{"id":15184,"date":"2021-01-18T20:58:59","date_gmt":"2021-01-18T23:58:59","guid":{"rendered":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/?p=15184"},"modified":"2021-01-19T09:55:17","modified_gmt":"2021-01-19T12:55:17","slug":"polarizacao-como-tendencia-o-que-diz-a-invasao-do-capitolio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/polarizacao-como-tendencia-o-que-diz-a-invasao-do-capitolio\/","title":{"rendered":"Polariza\u00e7\u00e3o como tend\u00eancia: o que diz a invas\u00e3o do Capit\u00f3lio"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"800\" height=\"493\" src=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/extrema-direita-cresce-nos-estados-unidos.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-15287\" srcset=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/extrema-direita-cresce-nos-estados-unidos.jpg 800w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/extrema-direita-cresce-nos-estados-unidos-300x185.jpg 300w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/extrema-direita-cresce-nos-estados-unidos-768x473.jpg 768w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/extrema-direita-cresce-nos-estados-unidos-356x220.jpg 356w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/extrema-direita-cresce-nos-estados-unidos-712x440.jpg 712w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/extrema-direita-cresce-nos-estados-unidos-696x429.jpg 696w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\"><figcaption>No cen&aacute;rio de continuidade de crises, al&eacute;m das econ&ocirc;micas a sanit&aacute;rias, a mobiliza&ccedil;&atilde;o da extrema direita e a polariza&ccedil;&atilde;o tendem a se agravar<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Carlos Pl&aacute;cido Teixeira<br>Jornalista I Radar do Futuro<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Para muitos norte-americanos, as mudan&ccedil;as econ&ocirc;micas das &uacute;ltimas d&eacute;cadas trouxeram diminui&ccedil;&atilde;o da estabilidade no emprego, aumento das horas de trabalho, menos possibilidades de mobilidade ascendente e, portanto, um crescente ressentimento social. O ressentimento alimenta a polariza&ccedil;&atilde;o.&rdquo; Extra&iacute;do do livro &ldquo;Como as democracias morrem&rdquo;, o texto inicial deste par&aacute;grafo auxilia a compreens&atilde;o sobre as origens da confus&atilde;o promovida por seguidores de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, ao invadir o Capit&oacute;lio, o congresso dos Estados Unidos. <\/p>\n\n\n\n<p>O &oacute;dio tende a gerar conflito. E a sociedade precisa entender as origens e impactos da irracionalidade das multid&otilde;es. O ressentimento &eacute; uma das vari&aacute;veis motivadoras dos que se fantasiaram para pressionar os congressistas contra a transi&ccedil;&atilde;o do governo para os democratas. E &eacute; a marca do momento atual e sobre o futuro em variados cen&aacute;rios, incluindo no Brasil, onde pol&iacute;ticos agem contra a pol&iacute;tica. Os sinais s&atilde;o de acirramento dos conflitos sociais nos pr&oacute;ximos anos, em que o desempenho fraco da economia da maior economia capitalista do mundo se mistura com os efeitos da pandemia e da queda da qualidade de vida nos ambientes sociais. <\/p>\n\n\n\n<p>Os autores do livro, Steven Levitsky e Daniel Ziblatt, professores da universidade de Harvard e estudiosos importantes da ci&ecirc;ncia pol&iacute;tica, argumentam que a fal&ecirc;ncia do modelo de democracia ocidental &eacute; evidenciada pela forma como os seus partidos e partid&aacute;rios passaram a lidar com os oponentes. &ldquo;Os pol&iacute;ticos tratam agora os seus rivais como inimigos, intimidam a imprensa livre e amea&ccedil;am rejeitar o resultado das elei&ccedil;&otilde;es&rdquo;, j&aacute; antecipavam os autores em 2018. Segundo Steven e Daniel, &ldquo;eles (os pol&iacute;ticos) tentam enfraquecer as salvaguardas institucionais de nossa democracia, incluindo tribunais, servi&ccedil;os de intelig&ecirc;ncia, escrit&oacute;rios e comiss&otilde;es de &eacute;tica&rdquo;. Os governos agem como bombeiros prontos para ati&ccedil;ar o fogo com gasolina.<\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, os apoiadores de Trump, assim como de Bolsonaro, no Brasil, rejeitam a possibilidade de perda de espa&ccedil;o para outros grupos sociais, identificados como os inimigos de suas causas. N&atilde;o &eacute; sem raz&atilde;o o &oacute;dio &agrave;s mulheres, &agrave; defesa de pol&iacute;ticas de g&ecirc;nero e de ra&ccedil;a, ao politicamente correto, aos imigrantes, aos universit&aacute;rios, aos cientistas e &agrave;s vacinas. E aos chineses, identificados genericamente como comunistas, em uma tentativa de reeditar a guerra fria, que marcou as rela&ccedil;&otilde;es dos Estados Unidos e a Uni&atilde;o Sovi&eacute;tica at&eacute; os anos 1980. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Masculinistas<\/h2>\n\n\n\n<p>Em entrevista para o site da BBC Brasil, a antrop&oacute;loga brasileira Rosana Pinheiro-Machado, professora da Universidade de Bath, no Reino Unido, identifica no grupo de homens que invadiram o Capit&oacute;lio fantasiados os representantes do &ldquo;tribalismo masculino&rdquo;, ou &ldquo;masculinismo&rdquo;. Como a imagem de um homem branco, musculoso e tatuado com o torso nu, a cabe&ccedil;a envolta por chifres e pelos de bis&atilde;o, o rosto pintado com as cores da bandeira dos EUA e as pernas cobertas por tecido leve e da cor da pele se tornou o &iacute;cone da invas&atilde;o. <\/p>\n\n\n\n<p>Estudiosa do tema, ela diz &agrave; BBC que &ldquo;o princ&iacute;pio dos grupos tribalistas masculinos, ou masculinistas, &eacute; primeiro um &oacute;dio &agrave;s mulheres, uma ideia de que as mulheres s&atilde;o objetos para reprodu&ccedil;&atilde;o humana simplesmente. Muitos dos integrantes dos grupos norte-americanos defendem que as mulheres t&ecirc;m que ser ca&ccedil;adas, literalmente, e que n&oacute;s s&oacute; servimos para reprodu&ccedil;&atilde;o&rdquo;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o historiador Yuval Harari, um liberal que se prop&otilde;e a enxergar o mundo com um vi&eacute;s alargado, a sensa&ccedil;&atilde;o de desorienta&ccedil;&atilde;o e cat&aacute;strofe iminente &eacute; exacerbada pelo ritmo acelerado da disrup&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica. &ldquo;Pol&iacute;ticos e eleitores mal conseguem compreender as novas tecnologias, que dir&aacute; regular o seu potencial explosivo&rdquo;, afirma em seu livro &ldquo;21 li&ccedil;&otilde;es para o s&eacute;culo 21&rdquo;. Ao acelerar a ado&ccedil;&atilde;o das solu&ccedil;&otilde;es informatizadas, o sistema encontrou seu argumento para ampliar a automa&ccedil;&atilde;o, que vai expandir a substitui&ccedil;&atilde;o dos humanos no mercado de trabalho. E tornar irrelevantes aquelas pessoas que sonham com o trabalho como um caminho para a riqueza, como imaginavam as pessoas que aderiram &agrave; campanha de Trump e &agrave; sua palavra de ordem, que prometia fazer a &ldquo;a Am&eacute;rica grande de novo&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>As pessoas tendem a ser super simplificadores da leitura do mundo. N&atilde;o somos movidos exatamente pelas reflex&otilde;es sobre o mundo, mas pelos nossos erros e ilus&otilde;es de an&aacute;lises. Harari avalia que os humanos pensam em forma de narrativas e n&atilde;o de fatos, n&uacute;meros e equa&ccedil;&otilde;es. E quanto mais simples a narrativa, melhor. O problema, agora, &eacute; que sem reconhecer exatamente o enredo descortinado pela revolu&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica na sociedade e no mercado de trabalho, as pessoas percebem a perda de relev&acirc;ncia. E reagem com o pouco arsenal dispon&iacute;vel de reflex&otilde;es, mirando os seus inimigos. <\/p>\n\n\n\n<p>Um exemplo: o &oacute;dio compartilhado por bolsonaristas e trumpistas aos chineses. Como se a China fosse respons&aacute;vel por roubar os seus empregos ao atrair as suas ind&uacute;strias. Sem entender, primeiro, que a decis&atilde;o da transfer&ecirc;ncia de f&aacute;bricas para a &Aacute;sia foi determinada pelas empresas, interessadas na m&atilde;o de obra barata como alternativa para baixar os seus custos. E que, posteriormente, com o aumento dos sal&aacute;rios chineses, as ind&uacute;strias retornam &agrave;s suas origens, ao &ldquo;Made in USA&rdquo;, sem gerar a mesma quantidade de empregos. <\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tend&ecirc;ncias<\/h2>\n\n\n\n<p>A polariza&ccedil;&atilde;o entre grupos politicos e sociais deve crescer nos pr&oacute;ximos meses e, provavelmente, anos. A tens&atilde;o envolvida na posse de Biden na presid&ecirc;ncia dos Estados Unidos &eacute; reveladora da expectativa da eclos&atilde;o de atos pol&iacute;ticos extremos. A crise decorrente do baixo crescimento econ&ocirc;mico global &eacute; uma vari&aacute;vel a considerar nas expectativas de crescimento dos movimentos de extrema-direita. A crise atual do capitalismo, iniciada em 2008, com a quebra do sistema financeiro, n&atilde;o foi resolvida. Os Estados Unidos n&atilde;o conseguem romper, nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, o paradoxo de ser o pa&iacute;s mais rico do mundo e, ao mesmo tempo, contabilizar alguns dos piores &iacute;ndices de pobreza no grupo dos pa&iacute;ses desenvolvidos. <\/p>\n\n\n\n<p>S&atilde;o 40 milh&otilde;es de pessoas abaixo da linha da pobreza, cerca de 12% da popula&ccedil;&atilde;o. A mudan&ccedil;a de governo, com a sa&iacute;da de Trump e a posse de Biden, n&atilde;o altera o quadro, pelo menos a curto prazo. A perspectiva continua sendo de aumento do desemprego e queda da renda. A precariza&ccedil;&atilde;o das rela&ccedil;&otilde;es de trabalho, com cortes de direitos, vai continuar crescendo, enquanto os governos relutam em retomar pol&iacute;ticas de desenvolvimento que favore&ccedil;am o bem-estar de suas popula&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n\n\n\n<p>A continuidade dos efeitos da pandemia, mesmo com a vacina&ccedil;&atilde;o emergencial, tende a agravar a dificuldade de recupera&ccedil;&atilde;o de algum m&iacute;nimo de equil&iacute;brio das rela&ccedil;&otilde;es de for&ccedil;a internas e entre os pa&iacute;ses. Em sentido contr&aacute;rio, h&aacute; uma forte tend&ecirc;ncia de aumento das desigualdades, inclusive com maior pobreza e concentra&ccedil;&atilde;o de renda. A descoberta de vacinas e as campanhas de imuniza&ccedil;&atilde;o das popula&ccedil;&otilde;es n&atilde;o ter&atilde;o efeito m&aacute;gico sobre o estado de esp&iacute;rito das popula&ccedil;&otilde;es. <\/p>\n\n\n\n<p>O sentimento de que a vida volta ao normal, seja l&aacute; o que for isso, provavelmente n&atilde;o acontecer&aacute; antes do final de 2021. A lenta sa&iacute;da do isolamento, com movimentos intermitentes, fortalece a ang&uacute;stia e o ressentimento na sociedade polarizada. Em algum momento, a pr&oacute;pria sociedade ver&aacute; a necessidade de neutralizar ou combater os movimentos radicais. Otimista, no livro &ldquo;Amanh&atilde; vai ser melhor&rdquo;, a antrop&oacute;loga Rosana Pinheiro-Machado avalia que &ldquo;muita energia est&aacute; vindo de baixo e vai, aos poucos, impactar os andares de cima.&rdquo;  <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":15287,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[20],"tags":[800,2385,324],"class_list":{"0":"post-15184","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-destaques","8":"tag-conservadorismo","9":"tag-extrema-direita","10":"tag-futuro-da-politica"},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/01\/extrema-direita-cresce-nos-estados-unidos.jpg","post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15184","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=15184"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/15184\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media\/15287"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=15184"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=15184"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=15184"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}