{"id":15570,"date":"2021-02-08T17:35:00","date_gmt":"2021-02-08T20:35:00","guid":{"rendered":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/?p=15570"},"modified":"2021-02-10T17:25:51","modified_gmt":"2021-02-10T20:25:51","slug":"a-revolucao-mundial-dos-transplantes-avanca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/a-revolucao-mundial-dos-transplantes-avanca\/","title":{"rendered":"A revolu\u00e7\u00e3o mundial dos transplantes avan\u00e7a e traz esperan\u00e7a"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"676\" src=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Cirurgia-1024x676.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15640\" srcset=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Cirurgia-1024x676.jpg 1024w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Cirurgia-300x198.jpg 300w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Cirurgia-768x507.jpg 768w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Cirurgia-1536x1014.jpg 1536w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Cirurgia-696x459.jpg 696w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Cirurgia-1392x919.jpg 1392w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Cirurgia.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>Cirurgias de transplantes de &oacute;rg&atilde;os como m&atilde;os e rostos, transferidos de um morto para um vivo, tendem a se beneficiar da evolu&ccedil;&atilde;o das t&eacute;cnicas de implante<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Carlos Pl&aacute;cido Teixeira<\/p>\n\n\n\n<p>A revolu&ccedil;&atilde;o no mundo dos transplantes traz esperan&ccedil;a para quem depende de um para viver. Morador de Nova Jersey, nos Estados Unidos, de 22 anos, Joe DiMeo est&aacute; reaprendendo a sorrir, piscar, beliscar e apertar.  O motivo da comemora&ccedil;&atilde;o &eacute; o fato de que, h&aacute; quase seis meses, ele passou por um transplante de rosto e m&atilde;os. A interven&ccedil;&atilde;o cir&uacute;rgica com resultados praticamente in&eacute;ditos ocorreu em agosto passado, dois anos depois de um acidente de carro que provocou nele queimaduras graves. O jovem teve 80% do corpo queimado. E acabou sendo personagem de um feito hist&oacute;rico para a evolu&ccedil;&atilde;o da medicina e das possibilidades dos transplantes. <\/p>\n\n\n\n<p>Eventos semelhantes tendem a ocorrer com frequ&ecirc;ncia at&eacute; o final da atual d&eacute;cada. Em algum momento dos pr&oacute;ximos anos, haver&aacute; mais e mais estudantes de medicina interessados na especialidade aparentemente estranha. Algo que na fic&ccedil;&atilde;o liter&aacute;ria e cinematogr&aacute;fica deu origem a personagens como Frankstein e a diferentes vers&otilde;es de ciborgues. <\/p>\n\n\n\n<p>Os campos de cirurgias de transplantes de &oacute;rg&atilde;os externos, como m&atilde;os, rostos e pernas, transferidos de um morto para um vivo, tendem a se beneficiar da evolu&ccedil;&atilde;o das t&eacute;cnicas de implante, conhecimentos sobre rejei&ccedil;&atilde;o e do corpo humano, de ferramentas, medicamentos, de tecnologias e novos materiais cir&uacute;rgicos, entre outros fatores. <\/p>\n\n\n\n<p>A medicina regenerativa vai entrar na fase em que o gr&aacute;fico exponencial se acelera, como ocorreu com as tecnologias digitais. Transplantes simult&acirc;neos de face e duas m&atilde;os s&oacute; foram tentados duas vezes antes. A primeira tentativa foi em 2009 em um paciente em Paris que morreu cerca de um m&ecirc;s depois de complica&ccedil;&otilde;es. Dois anos depois, os m&eacute;dicos de Boston tentaram novamente em uma mulher que foi atacada por um chimpanz&eacute;, mas no final das contas tiveram que remover as m&atilde;os transplantadas dias depois.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Evolu&ccedil;&atilde;o <\/h2>\n\n\n\n<p>Mat&eacute;ria publicada pelo site <a href=\"https:\/\/www.ft.com\/content\/800ec9bc-c391-11e9-a8e9-296ca66511c9?fbclid=IwAR29jFD5kNERd8VSTF-JDShqKjSuMzsGlUSj0gaqSD9ysFUzcYIWUEkrR7M\" class=\"rank-math-link\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Financial Times<\/a> relata que o primeiro transplante de &oacute;rg&atilde;o humano bem-sucedido foi realizado em Boston, tamb&eacute;m nos Estados Unidos.  Em 1954, Richard Herrick, de 23 anos, recebeu um rim. A interven&ccedil;&atilde;o realizada pelo cirurgi&atilde;o Joseph Murray deu in&iacute;cio a uma das maiores hist&oacute;rias de sucesso da medicina do s&eacute;culo XX. Os transplantes de &oacute;rg&atilde;os salvariam milhares de vidas e transformariam centenas de milhares de outras. Murray ganhou o Pr&ecirc;mio Nobel por seu trabalho pioneiro.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Este campo da <a href=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/faculdades-de-medicina-trocam-cadaveres-por-simuladores-3d\/\" class=\"rank-math-link\">medicina <\/a>&eacute; uma grande promessa para o futuro&rdquo;, afirma o autor do texto, Robert Lecher, vice-diretor de sa&uacute;de do King&rsquo;s College London e presidente da Academia de Ci&ecirc;ncias M&eacute;dicas brit&acirc;nica. Ele destaca que houve um longo caminho desde a primeira cirurgia realizada, quando o &oacute;rg&atilde;o transplantado precisava ser, necessariamente, de um g&ecirc;meo id&ecirc;ntico para garantir a sobreviv&ecirc;ncia de um paciente. <\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;&Agrave; medida que o progresso &eacute; feito na promo&ccedil;&atilde;o da toler&acirc;ncia imunol&oacute;gica e em persuadir os tecidos a se regenerar, as pessoas que tinham que suportar doen&ccedil;as cr&ocirc;nicas debilitantes podem, em vez disso, desfrutar de uma nova vida&rdquo;, assinala Lecher.<\/p>\n\n\n\n<p>O salto do n&uacute;mero de transplantes comprova que a acelera&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es que v&atilde;o estimular a revolu&ccedil;&atilde;o nessa &aacute;rea. Os cirurgi&otilde;es norte-americanos realizaram pelo menos 18 transplantes de rosto e 35 transplantes de m&atilde;o, de acordo com a United Network for Organ Sharing, ou UNOS, que supervisiona o sistema de transplante do pa&iacute;s. Mesmo que a prud&ecirc;ncia seja um fato e especialistas afirmem, com cautela, que que a cirurgia de DiMeo, na NYU Langone Health, foi um sucesso, eles avisam que vai demorar um pouco para ter certeza.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;O fato de eles terem conseguido &eacute; fenomenal&rdquo;, disse Bohdan Pomahac, cirurgi&atilde;o do Hospital Brigham and Women&rsquo;s de Boston que liderou a segunda tentativa. &ldquo;Sei em primeira m&atilde;o que &eacute; incrivelmente complicado. &Eacute; um tremendo sucesso.&rdquo; Para divulgar a iniciativa bem-sucedida, o m&eacute;dico Eduardo Rodriguez fez Joe DiMeo demonstrar a flexibilidade em suas novas m&atilde;os em 25 de janeiro de 2021, na NYU Langone Health, em Nova York. <\/p>\n\n\n\n<p>Rodriguez liderou uma equipe cir&uacute;rgica que amputou as duas m&atilde;os de DiMeo, substituindo-as no meio do antebra&ccedil;o e conectando nervos, vasos sangu&iacute;neos e 21 tend&otilde;es com suturas finas como cabelos. DiMeo tomar&aacute; medicamentos por toda a vida para evitar a rejei&ccedil;&atilde;o dos transplantes, bem como reabilita&ccedil;&atilde;o cont&iacute;nua para ganhar sensa&ccedil;&atilde;o e fun&ccedil;&atilde;o em seu novo rosto e m&atilde;os.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Hist&oacute;ria do transplante<\/h2>\n\n\n\n<p>&ldquo;Eu sabia que seriam passos de beb&ecirc; at&eacute; o fim&rdquo;, disse DiMeo &agrave; The Associated Press. &ldquo;Voc&ecirc; precisa ter muita motiva&ccedil;&atilde;o, muita paci&ecirc;ncia. E precisa se manter forte em tudo.&rdquo; Em 2018, DiMeo adormeceu ao volante depois de trabalhar no turno da noite como testador de produtos para uma empresa farmac&ecirc;utica. O carro bateu em um meio-fio e em um poste, capotou e explodiu em chamas. Outro motorista que viu o acidente parou para resgatar DiMeo.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele passou meses em coma induzido clinicamente e, depois, por 20 cirurgias reconstrutivas e m&uacute;ltiplos enxertos de pele para tratar suas extensas queimaduras de terceiro grau. Quando ficou claro que as cirurgias convencionais n&atilde;o poderiam ajud&aacute;-lo a recuperar a vis&atilde;o completa ou o uso das m&atilde;os, a equipe m&eacute;dica de DiMeo come&ccedil;ou a se preparar para o transplante de risco no in&iacute;cio de 2019. &ldquo;S&atilde;o provavelmente os mais incomuns&rdquo;, disse o Dr. David Klassen, diretor m&eacute;dico da UNOS.<\/p>\n\n\n\n<p>Quase imediatamente, a equipe da NYU encontrou desafios, incluindo encontrar um doador. Os m&eacute;dicos estimaram que ele tinha apenas 6% de chance de encontrar um compat&iacute;vel com seu sistema imunol&oacute;gico. Eles tamb&eacute;m queriam encontrar algu&eacute;m com o mesmo g&ecirc;nero, tom de pele e dom&iacute;nio de m&atilde;o. <\/p>\n\n\n\n<p>Ent&atilde;o, durante a busca por um doador, a pandemia emergiu e as doa&ccedil;&otilde;es de &oacute;rg&atilde;os despencaram. Com o avan&ccedil;o da doen&ccedil;a na cidade de Nova York, os membros da unidade de transplante foram designados para trabalhar no enfrentamento da Covid-19.<\/p>\n\n\n\n<p>No in&iacute;cio de agosto, a equipe finalmente identificou um doador em Delaware e concluiu o procedimento de 23 horas alguns dias depois. Eles amputaram ambas as m&atilde;os de DiMeo, substituindo-as no antebra&ccedil;o e conectando nervos, vasos sangu&iacute;neos e 21 tend&otilde;es com suturas finas como cabelos. Eles tamb&eacute;m transplantaram um rosto inteiro, incluindo testa, sobrancelhas, nariz, p&aacute;lpebras, l&aacute;bios, orelhas e ossos faciais subjacentes.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;A possibilidade de sucesso com base no hist&oacute;rico parecia pequena&rdquo;, disse o m&eacute;dico Eduardo Rodriguez, que liderou a equipe m&eacute;dica de mais de 140 pessoas. &ldquo;N&atilde;o &eacute; que algu&eacute;m j&aacute; tenha feito isso muitas vezes antes e temos uma esp&eacute;cie de cronograma, uma receita a seguir.&rdquo;<\/p>\n\n\n\n<p>At&eacute; agora, DiMeo n&atilde;o deu sinais de rejeitar seu novo rosto ou m&atilde;os, afirmou Rodriguez, que revelou detalhes do transplante. Desde que deixou o hospital em novembro, DiMeo est&aacute; em reabilita&ccedil;&atilde;o intensiva, dedicando horas di&aacute;rias &agrave; terapia f&iacute;sica, ocupacional e fonoaudiol&oacute;gica. &ldquo;A reabilita&ccedil;&atilde;o foi muito intensa&rdquo;, disse DiMeo, e envolveu muito &ldquo;treinamento para fazer as coisas por conta pr&oacute;pria novamente&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante uma sess&atilde;o recente, ele praticou levantar as sobrancelhas, abrir e fechar os olhos, franzir a boca, levantar o polegar e assobiar. DiMeo pode sentir sua nova testa e m&atilde;os ficarem frias, e muitas vezes estende a m&atilde;o para afastar seus longos cabelos do rosto.<\/p>\n\n\n\n<p>DiMeo, que mora com seus pais, agora pode se vestir e se alimentar. Ele joga sinuca e brinca com seu cachorro Buster. Outrora, um &aacute;vido frequentador de academias, DiMeo tamb&eacute;m est&aacute; malhando de novo &ndash; pesando 22 quilos no banco e praticando suas tacadas de golfe. &ldquo;Voc&ecirc; tem uma nova chance na vida. Voc&ecirc; realmente n&atilde;o pode desistir&rdquo;, disse ele.<\/p>\n\n\n\n<p>Como acontece com qualquer transplante, o perigo de rejei&ccedil;&atilde;o &eacute; maior no in&iacute;cio, mas dura indefinidamente. Os medicamentos que toma tamb&eacute;m o deixam vulner&aacute;vel, pelo resto da vida, a infec&ccedil;&otilde;es. &ldquo;Voc&ecirc; nunca est&aacute; livre desse risco&rdquo;, disse Klassen. &ldquo;O transplante para qualquer paciente &eacute; um processo que dura um longo per&iacute;odo de tempo.&rdquo;<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda assim, Rodriguez disse que est&aacute; surpreso ao ver que DiMeo foi capaz de dominar habilidades como fechar o z&iacute;per da jaqueta e cal&ccedil;ar os sapatos. &ldquo;&Eacute; muito gratificante para todos n&oacute;s. H&aacute; um enorme orgulho.&rdquo;<\/p>\n\n\n\n<p>Saiba mais sobre como o futuro vai impactar a humanidade. Assine nossa <a href=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/category\/newsletters\/\" class=\"rank-math-link\">newsletter<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":15640,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[20,23,1419,15,36,16,1121],"tags":[2482,2483,2484,2480,2475,2479,2478,2481],"class_list":{"0":"post-15570","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-destaques","8":"category-carlos-placido-teixeira","9":"category-inovacoes-inovadores","10":"category-noticias","11":"category-pensadores-futuro","12":"category-tendencias-setores","13":"category-sociedade-do-futuro","14":"tag-futurodamedicina","15":"tag-joedimeo","16":"tag-josephmurray","17":"tag-medicinaregenerativa","18":"tag-transplante","19":"tag-transplantedeorgaos","20":"tag-transplantederosto","21":"tag-transplantes"},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/02\/Cirurgia.jpg","post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15570","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15570"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15570\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15640"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15570"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15570"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15570"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}