{"id":2277,"date":"2018-12-02T14:09:11","date_gmt":"2018-12-02T17:09:11","guid":{"rendered":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/?p=2277"},"modified":"2019-02-06T10:38:30","modified_gmt":"2019-02-06T13:38:30","slug":"um-futuro-de-nem-nem-nem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/um-futuro-de-nem-nem-nem\/","title":{"rendered":"Nem-nem-nem maduros: por que o grupo est\u00e1 crescendo?"},"content":{"rendered":"\r\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"672\" class=\"wp-image-2289\" src=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/nem-nem-nem-homens-de-mais-de-50-anos-ampliam-o-contingente-foto-pixabay.jpg\" alt=\"\" srcset=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/nem-nem-nem-homens-de-mais-de-50-anos-ampliam-o-contingente-foto-pixabay.jpg 960w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/nem-nem-nem-homens-de-mais-de-50-anos-ampliam-o-contingente-foto-pixabay-300x210.jpg 300w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/nem-nem-nem-homens-de-mais-de-50-anos-ampliam-o-contingente-foto-pixabay-768x538.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\"><figcaption>Homens com mais de 50 anos formam um grupo crescente de pessoas que n&atilde;o trabalham, n&atilde;o procuram empregos e n&atilde;o t&ecirc;m possibilidade de aposentar\r\n\r\n<\/figcaption><\/figure>\r\n\r\n\r\n\r\n<!--more-->\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n<em>Carlos Teixeira\r\nJornalista I Radar do Futuro<\/em>\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\nAos 58 anos, o engenheiro Marcos V., passa os dias dentro de casa. Praticamente n&atilde;o sai, a n&atilde;o ser por absoluta necessidade. Apenas a a televis&atilde;o e a internet asseguram liga&ccedil;&otilde;es com o mundo. O isolamento involunt&aacute;rio come&ccedil;ou h&aacute; tr&ecirc;s anos. Quando perdeu o &uacute;ltimo emprego em uma construtora, sua vida mudou completamente. Durante um ano procurou recoloca&ccedil;&atilde;o. Tentou alternativas como empreendedor. At&eacute; que foi desistindo. E nem percebeu quando perdeu todas as ilus&otilde;es.\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\nHoje, Marcos integra o grupo dos nem-nem-nem maduros, homens com mais de 50 anos que n&atilde;o t&ecirc;m trabalho, n&atilde;o procuram mais e nem conseguem antecipar um pedido de aposentadoria. Eles s&atilde;o mais de 1,6 milh&atilde;o hoje no Brasil. Nos pr&oacute;ximos anos, o n&uacute;mero de pessoas nas condi&ccedil;&otilde;es do engenheiro tende a crescer com velocidade. Prioridades p&uacute;blicas, comportamento da economia cultura corporativa e avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos s&atilde;o algumas das for&ccedil;as que levar&atilde;o &agrave; expans&atilde;o do fen&ocirc;meno de exclus&atilde;o e de desalento.\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Fen&ocirc;meno social<\/h2>\r\n\r\n\r\n\r\n\r\nOriginalmente, o termo &ldquo;nem-nem-nem&rdquo; &eacute; associado aos jovens que n&atilde;o trabalham, n&atilde;o estudam e n&atilde;o procuram emprego. O que os pesquisadores come&ccedil;aram a entender, h&aacute; alguns anos, &eacute; que eles n&atilde;o s&atilde;o os &uacute;nicos que se encaixam nessa categoria. Mais recentemente, h&aacute; a outra parcela da popula&ccedil;&atilde;o brasileira que tamb&eacute;m pode ser chamada assim: s&atilde;o os homens na faixa de 50 a 59 anos, classificados no grupo sociais porque n&atilde;o conseguem se reinserir no mercado de trabalho.\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\nO estudo explorat&oacute;rio&nbsp;&ldquo;Os homens maduros que n&atilde;o trabalham nem s&atilde;o aposentados&rdquo;, das pesquisadoras Ana Am&eacute;lia Camarano e Daniele Fernandes, publicado no boletim Mercado de Trabalho do Ipea, confirma o processo. Entre 1993 e 2013, as autoras constataram um crescimento no n&uacute;mero de homens entre 50 e 59 anos que se enquadravam na categoria &ldquo;nem-nem-nem&rdquo;.\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\nO contingente masculino fora da for&ccedil;a de trabalho vem aumentando. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic&iacute;lio (PNAD) do IBGE, em 2015, 8,3% dos homens desta faixa et&aacute;ria se encaixavam no perfil do grupo social. Dez anos antes, em 2005, esse porcentual atingia 6,2% e h&aacute; 20 anos era de 4,1%.\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\nUma das raz&otilde;es desse aumento pode ser a dificuldade que os mais velhos enfrentam para se inserir no mercado de trabalho. &ldquo;A m&atilde;o de obra mais idosa j&aacute; sofre preconceito h&aacute; tempos. Em rela&ccedil;&atilde;o ao &lsquo;nem-nem-nem&rsquo;, que tem majoritariamente um perfil de baixa escolaridade, o preconceito &eacute; ainda maior&rdquo;, afirma Ana Am&eacute;lia. Nesse contexto, alguns desistem de procurar emprego por acreditar que n&atilde;o conseguiriam ser contratados para uma vaga. S&atilde;o os &ldquo;desalentados&rdquo;, que n&atilde;o entram na estat&iacute;stica tradicional de desocupa&ccedil;&atilde;o divulgada pelo IBGE.\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tend&ecirc;ncias<\/h2>\r\n\r\n\r\n\r\n\r\nO n&uacute;mero de companheiros de saga de Marco, o engenheiro apresentado no in&iacute;cio desta mat&eacute;ria, tende a continuar em expans&atilde;o nos pr&oacute;ximos anos. Mesmo que ocorra alguma forte recupera&ccedil;&atilde;o da economia, pouco prov&aacute;vel num cen&aacute;rio de prioriza&ccedil;&atilde;o de cortes de investimentos p&uacute;blicos e aus&ecirc;ncia de pol&iacute;ticas governamentais de investimentos, h&aacute; o novo padr&atilde;o do sistema produtivo a levar em conta na constru&ccedil;&atilde;o do cen&aacute;rio do futuro pr&oacute;ximo, baseado na quarta revolu&ccedil;&atilde;o industrial.\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n&Eacute; necess&aacute;rio olhar al&eacute;m do vi&eacute;s simplificador das an&aacute;lises conjunturais de analistas que enfatizam umas poucas vari&aacute;veis. O processo &eacute; mais complexo. Um dos fatores-chave &eacute; o salto evolutivo das tecnologias. Elas est&atilde;o maduras para o salto exponencial definitivo, que vai eliminar oportunidades sem distin&ccedil;&atilde;o, inclusive, ou especialmente, para profissionais da velha guarda.\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\nAlguns exemplos para entender a maturidade tecnol&oacute;gica. Primeiro, pense no poder do seu smartphone, que voc&ecirc; certamente tem em m&atilde;os, no bolso ou na mochila. Compare com o seu primeiro celular e entenda como l&aacute; atr&aacute;s uma inova&ccedil;&atilde;o a mais fazia muita diferen&ccedil;a. Hoje, nem tanto.\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\nSegundo, saiba que autom&oacute;veis sem motoristas s&atilde;o imaginados desde a d&eacute;cada de 1930. O que os torna vi&aacute;veis agora? A resposta se resume a disponibilidade tecnol&oacute;gica: h&aacute; banda larga, capacidade de processamento, poder de armazenamento, informa&ccedil;&otilde;es em big data, intelig&ecirc;ncia artificial,&nbsp; aprendizado de m&aacute;quinas e muito mais. Enfim, tecnologias em condi&ccedil;&otilde;es ideais de integra&ccedil;&atilde;o e de uso.\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Impactos e alternativas<\/h2>\r\n\r\n\r\n\r\n\r\nEm s&iacute;ntese, a automa&ccedil;&atilde;o industrial, comercial e social vai ser acelerada desde j&aacute;, com a proximidade do ano 2020, e adiante.&nbsp; &Eacute; uma tend&ecirc;ncia global, n&atilde;o uma quest&atilde;o simplesmente de conjuntura local, brasileira. Segundo um estudo da Universidade de Oxford, divulgado em 2013, 50% dos postos de trabalho podem ser automatizados nos pr&oacute;ximos anos.\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\nUma parte consider&aacute;vel dos homens de mais de 50 anos tender&aacute; a ser impactada pela automa&ccedil;&atilde;o e pela ado&ccedil;&atilde;o de novas tecnologias no ambiente de trabalho. Entre outras raz&otilde;es, porque s&atilde;o em sua maioria trabalhadores de baixa qualifica&ccedil;&atilde;o, envolvidos com atividades rotineiras e com sal&aacute;rios maiores do que os de gera&ccedil;&otilde;es anteriores. A ado&ccedil;&atilde;o de tecnologias como a intelig&ecirc;ncia artificial e sistemas de an&aacute;lise de big data dar&aacute; contribui&ccedil;&otilde;es para ades&atilde;o de trabalhadores qualificados ao grupo.\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n&ldquo;Para lidar com as rupturas tecnol&oacute;gicas e econ&ocirc;micas in&eacute;ditas do s&eacute;culo XXI, precisamos desenvolver novos modelos econ&ocirc;micos e sociais o quanto antes&rdquo;, alerta o historiador Yuval Noah Harari, no livro &ldquo;21 li&ccedil;&otilde;es para o s&eacute;culo 21&rdquo;. Uma recomenda&ccedil;&atilde;o gen&eacute;rica, mas que se aplica ao cen&aacute;rio projetado para o futuro dos potenciais integrantes dos &ldquo;nem-nem-nem&rdquo;.\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\nPara o autor de best-sellers recentes, caracterizados pela revis&atilde;o da forma como interpretamos a realidade e entendemos as perspectivas futuras, n&atilde;o podemos esperar que a crise irrompa com toda a for&ccedil;a antes de come&ccedil;armos a buscar respostas. Harari considera que os modelos que precisam ser criados devem ser orientados pelo princ&iacute;pio de que &eacute; necess&aacute;rio proteger os humanos e n&atilde;o os empregos. &ldquo;N&atilde;o podemos esperar que a crise irrompa com toda a for&ccedil;a antes de come&ccedil;armos a buscar as respostas&rdquo;, assinala.\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n&nbsp;\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n\r\n&nbsp;\r\n\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":2290,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[23,20,19],"tags":[249,154,73,845,843],"class_list":{"0":"post-2277","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-carlos-placido-teixeira","8":"category-destaques","9":"category-insights","10":"tag-futuro-do-emprego","11":"tag-futuro-do-trabalho","12":"tag-mercado-de-trabalho","13":"tag-nem-nem-nem-maduro","14":"tag-nem-nem-nem"},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2018\/12\/nem-nem-nem-foto-pixabay.jpg","post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2277","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2277"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2277\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media\/2290"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2277"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2277"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2277"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}