{"id":2371,"date":"2017-11-30T15:51:03","date_gmt":"2017-11-30T18:51:03","guid":{"rendered":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/?p=2371"},"modified":"2019-11-30T16:05:20","modified_gmt":"2019-11-30T19:05:20","slug":"dez-motivos-para-ser-pessimista-em-relacao-ao-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/dez-motivos-para-ser-pessimista-em-relacao-ao-futuro\/","title":{"rendered":"Dez motivos para ser pessimista em rela\u00e7\u00e3o ao futuro"},"content":{"rendered":"<p>Ser pessimista &eacute; f&aacute;cil na atual conjuntura, marcada por concentra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica e pol&iacute;tica, desemprego e radicalismos.<\/p>\n<p><!--more-->Carlos Teixeira<br>\nJornalista<\/p>\n<p>Coloque uma m&uacute;sica suave, acenda um incenso e acomode-se. Inicie o exerc&iacute;cio. Mentalize lentamente. Pense agora em dez motivos para ser otimista em rela&ccedil;&atilde;o ao futuro. Foi no meio de um exerc&iacute;cio assim, ou algo parecido, que eu descobri uma quase incapacidade para extrair justificativas otimistas em rela&ccedil;&atilde;o ao futuro da esp&eacute;cie humana. Na hora de mapear o contr&aacute;rio, sinais negativos, a fartura se apresenta, como uma grande colheita em tempos de chuva.<\/p>\n<p>(Tudo bem, talvez a minha natureza seja pessimista. Mas fa&ccedil;a a sua parte antes de me criticar e mande a sua lista para o e-mail ali, no final do texto.)<\/p>\n<p>Aumento da concentra&ccedil;&atilde;o de renda, das desigualdades e do desemprego, excesso de poder do setor financeiro, influ&ecirc;ncia crescente de movimentos religiosos e de grupos radicais conservadores e tecnologias desempregadoras s&atilde;o algumas das raz&otilde;es centrais para o pessimismo em rela&ccedil;&atilde;o ao que vem pela frente, nos pr&oacute;ximos anos. Mire nas not&iacute;cias pol&iacute;ticas e sociais e diga sinceramente se h&aacute; chances para o otimismo. O cen&aacute;rio pol&iacute;tico em que radicalismos de direita ganham poder no Brasil, nos Estados Unidos e na Europa, &eacute; apenas parte do problema.<\/p>\n<p>Primeira raz&atilde;o para ser um pessimista em rela&ccedil;&atilde;o ao futuro: A desigualdade no mundo est&aacute; crescendo. E vai continuar no mesmo ritmo. Segundo documentos divulgados pela ONG brit&acirc;nica Oxfam, nas edi&ccedil;&otilde;es do conservador F&oacute;rum Econ&ocirc;mico Mundial, realizadas em Davos, na Su&iacute;&ccedil;a, as 37 milh&otilde;es de pessoas que comp&otilde;em o 1% mais rico da popula&ccedil;&atilde;o mundial ter&atilde;o mais dinheiro do que os outros 99% juntos. Ou seja, os quase 7 bilh&otilde;es restantes. O estudo &eacute; baseado no relat&oacute;rio anual sobre a riqueza mundial que o banco Credit Suisse divulga anualmente desde 2010.\/<\/p>\n<p>Mesmo no grupo dos 99%, h&aacute; uma significativa desigualdade: quase toda a riqueza est&aacute; nas m&atilde;os dos 20% mais ricos, enquanto as outras pessoas dividem 5,5% do patrim&ocirc;nio. A Oxfam extrapolou os dados para o futuro e constatou, j&aacute; em 2017, que o 1% mais rico tem mais de 50% dos bens e patrim&ocirc;nios existentes no mundo.<\/p>\n<p>Winnie Byanyima, diretora-executiva da Oxfam e co-presidente do F&oacute;rum Econ&ocirc;mico Mundial, acredita que &ldquo;tanto nos pa&iacute;ses ricos quanto nos pobres, essa desigualdade alimenta o conflito, corroendo as democracias e prejudicando o pr&oacute;prio crescimento&rdquo;.<\/p>\n<p>A diretora da Oxfam lembra que h&aacute; algum tempo os que se preocupavam com a desigualdade eram acusados de ter &ldquo;inveja&rdquo;. A preocupa&ccedil;&atilde;o foi compartilhada por personalidades como o papa Francisco, o ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e a diretora do Fundo Monet&aacute;rio Internacional (FMI), Christine Lagarde. Em 2014, eles manifestaram algum tipo de inquieta&ccedil;&atilde;o com a desigualdade social. &ldquo;O crescente consenso: se n&atilde;o controlada, a desigualdade econ&ocirc;mica vai fazer regredir a luta contra a pobreza e amea&ccedil;ar&aacute; a estabilidade global&rdquo;, afirma Winnie Byanyima.<\/p>\n<p>A Oxfam lembra que as companhias mais ricas do mundo usam seu dinheiro, entre outras coisas, para influenciar os governos por meio de favorecimento de seus setores. No caso particular dos Estados Unidos, que concentra junto com a Europa a maior parte dos integrantes do 1% mais rico e a mis&eacute;ria vem crescendo assustadoramente, o uso dos governos &eacute; particularmente rent&aacute;vel. Representantes de interesses demonstram enorme influ&ecirc;ncia para mexer no or&ccedil;amento e nos impostos do pa&iacute;s, destinando a poucos os recursos que, como ressalta a diretora da Oxfam, &ldquo;deveriam ser direcionados em benef&iacute;cios de toda a popula&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n<p>A confirma&ccedil;&atilde;o de todo o poder dos mais ricos foi dada durante a crise de 2008. Provocada pelo sistema financeiro, a recess&atilde;o n&atilde;o gerou qualquer puni&ccedil;&atilde;o para os bancos que especularam com t&iacute;tulos de hipotecas no mercado norte-americano. Na verdade, o sistema produtivo global deu uma demonstra&ccedil;&atilde;o inequ&iacute;voca de que sua capacidade de impor interesses, dissociados dos problemas globais, n&atilde;o tende a ser alterada no curto prazo.<\/p>\n<p>O horizonte de curto prazo mostra, genericamente, um cen&aacute;rio preocupante em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; estrutura do sistema produtivo. Em processo de transi&ccedil;&atilde;o rumo a novos modelos de gest&atilde;o, a ind&uacute;stria tradicional vai caminhar para a ado&ccedil;&atilde;o intensa de tecnologias em produ&ccedil;&atilde;o e processos de gest&atilde;o. Os outros segmentos v&atilde;o acompanhar, investindo em inova&ccedil;&otilde;es que, no final das contas, servir&atilde;o para confirmar a tese do aumento da concentra&ccedil;&atilde;o de poder econ&ocirc;mico.<\/p>\n<p>Refor&ccedil;ando a proje&ccedil;&atilde;o pessimista, em 2016, um dos documentos entregues &agrave;s lideran&ccedil;as presentes em Davos tamb&eacute;m revela que a Quarta Revolu&ccedil;&atilde;o Industrial, combinada com mudan&ccedil;as s&oacute;cio-econ&ocirc;micas e demogr&aacute;ficas, vai transformar os mercados de trabalho nos pr&oacute;ximos anos e deixar&aacute; um rastro de 7,1 milh&otilde;es de empregos perdidos nas principais economias desenvolvidas e emergentes. Dois milh&otilde;es e cem mil ser&atilde;o contratados, gerando um d&eacute;ficit total de 5 milh&otilde;es de empregos eliminados.<\/p>\n<p>Foi o terceiro ano consecutivo em que o tema do emprego foi colocado como priorit&aacute;rio nas discuss&otilde;es do F&oacute;rum Econ&ocirc;mico Mundial. No relat&oacute;rio de 2015, a entidade reconhecia que as transforma&ccedil;&otilde;es no mercado de trabalho, associadas ao progresso tecnol&oacute;gico, est&atilde;o acontecendo de uma forma mais r&aacute;pida e dram&aacute;tica do que os cen&aacute;rios j&aacute; vistos anteriormente.<\/p>\n<p>DEZ RAZ&Otilde;ES PARA SER PESSIMISTA QUANTO AO FUTURO<\/p>\n<ul>\n<li>Aumento da concentra&ccedil;&atilde;o de renda<\/li>\n<li>Concentra&ccedil;&atilde;o do poder econ&ocirc;mico em poucas empresas globais<\/li>\n<li>Enfraquecimento das economias regionais<\/li>\n<li>Desemprego crescente, afetando especialmente os jovens<\/li>\n<li>Conservadorismo pol&iacute;tico em alta<\/li>\n<li>Expans&atilde;o dos movimentos radicais<\/li>\n<li>Aus&ecirc;ncia de lideran&ccedil;as pol&iacute;ticas e sociais com credibilidade<\/li>\n<li>Enfraquecimento da democracia representativa<\/li>\n<li>Aumento da concorr&ecirc;ncia geo-pol&iacute;tica<\/li>\n<li>Crise clim&aacute;tica<\/li>\n<\/ul>\n<div>Antes que eu me esque&ccedil;a, envie sua lista para carlos.radardofuturo@gmail.com<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ser pessimista &eacute; f&aacute;cil na atual conjuntura, marcada por concentra&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica e pol&iacute;tica, desemprego e radicalismos.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[23],"tags":[],"class_list":{"0":"post-2371","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","6":"category-carlos-placido-teixeira"},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2371","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2371"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2371\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2371"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2371"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2371"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}