{"id":15887,"date":"2021-03-02T17:05:13","date_gmt":"2021-03-02T20:05:13","guid":{"rendered":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/?p=15887"},"modified":"2021-03-02T17:05:21","modified_gmt":"2021-03-02T20:05:21","slug":"afinal-por-que-nao-sou-um-futurista","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/afinal-por-que-nao-sou-um-futurista\/","title":{"rendered":"Afinal, por que n\u00e3o sou um futurista?"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/pexels-photo-6257031.jpeg\" alt=\"Mulher protesta na rua, reivindicando ser ouvida pela sociedade.\" class=\"wp-image-15937\" width=\"1028\" height=\"685\" srcset=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/pexels-photo-6257031.jpeg 1880w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/pexels-photo-6257031-300x200.jpeg 300w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/pexels-photo-6257031-1024x682.jpeg 1024w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/pexels-photo-6257031-768x512.jpeg 768w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/pexels-photo-6257031-1536x1024.jpeg 1536w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/pexels-photo-6257031-696x464.jpeg 696w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/03\/pexels-photo-6257031-1392x928.jpeg 1392w\" sizes=\"auto, (max-width: 1028px) 100vw, 1028px\"><figcaption>Photo by RODNAE Productions on <a href=\"https:\/\/www.pexels.com\/photo\/people-woman-street-sign-6257031\/\" rel=\"nofollow noopener\" target=\"_blank\">Pexels.com<\/a><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Futurista ou jornalista? Artigo avalia diferen&ccedil;as sobre a forma&ccedil;&atilde;o e estrat&eacute;gias de quem antecipa <a href=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/ddof\/o-que-sao-tendencias\/\" target=\"_self\" title=\"Confira o que s&atilde;o tend&ecirc;ncias, os fatos ou fen&ocirc;menos que podem acontecer em algum momento adiante na hist&oacute;ria da sociedade, como um novo comportamento individual ou de um grupo\" class=\"encyclopedia\">tend&ecirc;ncias<\/a><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Com alguma frequ&ecirc;ncia, pessoas me perguntam se sou um futurista. A resposta &eacute; negativa. At&eacute; cheguei a assinar alguns textos como analista de <a href=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/ddof\/o-que-sao-tendencias\/\" target=\"_self\" title=\"Confira o que s&atilde;o tend&ecirc;ncias, os fatos ou fen&ocirc;menos que podem acontecer em algum momento adiante na hist&oacute;ria da sociedade, como um novo comportamento individual ou de um grupo\" class=\"encyclopedia\">tend&ecirc;ncias<\/a> ou futurista em jornais por onde passei. Achei que poderia me credenciar com a experi&ecirc;ncia e a trajet&oacute;ria como profissional de m&iacute;dia impressa e, posteriormente, digital. Acumulei conhecimentos como especialista em cobertura econ&ocirc;mica e forma&ccedil;&atilde;o em intelig&ecirc;ncia de mercado. Ap&oacute;s algum tempo da cria&ccedil;&atilde;o do meu site, o Radar do Futuro, em 2010, pensei em adotar o t&iacute;tulo. Mas n&atilde;o levei adiante. N&atilde;o me senti &agrave; vontade na roupa que experimentei.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, prefiro considerar que sou um jornalista que tem como foco produ&ccedil;&atilde;o de conte&uacute;dos que favorecem a identifica&ccedil;&atilde;o das <a href=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/ddof\/o-que-sao-tendencias\/\" target=\"_self\" title=\"Confira o que s&atilde;o tend&ecirc;ncias, os fatos ou fen&ocirc;menos que podem acontecer em algum momento adiante na hist&oacute;ria da sociedade, como um novo comportamento individual ou de um grupo\" class=\"encyclopedia\">tend&ecirc;ncias<\/a> que impactam o futuro das profiss&otilde;es, de setores e da sociedade. De forma direta ou indireta, estou envolvido com a tem&aacute;tica do futuro h&aacute; umas tr&ecirc;s d&eacute;cadas. Em meados da d&eacute;cada de 1980, me interessei pelo tema dos sistemas de intelig&ecirc;ncia de marketing e teoria de sistemas. Uma combina&ccedil;&atilde;o que, mesmo sem consci&ecirc;ncia, induzia a uma vis&atilde;o prospectiva.<\/p>\n\n\n\n<p>No in&iacute;cio dos anos 1990, caminhei em dire&ccedil;&atilde;o ao jornalismo econ&ocirc;mico, que levou &agrave; cobertura de finan&ccedil;as e neg&oacute;cios. Cheguei a escrever alguns textos sobre temas setoriais com vi&eacute;s de futuro. E trabalhei na &aacute;rea de intelig&ecirc;ncia estrat&eacute;gica de uma grande ind&uacute;stria t&ecirc;xtil. Em tempos anal&oacute;gicos, simbolizados por m&aacute;quinas de escrever, liga&ccedil;&otilde;es telef&ocirc;nicas controladas nas reda&ccedil;&otilde;es e fotos em filmes e viagens de carro, eu fazia estudos sobre mercados e perspectivas de mudan&ccedil;as.   <\/p>\n\n\n\n<p>A chegada da internet possibilitou sonhar com o meu primeiro projeto na &aacute;rea de estudos sobre <a href=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/ddof\/o-que-sao-tendencias\/\" target=\"_self\" title=\"Confira o que s&atilde;o tend&ecirc;ncias, os fatos ou fen&ocirc;menos que podem acontecer em algum momento adiante na hist&oacute;ria da sociedade, como um novo comportamento individual ou de um grupo\" class=\"encyclopedia\">tend&ecirc;ncias<\/a>. Registrei o dom&iacute;nio &ldquo;Instituto do Futuro&rdquo;, em 2000. A precariedade da internet, em &ldquo;html puro&rdquo;, n&atilde;o permitia grandes sonhos. E tinha os empregos e outros projetos para levar adiante, como jornalista de jornais impressos e assessoria de imprensa.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2010, criei o Radar do Futuro. Que s&oacute; foi acelerado de verdade a partir de 2016, quando completei 60 anos e fiquei s&oacute; por conta do site. Sem a obrigatoriedade de ser uma fonte de recursos, desenvolvi conte&uacute;dos entre o prazer da escrita e o desejo de aprendizado. Ent&atilde;o, pude ampliar o envolvimento com teorias e pr&aacute;ticas, inclusive com a incorpora&ccedil;&atilde;o de m&eacute;todos de estudos sobre o futuro e a cria&ccedil;&atilde;o de processos pr&oacute;prios. Hoje, o Radar do Futuro est&aacute; maduro e entra em nova fase, ainda merecendo ajustes, &eacute; claro. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Ser ou n&atilde;o ser futurista<\/h2>\n\n\n\n<p>Imagino que j&aacute; ficou claro. N&atilde;o sou um futurista ou futur&oacute;logo, mesmo tendo atributos para tanto. Fiz alguns cursos, estudei em livros. Absorvi conhecimentos. Sigo como autodidata. Mas, como disse acima, prefiro, hoje, me identificar como um jornalista que tem como foco o estudo sobre os impactos das mudan&ccedil;as sociais, econ&ocirc;micas, pol&iacute;ticas, ambientais, culturais e tecnol&oacute;gicas sobre o futuro das atividades humanas e da sociedade como um todo. Eu quero contribuir para que as pessoas possam entender as mudan&ccedil;as a partir da compreens&atilde;o das complexidades envolvidas na evolu&ccedil;&atilde;o da hist&oacute;ria da humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Cabe uma distin&ccedil;&atilde;o, que tamb&eacute;m justifica o meu desinteresse pelo carimbo curricular. N&atilde;o me vejo como parte da tribo dos futuristas. Vejo os especialistas em estudos sobre o futuro com um vi&eacute;s excessivamente focado no esp&iacute;rito empreendedor do discurso dominante, com algumas poucas exce&ccedil;&otilde;es. O que pode ser explicado pela origem acad&ecirc;mica da maioria, com forma&ccedil;&atilde;o em &aacute;reas de neg&oacute;cios, incluindo faculdades de publicidade, administra&ccedil;&atilde;o de empresas, marketing e economia. E tamb&eacute;m direito e medicina. <\/p>\n\n\n\n<p>Em s&iacute;ntese, pessoas com vis&atilde;o de mundo generalista e reduzida forma&ccedil;&atilde;o ou cren&ccedil;a nas ci&ecirc;ncias sociais e humanas. O que tende a explicar o vi&eacute;s otimista de quem considera normal ou positivo o fato de um engenheiro dirigir um Uber. Como se ali houvesse um exemplo de empreendedorismo. Sem o vi&eacute;s social, o aumento do desemprego, com a desregulamenta&ccedil;&atilde;o irrestrita das leis de trabalho, &eacute; apenas oportunidade para as pessoas ficarem livres de patr&otilde;es. Sem vis&atilde;o hist&oacute;rica e de contradi&ccedil;&otilde;es dos sistemas de produ&ccedil;&atilde;o, h&aacute; quem compara eventos da revolu&ccedil;&atilde;o industrial, mec&acirc;nica, com o atual momento, digital, como se tivessem pesos semelhantes.  <\/p>\n\n\n\n<p>Mas &eacute; a turma das &aacute;reas de tecnologia e ci&ecirc;ncias exatas que recebe destaque especial como os vision&aacute;rios. Alguns dos principais nomes entre os futuristas est&atilde;o hoje vinculados &agrave;s grandes empresas de tecnologia, como Google, Microsoft, Facebook e Tesla. Delas saem os &ldquo;evangelistas&rdquo;, especialistas com discurso afinado para construir quase sempre uma imagem favor&aacute;vel sobre os impactos das tecnologias sobre o futuro das pessoas e da humanidade. E conseguem. <\/p>\n\n\n\n<p>N&atilde;o &eacute; &agrave; toa que a Singularity University, um centro de estudos vinculado aos futuristas do Vale do Sil&iacute;cio, nos Estados Unidos, consegue atrair admiradores apaixonados. De qualquer forma, n&atilde;o existem cursos destinados &agrave; forma&ccedil;&atilde;o universit&aacute;ria no Brasil, seja em gradua&ccedil;&atilde;o ou p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o. H&aacute; cursos complementares, formais e informais, que ensinam conhecimentos de t&eacute;cnicas e conceitos diversos sobre o tema. O interessado encontra uma grande informalidade e iniciativas dispersas. Como aquelas que possibilitam que muita gente se transforme em coach de alguma coisa, bastando para isso um tanto de cara de pau. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Entre utopias e distopias<\/h2>\n\n\n\n<p>Eis que, por coincid&ecirc;ncia, esbarro em uma frase do poeta portugu&ecirc;s Jos&eacute; Saramago no Twitter. &rdquo;Os &uacute;nicos interessados em mudar o mundo s&atilde;o os pessimistas, porque os otimistas est&atilde;o encantados com o que h&aacute;.&rdquo; Estamos juntos na cren&ccedil;a de que antecipa&ccedil;&atilde;o de <a href=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/ddof\/o-que-sao-tendencias\/\" target=\"_self\" title=\"Confira o que s&atilde;o tend&ecirc;ncias, os fatos ou fen&ocirc;menos que podem acontecer em algum momento adiante na hist&oacute;ria da sociedade, como um novo comportamento individual ou de um grupo\" class=\"encyclopedia\">tend&ecirc;ncias<\/a> requer senso cr&iacute;tico e doses de pessimismo para enfrentar o fato de que grandes mudan&ccedil;as da humanidade andam a passo de tartaruga, enquanto a tecnologia avan&ccedil;a na velocidade de foguetes hipers&ocirc;nicos. <\/p>\n\n\n\n<p>Futuristas ou futur&oacute;logos s&atilde;o otimistas. Como eles afirmam em suas apresenta&ccedil;&otilde;es, para pensar como um deles &eacute; importante considerar a capacidade de construir futuros melhores. Para que isso seja poss&iacute;vel, temos que come&ccedil;ar a fazer algo j&aacute;. As pessoas associam o futuro a previs&atilde;o. &ldquo;A futurologia &eacute;, ent&atilde;o, uma ci&ecirc;ncia que tem a habilidade de ensinar as pessoas como devem agir agora para criar o futuro que querem&rdquo;, afirmam. A meritocracia e o individualismo seguem se impondo como o modo de pensar dominante. <\/p>\n\n\n\n<p>Voltando &agrave;s ci&ecirc;ncias sociais, ningu&eacute;m constr&oacute;i um novo futuro sem a anu&ecirc;ncia, por exemplo, dos 1% que continuam a aumentar a concentra&ccedil;&atilde;o de renda enquanto cresce a mis&eacute;ria do mundo, como denunciam organismos como a Oxfam. &ldquo;A crise provocada pela pandemia exp&ocirc;s nossa fragilidade coletiva e a incapacidade da nossa economia profundamente desigual trabalhar para todos&rdquo;, afirmou a entidade em seu relat&oacute;rio mais recente, do in&iacute;cio do ano. Katia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil, destacou que &ldquo;A pandemia escancarou as desigualdades &ndash; no Brasil e no mundo. &Eacute; revoltante ver um pequeno grupo de privilegiados acumular tanto em meio a uma das piores crises globais j&aacute; ocorridas na hist&oacute;ria&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas para uma parte da comunidade dos futuristas, o mundo &eacute; outro. A ser constru&iacute;do com tecnologia e viagens em ambientes sem conflitos. Ao ser questionados sobre a desigualdade social da sociedade, s&atilde;o capazes de dizer que a disparidade tem diminu&iacute;do por conta da tecnologia. &ldquo;Hoje, mesmo aquelas pessoas que n&atilde;o sabem ler e escrever est&atilde;o no WhatsApp, porque l&aacute; podem mandar &aacute;udio, foto, v&iacute;deo. Caminhamos muito mais para um mundo de abund&acirc;ncia que de escassez&rdquo;, dizem os consultores e consultoras em suas apresenta&ccedil;&otilde;es empresariais. <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Futurista ou jornalista? 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