{"id":14939,"date":"2020-12-28T17:51:45","date_gmt":"2020-12-28T20:51:45","guid":{"rendered":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/?p=14939"},"modified":"2020-12-28T17:51:50","modified_gmt":"2020-12-28T20:51:50","slug":"perspectivas-economicas-o-que-esperar-de-2021","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/perspectivas-economicas-o-que-esperar-de-2021\/","title":{"rendered":"Perspectivas econ\u00f4micas: o que esperar de 2021?"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"768\" src=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/sao_paulo_quarentena_covid_-_19_coronavirus-foto-agencia-brasil.jpg\" alt=\"foto de entrada do shopping cidade de s&atilde;o paulo, sem movimento de pessoas na rua - foto rovena rosa agencia brasil\" class=\"wp-image-14943\" srcset=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/sao_paulo_quarentena_covid_-_19_coronavirus-foto-agencia-brasil.jpg 1024w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/sao_paulo_quarentena_covid_-_19_coronavirus-foto-agencia-brasil-300x225.jpg 300w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/sao_paulo_quarentena_covid_-_19_coronavirus-foto-agencia-brasil-768x576.jpg 768w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/sao_paulo_quarentena_covid_-_19_coronavirus-foto-agencia-brasil-80x60.jpg 80w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/sao_paulo_quarentena_covid_-_19_coronavirus-foto-agencia-brasil-160x120.jpg 160w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/sao_paulo_quarentena_covid_-_19_coronavirus-foto-agencia-brasil-265x198.jpg 265w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/sao_paulo_quarentena_covid_-_19_coronavirus-foto-agencia-brasil-696x522.jpg 696w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>Para o economista Paulo Bretas, o cen&aacute;rio do primeiro semestre de 2021 ter&aacute; a cara de 2020, com um agravante de que n&atilde;o haver&aacute; aux&iacute;lio emergencial<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<!--more ,,-->\n\n\n\n<p><em>Paulo Roberto Bretas<br>Economista<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>N&oacute;s sobreviventes da pandemia do s&eacute;culo, mesmo conscientes de que o s&eacute;culo s&oacute; est&aacute; come&ccedil;ando, passamos por maus momentos em 2020. Talvez os piores momentos de todas as nossas vidas. Sentimos o medo da doen&ccedil;a e da morte, nervosismo por estarmos em isolamento, d&uacute;vidas sobre o futuro, saudades dos que partiram, saudades de um abra&ccedil;o amigo. Sentimos a agonia pela espera de uma vacina, o desespero com o fechamento de neg&oacute;cios, ang&uacute;stia pela falta de emprego, a amea&ccedil;a da redu&ccedil;&atilde;o da renda, o agravamento da mis&eacute;ria e a dor da fome. Todos os dias a mesma pergunta: quando tudo isso passar&aacute;?<\/p>\n\n\n\n<p>Convivemos com um presidente que instigou um golpe de estado e orientou seguidores contra as institui&ccedil;&otilde;es democr&aacute;ticas. Enquanto negava a gravidade da doen&ccedil;a e incentivava o uso de rem&eacute;dios sem nenhuma comprova&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica da sua efic&aacute;cia, sua excel&ecirc;ncia abria m&atilde;o de coordenar e organizar o pa&iacute;s em prol da sa&uacute;de e da recupera&ccedil;&atilde;o da economia. O negacionismo das ci&ecirc;ncias se tornou uma constante, enquanto seguidores ensandecidos se especializavam em produzir e multiplicar &ldquo;fake news&rdquo;, agredindo a tudo e a todos.<\/p>\n\n\n\n<p>Falar de perspectivas para 2021, em meio a um cen&aacute;rio de crise mundial produzida por uma pandemia que quando parece arrefecida, volta, &eacute; tarefa dif&iacute;cil, muito mais dif&iacute;cil do que quando em condi&ccedil;&otilde;es mais favor&aacute;veis de sa&uacute;de geral, no mercado. O que, ent&atilde;o, nos espera no futuro?<\/p>\n\n\n\n<p>Para reverter a din&acirc;mica de baixo crescimento, a Comiss&atilde;o Econ&ocirc;mica para a Am&eacute;rica Latina e Caribe (Cepal) recomendou em seu relat&oacute;rio anual que os governos da regi&atilde;o adotem pol&iacute;ticas fiscais e monet&aacute;rias ativas, elaboradas em conjunto com medidas ambientais e industriais que promovam transforma&ccedil;&otilde;es estruturais significativas. N&atilde;o creio que o Brasil adotar&aacute; tais recomenda&ccedil;&otilde;es em 2021, devido &agrave;s manifesta&ccedil;&otilde;es de t&eacute;cnicos e autoridades do Minist&eacute;rio da economia, o que agrava minhas expectativas de um baixo crescimento econ&ocirc;mico em 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>A Organiza&ccedil;&atilde;o para a Coopera&ccedil;&atilde;o e o Desenvolvimento Econ&ocirc;mico (OCDE), em relat&oacute;rio sobre o Brasil tamb&eacute;m faz algumas recomenda&ccedil;&otilde;es. Para a OCDE ser&aacute; necess&aacute;rio melhorar pol&iacute;ticas econ&ocirc;micas de forma duradoura. Diz a OCDE: &ldquo;A grande for&ccedil;a de trabalho e a venda de commodities, que impulsionaram a economia brasileira at&eacute; agora, s&atilde;o motores que n&atilde;o v&atilde;o perdurar. &Eacute; preciso aumentar a produtividade, que se manteve estagnada nos &uacute;ltimos anos&rdquo;; diz ainda em seu documento: &ldquo;Pol&iacute;ticas de capacita&ccedil;&atilde;o profissional e educa&ccedil;&atilde;o bem elaboradas podem ajudar os trabalhadores a fazerem essa transi&ccedil;&atilde;o com sucesso&rdquo;, acrescentando que melhores oportunidades para o refor&ccedil;o de compet&ecirc;ncias &ldquo;facilitar&atilde;o a transi&ccedil;&atilde;o para empregos novos e com melhores sal&aacute;rios e, ao mesmo tempo, fortalecer&atilde;o a produtividade&rdquo;. A pergunta &eacute;: Porque n&atilde;o seguir tais recomenda&ccedil;&otilde;es? Porque estamos entrando 2021 t&atilde;o distantes dessas recomenda&ccedil;&otilde;es? Vivemos a intransig&ecirc;ncia ideol&oacute;gica da recusa &agrave; interven&ccedil;&atilde;o inteligente do estado na economia. Nem mesmo o tamanho da crise vivida foi capaz de tirar de cena o mito neoliberal.<\/p>\n\n\n\n<p>O in&iacute;cio da vacina&ccedil;&atilde;o nos principais pa&iacute;ses desenvolvidos nos tr&aacute;s alentos, mas quando &eacute; que o efeito da imuniza&ccedil;&atilde;o permitir&aacute; uma maior circula&ccedil;&atilde;o de pessoas, recursos e mercadorias? As pessoas ainda n&atilde;o est&atilde;o seguras quanto ao efeito das vacinas. Tem medo de virar jacar&eacute;. A produ&ccedil;&atilde;o industrial precisa de mais seguran&ccedil;a no campo da sa&uacute;de para voltar a abastecer o mercado na medida em que se encontram as demandas.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu diria que o primeiro semestre de 2021 ter&aacute; a cara de 2020, com um agravante, n&atilde;o haver&aacute; aux&iacute;lio emergencial e os interesses pol&iacute;ticos focados na sucess&atilde;o presidencial de 2022 j&aacute; ser&atilde;o determinantes nas a&ccedil;&otilde;es parlamentares. Assim sendo, na &aacute;rea social, pode-se projetar queda no consumo das fam&iacute;lias, mais gente abaixo da linha de pobreza e mais pessoas no mapa da fome. Mais pessoas vivendo nas ruas. Mais crian&ccedil;as fora das escolas. Portanto, um pa&iacute;s que j&aacute; vem convivendo h&aacute; anos com graves problemas de desigualdade e m&aacute; distribui&ccedil;&atilde;o de renda, cuja economia em lenta recupera&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o conseguiu chegar aos patamares do pr&eacute;-crise da covid-19, ver&aacute; seus indicadores sociais piorarem muito. E olha que j&aacute; est&aacute;vamos com indicadores econ&ocirc;micos muito fracos e com recupera&ccedil;&atilde;o lenta, antes da pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>O consumidor e os empres&aacute;rios em geral entrar&atilde;o 2021 mais pessimista com rela&ccedil;&atilde;o ao futuro, e esse pessimismo influenciar&aacute; suas decis&otilde;es de investimento e de consumo. As fam&iacute;lias estar&atilde;o mais voltadas para poupar, mudando seus h&aacute;bitos de compras, adiando seus desejos de aquisi&ccedil;&atilde;o de bens e servi&ccedil;os. Somente com vacina&ccedil;&atilde;o em massa, coordenada e organizada, as fam&iacute;lias estar&atilde;o livres para consumir como quiserem, sem serem pressionadas para fazer reserva de renda para o futuro.<\/p>\n\n\n\n<p>A recupera&ccedil;&atilde;o existe, mostrou seus sinais no terceiro trimestre de 2020, mas ela vai perdendo velocidade. Os gastos e a renda pessoal tende a cair ao longo do novo ano. E assim tamb&eacute;m os gastos p&uacute;blicos, t&atilde;o importantes para a retomada da demanda efetiva. O governo j&aacute; se manifestou pela manuten&ccedil;&atilde;o do teto de gastos e pela retomada do ajuste fiscal, o que impede de utilizar medidas antic&iacute;clicas t&atilde;o necess&aacute;rias em momentos de crise econ&ocirc;mica como agora.<\/p>\n\n\n\n<p>Estados e munic&iacute;pios sem o aux&iacute;lio do governo federal se ver&atilde;o pressionados, por sua baixa arrecada&ccedil;&atilde;o, seu elevado endividamento e, de maneira crescente, pelas demandas no campo da assist&ecirc;ncia social, seguran&ccedil;a e sa&uacute;de. Tudo isto acontecendo enquanto o desemprego avan&ccedil;a, &agrave; medida que mais pessoas voltam ao mercado de trabalho e a recupera&ccedil;&atilde;o econ&ocirc;mica ainda estar&aacute; insuficiente para absorver a oferta de m&atilde;o de obra.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto a pandemia impedir o pleno funcionamento das escolas, teremos crian&ccedil;as com d&eacute;ficit de aprendizado, em especial nas classes sociais mais pobres, ao mesmo tempo em que se ampliar&aacute; a evas&atilde;o de jovens no ensino m&eacute;dio. Como se percebe cada fam&iacute;lia est&aacute; ref&eacute;m de sua situa&ccedil;&atilde;o social, ampliando-se, portanto, o fosso das desigualdades.<\/p>\n\n\n\n<p>O retorno do governo central ao caminho das reformas estruturais n&atilde;o significa que o pa&iacute;s ter&aacute; um crescimento econ&ocirc;mico s&oacute;lido imediato, diante de tudo o que vimos acontecer. Existe muita propaganda equivocada, sem as devidas comprova&ccedil;&otilde;es cient&iacute;ficas. O mercado sozinho n&atilde;o conseguir&aacute; sair da crise. H&aacute; uma carga de consequ&ecirc;ncias recessivas graves quando se volta de imediato para redu&ccedil;&atilde;o de gastos p&uacute;blicos e queda generalizada nos investimentos. Quando se reduz a prote&ccedil;&atilde;o social ampliam-se os problemas na ponta, estados e munic&iacute;pios ter&atilde;o uma conta maior a pagar. Quando se retira o apoio de pequenos e m&eacute;dios empres&aacute;rios o que se pode esperar &eacute; o aumento da informalidade e das fal&ecirc;ncias. Ou seja, dependendo das reformas a serem aprovadas, estas poder&atilde;o ampliar os impactos recessivos em alguns setores chaves da economia.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo indica que Bolsonaro insistir&aacute; numa pauta conservadora junto ao Congresso Nacional, por exemplo, projetos como a excludente de ilicitude, a regulariza&ccedil;&atilde;o fundi&aacute;ria da Amaz&ocirc;nia, a regulamenta&ccedil;&atilde;o da educa&ccedil;&atilde;o domiciliar no Brasil, o voto impresso, mudan&ccedil;as na legisla&ccedil;&atilde;o de improbidade administrativa e a conhecida &ldquo;agenda aduaneira&rdquo;. Um movimento de volta ao conservadorismo de raiz que tanto agrada seus eleitores. Mas sua popularidade poder&aacute; cair com o fim do aux&iacute;lio emergencial e a n&atilde;o recupera&ccedil;&atilde;o integral da economia. N&atilde;o estamos isentos de revoltas populares que o agravamento da crise poder&aacute; trazer de volta ao cen&aacute;rio pol&iacute;tico nas grandes cidades.<\/p>\n\n\n\n<p>A estimativa do governo &eacute; de um crescimento de 3,2% do PIB para 2021, mas o ministro Paulo Guedes, vem divulgando valores at&eacute; mais expressivos devido a algumas melhorias moment&acirc;neas da atividade econ&ocirc;mica, como o risco-pa&iacute;s m&eacute;dio no menor patamar dos &uacute;ltimos cinco anos, a bolsa de valores superando a marca dos 100 mil pontos e a capta&ccedil;&atilde;o externa feita recentemente pelo pa&iacute;s, que teve uma demanda tr&ecirc;s vezes maior que a oferta.<\/p>\n\n\n\n<p>Tudo indica que teremos mais infla&ccedil;&atilde;o em 2021. As expectativas apontam para um aumento no primeiro semestre, mais disseminado, mas que ir&aacute; se recrudescer no segundo semestre. N&atilde;o ser&aacute; furado o teto da meta porque o Banco Central vem conseguindo controlar as expectativas do mercado e est&aacute; pronto para agir no que for necess&aacute;rio.<\/p>\n\n\n\n<p>A estimativa da CNI para a infla&ccedil;&atilde;o &eacute; que o &Iacute;ndice Nacional de Pre&ccedil;os ao Consumidor Amplo (IPCA) fique em 3,55% ao ano no fechamento de 2021. A meta definida pelo Conselho Monet&aacute;rio Nacional para o pr&oacute;ximo ano &eacute; de uma infla&ccedil;&atilde;o de 3,75% ao ano, com margem de toler&acirc;ncia de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, a infla&ccedil;&atilde;o no pr&oacute;ximo ano dever&aacute; ficar abaixo da meta, mas ainda dentro do intervalo de toler&acirc;ncia. No caso da taxa b&aacute;sica de juros, a Selic, a CNI espera que ela seja mantida no atual patamar de 2% ao ano at&eacute; o fim do primeiro semestre de 2021, quando se iniciar&aacute; uma sequ&ecirc;ncia de tr&ecirc;s aumentos. Com isso, a Selic dever&aacute; ficar em 3% ao ano no fechamento de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>Se a economia voltar a se recuperar com maior velocidade no segundo semestre de 2021 teremos um forte aumento das importa&ccedil;&otilde;es, desde que o mundo tenha como nos atender. Isso ir&aacute; impactar as Contas Correntes, mas o volume de reservas e as perspectivas de fluxo de capitais estrangeiros indicam que n&atilde;o teremos problema. Segundo proje&ccedil;&otilde;es da CNI, a balan&ccedil;a comercial brasileira ficar&aacute; positiva em US$ 57,6 bilh&otilde;es no fechamento de 2020, o que representa um aumento de US$ 9,6 bilh&otilde;es na compara&ccedil;&atilde;o com 2019. O desempenho ser&aacute; resultado de uma queda nas importa&ccedil;&otilde;es (13,3%) em ritmo mais acelerado que nas exporta&ccedil;&otilde;es (6,2%) neste ano frente a 2019. Para 2021, estima-se que o super&aacute;vit comercial seja em torno de US$ 49 bilh&otilde;es, com aumento de 7% nas exporta&ccedil;&otilde;es e de 15% nas importa&ccedil;&otilde;es.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto ao crescimento do PIB apresento as proje&ccedil;&otilde;es da Funda&ccedil;&atilde;o Get&uacute;lio Vargas (FGV) e da Confedera&ccedil;&atilde;o Nacional da Ind&uacute;stria (CNI). Segundo a FGV, ao longo do primeiro semestre de 2021, a atividade dever&aacute; se desacelerar e oscilar&aacute; em torno de zero. Para 2021 como um todo, a proje&ccedil;&atilde;o &eacute; de um crescimento no PIB de 3,6%, influenciada pela proje&ccedil;&atilde;o para 2020, que saiu de queda de 5% para recuo de 4,7%. Boa parte da proje&ccedil;&atilde;o do crescimento em 2021 deve ser creditada ao chamado carregamento estat&iacute;stico de 2020.<\/p>\n\n\n\n<p>A Confedera&ccedil;&atilde;o Nacional da Ind&uacute;stria (CNI) estima que o Produto Interno Bruto (PIB) dever&aacute; crescer 4% em 2021, impulsionado pelo avan&ccedil;o de 4,4% do PIB industrial, segundo edi&ccedil;&atilde;o especial do Informe Conjuntural &ndash; Economia Brasileira divulgada pela entidade. A estimativa &eacute; que, em 2020, o PIB caia 4,3% na compara&ccedil;&atilde;o com 2019, e o PIB industrial, 3,5%.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a CNI, quanto ao d&eacute;ficit prim&aacute;rio, o setor p&uacute;blico consolidado, que inclui governos federal, regionais e suas estatais, deve registrar R$ 789 bilh&otilde;es, ou 10,93% do PIB no fechamento de 2020. Isso significa que as despesas do setor p&uacute;blico, ampliadas fundamentalmente em decorr&ecirc;ncia das medidas para conter a pandemia de covid-19, superar&atilde;o em muito as suas receitas. A d&iacute;vida bruta dever&aacute; fechar 2020 em 92,8% do PIB. Desta forma, a estimativa &eacute; que, no pr&oacute;ximo ano, o d&eacute;ficit prim&aacute;rio seja de R$ 192 bilh&otilde;es, ou 2,50% do PIB.<\/p>\n\n\n\n<p>A ind&uacute;stria de transforma&ccedil;&atilde;o seguir&aacute; em recupera&ccedil;&atilde;o, mas perder&aacute; velocidade. A recupera&ccedil;&atilde;o iniciada no terceiro trimestre de 2020 gerou um s&eacute;rio problema de falta de mat&eacute;ria-prima para diversos segmentos da transforma&ccedil;&atilde;o, mas a escassez de insumos j&aacute; &eacute; uma quest&atilde;o tamb&eacute;m para alguns empres&aacute;rios na ponta das cadeias de consumo, principalmente no com&eacute;rcio e, em menor escala, em parte dos servi&ccedil;os. Contudo, n&atilde;o acredito que haver&aacute; desabastecimento generalizado, aos poucos o abastecimento voltar&aacute; &agrave; normalidade caso a economia volte a funcionar sem paralisa&ccedil;&otilde;es. Um d&oacute;lar mais comportado (em torno de R$ 5,00) tamb&eacute;m ajudar&aacute; a superar problemas de abastecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o Minist&eacute;rio da Agricultura, a agropecu&aacute;ria seguir&aacute; com forte ritmo de crescimento do Valor Bruto da Produ&ccedil;&atilde;o (VBP), no pr&oacute;ximo ano, e o montante dever&aacute; superar pela primeira vez a marca de R$ 1 trilh&atilde;o. O VBP do campo (&ldquo;da porteira para dentro&rdquo;) dever&aacute; somar R$ 1,025 trilh&atilde;o em 2021, 15,7% mais que o recorde previsto para 2020 (R$ 885,8 bilh&otilde;es, um aumento de 15,1% ante 2019).<\/p>\n\n\n\n<p>No que tange o desemprego, as proje&ccedil;&otilde;es da CNI mostram que a taxa de desocupa&ccedil;&atilde;o dever&aacute; crescer em 2021 e ficar em 14,6% da for&ccedil;a de trabalho. Esse &iacute;ndice &eacute; 0,7 ponto percentual maior que a taxa projetada para 2020, de 13,9%, j&aacute; superada pelos n&uacute;meros de novembro. Com a queda no receio do cont&aacute;gio pelo coronav&iacute;rus e com o fim do aux&iacute;lio emergencial, mais pessoas dever&atilde;o voltar a procurar emprego em 2021, pressionando a taxa de desocupa&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent&atilde;o, explicando melhor, a taxa de desemprego seguir&aacute; aumentando, mesmo que mais pessoas sejam contratadas, isto porque o n&uacute;mero de desocupados tamb&eacute;m estar&aacute; em alta. Dos 84,7 milh&otilde;es de pessoas que trabalhavam no Brasil em novembro, 4,4 milh&otilde;es estavam afastadas de suas atividades, sendo quase a metade, 2,1 milh&otilde;es, devido ao distanciamento social imposto pela pandemia de covid-19. Se houver vacina&ccedil;&atilde;o em massa, muitos voltar&atilde;o a procurar trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>A constru&ccedil;&atilde;o civil, importante setor para a economia nacional, vai enfrentar problemas s&eacute;rios no primeiro semestre, tais como a falta de insumos e o poss&iacute;vel aumento dos custos, produzindo paraliza&ccedil;&atilde;o de algumas obras. Os investimentos em infraestrutura n&atilde;o t&ecirc;m sido suficientes nem para evitar a deprecia&ccedil;&atilde;o do que j&aacute; existe, o que encarece os custos de log&iacute;stica. N&atilde;o h&aacute; no horizonte sinais de retomada das grandes obras p&uacute;blicas em 2021. Seguiremos com os mesmos problemas que nos impedem de solucionar as demandas por melhorias em infraestrutura. A continuidade da inseguran&ccedil;a jur&iacute;dica para captar investimento estrangeiro para o setor &eacute; outro ponto a ser destacado.<\/p>\n\n\n\n<p>Com rela&ccedil;&atilde;o ao ciclo de juros baixos, o Banco Central (BC) calculou em 3,9% o n&iacute;vel de ociosidade da economia brasileira. O n&uacute;mero &eacute; elevado e um dos elementos a justificar a manuten&ccedil;&atilde;o dos juros reais negativos ainda por um tempo. O Banco Central acredita que esse indicador, que sintetiza alguns fatores como desemprego e uso da capacidade produtiva nas f&aacute;bricas, ainda demora a chegar a zero. O ponto mais baixo do indicador foi no segundo trimestre, auge da pandemia, quando o tamb&eacute;m chamado de &ldquo;hiato do produto&rdquo;, ficou negativo em 4,9%. O mercado faz suas apostas que um novo ciclo de alta da Selic se iniciar&aacute; a partir de agosto de 2021.<\/p>\n\n\n\n<p>Os juros sobre empr&eacute;stimos com recursos livres seguir&aacute; elevado quando comparados aos padr&otilde;es internacionais &ndash; em torno de 39% para pessoas f&iacute;sicas e 12% para pessoas jur&iacute;dicas. Tamb&eacute;m seguir&atilde;o elevados os incr&iacute;veis e extorsivos juros do cart&atilde;o de cr&eacute;dito para aqueles que n&atilde;o conseguem pagar o total da fatura. Os spreads banc&aacute;rios que medem a diferen&ccedil;a entre o custo de capta&ccedil;&atilde;o dos bancos e as taxas que cobram de seus clientes nos empr&eacute;stimos, seguir&aacute; elevada, em torno de 15% para pessoas jur&iacute;dicas e 20% para pessoas f&iacute;sicas.<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto ao crescimento do cr&eacute;dito, o financiamento para as empresas deve ter alta de 22,6% em 2020, n&uacute;mero maior em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; alta de 16,5% projetada no relat&oacute;rio do Banco Central de setembro. No caso de 2021, a proje&ccedil;&atilde;o passou de crescimento de 5,1% para alta de 4,2%. Para as pessoas f&iacute;sicas, o BC elevou a proje&ccedil;&atilde;o de alta de 7,8% para 10,4% do cr&eacute;dito em 2020. No caso de 2021, passou de crescimento de 9% para alta de 10,6%.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o crescente aumento de volumes de empr&eacute;stimos oferecidos ao mercado e com a prorroga&ccedil;&atilde;o do per&iacute;odo recessivo com suas consequ&ecirc;ncias &eacute; prov&aacute;vel que a inadimpl&ecirc;ncia m&eacute;dia do sistema financeiro volte a subir para patamares em torno de 3%.<\/p>\n\n\n\n<p>As d&iacute;vidas bruta e l&iacute;quida do setor p&uacute;blico seguir&atilde;o crescendo, mas sem ultrapassar os 100% do PIB. O programa de privatiza&ccedil;&otilde;es tem chances de voltar a andar, desde que o governo consiga negociar a forma&ccedil;&atilde;o de uma base aliada menos vol&aacute;til no Congresso Nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Os est&iacute;mulos globais &agrave; economia mundial seguir&atilde;o firmes em 2021. O que representa uma grande liquidez em busca de oportunidades de investimentos, especialmente nos pa&iacute;ses emergentes.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent&atilde;o, como dito no in&iacute;cio deste texto, muito dif&iacute;cil fazer proje&ccedil;&otilde;es para 2021, mas ficam aqui essas breves notas e alertas que nos sirvam para acompanhar melhor o que vir&aacute; pela frente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":16,"featured_media":14943,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[20,11,2293,2246,36],"tags":[2320,2323,2321,2292,2305,2322,1326],"class_list":{"0":"post-14939","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-destaques","8":"category-cenarios","9":"category-em-2021","10":"category-paulo-roberto-bretas","11":"category-pensadores-futuro","12":"tag-2320","13":"tag-cenarios-para-2021","14":"tag-economia-em-2021","15":"tag-oportunidades-e-ameacas","16":"tag-para-2021","17":"tag-perspectivas-em-2021","18":"tag-tendencias-da-economia"},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/12\/sao_paulo_quarentena_covid_-_19_coronavirus-foto-agencia-brasil.jpg","post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14939","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/users\/16"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=14939"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/14939\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14943"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=14939"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=14939"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=14939"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}