{"id":16476,"date":"2021-07-13T18:00:01","date_gmt":"2021-07-13T21:00:01","guid":{"rendered":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/?p=16476"},"modified":"2021-07-14T10:54:38","modified_gmt":"2021-07-14T13:54:38","slug":"o-que-a-historia-sinaliza-sobre-o-futuro-da-humanidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/o-que-a-historia-sinaliza-sobre-o-futuro-da-humanidade\/","title":{"rendered":"O que a hist\u00f3ria sinaliza sobre o futuro da humanidade?"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"575\" src=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/war-guerra-efeitos-da-guerra-foto-pixabay-1024x575.jpg\" alt=\"Mulher chora de costas para uma cidade destru&iacute;da\nQuer ser um futurista e entender o futuro da humanidade? Leve em conta que os avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos tendem a ser mais r&aacute;pidos que os civilizat&oacute;rios. \" class=\"wp-image-17688\" srcset=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/war-guerra-efeitos-da-guerra-foto-pixabay-1024x575.jpg 1024w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/war-guerra-efeitos-da-guerra-foto-pixabay-300x169.jpg 300w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/war-guerra-efeitos-da-guerra-foto-pixabay-768x431.jpg 768w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/war-guerra-efeitos-da-guerra-foto-pixabay-696x391.jpg 696w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/war-guerra-efeitos-da-guerra-foto-pixabay.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>Imagem de&nbsp;<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/alexas_fotos-686414\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2930223\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Here and now, unfortunately, ends my journey on Pixabay<\/a>&nbsp;por&nbsp;<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=2930223\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pixabay<\/a><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Quer ser um futurista e entender o futuro da humanidade? Leve em conta que os avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos tendem a ser muito mais r&aacute;pidos que os civilizat&oacute;rios. <\/strong><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p><em>Carlos Pl&aacute;cido Teixeira<br>Jornalista I Radar do Futuro<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Os avan&ccedil;os civilizat&oacute;rios s&atilde;o uma velha tartaruga enfraquecida, andando com dificuldade e insegura em dire&ccedil;&atilde;o ao mar. Segue, apesar da viol&ecirc;ncia das ondas e diante da possibilidade de encontrar um tubar&atilde;o pela frente. J&aacute; o conhecimento cient&iacute;fico e o desenvolvimento tecnol&oacute;gico s&atilde;o um coelho que acelerou e ganhou a velocidade de um cavalo. Metamorfoseado, virou um carro, avi&atilde;o, foguete. E, com o tempo, foi miniaturizado at&eacute; ganhar a dimens&atilde;o e a velocidade do &aacute;tomo. Nesta met&aacute;fora, o coelho n&atilde;o d&aacute; espa&ccedil;o para surpresas. A acelera&ccedil;&atilde;o das inova&ccedil;&otilde;es segue indiferente para os rumos da humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Gra&ccedil;as &agrave;s tecnologias, agora h&aacute; m&aacute;quinas comandadas por homens em explora&ccedil;&otilde;es do planeta Marte neste exato momento. E uma parte dos trabalhadores pode desempenhar suas atividades em casa. Tamb&eacute;m agora, uma epidemia mant&eacute;m o suspense sobre os rumos das popula&ccedil;&otilde;es. Ao mesmo tempo em que o comportamento de massa, em pleno s&eacute;culo 21, segue o curso de extrema passividade. Grupos de pessoas at&eacute; questionam a ci&ecirc;ncia, enquanto protestam pela antecipa&ccedil;&atilde;o da &ldquo;normalidade&rdquo;, seja ela qual for. E guerras destroem vidas e milh&otilde;es de pessoas passam fome. &Oacute;dio e desigualdades seguem alimentando o curso da humanidade. <\/p>\n\n\n\n<p>Entender a diferen&ccedil;a entre as velocidades dissonantes entre civiliza&ccedil;&atilde;o e tecnologia &eacute; essencial para quem pretende trabalhar com estudos sobre o futuro. Mais que isso, &eacute; essencial entender que a hist&oacute;ria dos avan&ccedil;os civilizat&oacute;rios &eacute; desvinculada do progresso tecnol&oacute;gico. As pessoas se iludem ao acreditar na melhoria da qualidade de vida geral no momento em que a ci&ecirc;ncia encontra solu&ccedil;&otilde;es para mais e mais doen&ccedil;as, ao aumentar a capacidade de produ&ccedil;&atilde;o de alimentos ou quando oferece recursos avan&ccedil;ados para a comunica&ccedil;&atilde;o entre os povos. &Eacute; uma fantasia a cren&ccedil;a de que inova&ccedil;&otilde;es sejam sin&ocirc;nimos de saltos evolutivos. Em s&iacute;ntese, existem impactos positivos da tecnologia sobre o processo civilizacional? Sim, claro. Mas n&atilde;o na velocidade que poderiam ocorrer.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Utopia tecnol&oacute;gica x distopia civilizacional <\/h2>\n\n\n\n<p>Lembrando Belchior: &ldquo;ainda somos os mesmos e vivemos como os nossos pais&rdquo;. E av&oacute;s, bisav&oacute;s e assim por diante. Por todas as &aacute;rvores geneal&oacute;gicas. Ao pensar no futuro, ent&atilde;o, devemos levar em conta a certeza de que as tecnologias ter&atilde;o evolu&iacute;do disruptivamente, ao contr&aacute;rio do avan&ccedil;o linear e pregui&ccedil;oso dos comportamentos coletivos, que tendem a ser muito semelhantes aos atuais. Do ponto de vista da articula&ccedil;&atilde;o das sociedades, o futuro &eacute; parecido com o passado. E potencialmente dist&oacute;pico. <\/p>\n\n\n\n<p>Um cen&aacute;rio favor&aacute;vel para a maior parte dos habitantes do planeta s&oacute; ocorrer&aacute; no caso de uma revolu&ccedil;&atilde;o cultural e social capaz de abalar os sistemas de poder. Que transforme cren&ccedil;as e valores predominantes em dire&ccedil;&atilde;o &agrave; prioriza&ccedil;&atilde;o da igualdade. O que exige a supera&ccedil;&atilde;o de limites das verdades inquestion&aacute;veis, de uma sociedade que desconhece o potencial de reflex&atilde;o. Cabe aos futuristas compreender que a sociedade do futuro est&aacute; sendo montada em cima do palco dominado pelos defensores da guerra e de uma estrutura que, ao contr&aacute;rio de combater, fomenta a desigualdade social. <\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil &eacute; a s&iacute;ntese do cen&aacute;rio pouco otimista sobre uma hist&oacute;ria da civiliza&ccedil;&atilde;o. Um estudo realizado por organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais, entidades e f&oacute;runs da sociedade civil brasileira aponta que o Pa&iacute;s vem regredindo nas mais diversas &aacute;reas como pobreza, seguran&ccedil;a alimentar, sa&uacute;de, educa&ccedil;&atilde;o, g&ecirc;nero, economia e meio ambiente. O balan&ccedil;o negativo &eacute; referendado pela comunidade internacional, vinculada ao F&oacute;rum Pol&iacute;tico de Alto N&iacute;vel das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (HLPF 2021), que acompanha e revisa os avan&ccedil;os no cumprimento dos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustent&aacute;vel (ODS), assinado por 193 na&ccedil;&otilde;es do planeta. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">For&ccedil;a dist&oacute;pica 1: ex&eacute;rcitos<\/h2>\n\n\n\n<p>Segundo o Instituto Internacional de Estudos Estrat&eacute;gicos (IISS), na sigla em ingl&ecirc;s, baseado em Londres e refer&ecirc;ncia em assuntos militares, o planeta registrou o maior salto no seu gasto militar em uma d&eacute;cada em 2019, devido ao aumento da despesa com defesa dos Estados Unidos de Donald Trump e da China de Xi Jinping. Mesmo com a pandemia, os gastos militares no mundo voltaram a subir em 2020. Segundo o Instituto Internacional de Pesquisas da Paz (Su&eacute;cia) e que serve de refer&ecirc;ncia global para o tema revelam que quase 2 trilh&otilde;es de d&oacute;lares foram gastos em 2020, um aumento de 2,6% em termos reais em compara&ccedil;&atilde;o a 2019. Um novo relat&oacute;rio da Campanha Internacional para Abolir as Armas Nucleares, a ICAN na sigla em ingl&ecirc;s, divulgado na primeira semana de junho, descobriu que nove pa&iacute;ses gastaram um total de 72 bilh&otilde;es de d&oacute;lares em armas nucleares ao longo de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>Os argumentos para os investimentos atuais em for&ccedil;as de ataque e ocupa&ccedil;&atilde;o n&atilde;o s&atilde;o, em ess&ecirc;ncia, muito diferentes daqueles que eram utilizadas h&aacute; uns quase tr&ecirc;s mil&ecirc;nios. H&aacute; ind&iacute;cios de guerras ocorridas por volta de 2700 a.C., na regi&atilde;o onde hoje ficam o Iraque e o Ir&atilde;.  Historiadores apontam evid&ecirc;ncias claras, dois s&eacute;culos depois, relacionadas ao estado de Lagash, uma cidade-estado, localizada na Sum&eacute;ria, no sudeste do Iraque. <\/p>\n\n\n\n<p>Na regi&atilde;o teria ocorrido uma guerra de fronteira contra Umma, outra cidade-estado da Sum&eacute;ria, por volta do ano 2525 a.C. Nessa &eacute;poca, tais centros urbanos viviam em constante rivalidade pelo dom&iacute;nio econ&ocirc;mico, territorial e pol&iacute;tico. Ent&atilde;o, os homens disputavam mat&eacute;rias-primas escassas, como madeira, al&eacute;m de cobre e estanho, min&eacute;rios necess&aacute;rios para produzir o bronze usado em armas e ferramentas agr&iacute;colas. <\/p>\n\n\n\n<p>Era uma fase de transi&ccedil;&atilde;o para estados urbanizados, capazes de construir muralhas para proteger seus centros administrativos e mobilizar ex&eacute;rcitos numerosos, treinados para lutar segundo t&aacute;ticas mais ou menos definidas. Suas sociedades estavam organizadas para a guerra, centralizadas de forma totalit&aacute;ria em torno de reis heredit&aacute;rios. Com poder pol&iacute;tico e religioso, esses reis exerciam controle sobre os templos e os recursos acumulados pelas cidades, comandando a produ&ccedil;&atilde;o de armas e a convoca&ccedil;&atilde;o de soldados.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Nenhuma guerra tem a honestidade de confessar: eu mato para roubar&rdquo;, denunciou o escritor e jornalista Eduardo Galeano, autor de livros que mostram a destrui&ccedil;&atilde;o provocada por ex&eacute;rcitos durante a hist&oacute;ria da humanidade. &ldquo;As guerras invocam, sempre, motivos nobres, matam em nome da paz, em nome de Deus, em nome da civiliza&ccedil;&atilde;o, em nome do progresso, em nome da democracia e se por via das d&uacute;vidas nenhuma dessas mentiras for suficiente, a&iacute; est&atilde;o os grandes meios de comunica&ccedil;&atilde;o dispostos a inventar novos inimigos imagin&aacute;rios para justificar a convers&atilde;o do mundo num grande manic&oacute;mio e um imenso matadouro.&rdquo;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote alignleft is-style-default\"><blockquote><p>As armas exigem guerras e as guerras exigem armas, e os cinco pa&iacute;ses que dominam as Na&ccedil;&otilde;es Unidas, que t&ecirc;m poder de veto nas Na&ccedil;&otilde;es Unidas, acabam por ser tamb&eacute;m os cinco principais produtores de armas. Algu&eacute;m perguntar&aacute;, &ldquo;At&eacute; quando?&rdquo; At&eacute; quando a paz mundial estar&aacute; nas m&atilde;os daqueles que fazem o neg&oacute;cio da guerra? At&eacute; quando vamos continuar a acreditar que nascemos para exterm&iacute;nio m&uacute;tuo? E que o exterm&iacute;nio m&uacute;tuo &eacute; o nosso destino? At&eacute; quando?<\/p><cite>EDUARDO GALEANO &ndash; JORNALISTA E ESCRITOR URUGUAIO<\/cite><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>Hoje, as for&ccedil;as armadas dos Estados Unidos, por exemplo, utilizam novas armas tecnol&oacute;gicas, como drones sem pilotos, de alto poder de destrui&ccedil;&atilde;o, e de estrat&eacute;gias para dominar e controlar o suprimento de petr&oacute;leo. Amanh&atilde;, ser&aacute; para dominar as redes digitais, tendo como inimigos centrais os chineses, que crescem como a economia mais poderosa do planeta. Com bases militares em cerca de 800 localidades do planeta, para impedir a autonomia de pa&iacute;ses, como no caso do Brasil e de outros pa&iacute;ses da Am&eacute;rica Latina, que porventura demonstrem interesse em agir de forma independente no cen&aacute;rio global.   <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">For&ccedil;a dist&oacute;pica 2: concentra&ccedil;&atilde;o de renda<\/h2>\n\n\n\n<p>Tr&ecirc;s mil&ecirc;nios ap&oacute;s os primeiros prisioneiros de batalhas transformados em escravos, o mundo tem 40,3 milh&otilde;es de pessoas submetidas a trabalho for&ccedil;ado hoje. A maioria das v&iacute;timas da escravid&atilde;o moderna se encontra na &Aacute;frica e na &Aacute;sia. O trabalho escravo &eacute; uma pr&aacute;tica que permeia a hist&oacute;ria mundial. Sua origem est&aacute; relacionada &agrave;s guerras e conquistas de territ&oacute;rios, onde os povos vencidos eram submetidos e transformados em posse pelos conquistadores. No Brasil, o n&uacute;mero de trabalhadores em situa&ccedil;&atilde;o an&aacute;loga &agrave; escravid&atilde;o resgatados cresceu mais de 10 vezes nos quatro primeiros meses deste ano em rela&ccedil;&atilde;o ao mesmo per&iacute;odo do ano passado. De janeiro a abril deste ano, foram 314 resgates &mdash; em 72 a&ccedil;&otilde;es fiscais &ndash;, ante 30 no primeiro quadrimestre de 2020 &mdash; em 26 a&ccedil;&otilde;es fiscais. <\/p>\n\n\n\n<p>A exist&ecirc;ncia de um escravo que seja demonstra um modelo de distribui&ccedil;&atilde;o social prevalecente na hist&oacute;ria. E que a modernidade n&atilde;o consegue reverter, mesmo que seja um objetivo consensual, como prop&otilde;em os pa&iacute;ses que assinam os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustent&aacute;vel para 2030, iniciativa liderada pela Organiza&ccedil;&atilde;o das Na&ccedil;&otilde;es Unidas (ONU). O retrato de 2021 &eacute; uma proje&ccedil;&atilde;o de mil&ecirc;nios atr&aacute;s. Basicamente, a estratifica&ccedil;&atilde;o baseada na exist&ecirc;ncia de miser&aacute;veis e pobres, incluindo os escravos, os trabalhadores livres, uma classe m&eacute;dia servil, e os nobres. Em pa&iacute;ses como o Brasil, os escravos t&ecirc;m a ilus&atilde;o da liberdade. <\/p>\n\n\n\n<p>A tend&ecirc;ncia, mais uma vez, &eacute; de maior, e n&atilde;o menor, concentra&ccedil;&atilde;o de renda nos pr&oacute;ximos anos, algo que nenhum estudioso sobre o futuro deve desconsiderar. H&aacute; um processo de &ldquo;brasilianiza&ccedil;&atilde;o do mundo&rdquo;, de acordo com uma tend&ecirc;ncia definida pelo fil&oacute;sofo Paulo Arantes h&aacute; quase 20 anos. As desigualdades de renda s&atilde;o crescentes em todas as partes. E agora atingem n&iacute;veis recordes. <\/p>\n\n\n\n<p>O Brasil &eacute; vice-campe&atilde;o mundial de concentra&ccedil;&atilde;o de renda, superando apenas o Catar, segundo o Relat&oacute;rio de Desenvolvimento Humano de dezembro da ONU. As an&aacute;lises s&atilde;o referendadas tanto pela Oxfam, uma entidade que estuda os efeitos da pobreza, quanto pelo Instituto Credit Suisse em relat&oacute;rios recentes. A ONU avalia que a &ldquo;expans&atilde;o econ&ocirc;mica extraordin&aacute;ria&rdquo; das &uacute;ltimas d&eacute;cadas falhou em reduzir as desigualdades dentro e entre os pa&iacute;ses.  <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">For&ccedil;a dist&oacute;pica 3- zeitgeist<\/h2>\n\n\n\n<p>Mais uma vez, Belchior, melhor ainda na voz de Elis Regina: &ldquo;eles venceram, e o sinal est&aacute; fechado para n&oacute;s, que somos jovens&rdquo;. E os vencedores contam a hist&oacute;ria do jeito que bem entendem. Assim como n&atilde;o conhecemos a hist&oacute;ria do Brasil pelo olhar do ind&iacute;gena. Nem do negro, transformado em mercadoria e transportado para o Brasil. A hist&oacute;ria da humanidade pelo vi&eacute;s ocidental diz, sobre o futuro, que a verdade continuar&aacute; sendo dominada e apresentada pelos que dominam o poder econ&ocirc;mico e pol&iacute;tico global. Os vencedores imp&otilde;em os seus valores. <\/p>\n\n\n\n<p>Zeitgeist &eacute; o esp&iacute;rito dos tempos, as cren&ccedil;as predominantes em uma sociedade. J&aacute; houve &eacute;poca em que a igreja cat&oacute;lica considerou que negros n&atilde;o tinham alma. Que sociedades achavam normal matar. Que mulheres deveriam servir aos homens. Neste item, a hist&oacute;ria pelo menos conta mudan&ccedil;as de s&eacute;culos em s&eacute;culos, como na transi&ccedil;&atilde;o do feudalismo para o iluminismo. Os vencedores continuar&atilde;o dizendo que h&aacute; uma &uacute;nica sa&iacute;da para os problemas do mundo. Mesmo que exista um diagn&oacute;stico sobre a crise do capitalismo, incapaz &mdash; ou desinteressado &mdash; de reverter as suas desigualdades, h&aacute; um discurso comum que diz que n&atilde;o h&aacute; sa&iacute;das, pois seria dos males o menor. <\/p>\n\n\n\n<p>Sem aten&ccedil;&atilde;o ao esp&iacute;rito do tempo, tendemos a acreditar que o mundo &eacute; dividido entre na&ccedil;&otilde;es bandidas e mocinhas. Que precisamos de um her&oacute;i global para enfrentar o mal. Tamb&eacute;m acharemos que, por conta do equil&iacute;brio de for&ccedil;as entre indiv&iacute;duos, uma normaliza&ccedil;&atilde;o, at&eacute; desej&aacute;vel, seja natural encontrar engenheiros trabalhando para plataformas como Uber. O empreendedorismo, como cren&ccedil;a dominante entre jovens ap&aacute;ticos, n&atilde;o &eacute; a sa&iacute;da. Ou seja, n&atilde;o &eacute; o individualismo que vai resolver os problemas sociais que est&atilde;o &agrave; frente.  <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">For&ccedil;a ut&oacute;pica: mudan&ccedil;as culturais<\/h2>\n\n\n\n<p>As disparidades de for&ccedil;as parecem suficientes para recomendar a conten&ccedil;&atilde;o de vers&otilde;es otimistas ao pensar em como a hist&oacute;ria da humanidade influencia proje&ccedil;&otilde;es sobre o futuro. Sem alterar as &ldquo;for&ccedil;as dist&oacute;picas&rdquo; acima, entre outras, &eacute; pouco prov&aacute;vel que tenhamos, em 2050 ou mais tarde, uma sociedade muito mais civilizada do que a atual. A n&atilde;o ser que ocorra uma mobiliza&ccedil;&atilde;o intensa da sociedade para impor aos seus governos e institui&ccedil;&otilde;es novas prioridades.  <\/p>\n\n\n\n<p>Com uma profunda tomada de consci&ecirc;ncia sobre a urg&ecirc;ncia da mudan&ccedil;a. Em que o bem comum, como as metas do mil&ecirc;nio, propostas pela ONU, estejam de fato entre as prioridades. E n&atilde;o como ilus&otilde;es e erros. A expectativa de que a ativista ambiental Greta Thunberg consiga mobilizar multid&otilde;es &eacute; positiva. De verdade. Mas, ao participar da C&uacute;pula Mundial Austr&iacute;aca Sobre Pol&iacute;tica Clim&aacute;tica, no in&iacute;cio de julho, ela mesma reconheceu indiretamente as limita&ccedil;&otilde;es. Em seu discurso pela internet, ela atacou lideran&ccedil;as pol&iacute;ticas e econ&ocirc;micas globais que estariam usando o tema da crise clim&aacute;tica como &ldquo;uma oportunidade de neg&oacute;cios&rdquo;. <\/p>\n\n\n\n<p>A ativista compara a rea&ccedil;&atilde;o dos que dominam o poder &agrave;s press&otilde;es da sociedade como uma atua&ccedil;&atilde;o em um jogo. &ldquo;Eles brincam de pol&iacute;tica, brincando com as palavras, brincando com o futuro&rdquo;. Para ela, os compromissos das na&ccedil;&otilde;es ricas com o clima s&atilde;o &ldquo;amplamente insuficientes&rdquo;. E enquanto Greta mostra sua irrita&ccedil;&atilde;o e inquieta&ccedil;&atilde;o para os ecologistas austr&iacute;acos, na Austr&aacute;lia, um pequeno pa&iacute;s anuncia a inten&ccedil;&atilde;o de favorecer a explora&ccedil;&atilde;o mineral de &aacute;reas profundas do oceano.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"has-vivid-cyan-blue-color has-text-color wp-block-heading\">O futuro da humanidade desej&aacute;vel <\/h2>\n\n\n\n<p><strong>Lembre-se dos Objetivos do Mil&ecirc;nio, conjunto de oito objetivos globais firmados em 2000, que orientaram as a&ccedil;&otilde;es dos Estados-membros da ONU at&eacute; o ano de 2015. S&atilde;o eles:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:33.33%\">\n<ul class=\"has-vivid-purple-color has-text-color wp-block-list\"><li>Erradicar a extrema pobreza e a fome;<\/li><li>Atingir o ensino b&aacute;sico universal;<\/li><li>Promover a igualdade de g&ecirc;nero e a autonomia das mulheres;<\/li><li>Reduzir a mortalidade infantil;<\/li><li>Melhorar a sa&uacute;de materna;<\/li><li>Combater o HIV\/AIDS, a mal&aacute;ria e outras doen&ccedil;as;<\/li><li>Garantir a sustentabilidade ambiental;<\/li><li>Estabelecer uma parceria mundial para o desenvolvimento.<\/li><\/ul>\n\n\n\n<p><\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"680\" src=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/criancas-em-guerras-children-of-war-1172016_1280-1024x680.jpg\" alt=\"criancas em guerra - foto pixabay\" class=\"wp-image-17687\" srcset=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/criancas-em-guerras-children-of-war-1172016_1280-1024x680.jpg 1024w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/criancas-em-guerras-children-of-war-1172016_1280-300x199.jpg 300w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/criancas-em-guerras-children-of-war-1172016_1280-768x510.jpg 768w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/criancas-em-guerras-children-of-war-1172016_1280-696x462.jpg 696w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/criancas-em-guerras-children-of-war-1172016_1280.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>Foto:<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/users\/janeb13-725943\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=1172016\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">janeb13<\/a>&nbsp;por&nbsp;<a href=\"https:\/\/pixabay.com\/pt\/?utm_source=link-attribution&amp;utm_medium=referral&amp;utm_campaign=image&amp;utm_content=1172016\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pixabay<\/a>&nbsp;<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quer ser um futurista e entender o futuro da humanidade? Leve em conta que os avan&ccedil;os tecnol&oacute;gicos tendem a ser mais r&aacute;pidos que os civilizat&oacute;rios. <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17688,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[19,23,20],"tags":[3011,3012,3010,3013,3014,3008,3004,3017,3019,3015,3020,3021,3005,3009,3007],"class_list":{"0":"post-16476","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-insights","8":"category-carlos-placido-teixeira","9":"category-destaques","10":"tag-civilizacao","11":"tag-civilizacao-x-barbarie","12":"tag-civilizacaqo","13":"tag-futuro-distopico","14":"tag-impactos-das-guerras","15":"tag-movimentos-distopicos","16":"tag-o-futuro-da-humanidade","17":"tag-pessimismo","18":"tag-pessimistas-x-otimistas","19":"tag-poder-dos-exercitos","20":"tag-por-que-ser-otimista","21":"tag-por-que-ser-pessimista","22":"tag-utopia","23":"tag-utopia-x-distopia","24":"tag-utopias"},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/07\/war-guerra-efeitos-da-guerra-foto-pixabay.jpg","post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16476","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16476"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16476\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17688"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16476"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16476"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16476"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}