&atilde;o como os seus pais fizeram, por isso precisamos de m&aacute;quinas para os substituir.&rdquo;<\/p>\n<p>A imagem estereotipada das f&aacute;bricas chinesas ainda pode ser encontrada em muitos s&iacute;tios: dezenas de milhares de pessoas em longas filas debru&ccedil;adas sobre m&aacute;quinas de costura ou a introduzir componentes numa placa de circuito impresso. Mas essa forma de produ&ccedil;&atilde;o est&aacute; a come&ccedil;ar a ser substitu&iacute;da por um quadro mais misto: linhas de produ&ccedil;&atilde;o parcialmente automatizadas, com os trabalhadores humanos intercalados em alguns pontos-chave.<\/p>\n<p>Enquanto isso, a China est&aacute; a expandir os seus pr&oacute;prios fabricantes de rob&ocirc;s. Em setembro do ano passado, a Ningbo Techmation, uma produtora de Xangai de m&aacute;quinas para a ind&uacute;stria de pl&aacute;sticos, lan&ccedil;ou uma subsidi&aacute;ria, a E-Deodar, que faz rob&ocirc;s 20% a 30% mais baratos do que os produzidos por empresas internacionais como a ABB, a alem&atilde; Kuka ou a Kawasaki japonesa. A f&aacute;brica E-Deodar em Foshan, com o seu caf&eacute;, a zona de descanso e a linha de produ&ccedil;&atilde;o em espa&ccedil;o aberto, parece&ndash;se mais com as instala&ccedil;&otilde;es de uma startup tecnol&oacute;gica de Silicon Valley do que com uma unidade industrial chinesa. &ldquo;Os nossos rivais globais s&atilde;o muito bons a fazer rob&ocirc;s, mas os seus custos s&atilde;o mais elevados e eles n&atilde;o s&atilde;o t&atilde;o bons no que respeita a compreender as necessidades dos clientes locais&rdquo;, afirma o diretor t&eacute;cnico da empresa, Zhang Honglei, de 35 anos e cabelo espetado.<\/p>\n<p>Neste ano, Zhang planeia produzir 350 rob&ocirc;s verdes, uma cor distintiva, projetados para utiliza&ccedil;&atilde;o em f&aacute;bricas de pl&aacute;stico, e vend&ecirc;-los a um pre&ccedil;o entre 14 mil e 18 mil d&oacute;lares cada um; no prazo de tr&ecirc;s anos, ele espera produzir tr&ecirc;s mil por ano. &ldquo;N&oacute;s temos de agir rapidamente porque a automa&ccedil;&atilde;o &eacute; um neg&oacute;cio de escala&rdquo;, diz ele. &ldquo;Quanto maior melhor.&rdquo;<\/p>\n<p>Os fabricantes chineses, que compraram 66 mil dos 240 mil rob&ocirc;s industriais vendidos globalmente no ano passado, ainda preferem maioritariamente comprar marcas internacionais, de acordo com Litzenberger do IFR. Mas ela espera que isso mude, especialmente como consequ&ecirc;ncia do total apoio que o governo de Pequim tem dado &agrave; ind&uacute;stria rob&oacute;tica do pa&iacute;s nos &uacute;ltimos anos. &ldquo;Eles est&atilde;o a desenvolver-se muito rapidamente&rdquo;, diz ela.<\/p>\n<p>Num imponente edif&iacute;cio do governo com colunas na fachada &ndash; localmente conhecido como a Casa Branca &ndash; no distrito de Shunde de Foshan, as autoridades est&atilde;o a tentar p&ocirc;r em pr&aacute;tica o apelo do presidente Xi para uma revolu&ccedil;&atilde;o rob&oacute;tica. A prov&iacute;ncia de Guangdong prometeu investir oito mil milh&otilde;es de d&oacute;lares entre 2015 e 2017 na automa&ccedil;&atilde;o. Zhang Peng, vice-diretor do departamento de economia e tecnologia de Shunde, viu recentemente o tamanho do seu gabinete no edif&iacute;cio ser reduzido, em linha com o apelo do Partido Comunista para a austeridade burocr&aacute;tica. Mas o or&ccedil;amento para a automa&ccedil;&atilde;o industrial n&atilde;o foi afetado. Zhang diz que os rob&ocirc;s s&atilde;o vitais para superar a escassez de trabalhadores e que ajudam as empresas chinesas a fazer produtos de melhor qualidade e mais competitivos. Excecionalmente direto para um funcion&aacute;rio chin&ecirc;s, ele adverte: &ldquo;Se as empresas de produ&ccedil;&atilde;o n&atilde;o melhorarem, n&atilde;o ser&atilde;o capazes de sobreviver.&rdquo;<\/p>\n<p>Uma marcha a v&aacute;rias velocidades<\/p>\n<p>O apoio do governo para a integra&ccedil;&atilde;o de rob&ocirc;s industriais cada vez mais baratos e eficientes &eacute; uma boa not&iacute;cia para os donos de f&aacute;bricas na China, que est&atilde;o a enfrentar uma economia global fraca e a desacelera&ccedil;&atilde;o da procura interna. Mas os benef&iacute;cios da revolu&ccedil;&atilde;o rob&oacute;tica n&atilde;o ser&atilde;o distribu&iacute;dos igualmente em todo o mundo. Os pa&iacute;ses em desenvolvimento, da &Iacute;ndia &agrave; Indon&eacute;sia e do Egito &agrave; Eti&oacute;pia, est&atilde;o h&aacute; muito tempo &agrave; espera de seguir o exemplo da China, assim como o Jap&atilde;o, a Coreia do Sul e Taiwan antes deles: estimular a cria&ccedil;&atilde;o de emprego e o crescimento econ&oacute;mico, levando os trabalhadores agr&iacute;colas para f&aacute;bricas de baixo custo para produzir bens para exporta&ccedil;&atilde;o. No entanto, o aumento da automa&ccedil;&atilde;o significa que &eacute; prov&aacute;vel que a industrializa&ccedil;&atilde;o v&aacute; gerar significativamente menos postos de trabalho para a pr&oacute;xima gera&ccedil;&atilde;o de economias emergentes.<\/p>\n<p>&ldquo;Os pa&iacute;ses de baixo rendimento de hoje n&atilde;o ter&atilde;o a mesma possibilidade de atingir um crescimento r&aacute;pido ao deslocar trabalhadores das explora&ccedil;&otilde;es agr&iacute;colas para os empregos mais bem remunerados nas f&aacute;bricas&rdquo;, de acordo com as conclus&otilde;es de investigadores do banco de investimento americano Citi e da Universidade de Oxford num relat&oacute;rio recente, The Future Is Not What It Used to Be [O Futuro N&atilde;o &eacute; o que Costumava Ser], sobre o impacto da mudan&ccedil;a tecnol&oacute;gica.<\/p>\n<p>Eles argumentam que o aumento dos custos do trabalho na China &eacute; uma &ldquo;janela de esperan&ccedil;a&rdquo; para o pa&iacute;s, porque est&aacute; a impulsionar o avan&ccedil;o tecnol&oacute;gico, da mesma forma que um aumento dos sal&aacute;rios no s&eacute;culo XVIII no Reino Unido deu o impulso para a primeira revolu&ccedil;&atilde;o industrial do mundo. Ao mesmo tempo, de acordo com Johanna Chua, economista do Citi em Hong Kong, os retardat&aacute;rios industriais em partes da &Aacute;sia e de &Aacute;frica enfrentam uma &ldquo;corrida contra as m&aacute;quinas&rdquo;, pois lutam para criar empregos em n&uacute;mero suficiente na ind&uacute;stria antes que estes sejam aniquilados pela reuni&atilde;o do ex&eacute;rcito de rob&ocirc;s na China e no resto do mundo.<\/p>\n<p>Tom Lembong, 45 anos, ministro do Com&eacute;rcio da Indon&eacute;sia, e uma voz importante dentro do governo pela liberaliza&ccedil;&atilde;o e a reforma da maior economia do Sudeste Asi&aacute;tico, est&aacute; ciente dos riscos. &ldquo;Muitas pessoas n&atilde;o percebem que estamos a ver um salto qu&acirc;ntico na rob&oacute;tica&rdquo;, diz ele. &ldquo;&Eacute; uma preocupa&ccedil;&atilde;o enorme e precisamos de reconhecer a amea&ccedil;a desta nova revolu&ccedil;&atilde;o industrial. Mas, como elite pol&iacute;tica e empresarial, ainda estamos presos em debates sobre a industrializa&ccedil;&atilde;o que ficaram encerrados no s&eacute;culo XX e at&eacute; mesmo no s&eacute;culo XIX.&rdquo;<\/p>\n<p>Pa&iacute;ses como a Indon&eacute;sia j&aacute; est&atilde;o a sofrer com algo que o economista de Harvard Dani Rodrik tem apelidado de &ldquo;desindustrializa&ccedil;&atilde;o prematura&rdquo;. O termo descreve uma tend&ecirc;ncia em que as economias emergentes veem o seu setor de produ&ccedil;&atilde;o come&ccedil;ar a encolher muito antes de os pa&iacute;ses atingirem n&iacute;veis de rendimento compar&aacute;veis com os do mundo desenvolvido. Apesar do r&aacute;pido crescimento econ&oacute;mico ao longo dos &uacute;ltimos 15 anos, a Indon&eacute;sia viu o pico econ&oacute;mico da sua ind&uacute;stria de transforma&ccedil;&atilde;o em 2002. Os analistas acreditam que tal se deve em parte a uma falha de investimento em infraestruturas e &agrave; pol&iacute;tica de com&eacute;rcio e investimento pouco competitiva do pa&iacute;s e, em parte, &agrave; globaliza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Rodrik acredita que o pa&iacute;s nunca ser&aacute; capaz de crescer no tipo de ritmo acelerado experimentado pela China ou pela Coreia do Sul. &ldquo;Tradicionalmente, a produ&ccedil;&atilde;o necessitava de muito poucas qualifica&ccedil;&otilde;es e empregava muita gente&rdquo;, diz ele. &ldquo;Por causa da automa&ccedil;&atilde;o, as qualifica&ccedil;&otilde;es requeridas aumentaram significativamente e s&atilde;o muito menos as pessoas empregadas nas f&aacute;bricas. O que se faz com esses trabalhadores extras? Eles n&atilde;o se v&atilde;o transformar em empreendedores de TI ou artistas; e, se eles se tornam empregados de restaurantes, receber&atilde;o um sal&aacute;rio muito inferior ao que receberiam numa f&aacute;brica.&rdquo;<\/p>\n<p>A propaga&ccedil;&atilde;o de rob&ocirc;s torna muito mais dif&iacute;cil aos pa&iacute;ses em desenvolvimento a entrada na &ldquo;escada rolante&rdquo; do crescimento econ&oacute;mico, argumenta. Isto s&atilde;o m&aacute;s not&iacute;cias para os dois milh&otilde;es de jovens que se calcula que entram no mercado de trabalho todos os anos na Indon&eacute;sia, uma na&ccedil;&atilde;o de 255 milh&otilde;es, onde 40% das pessoas vivem com tr&ecirc;s d&oacute;lares por dia ou menos. Mahami Jaya Lumbanraja de 22 anos, um candidato a emprego na ilha industrial indon&eacute;sia de Batam, est&aacute; a sentir os efeitos do fen&oacute;meno de desindustrializa&ccedil;&atilde;o prematura. H&aacute; sete meses que anda &agrave; procura de um emprego numa f&aacute;brica em Batam, que fica apenas a 30 quil&oacute;metros da pr&oacute;spera Singapura, mas ainda n&atilde;o teve sorte. Com umas cal&ccedil;as de ganga desbotadas, uma camisola de capuz cinzenta e um sorriso cativante, Lumbanraja diz que, embora tenha um ano de experi&ecirc;ncia de trabalho na Shimano, o fabricante japon&ecirc;s de mudan&ccedil;as de bicicletas e equipamento de pesca, n&atilde;o tem a experi&ecirc;ncia suficiente para garantir mais do que uma posi&ccedil;&atilde;o no n&iacute;vel mais baixo, e que h&aacute; muito mais gente &agrave; procura de trabalho do que lugares dispon&iacute;veis. &ldquo;Eu consigo sobreviver com o pouco dinheiro que recebo de atua&ccedil;&otilde;es na rua e de ajudar amigos em trabalhos de constru&ccedil;&atilde;o civil, mas tenho de conseguir um emprego a s&eacute;rio numa f&aacute;brica para economizar o dinheiro suficiente para poder montar o meu pr&oacute;prio pequeno neg&oacute;cio mais tarde&rdquo;, diz ele. Os sal&aacute;rios em Batam &ndash; cerca de 230 d&oacute;lares por m&ecirc;s &ndash; s&atilde;o o dobro do que Lumbanraja poderia ganhar na sua cidade natal de Medan, na ilha de Sumatra. Assim, ele acha que tem de ficar ali at&eacute; conseguir encontrar trabalho.<\/p>\n<p>Lumbanraja &eacute; um dos cerca de 700 indon&eacute;sios no final da adolesc&ecirc;ncia e no in&iacute;cio da casa dos vinte que visitam todos os dias o centro comunit&aacute;rio no parque industrial Batamindo &agrave; procura de trabalho. Em fevereiro, tr&ecirc;s mil pessoas inscreveram-se pessoalmente para apenas 80 lugares numa f&aacute;brica de cabos el&eacute;tricos de propriedade japonesa, uma reuni&atilde;o t&atilde;o grande que os executivos temeram inicialmente que se tratasse de uma manifesta&ccedil;&atilde;o de protesto.<\/p>\n<p>Batamindo &eacute; um cons&oacute;rcio entre Singapura e os investidores indon&eacute;sios que foi apoiado pelos presidentes Lee Kuan Yew e Suharto &ndash; os respetivos governantes dos dois pa&iacute;ses &ndash; quando abriu em 1990. O que se pretendia que fosse um modelo da estrat&eacute;gia de industrializa&ccedil;&atilde;o da Indon&eacute;sia, tornou-se um s&iacute;mbolo de tudo o que h&aacute; de errado nela. Nos &uacute;ltimos tempos, uma m&eacute;dia de cinco f&aacute;bricas por ano trocaram o parque industrial por outros pa&iacute;ses e o n&uacute;mero de pessoas l&aacute; empregadas caiu para apenas 46 mil, de um pico de 80 mil em 2000. Isso, apesar do facto de os sal&aacute;rios estarem hoje entre um ter&ccedil;o e metade dos que s&atilde;o pagos na prov&iacute;ncia de Guangdong da China.<\/p>\n<p>Lembong, um licenciado de Harvard que dirigia a sua pr&oacute;pria empresa de capitais de investimento sediada em Singapura antes de ser nomeado ministro do Com&eacute;rcio em agosto, diz que o governo est&aacute; determinado a resolver o duplo problema que est&aacute; no cerne do mal-estar econ&oacute;mico da Indon&eacute;sia: as fracas infraestruturas e o excesso de regulamenta&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Mas h&aacute; quem argumente que a reforma vir&aacute; tarde demais. Durante o seu per&iacute;odo de r&aacute;pida industrializa&ccedil;&atilde;o, a China investiu em autoestradas, ferrovias e portos modernos, necess&aacute;rios para apoiar o seu setor produtivo. Em contraste, as infraestruturas f&iacute;sicas em Batam e em grande parte da Indon&eacute;sia &ldquo;n&atilde;o mudaram muito desde a d&eacute;cada de 1970&rdquo;, diz Mook Sooi Wah, diretor-geral da Batamindo.<\/p>\n<p>Na verdade, a Indon&eacute;sia tinha uma &ldquo;densidade rob&oacute;tica&rdquo; ligeiramente maior do que a China, quando foram coligidos os &uacute;ltimos dados pela Federa&ccedil;&atilde;o Internacional de Rob&oacute;tica em 2014, embora seja prov&aacute;vel que a situa&ccedil;&atilde;o tenha mudado dramaticamente desde ent&atilde;o, dado o ritmo do impulso de automa&ccedil;&atilde;o de Pequim. Esta anomalia foi em grande parte o resultado da for&ccedil;a de trabalho industrial da China ser muito maior do que a da Indon&eacute;sia, que ainda n&atilde;o tem nenhum plano ou apoio governamental para a automa&ccedil;&atilde;o industrial.<\/p>\n<p>O processo de regulamenta&ccedil;&atilde;o na Indon&eacute;sia &eacute; t&atilde;o antiquado como as suas infraestruturas. Recentemente, as remessas leg&iacute;timas de uma f&aacute;brica de papel foram retidas pela alf&acirc;ndega no porto de Batam por causa de uma regra destinada a impedir a exporta&ccedil;&atilde;o de madeira de origem ilegal. Estes problemas deixam exasperados at&eacute; os apoiantes de Batam.<\/p>\n<p>Stefan Roll, um fabricante alem&atilde;o veterano que trabalhou na China durante a sua descolagem industrial na d&eacute;cada de 1990, gosta de viver e trabalhar na Indon&eacute;sia. Mas ele teme que o pa&iacute;s esteja a perder a sua &ldquo;oportunidade de ouro&rdquo; para se tornar suficientemente eficiente para competir &agrave; escala global. &ldquo;Quando se est&aacute; a lidar com multinacionais, tempo &eacute; dinheiro&rdquo;, diz Roll, enquanto mostra a sua nova f&aacute;brica em Batam, que monta m&aacute;quinas de caf&eacute; para a Nestl&eacute;. &ldquo;Mas s&oacute; se consegue uma produ&ccedil;&atilde;o just in time se existirem boas estradas e infraestruturas.&rdquo;<\/p>\n<p>Embora sejam poucos os que duvidam da import&acirc;ncia dos desafios que enfrentam os pa&iacute;ses em desenvolvimento, nem toda a gente v&ecirc; o problema em termos t&atilde;o sombrios. Com os sal&aacute;rios em pa&iacute;ses como a Indon&eacute;sia e a &Iacute;ndia muito mais baixos do que na China, e tendo aqueles pa&iacute;ses popula&ccedil;&otilde;es ainda relativamente jovens, alguns analistas acreditam que eles podem atrair mais ind&uacute;strias de trabalho intensivo, como a do vestu&aacute;rio, onde a automa&ccedil;&atilde;o generalizada ainda n&atilde;o &eacute; adequada.<\/p>\n<p>&ldquo;Enquanto a China sobe na cadeia industrial, ela est&aacute;, na verdade, a libertar uma s&eacute;rie de oportunidades para o Sudeste Asi&aacute;tico e para a &Iacute;ndia&rdquo;, diz Anderson Chow, analista do setor da rob&oacute;tica no banco de investimento HSBC, em Hong Kong.<\/p>\n<p>Hal Sirkin, um especialista em fabrica&ccedil;&atilde;o do Boston Consulting Group, diz que da perspetiva de uma economia como a da &Iacute;ndia, n&atilde;o faz sentido automatizar agora, porque isso iria elevar o pre&ccedil;o das mercadorias &ndash; &ldquo;quando eles t&ecirc;m um bilh&atilde;o de pessoas que podem fazer as coisas de forma mais barata&rdquo;. Ele est&aacute; entre os otimistas tecnol&oacute;gicos que acreditam que, a m&eacute;dio prazo, a automa&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m vai criar novos nichos de neg&oacute;cios para as economias emergentes, mitigando os danos dos empregos que ser&atilde;o erradicados.<\/p>\n<p>&ldquo;N&oacute;s pensamos que iremos ver cada vez mais localiza&ccedil;&atilde;o em vez de mais escala&rdquo;, diz Sirkin. &ldquo;Eu posso montar uma f&aacute;brica, alterar o software e fabricar todos os tipos de coisas, n&atilde;o na ordem das centenas de milh&otilde;es mas na de cinco ou dez milh&otilde;es de unidades.&rdquo;<\/p>\n<p>Mas Carl Frey, um especialista em emprego e tecnologia da Universidade de Oxford, adverte que, sem uma melhor educa&ccedil;&atilde;o e mais qualifica&ccedil;&atilde;o, os pa&iacute;ses em desenvolvimento v&atilde;o ter dificuldade em tirar proveito dos avan&ccedil;os na ind&uacute;stria.<\/p>\n<p>&ldquo;A tecnologia est&aacute; cada vez mais baseada na qualifica&ccedil;&atilde;o&rdquo;, diz ele. &ldquo;Muitos desses pa&iacute;ses n&atilde;o t&ecirc;m uma for&ccedil;a de trabalho qualificada, por isso n&atilde;o s&atilde;o muito bons na ado&ccedil;&atilde;o dessas tecnologias.&rdquo;<\/p>\n<p>Aposta al&eacute;m-fronteiras<\/p>\n<p>A pr&oacute;pria China n&atilde;o est&aacute; imune &agrave;s consequ&ecirc;ncias negativas da automa&ccedil;&atilde;o. Mais de 40% da sua popula&ccedil;&atilde;o de 1,4 mil milh&otilde;es ainda vive na zona rural, muitos na pobreza, tendo beneficiado apenas marginalmente do milagre econ&oacute;mico urbano.<\/p>\n<p>Mas o governo est&aacute; a apostar que os benef&iacute;cios da promo&ccedil;&atilde;o da fabrica&ccedil;&atilde;o de ponta superam os danos dos potenciais empregos perdidos. A estrat&eacute;gia industrial anunciada por Pequim no ano passado &ndash; conhecida como Made in China 2025 &ndash; foi concebida n&atilde;o s&oacute; para melhorar a capacidade tecnol&oacute;gica das suas f&aacute;bricas, mas tamb&eacute;m para apoiar o desenvolvimento das marcas chinesas a n&iacute;vel internacional.<\/p>\n<p>Chow, o analista do HSBC, diz que &eacute; prov&aacute;vel que as empresas chinesas, ao tentarem aumentar as suas exporta&ccedil;&otilde;es para aliviar o impacto da desacelera&ccedil;&atilde;o interna, se concentrem mais na qualidade dos seus produtos: &ldquo;Muitas vezes, uma parte desse desenvolvimento &eacute; um melhor processo de produ&ccedil;&atilde;o que envolve a rob&oacute;tica.&rdquo;<\/p>\n<p>Todos os anos, a quantidade de tempo necess&aacute;rio para que o investimento de uma empresa num rob&ocirc; seja compensado &ndash; conhecido como o &ldquo;per&iacute;odo de retorno&rdquo; &ndash; diminui drasticamente, fazendo com que seja mais atrativo para as pequenas empresas e oficinas chinesas investir na automa&ccedil;&atilde;o. O per&iacute;odo de retorno para um rob&ocirc; de solda na ind&uacute;stria automobil&iacute;stica chinesa, por exemplo, caiu de 5,3 anos para 1,7 anos entre 2010 e 2015, segundo c&aacute;lculos de analistas do Citi. Em 2017, prev&ecirc;-se que o per&iacute;odo de retorno diminua para apenas 1,3 anos.<\/p>\n<p>A automa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; apenas a coloca&ccedil;&atilde;o de bra&ccedil;os de rob&ocirc; mais baratos e eficientes na linha de produ&ccedil;&atilde;o. Li Gan, o diretor-geral da Shangpin Home Collection, que produz e vende m&oacute;veis para a casa personalizados, diz que a maior oportunidade &eacute; integrar rob&ocirc;s nas f&aacute;bricas com dados dos clientes em tempo real e sistemas de log&iacute;stica automatizados.<\/p>\n<p>Gra&ccedil;as &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o de rob&ocirc;s, a f&aacute;brica que a Shangpin abriu em Foshan em 2014 foi 40% mais produtiva do que a sua f&aacute;brica anterior, apesar de empregar menos 20% de pessoas. Ainda este ano, vai come&ccedil;ar a laborar o seu mais novo e maior centro de produ&ccedil;&atilde;o, onde espera melhorar quatro vezes a produtividade com apenas o dobro do n&uacute;mero de funcion&aacute;rios, usando mais rob&ocirc;s para movimentar as pe&ccedil;as dentro da f&aacute;brica e ajudar a embalar os contentores de transporte da mercadoria de sa&iacute;da.<\/p>\n<p>A perfura&ccedil;&atilde;o de ripas de madeira para a variada gama de camas da empresa, arm&aacute;rios e outros m&oacute;veis sob medida costumava ser um processo trabalhoso e, &agrave;s vezes, perigoso. Agora, o trabalhador pega simplesmente em cada peda&ccedil;o de madeira, verifica um c&oacute;digo de barras e coloca a madeira num tapete rolante que a leva at&eacute; ao bra&ccedil;o do rob&ocirc;. O produto acabado regressa num outro tapete. O processo entretanto &eacute; surpreendentemente complicado: a Shangpin teve de projetar um dispositivo para se certificar de que cada ripa estaria corretamente alinhada para ser agarrada pelo bra&ccedil;o do rob&ocirc; e as especifica&ccedil;&otilde;es de perfura&ccedil;&atilde;o para as ripas t&ecirc;m de ser pr&eacute;-programadas e gravadas num c&oacute;digo de barras, porque os rob&ocirc;s ainda n&atilde;o t&ecirc;m qualquer capacidade de intelig&ecirc;ncia artificial. Li Gan salienta que a supervis&atilde;o humana e a tomada de decis&atilde;o ainda &eacute; crucial. &ldquo;A automa&ccedil;&atilde;o &eacute; apenas um processo t&eacute;cnico, mas o que &eacute; mais importante &eacute; o nosso pensamento sobre a melhor maneira de fazer isto&rdquo;, diz ele. &ldquo;Sempre que mudamos alguma coisa, perguntamos: &eacute; mais eficiente fazer isto usando pessoas ou rob&ocirc;s?&rdquo;<\/p>\n<p>O Boston Consulting Group prev&ecirc; que a percentagem de tarefas realizadas por rob&ocirc;s avan&ccedil;ados aumentar&aacute; dos 8% de hoje para os 26% at&eacute; ao final da d&eacute;cada, impulsionada pela China, Alemanha, Jap&atilde;o, Coreia do Sul e os EUA, que, juntos, respondem por 80% das compras de rob&oacute;tica. Sirkin, do BCG, diz que a r&aacute;pida expans&atilde;o da automa&ccedil;&atilde;o poderia ser comparada com a diferen&ccedil;a entre a &ldquo;curva de aprendizagem humana&rdquo; e a Lei de Moore, que postulou que o poder de computa&ccedil;&atilde;o poderia duplicar a cada 18 meses a dois anos. &ldquo;Mesmo que se seja muito bom, os seres humanos s&oacute; conseguem duplicar a sua produtividade, na melhor das hip&oacute;teses, a cada dez anos&rdquo;, diz ele. Pelo contr&aacute;rio, os investigadores podem levar os rob&ocirc;s a duplicar a sua produtividade a cada quatro anos, calcula ele. &ldquo;Ao longo do tempo, isso faz uma grande diferen&ccedil;a.&rdquo;<\/p>\n<p>Com a China e outros l&iacute;deres industriais a construir mais e melhores rob&ocirc;s, as fun&ccedil;&otilde;es que estes podem desempenhar v&atilde;o-se expandir. As tarefas de um talho, por exemplo, foram durante muito tempo consideradas como o tipo de compet&ecirc;ncias que as m&aacute;quinas t&ecirc;m dificuldade em desenvolver, por causa da necessidade de uma cuidadosa coordena&ccedil;&atilde;o entre a m&atilde;o e os olhos e da manipula&ccedil;&atilde;o de peda&ccedil;os n&atilde;o uniformes de carne. Mas Sirkin observou rob&ocirc;s a cortar a gordura da carne de forma muito mais eficiente do que os humanos, gra&ccedil;as &agrave; utiliza&ccedil;&atilde;o de sensores mais baratos e mais responsivos. &ldquo;A utiliza&ccedil;&atilde;o de m&aacute;quinas para fazer isso est&aacute; a tornar-se economicamente vi&aacute;vel porque consegue-se salvar mais tr&ecirc;s ou quatro por cento da carne &ndash; e isso vale muito numa linha de produ&ccedil;&atilde;o, onde se pode avan&ccedil;ar rapidamente. &ldquo;H&aacute; coisas que os seres humanos conseguem fazer melhor do que os rob&ocirc;s&rdquo;, acrescenta. &ldquo;Mas elas s&atilde;o cada vez menos.&rdquo;<\/p>\n<p>Exclusivo DN\/Financial Times<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Por toda a China, as f&aacute;bricas est&atilde;o a substituir os seres humanos por rob&ocirc;s numa nova revolu&ccedil;&atilde;o industrial comandada pela automa&ccedil;&atilde;o. E os seus efeitos ser&atilde;o sentidos por todo o mundo. Ainda nesta semana, a Foxconn, a maior fabricante mundial de telem&oacute;veis, anunciou que conseguiu reduzir para metade o n&uacute;mero de trabalhadores devido &agrave; [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[10],"tags":[],"class_list":{"0":"post-238","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","6":"category-estudos-prospectivos"},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/238","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=238"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/238\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=238"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=238"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=238"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}