{"id":16560,"date":"2021-04-25T16:10:57","date_gmt":"2021-04-25T19:10:57","guid":{"rendered":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/?p=16560"},"modified":"2021-04-25T16:52:13","modified_gmt":"2021-04-25T19:52:13","slug":"crise-ambiental-a-reputacao-do-brasil-se-degrada-diante-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/crise-ambiental-a-reputacao-do-brasil-se-degrada-diante-do-mundo\/","title":{"rendered":"Crise ambiental: a reputa\u00e7\u00e3o do Brasil se degrada diante do mundo"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"538\" src=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/madeira_amazonia_destruicao-foto-policia-federal-divulgacao-1024x538.jpg\" alt=\"Carregamento de toras em balsa, apreendido pela Pol&iacute;cia Federal em dezembro.\" class=\"wp-image-16562\" srcset=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/madeira_amazonia_destruicao-foto-policia-federal-divulgacao-1024x538.jpg 1024w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/madeira_amazonia_destruicao-foto-policia-federal-divulgacao-300x158.jpg 300w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/madeira_amazonia_destruicao-foto-policia-federal-divulgacao-768x403.jpg 768w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/madeira_amazonia_destruicao-foto-policia-federal-divulgacao-696x365.jpg 696w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/madeira_amazonia_destruicao-foto-policia-federal-divulgacao.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>Foto: Pol&iacute;cia Federal\/Divulga&ccedil;&atilde;o<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Apesar do discurso do Governo na C&uacute;pula do Clima essa &eacute; a imagem do Brasil perante a comunidade internacional como parceiro da crise ambiental<\/strong><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p><strong>Herton Escobar<\/strong><br><a href=\"http:\/\/www.usp.br\" class=\"rank-math-link\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jornal da USP<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A C&uacute;pula de L&iacute;deres sobre o Clima, convocada pelo presidente americano Joe Biden e encerrada na sexta-feira, (23), consagrou uma reorganiza&ccedil;&atilde;o do tabuleiro pol&iacute;tico e da agenda clim&aacute;tica internacional. Os Estados Unidos mostraram que voltaram ao jogo para valer &mdash; ap&oacute;s quatro anos de isolamento e nega&ccedil;&atilde;o da crise clim&aacute;tica pelo governo Trump &mdash;, com uma meta ambiciosa de reduzir suas emiss&otilde;es de gases dos efeito estufa pela metade at&eacute; 2030.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Essa precisa ser a d&eacute;cada da decis&atilde;o&rdquo;, disse o chanceler americano para quest&otilde;es clim&aacute;ticas, John Kerry, em sua fala de fechamento da confer&ecirc;ncia, ressaltando que a capacidade para manter o aquecimento do planeta abaixo do limite cr&iacute;tico de 1,5&ordm; C est&aacute; se esgotando rapidamente. Biden conclamou a comunidade internacional a encarar a solu&ccedil;&atilde;o da crise clim&aacute;tica n&atilde;o como um fardo, mas como alavanca para uma nova revolu&ccedil;&atilde;o industrial, baseada em tecnologias limpas e desenvolvimento sustent&aacute;vel para todo o planeta. &ldquo;Vamos fazer isso juntos&rdquo;, concluiu o presidente americano. &ldquo;Os compromissos que assumimos aqui precisam se tornar realidade.&rdquo;<\/p>\n\n\n\n<p>O engajamento dos Estados Unidos &eacute; essencial para o esfor&ccedil;o global de enfrentamento das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas; n&atilde;o s&oacute; porque o pa&iacute;s &eacute; um dos maiores emissores de gases do efeito estufa do planeta, mas tamb&eacute;m porque isso estimula outros pa&iacute;ses (colaboradores e competidores dele) a fazerem o mesmo, segundo o pesquisador Paulo Artaxo, do Instituto de F&iacute;sica da USP. &ldquo;Agora &eacute; a primeira vez que podemos vislumbrar que o planeta pode ter alguma sa&iacute;da&rdquo;, disse Artaxo, em entrevista &agrave; R&aacute;dio USP (ou&ccedil;a a &iacute;ntegra da entrevista).<\/p>\n\n\n\n<p><em>&ldquo;&Eacute; a primeira vez que podemos vislumbrar que o planeta pode ter alguma sa&iacute;da&rdquo;<br>Paulo Artaxo (IF-USP)<\/em><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Encontro de l&iacute;deres<\/h2>\n\n\n\n<p>L&iacute;deres de 40 pa&iacute;ses participaram do encontro virtual, incluindo o presidente Jair Bolsonaro, que fez um discurso de seis minutos. Bolsonaro adotou uma postura moderada e n&atilde;o chegou a negar a gravidade das mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas nem a realidade do desmatamento no Pa&iacute;s, com fez em setembro do ano passado, em seu discurso na abertura da 75&ordf; Assembleia Geral da Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU) &mdash; em que descreveu o Brasil como &ldquo;v&iacute;tima de uma das mais brutais campanha de desinforma&ccedil;&atilde;o sobre a Amaz&ocirc;nia e o Pantanal&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>Essa modera&ccedil;&atilde;o do discurso, segundo especialistas, &eacute; uma adapta&ccedil;&atilde;o do governo brasileiro &agrave; troca de comando na Casa Branca e &agrave; valoriza&ccedil;&atilde;o, cada vez maior, das quest&otilde;es ambientais na agenda pol&iacute;tica internacional. &ldquo;Continuar com o negacionismo clim&aacute;tico faria do pa&iacute;s motivo de piada para todo o mundo&rdquo;, resume o cientista Carlos Nobre, pesquisador colaborador do Instituto de Estudos Avan&ccedil;ados (IEA) da USP, especialista em mudan&ccedil;as clim&aacute;ticas.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;A posi&ccedil;&atilde;o que o Pa&iacute;s ocupa como p&aacute;ria ambiental &eacute; prejudicial a todas as atividades econ&ocirc;micas, inclusive &agrave; maioria do agroneg&oacute;cio conservador que apoia o presidente&rdquo;, avalia Nobre, em entrevista ao Jornal da USP. Segundo ele, o discurso de Bolsonaro &ldquo;n&atilde;o retirou o Brasil da inc&ocirc;moda posi&ccedil;&atilde;o atual de um dos pa&iacute;ses mais antiambientais do mundo&rdquo;, apesar de os compromissos listados na fala estarem em linha com o objetivo global de manter o aumento de temperatura do planeta abaixo de 1,5&ordm; C, conforme estipulado no Acordo de Paris.<\/p>\n\n\n\n<p>A &uacute;nica novidade anunciada por Bolsonaro no encontro foi o compromisso de o Brasil atingir a &ldquo;neutralidade clim&aacute;tica&rdquo; (quando as emiss&otilde;es do pa&iacute;s s&atilde;o 100% compensadas por mecanismos de absor&ccedil;&atilde;o de g&aacute;s carb&ocirc;nico da atmosfera) j&aacute; em 2050, dez anos antes do que estava previsto inicialmente. Fora isso, o presidente reiterou compromissos assumidos desde 2015, na gest&atilde;o da presidente Dilma Rousseff, dentro da Contribui&ccedil;&atilde;o Nacionalmente Determinada (NDC, em ingl&ecirc;s) do Brasil perante o Acordo de Paris, que prev&ecirc; a redu&ccedil;&atilde;o de 37% das emiss&otilde;es nacionais de gases do efeito estufa at&eacute; 2025 e de 43%, at&eacute; 2030. A meta de zerar o desmatamento ilegal na Amaz&ocirc;nia at&eacute; 2030 tamb&eacute;m j&aacute; estava prevista na NDC.<\/p>\n\n\n\n<p>A meta de zerar o desmatamento ilegal na Amaz&ocirc;nia at&eacute; 2030 tamb&eacute;m j&aacute; estava prevista na NDC. &ldquo;Com isso, reduziremos em quase 50% nossas emiss&otilde;es at&eacute; esta data&rdquo;, declarou Bolsonaro. &ldquo;H&aacute; que se reconhecer que ser&aacute; uma tarefa complexa.&rdquo;<\/p>\n\n\n\n<p><em>Especialistas consideraram o discurso do presidente completamente desconectado da realidade das pol&iacute;ticas que seu pr&oacute;prio governo vem implementando.<\/em><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Discurso x realidade<\/h2>\n\n\n\n<p>&ldquo;O discurso foi claramente preparado para sugerir uma mudan&ccedil;a de rumo na pol&iacute;tica ambiental brasileira. Mas foi o discurso de um vendilh&atilde;o sem credibilidade&rdquo;, diz o cientista Ricardo Galv&atilde;o, professor do Instituto de F&iacute;sica (IF) da USP e ex-diretor do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), respons&aacute;vel pelo monitoramento via sat&eacute;lite do desmatamento na Amaz&ocirc;nia. &ldquo;O discurso &eacute; totalmente ortogonal &agrave; pol&iacute;tica ambiental adotada desde a posse deste governo.&rdquo;<\/p>\n\n\n\n<p>Bolsonaro disse que determinou &ldquo;o fortalecimento dos &oacute;rg&atilde;o ambientais&rdquo; e que iria &ldquo;duplicar os recursos destinados &agrave;s a&ccedil;&otilde;es de fiscaliza&ccedil;&atilde;o&rdquo;; mas n&atilde;o anunciou n&uacute;meros. O or&ccedil;amento estipulado pelo pr&oacute;prio governo para o Minist&eacute;rio do Meio Ambiente em 2021 &eacute; o menor das &uacute;ltimas duas d&eacute;cadas, e organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o-governamentais v&ecirc;m denunciando um progressivo desmonte das normas de prote&ccedil;&atilde;o e das a&ccedil;&otilde;es de fiscaliza&ccedil;&atilde;o ambiental na Amaz&ocirc;nia nos &uacute;ltimos dois anos. Desde que Bolsonaro tomou posse, o desmatamento no bioma aumentou 48%.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;O discurso &eacute; falso principalmente porque, sem o sistema que nosso pr&oacute;prio governo teima em destruir, n&atilde;o h&aacute; como atingirmos as metas que foram propostas para a diminui&ccedil;&atilde;o das emiss&otilde;es. N&atilde;o tem l&oacute;gica, nem consist&ecirc;ncia. Por isto, nada do que foi dito ser&aacute; cumprido&rdquo;, prev&ecirc; o pesquisador Marcos Buckeridge, diretor do Instituto de Bioci&ecirc;ncias da USP e colaborador do Painel Intergovernamental sobre Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas (IPCC).<\/p>\n\n\n\n<p>A meta estipulada internamente pelo governo no Plano Amaz&ocirc;nia 2021-2022, por exemplo, mant&eacute;m o desmatamento num patamar bem acima do observados em anos anteriores &mdash; o que vai na contram&atilde;o do compromisso internacional de zerar o desmatamento ilegal at&eacute; 2030. &ldquo;Certamente houve ardilosa mudan&ccedil;a de ret&oacute;rica, fruto da percep&ccedil;&atilde;o de que, caso isso n&atilde;o ocorresse, o Brasil ficaria totalmente isolado no cen&aacute;rio internacional, com s&eacute;rias consequ&ecirc;ncias para investimentos externos e crescimento econ&ocirc;mico&rdquo;, afirma Galv&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;No &acirc;mbito interno do Brasil, a partir de 2020, o setor produtivo e o sistema financeiro, respaldados na ci&ecirc;ncia, alinharam-se contra o desmatamento e a favor da conserva&ccedil;&atilde;o desse patrim&ocirc;nio ambiental. Este olhar do empresariado sinalizou um caminho para conciliar o desenvolvimento econ&ocirc;mico com sustentabilidade ambiental para a gera&ccedil;&atilde;o de empregos, de renda e de bem-estar na regi&atilde;o&rdquo;, avalia Jacques Marcovitch, professor s&ecirc;nior da Faculdade de Economia, Administra&ccedil;&atilde;o e Contabilidade (FEA) e do Instituto de Rela&ccedil;&otilde;es Internacionais (IRI) da USP. &ldquo;No &acirc;mbito externo, a press&atilde;o internacional levou o atual governo brasileiro a rever suas a&ccedil;&otilde;es, ou ina&ccedil;&otilde;es, na esfera ambiental e em especial no bioma Amaz&ocirc;nia.&rdquo;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Condi&ccedil;&atilde;o financeira<\/h2>\n\n\n\n<p>Apesar do tom moderado do discurso, Bolsonaro n&atilde;o deixou de cobrar apoio financeiro dos pa&iacute;ses desenvolvidos para o cumprimento das metas.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Diante da magnitude dos obst&aacute;culos, inclusive financeiros, &eacute; fundamental poder contar com a contribui&ccedil;&atilde;o de pa&iacute;ses, empresas, entidades e pessoas dispostos a atuar de maneira imediata, real e construtiva na solu&ccedil;&atilde;o desses problemas&rdquo;, disse o presidente. Ele cobrou a implementa&ccedil;&atilde;o dos mecanismos de mercado previstos no Acordo de Paris, que possibilitariam aos pa&iacute;ses em desenvolvimento receber recursos pela redu&ccedil;&atilde;o de emiss&otilde;es. &ldquo;Os mercados de carbono s&atilde;o cruciais como fonte de recursos e investimentos para impulsionar a a&ccedil;&atilde;o clim&aacute;tica, tanto na &aacute;rea florestal quanto em outros relevantes setores da economia, como ind&uacute;stria, gera&ccedil;&atilde;o de energia e manejo de res&iacute;duos&rdquo;, apontou Bolsonaro. &ldquo;Da mesma forma, &eacute; preciso haver justa remunera&ccedil;&atilde;o pelos servi&ccedil;os ambientais prestados por nossos biomas ao planeta, como forma de reconhecer o car&aacute;ter econ&ocirc;mico das atividades de conserva&ccedil;&atilde;o.&rdquo;<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Bolsonaro, a&ccedil;&otilde;es de conserva&ccedil;&atilde;o implementadas &ldquo;nos &uacute;ltimos 15 anos&rdquo; (mais especificamente, entre 2006 e 2015; portanto, antes do seu governo) evitaram a emiss&atilde;o de mais de 7,8 bilh&otilde;es de toneladas de carbono para a atmosfera. &ldquo;O Brasil j&aacute; tem esse cr&eacute;dito&rdquo;, pontuou o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em uma entrevista coletiva em Bras&iacute;lia, realizada ap&oacute;s o discurso do presidente. Segundo ele, pelo mercado de carbono, isso j&aacute; renderia ao Pa&iacute;s US$ 133 bilh&otilde;es.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Quanto mais recursos vierem e mais apoio existir, maior a probabilidade de antecipar&rdquo; a extin&ccedil;&atilde;o do desmatamento ilegal, afirmou Salles, destacando a necessidade de &ldquo;recursos tang&iacute;veis, volumosos e imediatos&rdquo; para o Brasil. Ele pediu US$ 1 bilh&atilde;o aos Estados Unidos para reduzir o desmatamento na Amaz&ocirc;nia em 40%, j&aacute; nos pr&oacute;ximos 12 meses. &ldquo;&Eacute; um n&uacute;mero bastante razo&aacute;vel&rdquo;, comparado ao suposto &ldquo;cr&eacute;dito&rdquo; de US$ 133 bilh&otilde;es que o Pa&iacute;s j&aacute; teria acumulado, declarou o ministro.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;O Brasil tem que fazer parte do esfor&ccedil;o global de redu&ccedil;&atilde;o de suas emiss&otilde;es, dentro do que seria uma distribui&ccedil;&atilde;o justa, de forma incondicional; mas pode fazer mais caso receba apoio financeiro&rdquo;, avalia Thelma. &ldquo;Creio que a id&eacute;ia &eacute; esta: fazer adicionalmente ao que se comprometeu, e receber apoio se puder demonstrar a capacidade de fazer isso.&rdquo;<\/p>\n\n\n\n<p>O apoio financeiro a pa&iacute;ses em desenvolvimento, de fato, &eacute; uma das premissas do Acordo de Paris; mas n&atilde;o se trata de uma obriga&ccedil;&atilde;o nem exime os pa&iacute;ses em desenvolvimento de cumprirem suas metas caso esses recursos n&atilde;o sejam disponibilizados de alguma forma &mdash; at&eacute; porque as metas previstas no acordo s&atilde;o determinadas internamente e voluntariamente por cada pa&iacute;s participante, de acordo com as suas pr&oacute;prias capacidades. &ldquo;Sendo assim, esse cr&eacute;dito (citado pelo ministro Salles) n&atilde;o existe, na minha opini&atilde;o&rdquo;, disse ao Jornal da USP a pesquisadora Thelma Krug, do Inpe, especialista em pol&iacute;tica e ci&ecirc;ncia do clima.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;O apoio financeiro somente se tornar&aacute; realidade com uma clara e permanente prova de redu&ccedil;&atilde;o acentuada dos desmatamentos da floresta amaz&ocirc;nica&rdquo;, afirma Carlos Nobre &mdash; ressaltando que os indicadores atuais apontam na dire&ccedil;&atilde;o oposta a isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o professor Pedro Luiz C&ocirc;rtes, da Escola de Comunica&ccedil;&atilde;o e Artes (ECA) e do Instituto de Energia e Ambiente (IEE) da USP, a &ecirc;nfase dada &agrave; falta de recursos &mdash; al&eacute;m de n&atilde;o ser verdadeira, pois o governo tem quase R$ 3 bilh&otilde;es parados h&aacute; dois anos no Fundo Amaz&ocirc;nia &mdash; &eacute; uma estrat&eacute;gia antecipada de transferir a culpa pelo n&atilde;o cumprimento das metas nacionais aos outros pa&iacute;ses. &ldquo;Ao pedir dinheiro para os Estados Unidos, Salles sabia que n&atilde;o seria atendido, ent&atilde;o ele j&aacute; encontrou a desculpa perfeita; e o presidente Bolsonaro simplesmente apresentou metas que n&atilde;o s&atilde;o realistas&rdquo;, disse C&ocirc;rtes &agrave; Radio USP (<a href=\"https:\/\/jornal.usp.br\/atualidades\/um-dos-paises-mais-antiambientais-do-mundo\/\" class=\"rank-math-link\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ou&ccedil;a a &iacute;ntegra da entrevista<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p>Patricia Pinho, pesquisadora associada ao IEA-USP e colaboradora do IPCC, lamenta que a floresta amaz&ocirc;nica esteja sendo usada como uma &ldquo;moeda de troca&rdquo; da geopol&iacute;tica brasileira. &ldquo;Enquanto outros governos falam em justi&ccedil;a clim&aacute;tica, o nosso se esconde atr&aacute;s de um discurso falacioso&rdquo;, diz. Os compromissos apresentados, segundo ela, &ldquo;n&atilde;o s&atilde;o baseados na realidade&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>+ Mais<\/p>\n\n\n\n<p><strong><a href=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/crise-ambiental-plano-para-amazonia-mantem-desmatamento-em-alta\/\" class=\"rank-math-link\">Crise ambiental: plano para Amaz&ocirc;nia mant&eacute;m desmatamento em alta<\/a><\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foto: Pol&iacute;cia Federal\/Divulga&ccedil;&atilde;o<\/p>\n","protected":false},"author":15,"featured_media":16562,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[15,20,22,19,1423],"tags":[158,452,456,2727,2725,147],"class_list":{"0":"post-16560","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-noticias","8":"category-destaques","9":"category-indicadores","10":"category-insights","11":"category-sustentabilidade","12":"tag-clima","13":"tag-crise-climatica","14":"tag-crise-do-clima","15":"tag-desertificacao","16":"tag-desmatamento-da-amazonia","17":"tag-sustentabilidade"},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/04\/madeira_amazonia_destruicao-foto-policia-federal-divulgacao.jpg","post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16560","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/users\/15"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16560"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16560\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16562"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16560"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16560"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16560"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}