{"id":18150,"date":"2021-08-10T18:01:22","date_gmt":"2021-08-10T21:01:22","guid":{"rendered":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/?p=18150"},"modified":"2021-08-10T18:03:42","modified_gmt":"2021-08-10T21:03:42","slug":"planeta-em-crise-sobre-o-que-conversaremos-quando-o-mundo-estiver-acabando","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/planeta-em-crise-sobre-o-que-conversaremos-quando-o-mundo-estiver-acabando\/","title":{"rendered":"Planeta em crise: sobre o que conversaremos quando o mundo estiver acabando"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Novo relat&oacute;rio de painel internacional de cientistas diz que influ&ecirc;ncia humana no planeta em crise &eacute; &ldquo;inequ&iacute;voca&rdquo;. Muitos efeitos s&atilde;o irrevers&iacute;veis, mas dependemos de mais atos que promessas<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"680\" src=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/crise-climatica-antoine-giret-7_TSzqJms4w-unsplash-1024x680.jpg\" alt=\"foto contraste de lixo em frente ao mar Photo by Antoine GIRET on Unsplash\" class=\"wp-image-18161\" srcset=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/crise-climatica-antoine-giret-7_TSzqJms4w-unsplash-1024x680.jpg 1024w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/crise-climatica-antoine-giret-7_TSzqJms4w-unsplash-300x199.jpg 300w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/crise-climatica-antoine-giret-7_TSzqJms4w-unsplash-768x510.jpg 768w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/crise-climatica-antoine-giret-7_TSzqJms4w-unsplash-1536x1020.jpg 1536w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/crise-climatica-antoine-giret-7_TSzqJms4w-unsplash-696x462.jpg 696w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/crise-climatica-antoine-giret-7_TSzqJms4w-unsplash-1392x924.jpg 1392w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/08\/crise-climatica-antoine-giret-7_TSzqJms4w-unsplash.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>Foto: Antoine GIRET on Unsplash<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p><em>Carlos Pl&aacute;cido Teixeira<br>Jornalista I Radar do Futuro<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Se nada for feito agora mesmo e de verdade, as coisas v&atilde;o caminhar de mal para pior. Em s&iacute;ntese, este o alerta emitido, neste dia 9 de agosto, no novo relat&oacute;rio sobre mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas do Painel Intergovernamental sobre Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas (IPCC, da sigla em ingl&ecirc;s). No dia em que o organismo vinculado &agrave; Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas apresentou o seu parecer mais preocupante sobre o futuro do planeta, as massas humanas seguiram suas rotinas normalmente. O evento foi acompanhado por cerca de 7 mil pessoas no mundo. N&uacute;mero pr&oacute;ximo ao de jornalistas que acompanharam as Olimp&iacute;adas do Jap&atilde;o, at&eacute; o domingo anterior. <\/p>\n\n\n\n<p>A informa&ccedil;&atilde;o e suas repercuss&otilde;es n&atilde;o frequentaram as lista dos temas mais comentados nas redes sociais. N&atilde;o frequentaram a lista dos assuntos mais lidos dos portais de not&iacute;cias. Onde, ali&aacute;s, sequer foi tema de destaque das manchetes do dia. O estudo mostra que o planeta, incluindo a sociedade, claro, est&aacute; diante de mudan&ccedil;as sem precedentes no clima. Em tempo menor do que o previsto em documentos anteriores, tendemos a sofrer com ondas de calor cada vez mais extremas, secas e inunda&ccedil;&otilde;es. Os limites das temperaturas sendo quebrados continuamente. <\/p>\n\n\n\n<p>O momento do an&uacute;ncio serviu para que pa&iacute;ses vulner&aacute;veis &agrave; mudan&ccedil;a clim&aacute;tica emitissem mensagens sobre a imin&ecirc;ncia da extin&ccedil;&atilde;o se nenhuma a&ccedil;&atilde;o for tomada com urg&ecirc;ncia. Os l&iacute;deres mundiais, incluindo o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, chamaram o relat&oacute;rio de um &ldquo;alerta para o mundo&rdquo;.  Em <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/news\/world-58064485\" target=\"_blank\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/www.bbc.com\/news\/world-58064485\" rel=\"noreferrer noopener\">mat&eacute;ria publicada<\/a> pelo site da BBC, o professor Ed Hawkins, da University of Reading, no Reino Unido, e um dos autores do relat&oacute;rio, afirma que os cientistas n&atilde;o podem ser mais claros neste ponto. &ldquo;&Eacute; uma constata&ccedil;&atilde;o de um fato, n&atilde;o podemos ter mais certeza; &eacute; inequ&iacute;voco e indiscut&iacute;vel que os humanos est&atilde;o esquentando o planeta.&rdquo;<\/p>\n\n\n\n<p>Na mesma linha de discurso, Petteri Taalas, secret&aacute;rio-geral da Organiza&ccedil;&atilde;o Meteorol&oacute;gica Mundial, diz que &ldquo;usando termos esportivos, pode-se dizer que a atmosfera foi exposta ao doping, o que significa que come&ccedil;amos a observar extremos com m ais frequ&ecirc;ncia do que antes.&rdquo; &ldquo;Estamos pagando com nossas vidas pelo carbono que outra pessoa emitiu&rdquo;, disse Mohamed Nasheed, um ex-presidente das Maldivas que representa quase 50 pa&iacute;ses vulner&aacute;veis &#8203;&#8203;aos efeitos da mudan&ccedil;a clim&aacute;tica. As Maldivas s&atilde;o o pa&iacute;s mais pobre do mundo e Nasheed disse que as proje&ccedil;&otilde;es do IPCC seriam &ldquo;devastadoras&rdquo; para o pa&iacute;s, colocando-o &agrave; &ldquo;beira da extin&ccedil;&atilde;o&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"640\" src=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/seca-dia-mundial-da-agua-foto-pixabay.jpg\" alt=\"No Dia Mundial da &Aacute;gua relat&oacute;rio da ONU refor&ccedil;a desafios gerados pelo desequil&iacute;brio da oferta e acesso ao produto essencial &agrave; sobreviv&ecirc;ncia da humanidade - foto: Pixabay\" class=\"wp-image-3048\" srcset=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/seca-dia-mundial-da-agua-foto-pixabay.jpg 960w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/seca-dia-mundial-da-agua-foto-pixabay-300x200.jpg 300w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/seca-dia-mundial-da-agua-foto-pixabay-768x512.jpg 768w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2019\/03\/seca-dia-mundial-da-agua-foto-pixabay-480x320.jpg 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\"><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\">\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Pontos-chave do relat&oacute;rio do IPCC<\/h2>\n\n\n\n<ul class=\"wp-block-list\"><li>A temperatura da superf&iacute;cie global foi 1,09&ordm;C mais alta na d&eacute;cada entre 2011-2020 do que entre 1850-1900.<\/li><li>Os &uacute;ltimos cinco anos foram os mais quentes j&aacute; registrados desde 1850<\/li><li>A recente taxa de aumento do n&iacute;vel do mar quase triplicou em compara&ccedil;&atilde;o com 1901-1971<\/li><li>A influ&ecirc;ncia humana &eacute; &ldquo;muito prov&aacute;vel&rdquo; (90%) a principal causa do recuo global das geleiras desde a d&eacute;cada de 1990 e da diminui&ccedil;&atilde;o do gelo marinho do &Aacute;rtico<\/li><li>&Eacute; &ldquo;praticamente certo&rdquo; que extremos de calor, incluindo ondas de calor, tornaram-se mais frequentes e mais intensos desde a d&eacute;cada de 1950, enquanto os eventos frios se tornaram menos frequentes e menos graves<\/li><\/ul>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Alerta sobre a crise<\/h2>\n\n\n\n<p>A avalia&ccedil;&atilde;o sobre o futuro do planeta foi desenvolvida por um grupo de cientistas, integrantes do Painel Intergovernamental sobre Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas (IPCC), organismo vinculado &agrave; Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU). Suas an&aacute;lises s&atilde;o endossadas pelos governos mundiais. O relat&oacute;rio &eacute; especialmente importante porque revela a primeira grande revis&atilde;o da ci&ecirc;ncia das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas desde 2013. Seu lan&ccedil;amento ocorre menos de tr&ecirc;s meses antes de uma importante c&uacute;pula do clima em Glasgow, conhecida como COP26.<\/p>\n\n\n\n<p>Os cientistas envolvidos denunciam que as mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas s&atilde;o reais, causadas pelo homem. E h&aacute; sinais de que est&atilde;o se intensificando numa velocidade espantosa, sem precedentes nos &uacute;ltimos dois mil anos (pelo menos) e com consequ&ecirc;ncias potencialmente grav&iacute;ssimas para os seres humanos e o planeta. Quem acompanha o notici&aacute;rio sobre ondas de calor extremo no Canad&aacute; e nos Estados Unidos, intensifica&ccedil;&atilde;o de tempestades e secas, causadoras de grandes inc&ecirc;ndios, deve entender algo sobre o cen&aacute;rio em desenvolvimento. <\/p>\n\n\n\n<p>Muitas das consequ&ecirc;ncias previstas, como derretimento de geleiras e o aumento do n&iacute;vel do mar, s&atilde;o irrevers&iacute;veis. Como ocorre com frequ&ecirc;ncia, os alertas s&atilde;o acompanhados pelo discurso de que ainda h&aacute; tempo de evitar uma calamidade clim&aacute;tica global, desde que a esp&eacute;cie humana reduza imediatamente, e de forma bastante significativa, suas emiss&otilde;es de gases do efeito estufa para a atmosfera. <\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;A mensagem do IPCC &eacute; cristalina: mudar agora e preparar para o impacto. As piores previs&otilde;es dos cientistas est&atilde;o se tornando realidade mais r&aacute;pido do que o esperado, os pontos de ruptura est&atilde;o se aproximando e o &uacute;nico n&iacute;vel aceit&aacute;vel de emiss&otilde;es &eacute; zero&rdquo;, declarou a especialista em pol&iacute;ticas clim&aacute;ticas do Observat&oacute;rio do Clima, Stela Herschmann, em reportagem especial do <a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/ciencias\/ipcc-se-nada-for-feito-colapso-climatico-e-iminente\/\" data-type=\"URL\" data-id=\"https:\/\/jornal.usp.br\/ciencias\/ipcc-se-nada-for-feito-colapso-climatico-e-iminente\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jornal da USP<\/a>. A velocidade de aquecimento observada nas &uacute;ltimas cinco d&eacute;cadas &eacute; sem precedentes nos &uacute;ltimos dois mil anos, segundo os cientistas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&ldquo;A escala das mudan&ccedil;as recentes no sistema clim&aacute;tico como um todo e o estado atual de muitos aspectos do sistema clim&aacute;tico n&atilde;o t&ecirc;m precedentes num per&iacute;odo de muitos s&eacute;culos a muitos milhares de anos&rdquo;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Olhando especificamente para o Brasil, o que salta aos olhos &eacute; uma redu&ccedil;&atilde;o dr&aacute;stica na proje&ccedil;&atilde;o da precipita&ccedil;&atilde;o, particularmente no Nordeste e no Brasil central, o que pode ter impactos muito importantes sobre a produtividade agr&iacute;cola brasileira. Al&eacute;m disso, o aumento do n&iacute;vel do mar ter&aacute; impactos muito importantes nas &aacute;reas costeiras do pa&iacute;s&rdquo;, destaca  o f&iacute;sico brasileiro Paulo Artaxo, da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP). Ele refor&ccedil;a o coro dos que tentam fazer o alerta chegar mais forte e distante. &ldquo;&Eacute; hora de agir, imediatamente&rdquo;,.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma das principais inova&ccedil;&otilde;es deste relat&oacute;rio, segundo ele, &eacute; a maneira como s&atilde;o quantificadas as ocorr&ecirc;ncias de eventos clim&aacute;ticos extremos e relacionadas &agrave;s mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas induzidas pelo homem, de forma muito mais clara do que nos relat&oacute;rios anteriores. De uma forma geral, a proje&ccedil;&atilde;o &eacute; que quanto maior o aquecimento, maior a frequ&ecirc;ncia e a intensidade de eventos extremos, e maior a probabilidade de eventos que hoje s&atilde;o raros se tornarem relativamente comuns. Eventos de seca que, antes da interfer&ecirc;ncia humana no clima, s&oacute; ocorriam uma vez a cada dez anos, por exemplo, poder&atilde;o passar a ocorrer duas a tr&ecirc;s vezes no mesmo per&iacute;odo, num planeta 2 graus mais quente. Eventos de calor extremo que s&oacute; ocorriam uma vez a cada 50 anos, poder&atilde;o ocorrer 14 vezes no mesmo per&iacute;odo de tempo.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;N&atilde;o est&aacute; se mudando apenas o clima m&eacute;dio, mas tamb&eacute;m os extremos clim&aacute;ticos&rdquo;, disse o pesquisador Lincoln Alves, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que tamb&eacute;m &eacute; autor do relat&oacute;rio do IPCC e foi um dos respons&aacute;veis pela elabora&ccedil;&atilde;o de um atlas digital interativo, que permite visualizar todas essas altera&ccedil;&otilde;es clim&aacute;ticas. Muitos dos eventos extremos que tem ocorrido nos &uacute;ltimos anos ao redor do mundo, segundo ele, seriam &ldquo;muito improv&aacute;veis&rdquo; de acontecer sem o aquecimento global induzido pelo homem.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;&Eacute; praticamente certo que extremos de temperatura quente (incluindo ondas de calor) se tornaram mais frequentes e mais intensos na maioria das regi&otilde;es terrestres desde 1950, enquanto extremos de temperatura fria (incluindo ondas de frio) tornaram-se menos frequentes e menos severos, com alta confian&ccedil;a de que a mudan&ccedil;a clim&aacute;tica induzida pelo homem &eacute; o principal motivador dessas mudan&ccedil;as. Alguns extremos de calor recentes observados na &uacute;ltima d&eacute;cada teriam sido extremamente improv&aacute;veis de ocorrer sem a influ&ecirc;ncia humana no sistema clim&aacute;tico. As ondas de calor marinhas dobraram de frequ&ecirc;ncia aproximadamente desde a d&eacute;cada de 1980, e a influ&ecirc;ncia humana muito provavelmente contribuiu para a maioria delas desde pelo menos 2006&rdquo;, diz o resumo executivo do relat&oacute;rio.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Cen&aacute;rios: o que esperar<\/h2>\n\n\n\n<p>Para este relat&oacute;rio, o IPCC elaborou cinco novos cen&aacute;rios de emiss&otilde;es de gases do efeito estufa para o per&iacute;odo 2015-2100, incluindo: dois cen&aacute;rios mais otimistas, em que as emiss&otilde;es decaem rapidamente nas pr&oacute;ximas d&eacute;cadas; um cen&aacute;rio intermedi&aacute;rio, em que as emiss&otilde;es permanecem est&aacute;veis at&eacute; 2050 e diminuem gradativamente a partir da&iacute;; e dois cen&aacute;rios mais pessimistas, em que as emiss&otilde;es continuam a crescer at&eacute; o fim do s&eacute;culo. <\/p>\n\n\n\n<p>A avalia&ccedil;&atilde;o pelo vi&eacute;s das emiss&otilde;es de gases n&atilde;o sinaliza as vari&aacute;veis mais importantes para a compreens&atilde;o sobre o futuro da quest&atilde;o clim&aacute;tica. A expectativa &eacute; toda transferida para as negocia&ccedil;&otilde;es envolvendo governos. E o sistema que sustenta as lideran&ccedil;as no poder. Sem questionamento do modelo de produ&ccedil;&atilde;o n&atilde;o haver&aacute; sa&iacute;da. Afinal as negocia&ccedil;&otilde;es em c&uacute;pulas n&atilde;o s&atilde;o efetivadas pelas empresas e institui&ccedil;&otilde;es respons&aacute;veis pelas emiss&otilde;es.  <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mensagens principais<\/h2>\n\n\n\n<p>Veja abaixo as 14 grandes conclus&otilde;es listadas no Sum&aacute;rio para Tomadores de Decis&atilde;o do sexto relat&oacute;rio do Grupo de Trabalho 1 do IPCC (cada uma delas &eacute; explicada de forma detalhada no documento):<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li>&Eacute; inequ&iacute;voco que a influ&ecirc;ncia humana aqueceu a atmosfera, o oceano e a terra. Ocorreram mudan&ccedil;as r&aacute;pidas e generalizadas na atmosfera, no oceano, na criosfera e na biosfera.<\/li><li>A escala das mudan&ccedil;as recentes no sistema clim&aacute;tico como um todo e o estado atual de muitos aspectos do sistema clim&aacute;tico n&atilde;o t&ecirc;m precedentes num per&iacute;odo de muitos s&eacute;culos a muitos milhares de anos.<\/li><li>A mudan&ccedil;a clim&aacute;tica induzida pelo homem j&aacute; est&aacute; afetando muitos extremos clim&aacute;ticos e meteorol&oacute;gicos em todas as regi&otilde;es do globo. Evid&ecirc;ncias de mudan&ccedil;as observadas em extremos, como ondas de calor, precipita&ccedil;&atilde;o forte, secas e ciclones tropicais e, em particular, sua atribui&ccedil;&atilde;o &agrave; influ&ecirc;ncia humana, fortaleceram-se desde o Quinto Relat&oacute;rio de An&aacute;lise (AR5).<\/li><li>O conhecimento melhorado dos processos clim&aacute;ticos, evid&ecirc;ncias paleoclim&aacute;ticas e a resposta do sistema clim&aacute;tico ao aumento da for&ccedil;ante radiativa fornecem uma melhor estimativa da sensibilidade clim&aacute;tica de equil&iacute;brio de 3 &deg;C, com uma faixa mais estreita em compara&ccedil;&atilde;o com a do AR5.<\/li><li>A temperatura global da superf&iacute;cie continuar&aacute; a aumentar at&eacute; pelo menos meados deste s&eacute;culo em todos os cen&aacute;rios de emiss&otilde;es considerados. As taxas de aquecimento global de 1,5 &deg;C e 2 &deg;C ser&atilde;o excedidas durante o s&eacute;culo 21, a n&atilde;o ser que redu&ccedil;&otilde;es profundas nas emiss&otilde;es de CO2 e outros gases do efeito estufa ocorram nas pr&oacute;ximas d&eacute;cadas.<\/li><li>Muitas mudan&ccedil;as no sistema clim&aacute;tico tornam-se maiores numa rela&ccedil;&atilde;o direta com o aumento do aquecimento global. Elas incluem aumentos na frequ&ecirc;ncia e na intensidade de extremos de calor, ondas de calor marinhas e fortes precipita&ccedil;&otilde;es, secas agr&iacute;colas e ecol&oacute;gicas em algumas regi&otilde;es, propor&ccedil;&atilde;o de ciclones tropicais intensos, bem como redu&ccedil;&otilde;es no gelo do mar &Aacute;rtico, cobertura de neve e permafrost.<\/li><li>Projeta-se que a continuidade do aquecimento global ir&aacute; intensificar ainda mais o ciclo global da &aacute;gua, incluindo sua variabilidade, precipita&ccedil;&atilde;o global das mon&ccedil;&otilde;es e a gravidade dos eventos de chuva e seca.<\/li><li>Em cen&aacute;rios com emiss&otilde;es crescentes de CO2, projeta-se que os sumidouros de carbono oce&acirc;nicos e terrestres se tornem menos eficazes na redu&ccedil;&atilde;o do ac&uacute;mulo de CO2 na atmosfera.<\/li><li>Muitas mudan&ccedil;as devido a emiss&otilde;es passadas e futuras de gases de efeito estufa s&atilde;o irrevers&iacute;veis por s&eacute;culos a mil&ecirc;nios, especialmente mudan&ccedil;as no oceano, nos mantos de gelo e no n&iacute;vel global do mar.<\/li><li>Os fatores naturais e a variabilidade interna ir&atilde;o modular as mudan&ccedil;as causadas pelo homem, especialmente em escalas regionais e no curto prazo, com pouco efeito no aquecimento global centen&aacute;rio. &Eacute; importante considerar essas modula&ccedil;&otilde;es no planejamento de toda a gama de mudan&ccedil;as poss&iacute;veis.<\/li><li>Com o aumento do aquecimento global, projeta-se que cada regi&atilde;o experimentar&aacute; cada vez mais mudan&ccedil;as simult&acirc;neas e m&uacute;ltiplas nos fatores de impacto clim&aacute;tico. Mudan&ccedil;as em v&aacute;rios fatores de impacto clim&aacute;tico seriam mais difundidas a 2 &deg;C, em compara&ccedil;&atilde;o com o aquecimento global de 1,5 &deg;C, e ainda mais difundidas e\/ou pronunciadas para n&iacute;veis de aquecimento mais elevados.<\/li><li>Consequ&ecirc;ncias de baixa probabilidade, como colapso do manto de gelo, mudan&ccedil;as abruptas na circula&ccedil;&atilde;o oce&acirc;nica, alguns eventos extremos compostos e aquecimento substancialmente maior do que a faixa muito prov&aacute;vel avaliada de aquecimento futuro n&atilde;o podem ser descartados e fazem parte da avalia&ccedil;&atilde;o de risco.<\/li><li>Do ponto de vista das ci&ecirc;ncias f&iacute;sicas, limitar o aquecimento global induzido pelo homem a um n&iacute;vel espec&iacute;fico requer a limita&ccedil;&atilde;o das emiss&otilde;es cumulativas de CO2, atingindo pelo menos zero emiss&otilde;es l&iacute;quidas de CO2, junto com fortes redu&ccedil;&otilde;es de emiss&otilde;es de outros gases de efeito estufa. Redu&ccedil;&otilde;es fortes, r&aacute;pidas e sustentadas nas emiss&otilde;es de CH4 (metano) tamb&eacute;m limitariam o efeito de aquecimento resultante do decl&iacute;nio da polui&ccedil;&atilde;o por aerossol e melhorariam a qualidade do ar.<\/li><li>Cen&aacute;rios que prev&ecirc;em baixas ou muito baixas emiss&otilde;es de gases do efeito estufa (SSP1-1.9 e SSP1-2.6) levam a efeitos percept&iacute;veis, num prazo de anos, nas concentra&ccedil;&otilde;es de gases de efeito estufa e aeross&oacute;is e na qualidade do ar, em compara&ccedil;&atilde;o com cen&aacute;rios de alta e muito alta emiss&atilde;o (SSP3-7.0 ou SSP5-8.5). Sob esses cen&aacute;rios contrastantes, diferen&ccedil;as discern&iacute;veis nas <a href=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/ddof\/o-que-sao-tendencias\/\" target=\"_self\" title=\"Confira o que s&atilde;o tend&ecirc;ncias, os fatos ou fen&ocirc;menos que podem acontecer em algum momento adiante na hist&oacute;ria da sociedade, como um novo comportamento individual ou de um grupo\" class=\"encyclopedia\">tend&ecirc;ncias<\/a> da temperatura da superf&iacute;cie global come&ccedil;ariam a emergir da variabilidade natural em cerca de 20 anos, e em per&iacute;odos de tempo mais longos para muitos outros fatores de impacto clim&aacute;tico.<\/li><\/ol>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Novo relat&oacute;rio de painel internacional de cientistas diz que influ&ecirc;ncia humana no planeta em crise &eacute; &ldquo;inequ&iacute;voca&rdquo;. 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