{"id":1851,"date":"2018-08-17T10:23:55","date_gmt":"2018-08-17T13:23:55","guid":{"rendered":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/?p=1851"},"modified":"2018-08-17T10:25:00","modified_gmt":"2018-08-17T13:25:00","slug":"renovacao-politica-nao-ocorrera-com-as-eleicoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/renovacao-politica-nao-ocorrera-com-as-eleicoes\/","title":{"rendered":"Renova\u00e7\u00e3o pol\u00edtica n\u00e3o ocorrer\u00e1 com as elei\u00e7\u00f5es"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"535\" src=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/senado-vazio-a-politica-nao-vai-mudar-com-as-eleicoes-foto-Marcelo-Camargo-Ag-Brasil.jpg\" alt=\"Elei&ccedil;&otilde;es n&atilde;o asseguram mudan&ccedil;as no cen&aacute;rio pol&iacute;tico brasileiro - Marcelo Camargo\/Ag Brasil\" class=\"wp-image-1903\" srcset=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/senado-vazio-a-politica-nao-vai-mudar-com-as-eleicoes-foto-Marcelo-Camargo-Ag-Brasil.jpg 960w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/senado-vazio-a-politica-nao-vai-mudar-com-as-eleicoes-foto-Marcelo-Camargo-Ag-Brasil-300x167.jpg 300w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/senado-vazio-a-politica-nao-vai-mudar-com-as-eleicoes-foto-Marcelo-Camargo-Ag-Brasil-768x428.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\"><figcaption>Elei&ccedil;&otilde;es n&atilde;o asseguram mudan&ccedil;as no cen&aacute;rio pol&iacute;tico brasileiro <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Ag&ecirc;ncia Brasil<\/p>\n\n\n\n<p>Os resultados das elei&ccedil;&otilde;es&nbsp;de outubro podem frustrar quem espera mudan&ccedil;as na pol&iacute;tica nacional. Partidos hegem&ocirc;nicos e pol&iacute;ticos tradicionais tendem a se beneficiar de um sistema eleitoral que &eacute; pouco perme&aacute;vel &agrave; renova&ccedil;&atilde;o pol&iacute;tica, diz o economista e doutor em direito Bruno Carazza.<\/p>\n\n\n\n<p>Autor do livro&nbsp;<em>Dinheiro, Elei&ccedil;&otilde;es e Poder<\/em>, Carazza destaca que as campanhas s&atilde;o caras e que, como j&aacute; ocorreu em outros pleitos, o financiamento contar&aacute; com dinheiro ilegal de empresas &ndash; em esquemas j&aacute; vistos nas investiga&ccedil;&otilde;es da Opera&ccedil;&atilde;o Lava Jato. At&eacute; mesmo o dinheiro l&iacute;cito, dispon&iacute;vel no fundo de assist&ecirc;ncia financeira aos partidos pol&iacute;ticos e no fundo de financiamento eleitoral, ser&aacute; usado pelos dirigentes partid&aacute;rios para se reelegerem.<\/p>\n\n\n\n<p>No livro, editado pela Companhia das Letras, o economista cruza dados sobre as doa&ccedil;&otilde;es eleitorais, obtidos em dela&ccedil;&otilde;es premiadas, com projetos, vota&ccedil;&otilde;es e atua&ccedil;&atilde;o de parlamentares &ndash; muitos dos quais v&atilde;o tentar a reelei&ccedil;&atilde;o em outubro.<br><br><strong>Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista de Bruno Carazza &agrave;<\/strong>&nbsp;<strong>Ag&ecirc;ncia Brasil:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag&ecirc;ncia Brasil<\/strong>: Vamos come&ccedil;ar com uma pergunta que o senhor faz em seu livro. &ldquo;Como criminosos conseguem se reeleger, mandato ap&oacute;s mandato, mesmo sendo bombardeados com den&uacute;ncias de corrup&ccedil;&atilde;o?&rdquo;<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Bruno Carazza<\/strong>: Temos um sistema eleitoral que favorece pessoas bem conectadas com quem tem dinheiro. Qualquer candidato que pretenda ser eleito precisa fazer uma campanha personalista e cara. Tornar-se conhecido em regi&otilde;es muito grandes, como s&atilde;o os estados, custa muito dinheiro. Isso acaba fazendo com que os candidatos se aproximem de quem tem dinheiro. Assim, come&ccedil;a na origem um v&iacute;cio de depend&ecirc;ncia entre o candidato e o doador, seja ele pessoa jur&iacute;dica (uma empresa), como era na regra antiga, seja ele pessoa f&iacute;sica, como &eacute;&nbsp;hoje. Outro fator &eacute; que temos nas legendas castas avessas &agrave; altern&acirc;ncia de poder, grupos que chamamos &ldquo;de caciques partid&aacute;rios&rdquo;, que concentram poder e dinheiro, e d&atilde;o as cartas na pol&iacute;tica partid&aacute;ria e na pol&iacute;tica parlamentar, depois de eleitos. Al&eacute;m disso, o foro privilegiado &eacute; um mecanismo que atrai alguns tipos de pol&iacute;ticos. As garantias e regalias que det&ecirc;m acabam fazendo com que esses personagens se perpetuem na pol&iacute;tica brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag&ecirc;ncia Brasil<\/strong>: E as alian&ccedil;as pol&iacute;ticas e partid&aacute;rias?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Carazza<\/strong>: [As alian&ccedil;as] ocorrem muito menos por ideologia e muito mais por raz&atilde;o pragm&aacute;tica. Os partidos t&ecirc;m pouca identidade program&aacute;tica. Isso no Brasil &eacute; muito difuso. Os partidos procuram n&atilde;o se comprometer com nada para n&atilde;o se indispor com o eleitorado. As propostas acabam sendo bastante fluidas. H&aacute; exce&ccedil;&otilde;es &agrave; direita e &agrave; esquerda, mais isso &eacute; regra em nosso sistema partid&aacute;rio.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag&ecirc;ncia Brasil<\/strong>: As mudan&ccedil;as implementadas com o financiamento dos partidos e da campanha eleitoral eram ideias antigas e foram capturadas pelos &ldquo;caciques pol&iacute;ticos&rdquo;, como disse. Seu estudo &eacute; sobre um sistema que sabe se preservar e se perpetuar?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Carazza<\/strong>: Os grandes doadores costumavam procurar os partidos mais de centro e mais de direita, e os partidos &agrave; esquerda recebiam poucos recursos. O financiamento p&uacute;blico era desejado para equilibrar esse jogo. Quando veio o petrol&atilde;o [como ficou conhecido um esquema de corrup&ccedil;&atilde;o e desvio de fundos na Petrobras], a rea&ccedil;&atilde;o foi proibir a doa&ccedil;&atilde;o feita por empresas. O sistema do financiamento privado foi, ent&atilde;o, desarticulado. Num instinto de sobreviv&ecirc;ncia, os partidos se uniram e come&ccedil;aram a abra&ccedil;ar a ideia. Isso foi perfeito para as estrat&eacute;gias dos caciques partid&aacute;rios, muito deles inclusive envolvidos na Lava Jato [opera&ccedil;&atilde;o em que a Pol&iacute;cia Federal investiga esquema de lavagem de dinheiro que movimentou bilh&otilde;es de reais em propina]. Assim tornou-se um grande instrumento para estrat&eacute;gias de tentar a reelei&ccedil;&atilde;o, perpetuar-se no poder e tamb&eacute;m protelar condena&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag&ecirc;ncia Brasil<\/strong>: A disponibilidade de fundos p&uacute;blicos impede que haja dinheiro empresarial na campanha? Essa verba n&atilde;o declarada n&atilde;o pode financiar as elei&ccedil;&otilde;es via caixa dois?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Carazza<\/strong>: N&atilde;o tivemos, ap&oacute;s a Lava Jato, a despeito de todas dela&ccedil;&otilde;es de esquemas gigantescos, envolvendo todos os partidos, nenhuma mudan&ccedil;a na legisla&ccedil;&atilde;o para coibir o caixa 2, no sentido de aumentar penas e facilitar a investiga&ccedil;&atilde;o de crimes de corrup&ccedil;&atilde;o, de propina e de financiamento il&iacute;cito na elei&ccedil;&atilde;o. Proibiu-se a doa&ccedil;&atilde;o de empresas, mas sem a contrapartida de coibir a doa&ccedil;&atilde;o il&iacute;cita. Tamb&eacute;m n&atilde;o se avan&ccedil;ou para tornar as elei&ccedil;&otilde;es mais baratas. A l&oacute;gica do sistema n&atilde;o mudou. O sistema eleitoral continua demandando muito dinheiro. Esse dinheiro vir&aacute; de algum lugar. Al&eacute;m disso, temos um terceiro elemento: n&atilde;o foi desarmada nenhuma engrenagem desse sistema que faz com que o Estado seja uma mina de oportunidades para o setor privado. <\/p>\n\n\n\n<p>Ent&atilde;o, temos, de um lado, pol&iacute;ticos que v&atilde;o continuar dependendo de dinheiro para se eleger e, de outro lado, uma s&eacute;rie de empresas que t&ecirc;m muito interesse no que o Estado oferece, e t&ecirc;m todo interesse em suprir a demanda dos pol&iacute;ticos. Isso n&atilde;o vai ser feito pelas vias oficiais.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos efeitos &eacute; que o que antes era feito &agrave;s claras, e a imprensa podia investigar, vai para o subterr&acirc;neo de novo, como era na &eacute;poca do PC Farias [Paulo C&eacute;sar Farias, tesoureiro de campanha do ent&atilde;o presidente Fernando Collor, acusado de envolvimento no esquema de corrup&ccedil;&atilde;o que levou ao&nbsp;<em>impeachment<\/em>]. N&atilde;o tem nenhuma garantia de que as empresas n&atilde;o v&atilde;o doar como caixa 2, at&eacute; porque n&atilde;o temos mecanismos para punir isso de forma mais efetiva.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag&ecirc;ncia Brasil<\/strong>: Voc&ecirc; citou o foro privilegiado como um dos mecanismos que atraem pol&iacute;ticos com problemas na Justi&ccedil;a. Mas, quando saem do foro, n&atilde;o h&aacute; o risco de os processos regredirem v&aacute;rias casas e de os pol&iacute;ticos n&atilde;o irem a julgamento?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Carazza<\/strong>: Precisamos de um processo judicial que seja mais c&eacute;lere, mais equilibrado, para que esses pol&iacute;ticos sejam punidos de modo efetivo e de forma r&aacute;pida. S&oacute; acabar com o foro privilegiado n&atilde;o resolve o problema. Temos que pensar no sistema para limitar a possibilidade de recursos protelat&oacute;rios para que tenha decis&otilde;es mais efetivas e mais r&aacute;pidas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag&ecirc;ncia Brasil<\/strong>: Nesse sentido, a Opera&ccedil;&atilde;o Lava Jato &eacute; uma refer&ecirc;ncia, ou um caso muito isolado para virar paradigma?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Carazza<\/strong>: Ela tem papel hist&oacute;rico e teve efeito positivo ao usar instrumentos modernos de persecu&ccedil;&atilde;o, como as dela&ccedil;&otilde;es premiadas. Obviamente, tivemos exagero na aplica&ccedil;&atilde;o de um ou outro instituto. A Lava Jato teve o efeito de&nbsp;ter&nbsp;mobilizado &oacute;rg&atilde;os de controle, o Minist&eacute;rio P&uacute;blico e a Pol&iacute;cia Federal.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ag&ecirc;ncia Brasil<\/strong>: Outubro pode ser frustrante para quem se entusiasmou com a Lava Jato e espera uma grande renova&ccedil;&atilde;o da pol&iacute;tica? Que ambiente o pr&oacute;ximo presidente deve encontrar para governar?<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Carazza<\/strong>: Cada vez mais, estamos aprofundando esse modelo. Em vez de alter&aacute;-lo para ser mais positivo, para tornar a pol&iacute;tica mais inclusiva e mais aberta. Estamos observando a classe pol&iacute;tica colocando em marcha uma estrat&eacute;gia muito definida e muito articulada de perpetua&ccedil;&atilde;o no poder como instinto de sobreviv&ecirc;ncia. Ao que tudo indica, n&atilde;o teremos grandes renova&ccedil;&otilde;es. E teremos novo presidente eleito tendo que jogar o jogo como ele sempre foi jogado. N&atilde;o vejo chances de alterar esse nosso presidencialismo de coaliz&atilde;o, que acabou se tornando presidencialismo de coopta&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":1904,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[20,19],"tags":[727,729,66,728,725],"class_list":{"0":"post-1851","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-destaques","8":"category-insights","9":"tag-eleicoes-no-brasil","10":"tag-o-futuro-da-politica","11":"tag-politica","12":"tag-politica-no-brasil","13":"tag-renovacao-politica"},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2018\/08\/senado-vazio-a-politica-nao-vai-mudar-com-as-eleicoes-foto-Marcelo-Camargo-Ag-Brasil-1.jpg","post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1851","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1851"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1851\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1904"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1851"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1851"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1851"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}