{"id":156,"date":"2016-01-24T21:23:28","date_gmt":"2016-01-25T00:23:28","guid":{"rendered":"https:\/\/litebold.co\/~radardofuturo\/pensar-o-futuro-deve-ser-prioridade-para-o-trabalhador\/"},"modified":"2020-10-07T20:14:03","modified_gmt":"2020-10-07T23:14:03","slug":"pensar-o-futuro-deve-ser-prioridade-para-o-trabalhador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/pensar-o-futuro-deve-ser-prioridade-para-o-trabalhador\/","title":{"rendered":"Pensar o futuro deve ser prioridade"},"content":{"rendered":"<p>Trabalhadores devem se preparar para a aposentadoria, defendem especialistas<\/p>\n<p>  <!--more-->  <\/p>\n<p>Carolina Gon&ccedil;alves<br><span style=\"font-size: 12.8px; line-height: 1.5;\">Rep&oacute;rter da Ag&ecirc;ncia Brasil<\/span><\/p>\n<p>Faltavam apenas cinco anos para atingir a idade m&iacute;nima para aposentadoria. A contadora Luc&eacute;lia Rocha ocupava um cargo de ger&ecirc;ncia em um banco de Teresina, no Piau&iacute;, e sabia que perderia grande parte da renda se optasse por parar de trabalhar aos 48 anos. Foram meses fazendo contas, ouvindo sugest&otilde;es e alertas de colegas. &ldquo;Mas eu sempre quis aposentar cedo. N&atilde;o queria me aposentar aos 60 anos. Queria aproveitar para viajar, passar mais tempo com minhas filhas&rdquo;, conta, acrescentando que n&atilde;o se abalou e garante n&atilde;o se arrepender por ter aberto m&atilde;o de quase metade do que recebia.<\/p>\n<figure><figcaption>\n<p>A aposentada Maria Luc&eacute;lia Alves Rocha Vieira, com a neta (Maria Luc&eacute;lia Alves Rocha Vieira\/Arquivo Pessoal)<\/p>\n<\/figcaption><\/figure>\n<p>Luc&eacute;lia come&ccedil;ou a trabalhar com 19 anos de idade, casou aos 22, e dois anos depois j&aacute; tinha a primeira filha. &ldquo;N&atilde;o tive tempo para fazer as coisas que gostava, como ler os livros que queria, assistir filmes. Eu estudava muito desde cedo e gostava muito do meu trabalho, mas estava certa que iria parar&rdquo;, disse. A administradora explicou que se preparou psicologicamente para a aposentadoria e n&atilde;o se arrepende. &ldquo;Queria qualidade de vida. N&atilde;o pensava em renda. Hoje tenho minha primeira netinha &ndash; Ane &ndash; que est&aacute; com 8 meses e posso passar muito tempo com ela&rdquo;, disse.<\/p>\n<p>A hist&oacute;ria da ex-gerente banc&aacute;ria n&atilde;o &eacute; comum. Muita gente n&atilde;o tem como contar com a renda do companheiro para optar pela aposentadoria, ou n&atilde;o consegue sequer se desvincular das rela&ccedil;&otilde;es profissionais.<\/p>\n<p>Psic&oacute;loga, Eliene Curado, que hoje trabalha como analista de recursos humanos na C&acirc;mara dos Deputados, em Bras&iacute;lia, explica que, em muitos casos, as pessoas ficam perdidas nessa fase. Um dos casos &eacute; o de trabalhadores que n&atilde;o t&ecirc;m o n&uacute;cleo familiar como o de Luc&eacute;lia. &ldquo;Temos ainda pessoas que todas as rela&ccedil;&otilde;es que mant&ecirc;m s&atilde;o fruto das rela&ccedil;&otilde;es de trabalho, todos os seus interesses est&atilde;o relacionados ao trabalho e quando este trabalho n&atilde;o existe mais, ela tem dificuldade de se inserir&rdquo;, disse.<\/p>\n<p>Eliene &eacute; uma das coordenadoras do Programa de Prepara&ccedil;&atilde;o para a Aposentadoria (Proa), criado pela C&acirc;mara h&aacute; seis anos. Ela explicou que j&aacute; estavam sendo feitos estudos t&eacute;cnicos sobre essa prepara&ccedil;&atilde;o para os servidores, mas que a iniciativa ganhou impulso quando o chefe de um dos setores da Casa pediu ajuda. &ldquo;Ele percebeu um clima de ansiedade, d&uacute;vidas, que estava afetando o trabalho, as rela&ccedil;&otilde;es entre os servidores da sua &aacute;rea que estavam perto de se aposentar e pediu um suporte. Outros indiv&iacute;duos isolados tamb&eacute;m nos procuraram&rdquo;, contou.<\/p>\n<p>Em oficinas semanais e palestras, os funcion&aacute;rios do Legislativo discutem os significados da aposentadoria, para que ven&ccedil;am preconceitos ou proporcionem expectativas, tratam de aspectos da sa&uacute;de, recebem orienta&ccedil;&otilde;es sobre organiza&ccedil;&atilde;o financeira e sobre possibilidades de ingressarem em novos projetos de vida. Recentemente, o programa passou a abordar tamb&eacute;m a quest&atilde;o da afetividade, sexualidade, at&eacute; a inser&ccedil;&atilde;o em redes sociais.<\/p>\n<p>&ldquo;Quando a gente falava de fam&iacute;lia, surgiram d&uacute;vidas sobre a redescoberta do marido ou da esposa, j&aacute; que a partir dessa fase eles passam a ter mais tempo juntos e problemas que n&atilde;o eram abordados por falta de tempo, agora devem ser tratados. Ainda t&ecirc;m as pessoas que n&atilde;o t&ecirc;m parceiros e podem conhecer pessoas novas&rdquo;, explicou.<\/p>\n<p>Anualmente, a equipe faz um levantamento dos servidores que est&atilde;o prontos para se aposentar e os que poder&atilde;o parar nos pr&oacute;ximos cinco anos. Segundo Eliene, atualmente mil servidores da Casa se enquadram nesses perfis, mas a equipe do programa &eacute; limitada e isto impede que o planejamento seja feito com funcion&aacute;rios que est&atilde;o no in&iacute;cio da carreira.<\/p>\n<p>Para Maria Ang&eacute;lica Sanchez, especialista em gerontologia e presidente do Departamento de Gerontologia da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG), as empresas est&atilde;o investindo mais em programas como o da C&acirc;mara, que trabalham com projetos de vida, o que tem garantido uma aposentadoria melhor.<\/p>\n<p>&ldquo;As pessoas se aposentam aos 65 anos, o que &eacute; muito cedo. Precisam de projetos para que aproveitem essa fase de forma mais prazerosa, mas muitos ainda voltam ao mercado de trabalho ainda que de maneira informal&rdquo;, disse, ao lembrar que a popula&ccedil;&atilde;o brasileira hoje tem uma estimativa de vida mais longa e com mais qualidade. Segundo ela, a capacidade produtiva pode ser estendida por um tempo maior do que em anos atr&aacute;s.<\/p>\n<p>Ainda que os projetos sejam mantidos, Maria Ang&eacute;lica defende que o planejamento para a aposentadoria seja feito j&aacute; a partir do in&iacute;cio da carreira. &ldquo;Qualquer hora &eacute; importante para come&ccedil;ar a pensar nisso e n&atilde;o deixar para planejar s&oacute; na hora que est&aacute; saindo [do emprego], at&eacute; pela quest&atilde;o financeira. As pessoas n&atilde;o conseguem mais se aposentar s&oacute; com seus sal&aacute;rios e precisam fazer uma mudan&ccedil;a radical do padr&atilde;o de vida. N&atilde;o &eacute; raro as pessoas voltarem a fazer cursos aos 60 ou 70 anos. Sempre &eacute; tempo, mas o ideal &eacute; que pensem nisso pelo menos 5 anos antes para se preparar para envelhecer produtiva e financeiramente bem&rdquo;, completou.<\/p>\n<p>A especialista em gerontologia disse que esse movimento de planejamento precoce ganhou mais velocidade nos &uacute;ltimos dez anos e hoje &ldquo;as pessoas est&atilde;o envelhecendo com mais facilidade&rdquo;.<\/p>\n<p>Sem estat&iacute;sticas oficiais sobre os casos, Maria Ang&eacute;lica n&atilde;o crava n&uacute;meros, mas acredita que a experi&ecirc;ncia na &aacute;rea mostra que essa nova consci&ecirc;ncia tem reduzido problemas como a depress&atilde;o. &ldquo;As pessoas t&ecirc;m sa&iacute;do do trabalho de forma muito melhor do que antes. A impress&atilde;o &eacute; que com esses programas de prepara&ccedil;&atilde;o de aposentadoria, surgiu uma nova vis&atilde;o de velhice que n&atilde;o &eacute; mais significado de perda de tudo, as pessoas t&ecirc;m envelhecido menos tristes&rdquo;.<\/p>\n<p>Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE) mostraram que 23,5 milh&otilde;es de brasileiros s&atilde;o idosos, pessoas com mais de 60 anos. O n&uacute;mero representa mais do que o dobro do registrado em 1991, quando esse universo somava 10,7 milh&otilde;es de pessoas. Na compara&ccedil;&atilde;o com 2009, os n&uacute;meros levantados em 2011 revelou um aumento de 7,6% de brasileiros nessa faixa et&aacute;ria, ou seja, mais 1,8 milh&atilde;o de pessoas.<\/p>\n<p>Apesar desse cen&aacute;rio, que tem invertido a pir&acirc;mide social brasileira, Wadson Gama, psic&oacute;logo social e presidente do Conselho Regional de Psicologia de Goi&aacute;s, disse que ainda h&aacute; preconceito e resist&ecirc;ncia das pessoas em envelhecer e se aposentar. &ldquo;Velhice em um sistema capitalista faz com que as pessoas se sintam exclu&iacute;das. Voc&ecirc; vive 24 horas vivenciando o trabalho mesmo quando est&aacute; fora do trabalho e quando sai da vida ativa, se o indiv&iacute;duo n&atilde;o se preparar para isso, vai se sentir preso nessas palavras e pode chegar &agrave; depress&atilde;o, alcoolismo e suic&iacute;dio. A vida fica sem sentido para ele&rdquo;, disse.<\/p>\n<p>O psic&oacute;logo, que tamb&eacute;m &eacute; entusiasta de programas de prepara&ccedil;&atilde;o promovidos pelas empresas, orienta as pessoas a descobrir, o mais cedo poss&iacute;vel, desejos, talentos e capacidades dentro de projetos vi&aacute;veis para a nova fase. &ldquo;&Eacute; preciso identificar o que realmente &eacute; o desejo e o que est&aacute; na sua governabilidade. &Agrave;s vezes o indiv&iacute;duo que tem viv&ecirc;ncia na fazenda e aposenta e quer ter essa viv&ecirc;ncia do passado j&aacute; n&atilde;o consegue mais fazer as mesmas coisas. Tem que observar o que pode realmente fazer e reinventar uma outra hist&oacute;ria para ter qualidade de vida e um envelhecimento saud&aacute;vel&rdquo;, alertou.<\/p>\n<div>Edi&ccedil;&atilde;o:&nbsp;Fernando Fraga<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Trabalhadores devem se preparar para a aposentadoria, defendem especialistas<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[19],"tags":[],"class_list":{"0":"post-156","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","6":"category-insights"},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"","post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/156","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=156"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/156\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=156"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=156"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=156"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}