{"id":150,"date":"2016-01-14T12:52:05","date_gmt":"2016-01-14T15:52:05","guid":{"rendered":"https:\/\/litebold.co\/~radardofuturo\/crescimento-da-populacao-de-rua-gera-conflitos-na-zona-oeste-de-sao-paulo\/"},"modified":"2019-02-06T13:19:07","modified_gmt":"2019-02-06T16:19:07","slug":"crescimento-da-populacao-de-rua-gera-conflitos-na-zona-oeste-de-sao-paulo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/crescimento-da-populacao-de-rua-gera-conflitos-na-zona-oeste-de-sao-paulo\/","title":{"rendered":"Popula\u00e7\u00e3o de rua gera conflitos em S\u00e3o Paulo"},"content":{"rendered":"<p>Na zona Oeste da capital paulista, n&uacute;mero de moradores triplicou entre 2011 e 2015<\/p>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Rovena Rosa<br>\nAg&ecirc;ncia Brasil<\/p>\n<p>A popula&ccedil;&atilde;o de rua quase triplicou na regi&atilde;o da Lapa, zona oeste da capital paulista, entre 2011 e 2015. Os levantamentos da prefeitura indicam que o n&uacute;mero dessas pessoas nos bairros da Lapa e Vila Leopoldina passou de 149 para 409. Atualmente, a regi&atilde;o &eacute; a terceira com o maior n&uacute;mero de moradores de rua fora de abrigos, com 5,6% dos 7,33 mil nessa condi&ccedil;&atilde;o. A regi&atilde;o do centro, administrada pela Subprefeitura da S&eacute;, concentra 52,7% (3,86 mil) das pessoas que dormem ao relento na capital.<\/p>\n<p>O crescimento da popula&ccedil;&atilde;o de rua tem levado a comunidade local, especialmente da Vila Leopoldina, a cobrar medidas do Poder P&uacute;blico. O bairro, onde est&aacute; localizada a Companhia de Entrepostos e Armaz&eacute;ns Gerais de S&atilde;o Paulo (Ceagesp), concentra grande parte das pessoas que dormem nas ruas da regi&atilde;o. Os residentes das casas e apartamentos, no entanto, divergem sobre as a&ccedil;&otilde;es que devem ser tomadas pela prefeitura.<\/p>\n<p>O presidente da Associa&ccedil;&atilde;o Viva a Leopoldina, Umberto Sarti, diz que o aumento de pessoas vivendo nas ruas &eacute; na verdade o deslocamento de pontos de uso de crack. &ldquo;N&atilde;o &eacute; o morador de rua e sim o dependente qu&iacute;mico&rdquo;, afirma. Para ele, a melhor pol&iacute;tica seria buscar a interna&ccedil;&atilde;o desses usu&aacute;rios. &ldquo;Acho que &eacute; preciso recuperar a dignidade deles, levar para um tratamento&rdquo;, ressalta.<\/p>\n<p>Por outro lado, a coordenadora do F&oacute;rum Social Leopoldina, Alexandra Swerts, diz que apesar de ter ocorrido uma migra&ccedil;&atilde;o nos &uacute;ltimos anos, j&aacute; havia uma popula&ccedil;&atilde;o de rua subnotificada no bairro. Por isso, ela acredita que a melhor maneira de lidar com a quest&atilde;o &eacute; a instala&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os p&uacute;blicos espec&iacute;ficos na regi&atilde;o, como um centro de acolhimento feminino e um Centro de Aten&ccedil;&atilde;o Psicossocial. &ldquo;As pessoas estavam aqui, existia essa vulnerabilidade e n&atilde;o havia um atendimento integrado de sa&uacute;de e assist&ecirc;ncia social.&rdquo;.<\/p>\n<p>O conflito surgiu, na avalia&ccedil;&atilde;o de Alexandra, com a constru&ccedil;&atilde;o de condom&iacute;nios de alto padr&atilde;o que substitu&iacute;ram os antigos galp&otilde;es e a voca&ccedil;&atilde;o industrial de parte do bairro. &Agrave; medida que os residentes rec&eacute;m-chegados descartavam restos de obra, caixas de eletrodom&eacute;sticos e outros res&iacute;duos, os materiais eram aproveitados pela popula&ccedil;&atilde;o de rua para melhorar as moradias improvisadas. &ldquo;Foi um choque para esses novos moradores: chegar aqui e, ao mesmo tempo em que eles estavam reformando a casa, o pessoal da rua estava construindo novas casas com o material deles&rdquo;, diz para mostrar a rela&ccedil;&atilde;o entre os dois grupos.<\/p>\n<p>A influ&ecirc;ncia do Ceagesp<\/p>\n<p>O Ceagesp, entreposto comercial por onde circulam 12 mil ve&iacute;culos e 50 mil pessoas por dia, &eacute; apontado como um dos fatores que t&ecirc;m impulsionado o crescimento da popula&ccedil;&atilde;o de rua no bairro. &ldquo;Na Vila Leopoldina h&aacute; um aumento [no n&uacute;mero de moradores de rua], principalmente por causa do Ceasa [Central de Abastecimento] e outros servi&ccedil;os, outras facilidades de circula&ccedil;&atilde;o que a popula&ccedil;&atilde;o de rua encontra&rdquo;, ressalta o coordenador da Pastoral do Povo de Rua, padre J&uacute;lio Lancelloti.<\/p>\n<p>Agentes do governo fazem opera&ccedil;&atilde;o de retirada de moradores em situa&ccedil;&atilde;o de rua, na Pra&ccedil;a da Rep&uacute;blica Rovena Rosa\/Ag&ecirc;ncia Brasil Com a expans&atilde;o no n&uacute;mero de moradores de rua, Lancelloti diz que tamb&eacute;m aumentaram as a&ccedil;&otilde;es contra essas pessoas. &ldquo;[A Vila Leopoldina] &eacute; hoje um dos lugares com maior repress&atilde;o &agrave; popula&ccedil;&atilde;o de rua&rdquo;, diz em refer&ecirc;ncia n&atilde;o s&oacute; &agrave;s a&ccedil;&otilde;es da Pol&iacute;cia Militar e Guarda Civil Metropolitana, mas tamb&eacute;m &agrave; seguran&ccedil;a particular contratada pelos condom&iacute;nios.<\/p>\n<p>Nesse sentido, Alexandra Swerts diz que o F&oacute;rum Social Leopoldina, que re&uacute;ne n&atilde;o s&oacute; a sociedade civil local, mas membros do Poder P&uacute;blico, tem trabalhado para integrar as a&ccedil;&otilde;es de seguran&ccedil;a p&uacute;blica ao trabalho de sa&uacute;de e assist&ecirc;ncia social. &ldquo;Acho que essa &eacute; a nossa maior preocupa&ccedil;&atilde;o, a pol&iacute;tica social aqui&rdquo;.<\/p>\n<p>Em 2009, Norival Aparecido foi carregador no Ceagesp. Atualmente, com 43 anos, vive sob uma lona no canteiro central da Avenida Gast&atilde;o Vidigal, onde est&atilde;o os port&otilde;es principais do entreposto. &ldquo;Eu sempre trabalhei em servi&ccedil;o pesado&rdquo;, diz ao contar que colhia laranjas com 12 anos de idade, abandonando a escola na 4&ordf; s&eacute;rie. Apesar do tempo longe dos cadernos, ainda acredita que pode retomar os estudos. &ldquo;Nunca &eacute; tarde para recome&ccedil;ar&rdquo;, diz com otimismo.<\/p>\n<p>Viver na barraca improvisada &eacute;, at&eacute; certo ponto, uma op&ccedil;&atilde;o de Norival. &ldquo;Por incr&iacute;vel que pare&ccedil;a, n&atilde;o chove l&aacute; dentro&rdquo;, afirma, com orgulho, sobre a moradia que construiu no gramado. Ele prefere permanecer no local a ir ao abrigo oferecido pela prefeitura. &ldquo;O albergue vai ser melhor. Vai ter chuveiro para tomar banho e a sua cama&rdquo;, diz em refer&ecirc;ncia ao Centro de Acolhida Zancone, que oferece atendimento para 150 pessoas, a cerca de um quil&ocirc;metro dali. &ldquo;Mas tem hor&aacute;rio para chegar&rdquo;, pondera em seguida, sobre as regras de disciplina do lugar.<\/p>\n<p>As instala&ccedil;&otilde;es do abrigo s&atilde;o criticadas pelo padre Lancelloti. &ldquo;&Eacute; muito insalubre. T&aacute; com problema de &aacute;gua, de esgoto&rdquo;, afirma, ao destacar que os problemas s&atilde;o comuns a outros albergues. Na opini&atilde;o do padre, a oferta de servi&ccedil;os em massa dificulta a adapta&ccedil;&atilde;o das pessoas em situa&ccedil;&atilde;o de rua ao atendimento. &ldquo;N&atilde;o se pode &lsquo;absolutizar&rsquo; a resposta, a popula&ccedil;&atilde;o de rua &eacute; heterog&ecirc;nea&rdquo;, ressalta.<\/p>\n<p>Solu&ccedil;&otilde;es para 15 mil pessoas<\/p>\n<p>As solu&ccedil;&otilde;es que n&atilde;o levam em considera&ccedil;&atilde;o as especificidades dos diferentes grupos acirram ainda, na avalia&ccedil;&atilde;o de Lancelloti, outro problema que deve se enfrentado. O padre chama a aten&ccedil;&atilde;o para o fato de que grande parte das pessoas que vivem nas ruas passou pelo sistema carcer&aacute;rio. &ldquo;As a&ccedil;&otilde;es devem levar em conta essa peculiaridade e levar em conta o n&atilde;o refor&ccedil;o dessa simbologia [do sistema penitenci&aacute;rio]. Isso a gente quebraria trabalhando em pequenos grupos e ainda a vincula&ccedil;&atilde;o com as pessoas&rdquo;, defende.<\/p>\n<p>Lancelloti critica ainda a a&ccedil;&atilde;o da Guarda Civil Metropolitana que age para evitar a instala&ccedil;&atilde;o de moradias em locais p&uacute;blicos. Segundo ele, muitas vezes esse tipo de opera&ccedil;&atilde;o atrapalha outros tipos de trabalho, como o desenvolvido por a&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de. &ldquo;Temos tido v&aacute;rios casos em que o pr&oacute;prio rapa [opera&ccedil;&atilde;o de retirada de moradores de rua] acaba tirando os medicamentos&rdquo;, reclama, ao lembrar que existe uma pol&iacute;tica nacional pelo enfrentamento da tuberculose nessa popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>O trabalho com uma vis&atilde;o mais individualizada tamb&eacute;m &eacute; importante, na opini&atilde;o do padre, porque a situa&ccedil;&atilde;o de rua &eacute; provocada justamente pela quebra de v&iacute;nculos pessoais. &ldquo;Desde perdas de raiz, de relacionamentos. A rua aumenta por uma sucess&atilde;o de perdas. A pessoa que fica na rua por um determinando tempo vai perdendo tudo. Vai perdendo at&eacute; a for&ccedil;a de vontade&rdquo;, explica.<\/p>\n<p>&ldquo;Perdi o ch&atilde;o&rdquo;, diz Adauto Ven&acirc;ncio sobre como foi perder o emprego e os pais em um per&iacute;odo de um ano. Ex-lutador, ele conta que chegou a trabalhar como seguran&ccedil;a de cantores sertanejos famosos. Mas, desestruturado pela sucess&atilde;o de problemas, acabou at&eacute; passando um per&iacute;odo preso. &ldquo;Inventei de furtar. Entrei nas Lojas Americanas e sa&iacute; pegando tudo&rdquo;, lembra, entre l&aacute;grimas. Com 40 anos, Adauto dorme na Pra&ccedil;a da S&eacute;, centro da cidade. Vive da venda de guarda-chuvas e outros bicos.<\/p>\n<p>Ao todo, a cidade de S&atilde;o Paulo tem 15 mil moradores de rua, segundo os dados de 2015. Desses, 8,5 mil dormem em abrigos oferecidos pela prefeitura. Em 2011, eram 14,4 mil pessoas nessa situa&ccedil;&atilde;o, sendo que 7,7 mil estavam abrigadas. Segundo a Secretaria Municipal de Assist&ecirc;ncia de Desenvolvimento Social, existem 75 centros de acolhida na capital paulista, oferecendo 10 mil vagas.<\/p>\n<p>De acordo com a secretaria, o crescimento do n&uacute;mero de moradores de rua acompanha a expans&atilde;o demogr&aacute;fica da cidade, representando 0,1% da popula&ccedil;&atilde;o total. &ldquo;Especificamente na regi&atilde;o da Lapa, as equipes de abordagem &agrave;s pessoas em situa&ccedil;&atilde;o de rua identificaram que boa parte dessa popula&ccedil;&atilde;o est&aacute; cada vez mais nessa situa&ccedil;&atilde;o devido aos &iacute;ndices de desemprego, a problemas de sa&uacute;de mental, &agrave; drogadi&ccedil;&atilde;o e a conflitos familiares&rdquo;, acrescenta a secretaria em nota.<\/p>\n<p>Edi&ccedil;&atilde;o: Gra&ccedil;a Adjuto<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na zona Oeste da capital paulista, n&uacute;mero de moradores triplicou entre 2011 e 2015<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":149,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":false,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[11],"tags":[],"class_list":{"0":"post-150","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-cenarios"},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2016\/01\/populacao-de-rua-foto-rovena-rosa-agencia-brasil.jpg","post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=150"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/150\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media\/149"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=150"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=150"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=150"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}