{"id":205,"date":"2016-03-29T18:04:29","date_gmt":"2016-03-29T21:04:29","guid":{"rendered":"https:\/\/litebold.co\/~radardofuturo\/individuo-como-figura-publica\/"},"modified":"2022-08-03T22:00:16","modified_gmt":"2022-08-04T01:00:16","slug":"individuo-como-figura-publica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/individuo-como-figura-publica\/","title":{"rendered":"Indiv\u00edduo como figura p\u00fablica"},"content":{"rendered":"<p>Redes sociais digitais e a transforma&ccedil;&atilde;o da privacidade e da intimidade<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>J&uacute;lia Ramalho-Pinto<br>\nPsicanalista e s&oacute;cia-diretora da Esta&ccedil;&atilde;o do Saber<br>\njulia@estacaodosaber.art<\/p>\n<p>Resumo<br>\nNas redes sociais digitais o indiv&iacute;duo comum se torna figura p&uacute;blica ao expor seus selfies e suas experi&ecirc;ncias. Busca-se o olhar do outro que &eacute; castrado do poder de provocar vergonha. As redes seduzem o indiv&iacute;duo para a exposi&ccedil;&atilde;o de sua privacidade, transformando-a num espet&aacute;culo.<\/p>\n<p>Palavras-chave: Redes sociais, psican&aacute;lise, privacidade e olhar.<\/p>\n<p>Abstract<br>\nAverage people become a public figure when their &ldquo;selfies&rdquo; and experiences are exposed in social networks. They seek for another gaze which has not the power to provoke shame. Networks seduce the individual to the exposure of their privacy, transforming it in a spectacle.<br>\nKeywords: Social network, psychoanalysis, privacy and gaze.<\/p>\n<p>Cada vez mais a palavra &ldquo;privacidade&rdquo; vem ocupando espa&ccedil;o quando o assunto &eacute; internet e redes sociais. O caso de Edward Snowden levantou quest&otilde;es mundiais sobre a regulamenta&ccedil;&atilde;o da internet quando este denunciou pr&aacute;ticas irregulares da Ag&ecirc;ncia Nacional de Seguran&ccedil;a dos EUA. Al&eacute;m disso, a discuss&atilde;o do Marco Civil da internet brasileira seguiu pol&ecirc;mica nas quest&otilde;es de privacidade at&eacute; abril de 2014. Para al&eacute;m de quest&otilde;es jur&iacute;dicas relativas a direitos e regulamenta&ccedil;&otilde;es da internet, este trabalho procurou avan&ccedil;ar sobre as redes sociais e a transforma&ccedil;&atilde;o da intimidade.<\/p>\n<p>N&atilde;o h&aacute; d&uacute;vida de que, progressivamente, estamos vendo a internet e as redes sociais se tornarem cada vez mais presentes na vida das pessoas. Acessos cada vez mais aut&ocirc;nomos e constantes, por meio dos tablets e celulares. Mais que objetos, esses aparelhos v&atilde;o se tornando uma extens&atilde;o de n&oacute;s mesmos. E, como nos alertaram Sherry Turkle e Amber Case, estamos nos tornando cyborgs ao nos mantermos cada vez mais ligados a estes gadgets: &ldquo;Esta &eacute; a experi&ecirc;ncia de viver em tempo integral na rede, n&atilde;o muito livres em alguns aspectos, n&atilde;o muito atrelados em outros. Somos todos cyborgs agora&rdquo; (Turkle, 2011). Mas, o que tanto fazemos nas redes sociais?<\/p>\n<p>As redes sociais e a auto exposi&ccedil;&atilde;o do &ldquo;Grande Eu&rdquo;<\/p>\n<p>Uma nova palavra inglesa, &ldquo;selfie&rdquo;, pode ilustrar o que tanto se faz nas m&iacute;dias sociais. Trata-se de um neologismo com origem no termo self-portrait (auto retrato), uma foto tirada e compartilhada na internet e nas redes sociais. Os respons&aacute;veis pelos dicion&aacute;rios da Oxford escolheram &ldquo;selfie&rdquo; como a palavra do ano de 2013. Nas primeiras semanas de 2014 a palavra &ldquo;braggie&rdquo; surgiu significando postar uma foto nas redes sociais com o objetivo de provocar inveja nos amigos e seguidores. Mais do que viver suas f&eacute;rias, seu momento de descanso, o importante &eacute; compartilhar a imagem do momento, compartilhar a experi&ecirc;ncia.<\/p>\n<p>Nessa mesma dire&ccedil;&atilde;o, a pesquisa realizada por etnogr&aacute;ficos da UCL (University College London) apontou como as m&iacute;dias sociais t&ecirc;m alterado nossa forma de viver offline. Foram pesquisadas v&aacute;rias cidades de pa&iacute;ses como Brasil, China, &Iacute;ndia, It&aacute;lia, Trinidad, Turquia e Reino Unido.<\/p>\n<p>A pesquisa constatou que h&aacute; nas redes sociais muitas fotografias, as quais s&atilde;o extremamente orientadas para o Eu. Perguntadas sobre o motivo pelo qual postavam assim, as pessoas disseram que queriam se tornar populares. As fotos de comidas tamb&eacute;m foram consideradas como muito populares. A combina&ccedil;&atilde;o de boa comida e boas pessoas foi considerada a melhor forma de impressionar o p&uacute;blico e aumentar a popularidade, mais que refor&ccedil;ar os n&oacute;s sociais com outros, concluiu os pesquisadores.<\/p>\n<p>Tomamos, assim, dois aspectos identificados nas postagens: compartilhar a experi&ecirc;ncia e aumentar a popularidade. Mas o que isto revela? Seria a necessidade de ser visto? O olhar, ent&atilde;o, se torna ponto crucial para se pensar as rela&ccedil;&otilde;es e a intimidade nas redes sociais. Que olhar est&aacute; em jogo nesse cyberespa&ccedil;o?<\/p>\n<p>O olhar nas redes sociais: a armadilha da sedu&ccedil;&atilde;o e da visibilidade.<\/p>\n<p>Em &ldquo;M&aacute;quinas de ver e modos de ser&rdquo;, Fernanda Bruno (2013) nos apresenta o olhar da vigil&acirc;ncia distribu&iacute;da como presente nas redes sociais. N&atilde;o se trata de Pan&oacute;ptico (onde um olha e vigia muitos), nem de sin&oacute;ptico (onde muitos vigiam poucos). Trata-se de um modelo reticular e distribu&iacute;do onde muitos vigiam muitos ou onde muitos veem e s&atilde;o vistos de variadas formas.<\/p>\n<p>Assim, n&atilde;o &eacute; a vertente disciplinar de controle que prevalece nas redes sociais, mas sim a docilidade e a sedu&ccedil;&atilde;o. As redes colocam em foco a visibilidade sobre o indiv&iacute;duo comum, provocando um embaralhamento nas fronteiras entre vigil&acirc;ncia e espet&aacute;culo, entre p&uacute;blico e privado.<\/p>\n<p>As redes sociais surgiram como um espa&ccedil;o lim&iacute;trofe entre o p&uacute;blico e o privado, onde a velocidade da troca de informa&ccedil;&otilde;es &eacute; muito grande e maior ainda &eacute; a velocidade que elas chegam ao destinat&aacute;rio (JOHSON, 2010). Nelas, a vida pessoal se torna fator importante para se estabelecer conex&otilde;es. Vemos surgir uma curiosa aposta de que a tecnologia possa ser capaz de engendrar a intimidade. Se estamos postando sobre nossa intimidade estar&iacute;amos criando intimidade? Turkle (2011) acredita que quando a tecnologia engedra intimidade, os relacionamentos podem ser reduzidos a meras conex&otilde;es. Neste sentido, essas conex&otilde;es f&aacute;ceis s&atilde;o redefinidas como intimidade, mas o que vemos &eacute; a cyber intimidade deslizar para a cyber solid&atilde;o.<\/p>\n<p>N&atilde;o &eacute; porque expomos nossa vida pessoal nas redes digitais que estabelecemos la&ccedil;os afetivos e complexos como a amizade. Ao contr&aacute;rio, vemos surgir um paradoxo: enquanto expomos nossa intimidade nos ambientes das redes sociais n&atilde;o estamos criando mais intimidade, e sim construindo um p&uacute;blico.<\/p>\n<p>O termo cunhado por Debord &ldquo;a sociedade do espet&aacute;culo&rdquo; se torna cada vez mais pr&oacute;prio para descrever o ambiente das redes sociais. Ali, o espet&aacute;culo n&atilde;o &eacute; um conjunto de imagens, mas uma rela&ccedil;&atilde;o social entre as pessoas, isto &eacute;, passamos a ser mediatizados por imagens que buscam popularidade e aprova&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Vemos surgir a &ldquo;intimidade como espet&aacute;culo&rdquo; termo usado por Sibilia (2009) para denominar a privacidade atrav&eacute;s das redes sociais, dos blogs e dos reality shows. As pessoas espontaneamente evadem sua privacidade movidas pela necessidade de obter destaque e reconhecimento. A vida privada se oferece sem pudor diante dos olhares sedentos de todos aqueles que desejarem dar &ldquo;uma olhada&rdquo;. Essa exposi&ccedil;&atilde;o deliberada do eu, da intimidade, da vida banal e quotidiana nas redes sociais se tornam vetores de prazer, entretenimento e sociabilidade.<\/p>\n<p>O que se procura nessas novas pr&aacute;ticas &ldquo;exibicionistas&rdquo; e &ldquo;confessionais&rdquo; n&atilde;o &eacute; a busca das pr&oacute;prias verdades, como acontecia na escrita do di&aacute;rio &iacute;ntimo tradicional ou no relato vital da psican&aacute;lise, por exemplo. Agora se persegue a visibilidade e a celebridade, ambas como fins em si mesmas. &Eacute; preciso o olhar do outro para que a pessoa se reconhe&ccedil;a como &ldquo;algu&eacute;m&rdquo; na sociedade atual. Ou, de outra forma, o homem comum &eacute; transformado em figura p&uacute;blica e esta se sustenta atrav&eacute;s de seus f&atilde;s. Nesse jogo de se dar a ver e de buscar reconhecimento h&aacute; um olhar castrado do poder de provocar vergonha. Ao fazer as postagens o indiv&iacute;duo controla como ele quer ser visto e tenta atrav&eacute;s de escolhas intencionais das postagens prever o que pode agradar ao seu p&uacute;blico.<\/p>\n<p>Para Lacan a transforma&ccedil;&atilde;o da intimidade na sociedade contempor&acirc;nea se d&aacute; a partir deste ponto: o olhar como castrado do poder de causar vergonha altera a rela&ccedil;&atilde;o de sujeito e gozo. Em &ldquo;O Avesso da Psican&aacute;lise&rdquo; ele formula que a vergonha &eacute; um afeto prim&aacute;rio da rela&ccedil;&atilde;o com o Outro. Isto &eacute;, a vergonha tem rela&ccedil;&atilde;o com um Outro anterior ao Outro que julga, um Outro primordial que n&atilde;o julga, apenas v&ecirc; ou d&aacute; a ver.<\/p>\n<p>Lacan retoma a Sartre para exemplificar como o olhar era causador de vergonha. No exemplo do sujeito olhando pelo buraco da fechadura, descrita em dois momentos, era poss&iacute;vel se &ldquo;morrer de vergonha&rdquo; ao ser visto vendo.<\/p>\n<p>No primeiro momento &ndash; &ldquo;estou olhando pelo buraco da fechadura&rdquo;&ndash;onde o sujeito &eacute; puro espectador, absorvido pelo espet&aacute;culo &ldquo;olhando pelo buraco da fechadura, eu n&atilde;o sou nada&rdquo;. No segundo momento: &ldquo;escuto passos no corredor: tem gente me olhando. E ent&atilde;o sou tomado pela vergonha&rdquo;. Este momento, conectado ao som, faz surgir o olhar. O espectador, antes de ver que est&aacute; sendo visto, formula para si: &ldquo;tem gente me olhando&rdquo;. &ldquo;Um olhar an&ocirc;nimo, por tr&aacute;s desse &lsquo;gente&rsquo; esconde-se a &aacute;lgebra lacaniana, o olhar do Outro.&rdquo; Ai se instala a vergonha: &ldquo;Reconhe&ccedil;o que sou esse objeto que o Outro olha e julga. &ldquo;Eu sou esse ser-em-si.&rdquo; Hoje em dia o sujeito reconhece a exist&ecirc;ncia do olhar do outro nas redes sociais, mas se reconhece como objeto?<\/p>\n<p>Lacan formula que o gozo e seus objetos dizem do mais &iacute;ntimo do sujeito. Assim, a rela&ccedil;&atilde;o do gozo na teoria Lacaniana e os &ldquo;objetos pequeno a&rdquo; se torna fundamental para o tema da intimidade nas redes sociais.<\/p>\n<p>Em &ldquo;A teoria dos gozos em Lacan&rdquo;, Souza Leite destaca que antes do Semin&aacute;rio 20 os conceitos de gozo em Lacan eram articulados e adjetivados a partir do gozo do Outro. Neste sentido, eram inspira&ccedil;&otilde;es e n&atilde;o precis&otilde;es cl&iacute;nicas. Miller afirma que &eacute; a partir do semin&aacute;rio 20 que Lacan faz a demonstra&ccedil;&atilde;o de que o gozo &eacute;, fundamentalmente, Uno, quer dizer, que ele se abst&eacute;m do Outro. Mesmo complexa a teoria dos gozos, podemos tomar o conceito a partir da satisfa&ccedil;&atilde;o da puls&atilde;o, um crit&eacute;rio quase universalmente aceito, e o mais utilizado.<\/p>\n<p>Se o gozo diz da puls&atilde;o do sujeito e &eacute; algo &iacute;ntimo, como isto interage com o que &eacute; social? At&eacute; 1960, o capitalismo estava alinhado com o puritanismo, havendo uma repress&atilde;o do gozo. A sociedade contempor&acirc;nea &eacute; marcada por um discurso capitalista que se alia a uma &ldquo;libera&ccedil;&atilde;o do gozo&rdquo;, como ressaltou Miller em &ldquo;Uma Fantasia&rdquo;. O que marca a sociedade de hoje &eacute; uma certa permissividade, uma dificuldade de se proibir; mais do que isso, contata-se que h&aacute; um &ldquo;Grande Eu&rdquo; que imperativamente nos manda gozar. A condi&ccedil;&atilde;o capitalista da sociedade atual aponta que o sujeito procura sua completude n&atilde;o mais no sentido, mas no objeto.<\/p>\n<p>E isto se complexifica a partir da diferencia&ccedil;&atilde;o do gozo como pequeno a da puls&atilde;o e o gozo como mais-gozar. Segundo Miller quando o gozo &eacute; apresentado como o objeto pequeno a da puls&atilde;o, ele &eacute; listado, a partir das puls&otilde;es estabelecidas por Freud e ordenadas por Lacan: o objeto oral, o objeto anal, o objeto esc&oacute;pico, o objeto vocal. Mas quando se pensa no gozo como mais-gozar, se diz aquilo que preenche, sem jamais preencher exatamente. H&aacute; sempre um desperd&iacute;cio de gozo que, mesmo promovendo o gozar, mant&eacute;m a falta-de-gozar. Aqui, ent&atilde;o, a lista dos objetos pequeno a se estende e se amplifica. E todos objetos da sublima&ccedil;&atilde;o est&atilde;o inclu&iacute;dos na lista dos objetos pequeno a, sem contudo, conseguir faz&ecirc;-lo de maneira exaustiva (deixando seu resto de gozo).<\/p>\n<p>Na sociedade contempor&acirc;nea esses &ldquo;objetos pequeno a&rdquo; pululam e causam nosso desejo, tamponando a falta de gozo, por apenas um instante. Se somos seres de puls&atilde;o e a puls&atilde;o n&atilde;o se satisfaz toda, tudo o que nos &eacute; permitido gozar, e o &eacute; por pedacinhos. &Eacute; isto que, segundo Miller, Lacan chama de &lsquo;bocadinho&rsquo; do gozo&rdquo;. Vemos, ent&atilde;o, nosso mundo cultural se inundar dos substitutos do gozo que s&atilde;o os nadicas de nada. S&atilde;o esses bocadinhos do gozo que conferem seu estilo pr&oacute;prio ao nosso modo de vida e ao nosso modo-de-gozar.<\/p>\n<p>Nas redes sociais o sujeito se d&aacute; a ver, se exibe, se mostra, e de nada se preserva, de nada se envergonha. Ele n&atilde;o se reconhece como este objeto que o outro v&ecirc;. Inclusive, se sente senhor de si ao postar e tamb&eacute;m expressar seu olhar atrav&eacute;s de suas &ldquo;curtidas&rdquo;. H&aacute; ai um &lsquo;olhem ele gozando&rsquo; que convoca o olhar. Mas se &eacute; preciso convocar o olhar, como diz Miller, isto &eacute; porque o Outro que poderia olhar se dissipara. Assim, o Outro retorna para olhar e ao mesmo tempo gozar criando um: &ldquo;olhem eles gozando, para gozarem disso&rdquo;. Nessa teia de visibilidade, enquanto todos gozam todos se tornam objetos de gozo.<\/p>\n<p>O imperativo de gozo que outrora era &ldquo;goze!&rdquo;, agora impera no &ldquo;me veja gozando&rdquo;. Vemos surgir nas redes sociais um deslocamento do gozo dos objetos de consumo (mais-gozar) para a experi&ecirc;ncia mesma. Ou seja, mais importante que jantar &eacute; compartilhar a foto do ir&aacute; se comer, assim, ao faz&ecirc;-lo, o sujeito e sua experi&ecirc;ncia se tornam o objeto de gozo do outro que v&ecirc;.<\/p>\n<p>A busca pela popularidade transforma a necessidade de se expor a intimidade nessa liberdade de se espontaneamente alienar. Mas, talvez n&atilde;o se perceba que a vida privada exposta vai deixando de ser um direito a <a href=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/ddof\/o-que-e-singularidade\/\" target=\"_self\" title='Singularidadesubstantivo feminino1. qualidade ou propriedade do que &eacute; singular.\"a s. de uma ideia\"2. ato, dito ou coisa singular.\"o que atra&iacute;a o p&uacute;blico era a s. dos discursos\" &Eacute; um conceito desenvolvido por cientistas da computa&ccedil;&atilde;o que apostam na perspectiva de uma evolu&ccedil;&atilde;o das tecnologias ao ponto de superar a intelig&ecirc;ncia humana. Singularidade &eacute;, ent&atilde;o, o&hellip;' class=\"encyclopedia\">singularidade<\/a>. Orientado pela &ldquo;torcida&rdquo; e p&uacute;blico o sujeito molda sua vida nos padr&otilde;es da visibilidade que &eacute; expressa nas cifras de reconhecimento.<\/p>\n<p>Vemos surgir, assim, o &ldquo;datasexuel&rdquo; &ndash; aqueles preocupados com suas postagens e com seu poder de sedu&ccedil;&atilde;o atrav&eacute;s das cifras de reconhecimento. Vemos os dados passarem a ter um sex appeal, conforme afirmado no artigo Facebook, Twitter&hellip; la dictature de l&rsquo;ego.<\/p>\n<p>O gozo como o mais &iacute;ntimo do sujeito, faz com que, ao mesmo tempo, que o sujeito goze atrav&eacute;s das redes sociais ele inclua o Outro atrav&eacute;s do olhar. Assim, faz parecer que seu gozo n&atilde;o &eacute; idiota, solit&aacute;rio. Mas, a inclus&atilde;o deste outro que me toma como objeto e que eu o tomo como objeto n&atilde;o seria assim um gozo idiota? Seria o gozo do UM? Isto significaria que o gozo n&atilde;o est&aacute; mais no Outro?<\/p>\n<p>Assim, a visibilidade nas redes sociais gera uma armadilha para o indiv&iacute;duo comum ao seduz&iacute;-lo a expor sua intimidade. Primeiro, porque a privacidade exposta nestas redes sociais paradoxalmente n&atilde;o gera intimidade, mas gera p&uacute;blico, uma massa de f&atilde;s e n&atilde;o sujeitos que de fato reconhecem sua alteridade. Segundo, porque a exposi&ccedil;&atilde;o da vida privada gera cifras de reconhecimento que gera um curto circuito pulsional ao se buscar cada vez mais necessidade de aprova&ccedil;&atilde;o. Terceiro, por que &eacute; aumentando o controle sobre o indiv&iacute;duo, um controle d&oacute;cil, onde todos v&atilde;o espontaneamente evadindo sua privacidade.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 12.8px; line-height: 1.5;\">Referencias Bibliogr&aacute;ficas<\/span><\/p>\n<p>BRUNO, Fernanda. M&aacute;quinas de ver, modos de ser: vigil&acirc;ncia, tecnologia e subjetividade. Porto Alegre: Sulina, 2013.<br>\nCASE, Amber. We are all cyborgs. In: Ted talk. Video. TED.com (2010). Dispon&iacute;vel em: https:\/\/www.ted.com\/talks\/amber_case_we_are_all_Cyborgs_now. Acesso em janeiro 2011.<br>\nDEBORD, G. A sociedade do espet&aacute;culo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.<br>\nJOHNSON, S. A cidade como organismo vivo. Conferencia Internacional de Cidades Inovadoras (CICI2010). Curitiba, 10-13 de mar&ccedil;o 2010.<br>\nLACAN, J. O semin&aacute;rio, livro 10: a ang&uacute;stia (1962-1963). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005.<br>\nLACAN, J. Semin&aacute;rio 17: Avesso da Psican&aacute;lise. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1992.<br>\nLACAN, J. O semin&aacute;rio, livro 20: mais, ainda (1972-1973). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1985.<br>\nMILLER, Jaques Alain. Sobre honra e vergonha. In: Ornicar? De Jaques Lacan a Lewis Carroll. RJ: Zahar Ed., 2004.<br>\nMILLER, Jaques Alain. Os seis paradigmas do gozo. In:&lt; https:\/\/www.opcaolacaniana.com.br\/pdf\/numero_7\/Os_seis_paradigmas_do_gozo.pdf&gt; Acesso em dezembro 2013.<br>\nMILLER, Jaques Alain. Uma Fantasia. In: RJ: Zahar Ed., 2004.<br>\nMILLER, Daniel. Pesquisa UCL : Dispon&iacute;vel em:&nbsp;Acesso em dezembro 2013.<br>\nSOUZA LEITE, M&aacute;cio Peter. A TEORIA DOS GOZOS EM LACAN [online] Dispon&iacute;vel na internet via WWW URL: https:\/\/www.educacaoonline.pro.br\/a_teoria_dos_gozos.asp<br>\nSIBILIA, Paula. In: Mente e C&eacute;rebro, 2009. <a href=\"https:\/\/www2.uol.com.br\/vivermente\/reportagens\/o_espetaculo_do_eu.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www2.uol.com.br\/vivermente\/reportagens\/o_espetaculo_do_eu.html<\/a><br>\nTURKLE, Sherry. Alone Together- why we expect more from technology and less from each other. NY: Basic Books, 2011.<br>\nWILLIAMNS, Patrick. Facebook, Twitter&hellip; la dictature de l&rsquo;ego. IN: Marianne, 27\/10\/2013. <a href=\"https:\/\/www.marianne.net\/Facebook-Twitter-la-dictature-de-l-ego_a233142.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/www.marianne.net\/Facebook-Twitter-la-dictature-de-l-ego_a233142.html<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Redes sociais digitais e a transforma&ccedil;&atilde;o da privacidade e da intimidade<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[9,36],"tags":[],"class_list":{"0":"post-205","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","6":"category-artigos","7":"category-pensadores-futuro"},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/205","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=205"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/205\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=205"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=205"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=205"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}