{"id":1585,"date":"2018-07-18T11:00:37","date_gmt":"2018-07-18T14:00:37","guid":{"rendered":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/?p=1585"},"modified":"2019-02-06T11:05:17","modified_gmt":"2019-02-06T14:05:17","slug":"a-crise-na-aprendizagem-segundo-o-banco-mundial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/a-crise-na-aprendizagem-segundo-o-banco-mundial\/","title":{"rendered":"A crise na aprendizagem segundo o Banco Mundial"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1586\" aria-describedby=\"caption-attachment-1586\" style=\"width: 960px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/educacao-basica-importancia-do-ensino-crise-do-aprendizado.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1586\" src=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/educacao-basica-importancia-do-ensino-crise-do-aprendizado.jpg\" alt=\"Relat&oacute;rio do Banco Mundial aponta para a exist&ecirc;ncia de uma crise mundial do processo de aprendizagem\" width=\"960\" height=\"640\" srcset=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/educacao-basica-importancia-do-ensino-crise-do-aprendizado.jpg 960w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/educacao-basica-importancia-do-ensino-crise-do-aprendizado-300x200.jpg 300w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/educacao-basica-importancia-do-ensino-crise-do-aprendizado-768x512.jpg 768w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/educacao-basica-importancia-do-ensino-crise-do-aprendizado-480x320.jpg 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\"><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1586\" class=\"wp-caption-text\">Relat&oacute;rio do Banco Mundial aponta para a exist&ecirc;ncia de uma crise mundial do processo de aprendizagem<\/figcaption><\/figure>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Por Luciano Sthaler<br>\nDesafios da Educa&ccedil;&atilde;o<\/p>\n<p>A aprendizagem &eacute; a tarefa primordial, o objetivo incontorn&aacute;vel, meio e finalidade para alcan&ccedil;armos uma sociedade capaz de superar os atrasos at&aacute;vicos nos quais estamos enredados enquanto pa&iacute;s.<\/p>\n<p>Garantir a oferta de educa&ccedil;&atilde;o de boa qualidade a todos &eacute; mudar as coreografias temporais que fazem repetir no Brasil e no mundo as engrenagens massacrantes que alimentam a desigualdade na distribui&ccedil;&atilde;o de recursos e oportunidades.<\/p>\n<p>A &ecirc;nfase pede aten&ccedil;&atilde;o especial para que se consiga beneficiar os empobrecidos e demais exclu&iacute;dos, deixados &agrave;s margens em processos hist&oacute;ricos que duram v&aacute;rios s&eacute;culos.<\/p>\n<p>Educa&ccedil;&atilde;o de boa qualidade &eacute; um fundamento &eacute;tico, que define e qualifica o mundo do qual fazemos parte. Por se tratar de um fen&ocirc;meno de alta complexidade, n&atilde;o h&aacute; respostas simples. Desenhar solu&ccedil;&otilde;es pede o exame de pesquisas e pr&aacute;ticas para apontar caminhos sustent&aacute;veis e perenes.<\/p>\n<p>H&aacute; algum tempo percebo a necessidade de maior circula&ccedil;&atilde;o no Brasil de an&aacute;lises em profundidade, de pesquisas, relat&oacute;rios e propostas de n&iacute;vel internacional. Por isso, me dispus a escrever esses breves ensaios, no intuito de colaborar com a dissemina&ccedil;&atilde;o de informa&ccedil;&otilde;es &uacute;teis a educadores, gestores e formuladores de pol&iacute;ticas p&uacute;blicas. Pretendo faz&ecirc;-lo sempre com algum n&iacute;vel de contextualiza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_34835\" class=\"wp-caption aligncenter\"><span style=\"font-size: 16px;\">Minha primeira &ecirc;nfase &eacute; sobre o Relat&oacute;rio do Desenvolvimento Humano (RDH), elaborado pelo Banco Mundial, em sua edi&ccedil;&atilde;o de 2018. A publica&ccedil;&atilde;o afirma haver uma crise de aprendizagem em n&iacute;vel mundial.<\/span><\/figure>\n<p>Fiz uma tradu&ccedil;&atilde;o adaptada de alguns trechos que considerei mais relevantes dos dois primeiros cap&iacute;tulos da publica&ccedil;&atilde;o e os apresento a seguir, entremeados de breves observa&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<h2>Escolariza&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; o mesmo que a aprendizagem<\/h2>\n<p>Quando bem desenvolvida a educa&ccedil;&atilde;o cura uma s&eacute;rie de males sociais. Para os indiv&iacute;duos, promove empregos, ganhos, sa&uacute;de e redu&ccedil;&atilde;o da pobreza. Para as sociedades, ela estimula inova&ccedil;&atilde;o, fortalece as institui&ccedil;&otilde;es e promove coes&atilde;o social. Mas esses benef&iacute;cios dependem, em grande parte, da efetiva aprendizagem.<\/p>\n<p>A recente expans&atilde;o na escolaridade em pa&iacute;ses de baixa renda &eacute; especialmente not&aacute;vel em seu escopo e velocidade. Os anos de escolaridade completados por adulto no mundo em desenvolvimento mais do que triplicaram, entre 1950 e 2010, de 2,0 para 7,2 anos.<\/p>\n<p>As maiores expans&otilde;es escolares ocorreram no n&iacute;vel prim&aacute;rio, levando a um aumento acentuado a demanda pelo ensino secund&aacute;rio. No Ensino M&eacute;dio, as taxas de matr&iacute;cula aumentaram acima de 50% em cada regi&atilde;o, exceto partes da &Aacute;frica Subsaariana. Mas, nesse n&iacute;vel, permanecem grandes lacunas das taxas de conclus&atilde;o que comparadas pessoas de renda baixa e alta, com forte evas&atilde;o entre os empobrecidos.<br>\nEscolariza&ccedil;&atilde;o sem aprendizagem &eacute; um desperd&iacute;cio de oportunidade. Mais do que isso, &eacute; uma grande injusti&ccedil;a: as crian&ccedil;as e jovens com os quais a sociedade mais est&aacute; falhando s&atilde;o os que mais precisam de uma boa educa&ccedil;&atilde;o para ter sucesso na vida.<\/p>\n<p>Qualquer pa&iacute;s pode fazer melhor se agir tendo a aprendizagem como o que realmente importa. Isso pode parecer &oacute;bvio &ndash; afinal, qual o fundamento e a raz&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o? No entanto, mesmo quando a aprendizagem recebe maior apoio ret&oacute;rico, na pr&aacute;tica, muitas caracter&iacute;sticas dos sistemas de educa&ccedil;&atilde;o conspiram contra o aprendizado.<\/p>\n<h2>Frentes para a obten&ccedil;&atilde;o de avan&ccedil;os<\/h2>\n<p>O RDH argumenta que os pa&iacute;ses podem melhorar seus resultados quanto a escolas que realmente ensinem se avan&ccedil;arem em tr&ecirc;s frentes.<\/p>\n<p><em>Avaliar a aprendizagem<\/em>&nbsp;&ndash; para torn&aacute;-la um objetivo s&eacute;rio. Significa usar m&eacute;todos bem estruturados e desenhados para a avalia&ccedil;&atilde;o de estudantes e, a partir destes, avaliar a sa&uacute;de dos sistemas de ensino. N&atilde;o simplesmente como ferramentas para a administra&ccedil;&atilde;o de recompensas e penaliza&ccedil;&atilde;o. A mensura&ccedil;&atilde;o da aprendizagem serve tamb&eacute;m para destacar processos de exclus&atilde;o que estejam mascarados, fazer escolhas e avaliar o progresso<\/p>\n<p><em>Atuar a partir de evid&ecirc;ncias devidamente pesquisadas<\/em>&nbsp;&ndash; para que as escolas sejam boas para todos os alunos. Evid&ecirc;ncias sobre como as pessoas aprendem t&ecirc;m crescido nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, inclusive por meio de pesquisas neurol&oacute;gicas, juntamente com um aumento da inova&ccedil;&atilde;o educacional. Os pa&iacute;ses podem fazer muito melhor aproveitamento dessas evid&ecirc;ncias para definirem prioridades para a sua pr&oacute;pria pr&aacute;tica e inova&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p><em>Alinhar os agentes<\/em>&nbsp;&ndash; que o sistema inteiro funcione para que as pessoas aprendam. Os pa&iacute;ses devem reconhecer ser improv&aacute;vel que quaisquer inova&ccedil;&otilde;es em salas de aula tenham impacto significativo, se as barreiras t&eacute;cnicas ou pol&iacute;ticas impostas pelo sistema como um todo n&atilde;o apoiam a aprendizagem. Ao conhecerem e levarem em conta esses problemas reais, para mobilizarem todos os que participam e impactam no dia-a-dia da comunidade escolar, os pa&iacute;ses podem apoiar educadores inovadores em seu cotidiano educativo.<\/p>\n<p>A educa&ccedil;&atilde;o deve capacitar os alunos com os saberes que eles precisam para viverem vidas significativas e saud&aacute;veis. Diferentes pa&iacute;ses definem o que se espera que os discentes aprendam de forma diferente, mas todos compartilham algumas aspira&ccedil;&otilde;es centrais, consubstanciadas nas diretrizes para elabora&ccedil;&atilde;o de curr&iacute;culos.<\/p>\n<p>Estudantes em todos os lugares devem aprender como interpretar diversos tipos de escrita, desde passagens de &ocirc;nibus a caixas de rem&eacute;dio, ofertas de emprego, extratos banc&aacute;rios at&eacute; obras liter&aacute;rias mais refinadas. Eles t&ecirc;m que entender como trabalhar com n&uacute;meros para que possam comprar e vender nos mercados, definir or&ccedil;amentos familiares, interpretar contratos de empr&eacute;stimo ou escrever softwares de engenharia.<\/p>\n<p>Se busca o desenvolvimento mental que permita a abstra&ccedil;&atilde;o, a generaliza&ccedil;&atilde;o e o ordenamento racional exigidos para a criatividade. Os estudantes precisam das compet&ecirc;ncias socioemocionais, tais como a resili&ecirc;ncia e a capacidade para trabalhar em equipe, para ajud&aacute;-los a construir e aplicar os conhecimentos fundamentais e outras habilidades.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/desafiosdaeducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/Captura-de-tela-2017-12-14-14.22.41-1-1024x989.png\"><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2>Evid&ecirc;ncias das falhas de aprendizado<\/h2>\n<p>O que impulsiona as falhas de aprendizado est&aacute; se tornando mais claro gra&ccedil;as &agrave;s novas an&aacute;lises que demonstram tanto as causas imediatas, como a p&eacute;ssima presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os que amplifica os efeitos da pobreza, quanto os problemas mais profundos e abrangentes dos sistemas, de ordem t&eacute;cnica ou pol&iacute;tica, que permitem a persist&ecirc;ncia da qualidade insuficiente da escolariza&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>De novo, a escolaridade n&atilde;o &eacute; a mesma coisa que aprender. Muitas crian&ccedil;as aprendem pouco em diferentes sistemas de ensino em todo o mundo, mesmo depois de v&aacute;rios anos na escola. S&atilde;o milh&otilde;es de estudantes que n&atilde;o dominam, por exemplo, as mais b&aacute;sicas habilidades de leitura, interpreta&ccedil;&atilde;o de textos e pensamento matem&aacute;tico.<\/p>\n<p>Essa crise de aprendizagem refor&ccedil;a a desigualdade e afeta, negativa e especialmente, jovens empobrecidos que mais precisam do impulso que uma boa educa&ccedil;&atilde;o pode oferecer. N&atilde;o s&oacute; os estudantes aprendem pouco de ano para ano, mas tamb&eacute;m os d&eacute;ficits de aprendizagem precoce s&atilde;o ampliados ao longo do tempo. Fere-se a premissa de que os que permanecem na escola devem ser recompensados com progresso constante na aprendizagem, quaisquer que sejam as desvantagens que tenham no in&iacute;cio.<\/p>\n<p>Devido a esse lento progresso, mais de 60% de crian&ccedil;as da Educa&ccedil;&atilde;o B&aacute;sica nos pa&iacute;ses em desenvolvimento ainda n&atilde;o conseguem atingir a profici&ecirc;ncia m&iacute;nima na aprendizagem. Apesar de n&atilde;o haver uma avalia&ccedil;&atilde;o &uacute;nica em todos os pa&iacute;ses, a combina&ccedil;&atilde;o de dados de avalia&ccedil;&otilde;es de aprendizagem em 95 pa&iacute;ses faz com que seja poss&iacute;vel estabelecer uma compara&ccedil;&atilde;o global.<\/p>\n<p>Abaixo da profici&ecirc;ncia m&iacute;nima em matem&aacute;tica, por exemplo, os estudantes ainda n&atilde;o dominaram habilidades matem&aacute;ticas b&aacute;sicas, seja por simples c&aacute;lculos com n&uacute;meros inteiros, utilizando fra&ccedil;&otilde;es ou medi&ccedil;&otilde;es, ou interpretar gr&aacute;ficos de barras simples. Em pa&iacute;ses de alta renda, quase todos os estudantes superam esse n&iacute;vel nas escolas.<br>\nA maior barreira para aprender &eacute; que centenas de milh&otilde;es de jovens permanecem fora da escola. Em 2016, foi o caso de 61 milh&otilde;es de crian&ccedil;as com at&eacute; nove anos de idade, de pa&iacute;ses com renda baixa ou m&eacute;dia baixa, cerca de 10% do total, que se somaram aos mais 202 milh&otilde;es de adolescentes entre quatorze e dezesseis anos de idade.<\/p>\n<p>A pobreza &eacute; um dos fatores que mais colabora com o fracasso escolar, mas outras caracter&iacute;sticas tamb&eacute;m contribuem com as insufici&ecirc;ncias da participa&ccedil;&atilde;o escolar, tais como g&ecirc;nero, defici&ecirc;ncia f&iacute;sica, castas e etnia. Mas n&atilde;o &eacute; apenas a pobreza e os conflitos armados que mant&ecirc;m crian&ccedil;as fora da escola. A crise de aprendizagem tamb&eacute;m afeta a perman&ecirc;ncia. Quando os pais empobrecidos percebem que a educa&ccedil;&atilde;o &eacute; de baixa qualidade se mostram menos dispostos a se sacrificarem para manter as suas crian&ccedil;as em uma escola &ndash; uma rea&ccedil;&atilde;o racional, diante das limita&ccedil;&otilde;es que a fam&iacute;lia enfrenta.<\/p>\n<p>Embora as percep&ccedil;&otilde;es sobre a qualidade da escola dependam de v&aacute;rios fatores, desde a condi&ccedil;&atilde;o f&iacute;sica das escolas at&eacute; a pontualidade professor, os pais consistentemente citam os resultados da aprendizagem dos estudantes como um componente cr&iacute;tico.<\/p>\n<p>Os d&eacute;ficits de aprendizagem durante os anos escolares refletem em habilidades insuficientes na for&ccedil;a de trabalho. A discuss&atilde;o sobre a falta de compet&ecirc;ncias no mundo do trabalho &eacute; muitas vezes desconectada do debate sobre a aprendizagem no tempo da escola, mas s&atilde;o duas faces do mesmo problema. O problema n&atilde;o &eacute; apenas a falta de trabalhadores capacitados, o mais grave &eacute; a falta de trabalhadores aptos a serem capacitados a m&eacute;dio prazo, por lhes faltarem conhecimentos b&aacute;sicos, por exemplo, na leitura de textos ou pensamento matem&aacute;tico.<\/p>\n<h2>Entender a complexidade: habilidade necess&aacute;ria<\/h2>\n<p>As habilidades necess&aacute;rias no mundo do trabalho s&atilde;o multidimensionais e pedem que os sistemas educacionais formem estudantes com muito mais do que apenas a capacidade de leitura, escrita e matem&aacute;tica. As pessoas precisam de compet&ecirc;ncias cognitivas de ordem superior, tais como resolu&ccedil;&atilde;o de problemas complexos. Al&eacute;m disso, eles precisam contar com as condi&ccedil;&otilde;es socioemocionais para estabelecerem relacionamentos e serem capazes de autocr&iacute;tica. Finalmente, necessitam saber as t&eacute;cnicas para realizar um trabalho espec&iacute;fico.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-34843 size-large\" src=\"https:\/\/desafiosdaeducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/15353289035_6e050942c7_k-1024x683.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" srcset=\"https:\/\/desafiosdaeducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/15353289035_6e050942c7_k-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/desafiosdaeducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/15353289035_6e050942c7_k-300x200.jpg 300w, https:\/\/desafiosdaeducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/15353289035_6e050942c7_k-768x512.jpg 768w, https:\/\/desafiosdaeducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/15353289035_6e050942c7_k-600x400.jpg 600w, https:\/\/desafiosdaeducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/15353289035_6e050942c7_k-580x387.jpg 580w, https:\/\/desafiosdaeducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/15353289035_6e050942c7_k-860x573.jpg 860w, https:\/\/desafiosdaeducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/15353289035_6e050942c7_k-1160x773.jpg 1160w, https:\/\/desafiosdaeducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/15353289035_6e050942c7_k-1320x880.jpg 1320w\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\"><\/p>\n<p>Combater a crise de aprendizagem pede a formula&ccedil;&atilde;o de diagn&oacute;sticos sobre as causas imediatas, ao n&iacute;vel da escola, bem como as raz&otilde;es mais profundas e sist&ecirc;micas.<\/p>\n<p>Fazer as perguntas certas, &agrave;s pessoas diretamente envolvidas com o cotidiano escolar, organizar e disponibilizar os resultados de maneira democr&aacute;tica, transparente e aberta colabora para compreender como as escolas est&atilde;o falhando com os alunos e como os sistemas ou pol&iacute;ticas p&uacute;blicas est&atilde;o falhando com as escolas.<\/p>\n<p>Primeiro, as crian&ccedil;as frequentemente chegam &agrave; escola despreparadas para aprender. Desnutri&ccedil;&atilde;o, doen&ccedil;a, pouca aten&ccedil;&atilde;o parental, baixos investimentos no bem comum e os ambientes adversos associados com a pobreza ou a discrimina&ccedil;&atilde;o &ndash; contra mulheres e negros, por exemplo -, prejudicam a aprendizagem na primeira inf&acirc;ncia. Essas priva&ccedil;&otilde;es t&ecirc;m efeitos duradouros e podem prejudicar o desenvolvimento do c&eacute;rebro dos beb&ecirc;s.<\/p>\n<p>Trinta por cento das crian&ccedil;as menores de 5 anos nos pa&iacute;ses em desenvolvimento s&atilde;o fisicamente atrofiadas, o que significa que t&ecirc;m baixa altura para a sua idade, normalmente devido a desnutri&ccedil;&atilde;o cr&ocirc;nica. Nessa situa&ccedil;&atilde;o, mesmo em uma boa escola as crian&ccedil;as carentes aprendem menos e falham mais em avan&ccedil;ar nos n&iacute;veis superiores de forma&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Nesse contexto, os sistemas educacionais tendem a aprofundar as diferen&ccedil;as iniciais. Al&eacute;m disso, muitos jovens empobrecidos n&atilde;o est&atilde;o na escola.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, os professores muitas vezes n&atilde;o possuem habilidades ou motiva&ccedil;&atilde;o para serem eficazes. Os docentes s&atilde;o o fator mais importante a afetar a aprendizagem nas escolas, tanto positiva quanto negativamente, a depender de sua atua&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<h2>Governan&ccedil;a democr&aacute;tica e gest&atilde;o participativa<\/h2>\n<p>A maioria dos sistemas educacionais n&atilde;o atrai os candidatos com maior desempenho acad&ecirc;mico para seguirem a carreira docente.<\/p>\n<p>S&atilde;o princ&iacute;pios necess&aacute;rios para vencer a crise de aprendizagem:<\/p>\n<ul>\n<li>Valorizar o professor<\/li>\n<li>Remunerar bem esse profissional;<\/li>\n<li>Incluir os educadores no planejamento e na gest&atilde;o;<\/li>\n<li>Dar-lhes maior autonomia ao n&iacute;vel da escola, da sala de aula e do sistema educacional;<\/li>\n<li>Oportunizar a sua forma&ccedil;&atilde;o continuada com &ecirc;nfase nas quest&otilde;es did&aacute;ticas e pesquisas aplicadas, sem abrir m&atilde;o dos<\/li>\n<li>fundamentos hist&oacute;rico-filos&oacute;ficos;<\/li>\n<li>Avaliar sua atua&ccedil;&atilde;o de maneira democr&aacute;tica, participativa e aberta.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Quem culpabiliza o professor pela crise de aprendizagem provavelmente nunca entrou em uma sala de aula de uma escola p&uacute;blica situada em uma vizinhan&ccedil;a marcada pela pobreza e a exclus&atilde;o social.<\/p>\n<p>O caminho para sanar a doen&ccedil;a dos sistemas educacionais inclui descentralizar a defini&ccedil;&atilde;o sobre a aplica&ccedil;&atilde;o dos recursos, com mais autonomia para a escola &ndash; diretores, professores e outras fun&ccedil;&otilde;es locais -, e incluir a comunidade num processo de gest&atilde;o participativa.<\/p>\n<p>A capacidade de gest&atilde;o escolar tende a ser menor nos pa&iacute;ses com os n&iacute;veis de renda mais baixa. M&aacute;quinas burocr&aacute;ticas que consomem a maior parte dos recursos de aplica&ccedil;&atilde;o n&atilde;o obrigat&oacute;ria s&atilde;o problemas em culturas muito hierarquizadas, onde as pol&iacute;ticas p&uacute;blicas apenas tornam-se boas inten&ccedil;&otilde;es, que n&atilde;o s&atilde;o eficaz e integralmente desenvolvidas.<\/p>\n<p>Falta de autonomia impele a lideran&ccedil;a escolar a n&atilde;o se envolver ativamente na ajuda aos professores, seja para resolver problemas, fornecer orienta&ccedil;&otilde;es ou definir metas que priorizem a aprendizagem.<\/p>\n<p>N&atilde;o s&oacute; h&aacute; menos recursos para as regi&otilde;es empobrecidas como estes s&atilde;o menos eficazmente utilizados nesses contextos. As pol&iacute;ticas p&uacute;blicas t&ecirc;m, portanto, o efeito do agravamento das disparidades sociais em vez de oferecer a todas as crian&ccedil;as uma oportunidade de aprender.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-34855 size-full\" src=\"https:\/\/desafiosdaeducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/fingers-note-report-journalist-filling_1150-1044.jpg\" sizes=\"auto, (max-width: 626px) 100vw, 626px\" srcset=\"https:\/\/desafiosdaeducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/fingers-note-report-journalist-filling_1150-1044.jpg 626w, https:\/\/desafiosdaeducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/fingers-note-report-journalist-filling_1150-1044-300x200.jpg 300w, https:\/\/desafiosdaeducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/fingers-note-report-journalist-filling_1150-1044-600x400.jpg 600w, https:\/\/desafiosdaeducacao.com.br\/wp-content\/uploads\/2017\/12\/fingers-note-report-journalist-filling_1150-1044-580x386.jpg 580w\" alt=\"\" width=\"626\" height=\"417\"><\/p>\n<p>Visto de uma perspectiva dos sistemas educacionais, as complexidades t&eacute;cnicas e pol&iacute;ticas for&ccedil;am o desalinhamento dos esfor&ccedil;os com a aprendizagem. &Agrave;s vezes, outros objetivos se imp&otilde;em, que podem ser prejudiciais, tais como a constru&ccedil;&atilde;o de edif&iacute;cios escolares prec&aacute;rios e sem necessidade real, pois obras novas geram movimenta&ccedil;&otilde;es de recursos financeiros ben&eacute;ficos a alguns poucos que conseguem acesso &agrave;s verbas p&uacute;blicas.<\/p>\n<h2>Car&ecirc;ncia de m&eacute;tricas<\/h2>\n<p>Mesmo quando os pa&iacute;ses desejam priorizar o aprendizado, muitas vezes n&atilde;o t&ecirc;m as m&eacute;tricas para faz&ecirc;-lo. Todo sistema avalia a aprendizagem do aluno de alguma forma, mas muitos n&atilde;o possuem avalia&ccedil;&otilde;es confi&aacute;veis, oportunas ou adequadas para fornecer informa&ccedil;&otilde;es sobre inova&ccedil;&otilde;es implementadas.<\/p>\n<p>Se o sistema educacional gerar informa&ccedil;&otilde;es compar&aacute;veis sobre a qualidade do ensino e da aprendizagem, desde a Educa&ccedil;&atilde;o Infantil at&eacute; os demais n&iacute;veis, com possibilidade de identificar o que fez gerar um melhor ou pior resultado nas salas de aula, vai ainda precisar alinhar suas a&ccedil;&otilde;es para disseminar as melhores pr&aacute;ticas e valorizar as escolas que se destaquem positivamente.<\/p>\n<p>A necessidade de coer&ecirc;ncia torna arriscado emprestar elementos do sistema educacional de outros pa&iacute;ses. Nos &uacute;ltimos anos, por exemplo, a busca do segredo por tr&aacute;s dos bons desempenhos da Finl&acirc;ndia na aprendizagem com equidade levou a um enxame de delega&ccedil;&otilde;es visitantes, algo que os finlandeses apelidaram de &ldquo;turismo PISA&rdquo;.<\/p>\n<p>A autonomia dada pela Finl&acirc;ndia aos seus professores com elevados n&iacute;veis de forma&ccedil;&atilde;o n&atilde;o &eacute; algo que possa ser aplicado em outros pa&iacute;ses sem a devida an&aacute;lise cr&iacute;tico-hist&oacute;rica e posteriores adapta&ccedil;&otilde;es. Se os professores t&ecirc;m pouca ou nenhuma forma&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea em que ensinam, est&atilde;o desmotivados e geridos de forma n&atilde;o bem organizada, dar mais autonomia provavelmente vai piorar a situa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Sistemas educacionais bem-sucedidos combinam alinhamento e coer&ecirc;ncia. Alinhamento significa que o aprendizado &eacute; o objetivo dos v&aacute;rios componentes do sistema. Coer&ecirc;ncia significa que os componentes se refor&ccedil;am mutuamente em alcan&ccedil;ar qualquer objetivo estabelecido.<\/p>\n<p>Os desalinhamentos e as incoer&ecirc;ncias n&atilde;o s&atilde;o aleat&oacute;rios. Interesses concorrentes levam &agrave; escolha de pol&iacute;ticas que raramente s&atilde;o determinadas por diagn&oacute;sticos embasados ou decis&otilde;es que visam melhorar a aprendizagem. Mais frequentemente, a decis&atilde;o &eacute; tomada pelos mais poderosos atores na arena pol&iacute;tica, que est&atilde;o distantes de uma sala de aula.<\/p>\n<p>Os estudantes t&ecirc;m ainda menos poder para participar das decis&otilde;es, um equ&iacute;voco amplamente cometido. A participa&ccedil;&atilde;o discente fortalece a cidadania e aumenta a consci&ecirc;ncia sobre o qu&atilde;o pouco eles est&atilde;o aprendendo, o que gera mobiliza&ccedil;&atilde;o e dinamismo &agrave; escola e ao sistema educacional.<\/p>\n<h2>Raz&otilde;es para esperan&ccedil;a<\/h2>\n<p>Ainda assim, h&aacute; raz&otilde;es para a esperan&ccedil;a. Mesmo em pa&iacute;ses que parecem presos em armadilhas aqui mencionadas, alguns professores e escolas conseguem fortalecer a aprendizagem. Esses exemplos podem n&atilde;o ser sustent&aacute;veis &#8203;&#8203;e n&atilde;o terem ainda se propagado em muitas escolas, mas sistemas educacionais dispostos a aprender com essas experi&ecirc;ncias at&iacute;picas podem se beneficiar. Em uma escala maior, algumas regi&otilde;es dentro dos pa&iacute;ses empobrecidos s&atilde;o mais bem-sucedidas na promo&ccedil;&atilde;o da aprendizagem, podendo chegar ao n&iacute;vel de pa&iacute;ses mais ricos.<\/p>\n<p>Existem pelo menos dois motivos para otimismo. Primeiro, para pa&iacute;ses inovarem na melhoria dos resultados podem se basear no conhecimento sistem&aacute;tico que ora se encontra mais dispon&iacute;vel do que antes sobre o que funciona no n&iacute;vel micro, com alunos, salas de aula e escolas.<\/p>\n<p>Uma s&eacute;rie de interven&ccedil;&otilde;es, inova&ccedil;&otilde;es e abordagens t&ecirc;m resultado em ganhos substanciais. Essas abordagens promissoras v&ecirc;m de muitos saberes novos, m&eacute;todos pedag&oacute;gicos, meios para garantir que os alunos e professores sejam motivados, abordagens para a gest&atilde;o escolar e tecnologias para melhorar a aprendizagem.<\/p>\n<p>Mesmo que interven&ccedil;&otilde;es bem-sucedidas n&atilde;o possam ser importadas por atacado em novos contextos, pa&iacute;ses pode us&aacute;-las como pontos de partida para suas pr&oacute;prias inova&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n<p>Em segundo lugar, alguns pa&iacute;ses implementaram reformas que levaram a todo o sistema educacional ter melhorias sustent&aacute;veis na aprendizagem.<\/p>\n<p>Mais recentemente, Chile, Peru, Pol&ocirc;nia e o Reino Unido fizeram s&eacute;rios e sustentados compromissos com a reforma da qualidade dos seus sistemas educacionais. Em todos esses pa&iacute;ses, a aprendizagem tem melhorado ao longo do tempo, nem sempre de forma constante, mas o suficiente para mostrar que as reformas ao n&iacute;vel do sistema s&atilde;o poss&iacute;veis.<\/p>\n<p>Os sistemas educativos em Xangai (China) e no Vietn&atilde;, assim como na Cor&eacute;ia algumas d&eacute;cadas atr&aacute;s, mostram ser poss&iacute;vel melhorar muito mais do que os n&iacute;veis de renda poderiam prever, gra&ccedil;as a um foco sustentado na aprendizagem com equidade. O Brasil e a Indon&eacute;sia fizeram consider&aacute;veis progresso, apesar dos desafios da reforma de grandes sistemas descentralizados com pouca articula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<hr>\n<h4>Sobre o autor<\/h4>\n<p>Luciano Sathler &eacute; PhD em Administra&ccedil;&atilde;o pela FEA\/USP, reitor do Centro Universit&aacute;rio Metodista Izabela Hendrix e diretor da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Educa&ccedil;&atilde;o a Dist&acirc;ncia (Abed), al&eacute;m de curador do site&nbsp;Inova&ccedil;&atilde;o Educacional.<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":1586,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[20,36],"tags":[617,616,70,621,620,618,619],"class_list":{"0":"post-1585","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-destaques","8":"category-pensadores-futuro","9":"tag-crise-da-educacao","10":"tag-crise-do-aprendizado","11":"tag-educacao","12":"tag-educacao-basica","13":"tag-educacao-de-qualidade","14":"tag-educacao-em-crise","15":"tag-propostas-para-a-educacao"},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2018\/07\/educacao-basica-importancia-do-ensino-crise-do-aprendizado.jpg","post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1585","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1585"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1585\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1586"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1585"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1585"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1585"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}