{"id":1615,"date":"2018-07-21T16:44:05","date_gmt":"2018-07-21T19:44:05","guid":{"rendered":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/?p=1615"},"modified":"2018-07-21T16:46:47","modified_gmt":"2018-07-21T19:46:47","slug":"tecnologias-de-reconhecimento-facial-levantam-debates","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/tecnologias-de-reconhecimento-facial-levantam-debates\/","title":{"rendered":"Tecnologias de reconhecimento facial levantam debates"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1616\" aria-describedby=\"caption-attachment-1616\" style=\"width: 960px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/reconhecimento-facial-se-populariza-a-inicia-polemicas-foto-pixabay.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1616\" src=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/reconhecimento-facial-se-populariza-a-inicia-polemicas-foto-pixabay.jpg\" alt=\"Tecnologia permitir&aacute; ao dono do estabelecimento melhorar a consulta &agrave;s informa&ccedil;&otilde;es do pagador - Foto: Pixabay\" width=\"960\" height=\"640\" srcset=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/reconhecimento-facial-se-populariza-a-inicia-polemicas-foto-pixabay.jpg 960w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/reconhecimento-facial-se-populariza-a-inicia-polemicas-foto-pixabay-300x200.jpg 300w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/reconhecimento-facial-se-populariza-a-inicia-polemicas-foto-pixabay-768x512.jpg 768w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/reconhecimento-facial-se-populariza-a-inicia-polemicas-foto-pixabay-480x320.jpg 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\"><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1616\" class=\"wp-caption-text\">Tecnologia permitir&aacute; ao dono do estabelecimento melhorar a consulta &agrave;s informa&ccedil;&otilde;es do pagador &ndash; Foto: Pixabay<\/figcaption><\/figure>\n<p><!--more-->Jonas Valente<br>\nAg&ecirc;ncia Brasil Bras&iacute;lia<\/p>\n<p>O Servi&ccedil;o de Prote&ccedil;&atilde;o ao Cr&eacute;dito (SPC) iniciou a oferta de uma tecnologia de <a href=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/ddof\/o-que-e-reconhecimento-facial\/\" target=\"_self\" title=\"Reconhecimento facial &eacute; jun&ccedil;&atilde;o de tecnologias de reconhecimento e processamento de imagens por intelig&ecirc;ncia artificial com c&acirc;meras instaladas em locais p&uacute;blicos e privados com o objetivo de possibilitar o monitoramento e identifica&ccedil;&atilde;o de pessoas a partir da an&aacute;lise de rostos. Os sistemas podem ser usados para identificar pessoas em fotos, v&iacute;deos ou em tempo real.&hellip;\" class=\"encyclopedia\">reconhecimento facial<\/a> para comerciantes. Lojistas poder&atilde;o instalar o sistema, que vai registrar tra&ccedil;os faciais e validar a identidade do comprador. Os dados ser&atilde;o armazenados no banco de dados do SPC, junto com outras informa&ccedil;&otilde;es sobre a pessoa.<\/p>\n<p>Al&eacute;m da confirma&ccedil;&atilde;o da identidade, a tecnologia permitir&aacute; ao dono do estabelecimento melhorar a consulta &agrave;s informa&ccedil;&otilde;es do pagador, incluindo a chamada &ldquo;nota de cr&eacute;dito&rdquo; (&iacute;ndice de probabilidade de quita&ccedil;&atilde;o adequada a partir do hist&oacute;rico de cr&eacute;dito da pessoa). Esse tipo de an&aacute;lise dever&aacute; ser potencializada caso a lei do cadastro positivo (que torna o compartilhamento de dados de cr&eacute;dito obrigat&oacute;rio, sem necessidade de consentimento) seja aprovada no Congresso.<\/p>\n<p>Em comunicado, o SPC justificou a medida argumentando que a solu&ccedil;&atilde;o protege o lojista ao mitigar perdas e o consumidor ao evitar a possibilidade de obten&ccedil;&atilde;o de vantagem com roubo de informa&ccedil;&otilde;es pessoais, como n&uacute;mero de cart&atilde;o de cr&eacute;dito. A ado&ccedil;&atilde;o desse tipo de solu&ccedil;&atilde;o t&eacute;cnica &eacute; um exemplo de como os mecanismos de reconhecimento e detec&ccedil;&atilde;o facial est&atilde;o sendo disseminados no Brasil e no mundo.<\/p>\n<p>Em abril deste ano, a empresa respons&aacute;vel pela concess&atilde;o da linha 4 do metr&ocirc; da cidade de S&atilde;o Paulo, Via Quatro, instalou no transporte p&uacute;blico um sistema que detecta as rea&ccedil;&otilde;es de quem visualiza an&uacute;ncios em tel&otilde;es nas esta&ccedil;&otilde;es e nos vag&otilde;es. O objetivo, segundo a empresa, &eacute; a obten&ccedil;&atilde;o de respostas para direcionar melhor as mensagens veiculadas nos pain&eacute;is.<\/p>\n<p>De acordo com a assessoria da concession&aacute;ria, o sistema trabalha com detec&ccedil;&atilde;o facial, e n&atilde;o <a href=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/ddof\/o-que-e-reconhecimento-facial\/\" target=\"_self\" title=\"Reconhecimento facial &eacute; jun&ccedil;&atilde;o de tecnologias de reconhecimento e processamento de imagens por intelig&ecirc;ncia artificial com c&acirc;meras instaladas em locais p&uacute;blicos e privados com o objetivo de possibilitar o monitoramento e identifica&ccedil;&atilde;o de pessoas a partir da an&aacute;lise de rostos. Os sistemas podem ser usados para identificar pessoas em fotos, v&iacute;deos ou em tempo real.&hellip;\" class=\"encyclopedia\">reconhecimento facial<\/a>. O primeiro mapeia rea&ccedil;&otilde;es a partir da leitura das imagens de rostos, enquanto o segundo identifica se a c&acirc;mera est&aacute; filmando determinada pessoa. A assessoria acrescentou &agrave; Ag&ecirc;ncia Brasil que o sistema n&atilde;o permite a possibilidade de armazenamento ou grava&ccedil;&atilde;o de imagens.<\/p>\n<h2>Populariza&ccedil;&atilde;o<\/h2>\n<p>O uso de tecnologias de <a href=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/ddof\/o-que-e-reconhecimento-facial\/\" target=\"_self\" title=\"Reconhecimento facial &eacute; jun&ccedil;&atilde;o de tecnologias de reconhecimento e processamento de imagens por intelig&ecirc;ncia artificial com c&acirc;meras instaladas em locais p&uacute;blicos e privados com o objetivo de possibilitar o monitoramento e identifica&ccedil;&atilde;o de pessoas a partir da an&aacute;lise de rostos. Os sistemas podem ser usados para identificar pessoas em fotos, v&iacute;deos ou em tempo real.&hellip;\" class=\"encyclopedia\">reconhecimento facial<\/a> vem se popularizando no Brasil e no mundo. Esse processo &eacute; acelerado pela cria&ccedil;&atilde;o de aplica&ccedil;&otilde;es variadas para o recurso. Al&eacute;m da diversifica&ccedil;&atilde;o, o avan&ccedil;o nas t&eacute;cnicas de intelig&ecirc;ncia artificial tem aumentado a precis&atilde;o tanto da capacidade de reconhecimento de pessoas quanto do mapeamento de diferentes express&otilde;es.<\/p>\n<p>Outro fator de difus&atilde;o &eacute; o barateamento desses sistemas. Um exemplo &eacute; a plataforma SAFR &ndash; sigla, em ingl&ecirc;s, para &ldquo;<a href=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/ddof\/o-que-e-reconhecimento-facial\/\" target=\"_self\" title=\"Reconhecimento facial &eacute; jun&ccedil;&atilde;o de tecnologias de reconhecimento e processamento de imagens por intelig&ecirc;ncia artificial com c&acirc;meras instaladas em locais p&uacute;blicos e privados com o objetivo de possibilitar o monitoramento e identifica&ccedil;&atilde;o de pessoas a partir da an&aacute;lise de rostos. Os sistemas podem ser usados para identificar pessoas em fotos, v&iacute;deos ou em tempo real.&hellip;\" class=\"encyclopedia\">Reconhecimento Facial<\/a> Seguro e Preciso&rdquo; &ndash; lan&ccedil;ada pela empresa RealNetworks neste m&ecirc;s. O sistema, dispon&iacute;vel gratuitamente nos Estados Unidos e no Canad&aacute;, oferece ferramentas baseadas em intelig&ecirc;ncia artificial de <a href=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/ddof\/o-que-e-reconhecimento-facial\/\" target=\"_self\" title=\"Reconhecimento facial &eacute; jun&ccedil;&atilde;o de tecnologias de reconhecimento e processamento de imagens por intelig&ecirc;ncia artificial com c&acirc;meras instaladas em locais p&uacute;blicos e privados com o objetivo de possibilitar o monitoramento e identifica&ccedil;&atilde;o de pessoas a partir da an&aacute;lise de rostos. Os sistemas podem ser usados para identificar pessoas em fotos, v&iacute;deos ou em tempo real.&hellip;\" class=\"encyclopedia\">reconhecimento facial<\/a> de pessoas em tempo real para escolas e outros ambientes. Ela est&aacute; dispon&iacute;vel para download gratuito a escolas dos Estados Unidos e do Canad&aacute;.<\/p>\n<p>Segundo a companhia, a ferramenta consegue monitorar milh&otilde;es de rostos com 99,8% de precis&atilde;o. No material promocional, o produto &eacute; apresentado como uma solu&ccedil;&atilde;o para vigiar e combater amea&ccedil;as internas e externas, como a presen&ccedil;a de pessoas n&atilde;o matriculadas. Mais do que apenas reconhecimento de pessoas, o sistema tamb&eacute;m identifica emo&ccedil;&otilde;es e rea&ccedil;&otilde;es por meio das express&otilde;es monitoradas. Os respons&aacute;veis pela plataforma afirmam que querem tornar as escolas um ambiente mais seguro, especialmente frente ao cen&aacute;rio de epis&oacute;dios recorrentes de ataques armados em institui&ccedil;&otilde;es de ensino.<\/p>\n<p>Na China uma ferramenta chamada SenseVideo passou a ser vendida no ano passado com funcionalidades de reconhecimento de faces e de objetos. Mas a iniciativa mais pol&ecirc;mica tem sido o uso de c&acirc;meras para monitorar atos e movimenta&ccedil;&otilde;es de cidad&atilde;os com o intuito de estabelecer &ldquo;notas sociais&rdquo; para cada pessoa, que podem ser usada para finalidades diversas, inclusive diferenciar acesso a servi&ccedil;os ou at&eacute; mesmo gerar san&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Na R&uacute;ssia, o aplicativo FindFace tamb&eacute;m foi alvo de questionamentos no ano passado ao permitir a localiza&ccedil;&atilde;o de pessoas a partir do perfil delas em uma rede social popular no pa&iacute;s (Vkontakte). Ele incorporou a capacidade de mapear emo&ccedil;&otilde;es e rea&ccedil;&otilde;es a partir da leitura dos tra&ccedil;os de rostos. A capacidade de monitoramento levantou receios acerca das possibilidades de uso deste tipo de solu&ccedil;&atilde;o durante a Copa do Mundo deste ano, embora n&atilde;o tenha havido confirma&ccedil;&otilde;es espec&iacute;ficas nesse sentido.<\/p>\n<h2>Preocupa&ccedil;&otilde;es<\/h2>\n<p>Na mesma medida em que crescem como alternativas de monitoramento, as tecnologias de reconhecimento e detec&ccedil;&atilde;o facial passam a despertar preocupa&ccedil;&otilde;es de organiza&ccedil;&otilde;es da sociedade civil, acad&ecirc;micos, autoridades e at&eacute; mesmo de integrantes da pr&oacute;pria ind&uacute;stria de tecnologia.<\/p>\n<p>Na semana passada, o presidente da Microsoft, Brad Smith, divulgou comunicado em que defendeu a regula&ccedil;&atilde;o p&uacute;blica do tema e medidas de responsabilidade por parte das empresas. Segundo ele, a evolu&ccedil;&atilde;o dessa tecnologia e a ado&ccedil;&atilde;o em larga escala por empresas e governo acendem um sinal de alerta.<\/p>\n<p>&ldquo;As tecnologias de <a href=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/ddof\/o-que-e-reconhecimento-facial\/\" target=\"_self\" title=\"Reconhecimento facial &eacute; jun&ccedil;&atilde;o de tecnologias de reconhecimento e processamento de imagens por intelig&ecirc;ncia artificial com c&acirc;meras instaladas em locais p&uacute;blicos e privados com o objetivo de possibilitar o monitoramento e identifica&ccedil;&atilde;o de pessoas a partir da an&aacute;lise de rostos. Os sistemas podem ser usados para identificar pessoas em fotos, v&iacute;deos ou em tempo real.&hellip;\" class=\"encyclopedia\">reconhecimento facial<\/a> levantam quest&otilde;es que v&atilde;o no cora&ccedil;&atilde;o da prote&ccedil;&atilde;o de direitos humanos fundamentais como privacidade e liberdade de express&atilde;o&rdquo;, destacou Smith.<\/p>\n<p>Essas ferramentas poderiam ser usadas, por exemplo, para monitorar advers&aacute;rios pol&iacute;ticos em um protesto. Em raz&atilde;o desses riscos, o executivo defendeu que o governo inicie um processo de regula&ccedil;&atilde;o apoiado por uma comiss&atilde;o de especialistas no tema.<\/p>\n<p>O discurso vem relacionado tamb&eacute;m a uma preocupa&ccedil;&atilde;o com a imagem da empresa. A Microsoft foi questionada no in&iacute;cio do ano por um suposto contrato com o Servi&ccedil;o de Imigra&ccedil;&atilde;o dos EUA para monitoramento de pessoas entrando ilegalmente no pa&iacute;s. A companhia desmentiu, afirmando que mant&eacute;m um contrato, mas com sistemas para mensagens e gest&atilde;o de outras atividades.<\/p>\n<p>A organiza&ccedil;&atilde;o sem fins lucrativos estadunidense Eletronic Frontier Foundation (EFF) publicou relat&oacute;rio em fevereiro deste ano em que aponta a ado&ccedil;&atilde;o crescente dessas ferramentas, especialmente pelo Estado, por alegadas raz&otilde;es de seguran&ccedil;a. Analisando o caso dos EUA, a organiza&ccedil;&atilde;o aponta riscos &agrave; privacidade dos cidad&atilde;os.<\/p>\n<p>&ldquo;Sem limites em quest&atilde;o, poderia ser relativamente f&aacute;cil para o governo e companhias privadas construir bases de dados de imagens da vasta maioria das pessoas e usar essas bases de dados para identificar e rastrear pessoas em tempo real a medida que elas se movem de lugar a lugar em seu cotidiano&rdquo;, disse a entidade no documento.<\/p>\n<p>Na avalia&ccedil;&atilde;o do pesquisador do Laborat&oacute;rio de Humanidades Digitais do Instituto Brasileiro de Informa&ccedil;&atilde;o em Ci&ecirc;ncia e Tecnologia, Jo&atilde;o Carlos Carib&eacute;, o tema &eacute; complexo, pois por tr&aacute;s de poss&iacute;veis benef&iacute;cios h&aacute; riscos da ado&ccedil;&atilde;o desse tipo de recurso.<\/p>\n<p>&ldquo;Pode ser &oacute;timo para seguran&ccedil;a p&uacute;blica na busca por pessoas desaparecidas e criminosos foragidos, ou ainda para a identifica&ccedil;&atilde;o de criminosos em flagrante il&iacute;cito, mas &eacute; preciso transpar&ecirc;ncia e presta&ccedil;&atilde;o de contas neste processo, para n&atilde;o se tornar uma ferramenta de controle e persegui&ccedil;&atilde;o&rdquo;, alertou.<\/p>\n<h2>Viola&ccedil;&atilde;o de privacidade<\/h2>\n<p>Na avalia&ccedil;&atilde;o do coordenador da &aacute;rea de direitos digitais do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), Rafael Zanatta, os dois exemplos brasileiros violam a legisla&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>No caso da Via 4, as ferramentas de detec&ccedil;&atilde;o facial violam o C&oacute;digo de Defesa do Consumidor pelo fato de o sistema instituir uma pr&aacute;tica abusiva e impor o monitoramento &agrave; pessoa, que n&atilde;o tem compreens&atilde;o sobre como esta coleta de dados &eacute; feita. Elas tamb&eacute;m ferem o C&oacute;digo de Usu&aacute;rios de Servi&ccedil;os P&uacute;blicos ao promover uma esp&eacute;cie de &ldquo;pesquisa de opini&atilde;o for&ccedil;ada&rdquo; sem rela&ccedil;&atilde;o com o servi&ccedil;o prestado, o transporte p&uacute;blico.<\/p>\n<p>No caso da iniciativa do Servi&ccedil;o de Prote&ccedil;&atilde;o ao Cr&eacute;dito (SPC), acrescenta Zanatta, tamb&eacute;m h&aacute; ilegalidade. &ldquo;H&aacute; coleta da informa&ccedil;&atilde;o sens&iacute;vel, h&aacute; uma atribui&ccedil;&atilde;o de um ID &uacute;nico coletado sem consentimento, de forma abusiva, sem transpar&ecirc;ncia. O Supremo Tribunal Federal diz que coleta de imagem sem consentimento s&oacute; pode ocorrer quando n&atilde;o tem finalidade lucrativa, ou a pessoa n&atilde;o &eacute; o elemento central da coleta de imagem e, neste caso, &eacute; uso de imagem de pessoas para fim comercial&rdquo;, analisa.<\/p>\n<h2>Facebook<\/h2>\n<p>Um dos alvos tanto de preocupa&ccedil;&atilde;o quanto de questionamentos judiciais &eacute; o Facebook. A plataforma come&ccedil;ou a adotar o <a href=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/ddof\/o-que-e-reconhecimento-facial\/\" target=\"_self\" title=\"Reconhecimento facial &eacute; jun&ccedil;&atilde;o de tecnologias de reconhecimento e processamento de imagens por intelig&ecirc;ncia artificial com c&acirc;meras instaladas em locais p&uacute;blicos e privados com o objetivo de possibilitar o monitoramento e identifica&ccedil;&atilde;o de pessoas a partir da an&aacute;lise de rostos. Os sistemas podem ser usados para identificar pessoas em fotos, v&iacute;deos ou em tempo real.&hellip;\" class=\"encyclopedia\">reconhecimento facial<\/a> no ano passado. Diferentemente da ferramenta de marca&ccedil;&atilde;o de pessoas em fotos, o novo recurso passou a identificar o usu&aacute;rio em qualquer imagem e a alert&aacute;-lo quando uma foto era publicada ou compartilhada.<\/p>\n<p>&ldquo;N&oacute;s queremos que as pessoas se sintam confort&aacute;veis ao postar uma foto de si pr&oacute;prias no Facebook. Estamos fazendo isso para prevenir que pessoas se passem por outras&rdquo;, explicou o diretor de Machine Learning da empresa, Joaquim Candela, em um comunicado divulgado em dezembro.<\/p>\n<p>Contudo, a iniciativa foi questionada tanto publicamente quanto na Justi&ccedil;a em diferentes locais. A organiza&ccedil;&atilde;o de promo&ccedil;&atilde;o da privacidade estadunidense EPIC apresentou em abril uma reclama&ccedil;&atilde;o junto ao &oacute;rg&atilde;o de concorr&ecirc;ncia dos EUA (FTC, na sigla em ingl&ecirc;s). Segundo a entidade, &ldquo;o escaneamento de imagens faciais sem consentimento afirmativo e expresso &eacute; ilegal e deve ser proibido&rdquo;. A plataforma tamb&eacute;m &eacute; objeto de outro processo, ajuizado por cidad&atilde;os do estado de Illinois, que pode resultar em multas de bilh&otilde;es de d&oacute;lares.<\/p>\n<p>A ferramenta do Facebook passou a ser questionada tamb&eacute;m na Europa, que ganhou uma nova legisla&ccedil;&atilde;o de prote&ccedil;&atilde;o de dados em maio deste ano. A Regula&ccedil;&atilde;o Geral (GDPR, na sigla em ingl&ecirc;s) coloca como requisito para a coleta de um dado o consentimento, que deve ser obtido de formas espec&iacute;ficas n&atilde;o respeitadas pelo sistema da plataforma.<\/p>\n<h2>Discrimina&ccedil;&atilde;o<\/h2>\n<p>Outra preocupa&ccedil;&atilde;o com os sistemas de reconhecimento e detec&ccedil;&atilde;o facial envolve as falhas na identifica&ccedil;&atilde;o de pessoas, especialmente na precis&atilde;o diferente para distintos grupos &eacute;tnicos e raciais.<\/p>\n<p>Em fevereiro deste ano, dois pesquisadores do renomado Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT, na sigla em ingl&ecirc;s) e da Universidade de Stanford, Joy Buolamwini e Timnit Gebru, testaram sistemas e constaram que as margens de erro eram bastante diferentes de acordo com a cor da pele: 0,8% no caso de homens brancos e de 20% a 34% no caso de mulheres negras.<\/p>\n<p>Os pesquisadores tamb&eacute;m identificaram que as bases de dados utilizadas para &ldquo;treinar&rdquo; determinados sistemas eram majoritariamente de cor branca e de homens. O artigo coloca a preocupa&ccedil;&atilde;o de como essas tecnologias s&atilde;o constru&iacute;das e de que maneira esses vieses podem ter impactos problem&aacute;ticos, como na identifica&ccedil;&atilde;o de suspeitos de crimes.<\/p>\n<h2>Debate p&uacute;blico<\/h2>\n<p>Para o professor de direito e tecnologia da Funda&ccedil;&atilde;o Getulio Vargas (FGV) Eduardo Magrani, h&aacute; necessidade de um debate p&uacute;blico antes da introdu&ccedil;&atilde;o dessas tecnologias que discuta a rela&ccedil;&atilde;o desses recursos com o modelo de sociedade que se deseja.<\/p>\n<p>&ldquo;Quando acontece este tipo de discuss&atilde;o, as tecnologias j&aacute; est&atilde;o em vias de ser implementadas sem que as pessoas debatam se querem viver uma sociedade de vigilantismo constante, tendo seu rosto identificado constantemente por algoritmos que podem errar&rdquo;, avaliou.<\/p>\n<p>Na avalia&ccedil;&atilde;o do professor, um elemento fundamental do debate &eacute; a garantia de prote&ccedil;&atilde;o na legisla&ccedil;&atilde;o, que existe de forma geral no caso brasileiro, mas que podem ter um grande avan&ccedil;o com a Lei de Prote&ccedil;&atilde;o de Dados, aprovada no Congresso no m&ecirc;s passado e em vias de ser sancionada pelo presidente Michel Temer.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":1616,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[20,19],"tags":[645,365,532,646,644,647],"class_list":{"0":"post-1615","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-destaques","8":"category-insights","9":"tag-comercio","10":"tag-comercio-virtual","11":"tag-futuro-do-comercio","12":"tag-lojas-fisicas","13":"tag-reconhecimento-facial","14":"tag-shoppings-centers"},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/reconhecimento-facial-se-populariza-a-inicia-polemicas-foto-pixabay.jpg","post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1615","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1615"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1615\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1616"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1615"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1615"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1615"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}