{"id":1399,"date":"2018-06-28T09:11:50","date_gmt":"2018-06-28T12:11:50","guid":{"rendered":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/?p=1399"},"modified":"2018-06-28T09:11:50","modified_gmt":"2018-06-28T12:11:50","slug":"o-empreendedorismo-atrai-jovens-universitarios","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/o-empreendedorismo-atrai-jovens-universitarios\/","title":{"rendered":"O empreendedorismo atrai jovens universit\u00e1rios"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1400\" aria-describedby=\"caption-attachment-1400\" style=\"width: 960px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/empreendedorismo-entre-jovens-tendencia-crescente-foto-pixabay.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1400 size-full\" src=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/empreendedorismo-entre-jovens-tendencia-crescente-foto-pixabay.jpg\" alt=\"Segundo a OCDE, o  Brasil &eacute; um dos destaques entre pa&iacute;ses que mais atraem estudantes para o empreendedor foto: Pixabay\" width=\"960\" height=\"640\" srcset=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/empreendedorismo-entre-jovens-tendencia-crescente-foto-pixabay.jpg 960w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/empreendedorismo-entre-jovens-tendencia-crescente-foto-pixabay-300x200.jpg 300w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/empreendedorismo-entre-jovens-tendencia-crescente-foto-pixabay-768x512.jpg 768w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/empreendedorismo-entre-jovens-tendencia-crescente-foto-pixabay-480x320.jpg 480w\" sizes=\"auto, (max-width: 960px) 100vw, 960px\"><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1400\" class=\"wp-caption-text\">Segundo a OCDE, o Brasil &eacute; um dos destaques entre pa&iacute;ses que mais atraem estudantes para o empreendedorismo tecnol&oacute;gico<\/figcaption><\/figure>\n<p><!--more--><\/p>\n<p>Bruno de Pierro<br>\nPesquisa FAPESP<\/p>\n<p>Um relat&oacute;rio elaborado pela Organiza&ccedil;&atilde;o para a Coopera&ccedil;&atilde;o e Desenvolvimento Econ&ocirc;mico (OCDE) mostra que o empreendedorismo praticado por universit&aacute;rios ou rec&eacute;m-formados tem destaque em pa&iacute;ses como Canad&aacute;, Austr&aacute;lia, &Iacute;ndia e Brasil. Nessas na&ccedil;&otilde;es, a propor&ccedil;&atilde;o de estudantes que fundam empresas de base tecnol&oacute;gica, as startups, &eacute; superior a 10% do total de empreendedores &ndash; uma taxa superior a de pa&iacute;ses como Estados Unidos, Israel, Reino Unido e Fran&ccedil;a.<\/p>\n<p>A OCDE avaliou o perfil de startups registradas na base de dados Crunchbase, que re&uacute;ne informa&ccedil;&otilde;es de aproximadamente 447 mil empresas inovadoras em 199 pa&iacute;ses. No caso do Brasil, contabilizaram-se apenas 290 startups, mas 12% delas tinham sido fundadas por estudantes de gradua&ccedil;&atilde;o ou rec&eacute;m-formados. Embora apresentem uma taxa de mortalidade expressiva, essas empresas servem como um term&ocirc;metro da import&acirc;ncia da inova&ccedil;&atilde;o entre os jovens e chamam a aten&ccedil;&atilde;o de grandes companhias interessadas em novos modelos de neg&oacute;cio.<\/p>\n<p>Observou-se que, nos pa&iacute;ses analisados, os segmentos de jogos, transporte, educa&ccedil;&atilde;o e com&eacute;rcio on-line apresentam maior incid&ecirc;ncia de empreendedorismo estudantil. N&atilde;o por coincid&ecirc;ncia, s&atilde;o &aacute;reas cujas inova&ccedil;&otilde;es est&atilde;o geralmente atreladas a softwares e aplicativos, e n&atilde;o exigem grande aporte de investimento para dar in&iacute;cio &agrave;s atividades. J&aacute; em setores como biotecnologia, sa&uacute;de, energia e alimentos, as startups geralmente s&atilde;o criadas por pessoas mais experientes, que fazem ou conclu&iacute;ram a p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n<p>Rafael Ribeiro, diretor da Associa&ccedil;&atilde;o Brasileira de Startups (ABStartups), enxerga uma conjun&ccedil;&atilde;o de fatores para explicar o interesse dos estudantes ou rec&eacute;m-formados.<\/p>\n<p>&ldquo;Os jovens costumam ser mais tolerantes ao risco e isso faz com que poss&iacute;veis fracassos os motivem a seguir adiante&rdquo;, avalia. &ldquo;Somado a isso, o cen&aacute;rio de crise econ&ocirc;mica torna o empreendedorismo uma op&ccedil;&atilde;o atraente e uma promessa de independ&ecirc;ncia financeira.&rdquo;<\/p>\n<p>De acordo com o documento da OCDE, o empreendedorismo estudantil tamb&eacute;m desperta interesse gra&ccedil;as ao sucesso de empresas que se tornaram l&iacute;deres mundiais, como o Facebook, a Microsoft e a Apple. Embora consideradas casos excepcionais, elas foram iniciadas quando seus fundadores &ndash; Mark Zuckerberg, Bill Gates e Steve Jobs, respectivamente &ndash; ainda estavam na gradua&ccedil;&atilde;o, que n&atilde;o foi conclu&iacute;da por nenhum deles.<\/p>\n<p>O cientista da computa&ccedil;&atilde;o Jo&atilde;o Machini, de 29 anos, tem no curr&iacute;culo tr&ecirc;s empresas que ajudou a fundar no final da gradua&ccedil;&atilde;o no Instituto de Matem&aacute;tica e Estat&iacute;stica da Universidade de S&atilde;o Paulo (IME-USP). A mais recente, criada h&aacute; quatro anos, &eacute; a WorldPackers, uma startup que disponibiliza vagas de trabalho volunt&aacute;rio no mundo todo. &ldquo;Trata-se de um sistema colaborativo de albergues, pousadas e ONGs [organiza&ccedil;&otilde;es n&atilde;o governamentais] em que os viajantes trocam di&aacute;rias por servi&ccedil;os tempor&aacute;rios&rdquo;, explica.<\/p>\n<p>A plataforma tem mais de 1 milh&atilde;o de usu&aacute;rios, que pagam uma taxa anual de US$ 49 para utilizar o servi&ccedil;o. Filho de professores universit&aacute;rios, Machini cogitou seguir carreira acad&ecirc;mica, mas desistiu quando ainda fazia inicia&ccedil;&atilde;o cient&iacute;fica. &ldquo;O empreendedorismo &eacute; muito din&acirc;mico. Para que uma nova ideia seja validada, &eacute; preciso estar pr&oacute;ximo dos consumidores, e isso as startups fazem melhor do que as grandes firmas, que t&ecirc;m processos internos mais burocr&aacute;ticos.&rdquo;<\/p>\n<p>Uma tend&ecirc;ncia que ganhou impulso &eacute; o surgimento de programas criados por empresas como Microsoft, Google, Telef&ocirc;nica e Bradesco para acelerar o desenvolvimento de tecnologias em startups. &ldquo;Grandes companhias t&ecirc;m interesse em conhecer e absorver novos modelos de neg&oacute;cio criados em empresas nascentes. Muitas delas, como Uber, Airbnb e Nubank, para citar uma brasileira, cresceram rapidamente a ponto de amea&ccedil;ar mercados tradicionais&rdquo;, explica Jaercio Barbosa, coordenador da Escola Superior de Empreendedorismo (ESE) do Servi&ccedil;o Brasileiro de Apoio &agrave;s Micro e Pequenas Empresas de S&atilde;o Paulo (Sebrae-SP). &ldquo;Programas de acelera&ccedil;&atilde;o estimulam os jovens a criar empresas&rdquo;, observa Barbosa.<\/p>\n<p>A disponibilidade de incubadoras de empresas em universidades tamb&eacute;m tem um papel importante. &ldquo;Os estudantes encontram nesses ambientes apoio institucional e orienta&ccedil;&atilde;o para aplicar conhecimento na forma de consultorias de tecnologia, administra&ccedil;&atilde;o e formata&ccedil;&atilde;o comercial&rdquo;, explica Guilherme Ary Plonski, coordenador cient&iacute;fico do N&uacute;cleo de Pol&iacute;tica e Gest&atilde;o Tecnol&oacute;gica da USP.<\/p>\n<p>Criar uma startup durante a gradua&ccedil;&atilde;o, no entanto, pode se revelar uma decis&atilde;o precoce e a&ccedil;odada, ressalva Mariana Zanatta Inglez, gerente da Incubadora de Empresas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). &ldquo;H&aacute; casos de alunos que n&atilde;o conseguem conciliar os estudos com a vida de empreendedor&rdquo;, diz. &ldquo;Isso pode prejudicar a forma&ccedil;&atilde;o do estudante, que ainda n&atilde;o est&aacute; maduro o suficiente para comandar uma empresa.&rdquo;<\/p>\n<p>Alex Matioli, de 27 anos, cursa administra&ccedil;&atilde;o de empresas na Unicamp e divide o tempo entre as aulas, o emprego em uma luderia &ndash; um bar especializado em jogos de tabuleiro &ndash; e a Rubian, startup que fundou em 2015. &ldquo;O objetivo &eacute; desenvolver extratos bioativos para aplica&ccedil;&atilde;o em cosm&eacute;ticos e nutrac&ecirc;uticos, um tipo de suplemento alimentar.&rdquo; A empresa realiza pesquisas com urucum e maracuj&aacute; em parceria com a Unicamp, com apoio do programa PIPE, da FAPESP.<\/p>\n<p>Para o estudante, um obst&aacute;culo que precisou superar foi a falta de recursos para tirar a empresa do papel. &ldquo;N&atilde;o queria contar apenas com a ajuda financeira dos meus pais, por isso comecei a trabalhar em um bar e a juntar dinheiro. Tamb&eacute;m foi fundamental a ajuda de um mentor empresarial, que se tornou s&oacute;cio e investidor da Rubian.&rdquo;<\/p>\n<p>Uma pesquisa divulgada no ano passado pelo Sebrae revela que apenas 28,4% dos estudantes cursaram na universidade uma disciplina relacionada ao empreendedorismo e, entre as que oferecem tais mat&eacute;rias, pouco mais da metade trata mais de reflex&otilde;es sobre &ldquo;ter inspira&ccedil;&atilde;o&rdquo; do que apresenta conhecimento pr&aacute;tico. &ldquo;O Brasil tem poucas escolas com a miss&atilde;o de formar empreendedores&rdquo;, sublinha Jaercio Barbosa, da ESE Sebrae-SP.<\/p>\n<p>Outro estudo realizado em 2016 pelas universidades de Berna e St. Gallen, na Su&iacute;&ccedil;a, aplicou um question&aacute;rio a mais de 122 mil estudantes de mil universidades em 50 pa&iacute;ses. Observou-se que 80,3% dos alunos pretendiam trabalhar como funcion&aacute;rios imediatamente ap&oacute;s conclu&iacute;rem a gradua&ccedil;&atilde;o. Apenas 8,8% demonstraram vontade de fundar a pr&oacute;pria empresa ao terminarem os estudos. No entanto, 38,2% disseram que abririam um neg&oacute;cio depois de cinco anos de formados &ndash; tempo suficiente para fazer uma p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o ou adquirir experi&ecirc;ncia no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Maturidade<\/p>\n<p>Vin&iacute;cius Freitas, aluno de administra&ccedil;&atilde;o de empresas do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), fez est&aacute;gio de dois anos no mercado financeiro antes de fundar uma empresa. &ldquo;Trabalhei com gente mais experiente e isso acelerou meu aprendizado. Se tivesse empreendido sem passar pelo est&aacute;gio, as chances de meu neg&oacute;cio falhar seriam maiores.&rdquo; Aos 24 anos, Freitas &eacute; um dos s&oacute;cios da LiveHere, startup com sede em Campinas que faz a media&ccedil;&atilde;o entre propriet&aacute;rios de im&oacute;veis e estudantes. &ldquo;Temos uma plataforma que simplifica a contrata&ccedil;&atilde;o de alugu&eacute;is, sem que os estudantes precisem apresentar fiador ou cheque cau&ccedil;&atilde;o para alugar um im&oacute;vel&rdquo;, explica.<\/p>\n<p>O levantamento da OCDE mostra que em pa&iacute;ses mais desenvolvidos, como Su&iacute;&ccedil;a, Dinamarca, Alemanha e Estados Unidos, a propor&ccedil;&atilde;o de startups criadas por pessoas com doutorado &eacute; bem maior do que no Brasil. Nos Estados Unidos, empresas fundadas por indiv&iacute;duos em torno dos 40 anos costumam dar mais certo do que aquelas concebidas por estudantes, na casa dos 20 anos, segundo estudo publicado em abril por pesquisadores do MIT e da Universidade de Northwestern no reposit&oacute;rio do National Bureau of Economic Research (NBER).<\/p>\n<p>&ldquo;Empreendedores mais maduros geralmente t&ecirc;m um olhar mais especializado, que &eacute; fundamental para desenvolver inova&ccedil;&otilde;es mais robustas&rdquo;, observa Lucimar Dantas, gerente da Incubadora de Empresas do Instituto Alberto Luiz Coimbra de P&oacute;s-Gradua&ccedil;&atilde;o e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe-UFRJ).<\/p>\n<p>No Brasil, boa parte dos empreendedores estudantis ainda n&atilde;o completou ou tem apenas o bacharelado, como mostra a OCDE. &ldquo;Isso influencia negativamente o teor de inova&ccedil;&atilde;o tecnol&oacute;gica da empresa&rdquo;, explica Fabio Kon, professor de empreendedorismo digital do IME-USP e membro da Coordena&ccedil;&atilde;o Adjunta de Pesquisa para Inova&ccedil;&atilde;o da FAPESP. Para ele, n&atilde;o &eacute; o caso de desencorajar os estudantes mais novos a criar startups. Mas argumenta que &eacute; preciso discutir abertamente as limita&ccedil;&otilde;es do modelo de empreendedorismo estudantil porque a mortalidade dessas empresas costuma ser maior e pode atrapalhar o desempenho acad&ecirc;mico do estudante.<\/p>\n<p>Rafael Ribeiro, da ABStartups, observa que o caminho para os empreendedores muito jovens &eacute; &aacute;rduo. &ldquo;Muitos tendem a falhar quando n&atilde;o t&ecirc;m mentoria e ajuda adequada&rdquo;, diz Ribeiro. &ldquo;Todo aluno deve aprender a se relacionar com a comunidade de startups para encurtar a sua curva de aprendizagem e conseguir validar seu produto ou servi&ccedil;o no mercado consumidor.&rdquo;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":1400,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[20,19],"tags":[],"class_list":{"0":"post-1399","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-destaques","8":"category-insights"},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2018\/06\/empreendedorismo-entre-jovens-tendencia-crescente-foto-pixabay.jpg","post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1399","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1399"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1399\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1400"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1399"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1399"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1399"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}