{"id":13971,"date":"2020-11-03T17:41:53","date_gmt":"2020-11-03T20:41:53","guid":{"rendered":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/?p=13971"},"modified":"2020-11-03T17:45:20","modified_gmt":"2020-11-03T20:45:20","slug":"as-varias-dimensoes-da-crise-brasileira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/as-varias-dimensoes-da-crise-brasileira\/","title":{"rendered":"As v\u00e1rias dimens\u00f5es da crise brasileira"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/AcaoRibeiraoPreto3-1024x683-fotos-Filipe-Augusto-Peres-agencia-fotos-publicas.jpeg\" alt=\"foto popula&ccedil;ao recorre a distribui&ccedil;&atilde;o de alimentos em ribeirao preto - foto:Filipe Augusto Peres fotos p&uacute;blicas\" class=\"wp-image-14020\" srcset=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/AcaoRibeiraoPreto3-1024x683-fotos-Filipe-Augusto-Peres-agencia-fotos-publicas.jpeg 1024w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/AcaoRibeiraoPreto3-1024x683-fotos-Filipe-Augusto-Peres-agencia-fotos-publicas-300x200.jpeg 300w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/AcaoRibeiraoPreto3-1024x683-fotos-Filipe-Augusto-Peres-agencia-fotos-publicas-768x512.jpeg 768w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/AcaoRibeiraoPreto3-1024x683-fotos-Filipe-Augusto-Peres-agencia-fotos-publicas-696x464.jpeg 696w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>O v&iacute;rus grita que estamos vivendo numa sociedade desigual e injusta, onde sobra para poucos e falta para muitos miser&aacute;veis<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>A crise viral mostrou de maneira cristalina que algumas concep&ccedil;&otilde;es de sociedade e certos conceitos que vinham sendo defendidos pelos neoliberais est&atilde;o fracassados<\/p>\n\n\n\n<p><br>Paulo Roberto Bretas<br>Economista e professor de hist&oacute;ria econ&ocirc;mica<\/p>\n\n\n\n<p>A crise brasileira tem v&aacute;rias camadas e dimens&otilde;es. Ela se reflete de maneira diferente em cada grupo de cidad&atilde;os, dependendo de sua condi&ccedil;&atilde;o social, consci&ecirc;ncia da realidade vivida, convic&ccedil;&atilde;o politica e de suas preocupa&ccedil;&otilde;es com seu dia a dia. A crise &eacute;, portanto, grave para todos e pior para os mais pobres; para os mais velhos; para os desempregados e trabalhadores informai; para os ind&iacute;genas e quilombolas; para as mulheres; para os doentes cr&ocirc;nicos; para os funcion&aacute;rios p&uacute;blicos e para os micros e pequenos empres&aacute;rios; para citar alguns casos espec&iacute;ficos.<\/p>\n\n\n\n<p>Temos uma crise que se manifesta em dois eixos fundamentais: no primeiro eixo temos uma Pandemia gerando uma crise de sa&uacute;de, produzida por um v&iacute;rus da fam&iacute;lia dos Corona v&iacute;rus, que coloca em risco a vida das pessoas em escala acelerada e amplitude mundial. Uma rapidez de transmiss&atilde;o e cont&aacute;gio nunca vista e uma acelera&ccedil;&atilde;o de &oacute;bitos surpreendente, exaurindo as energias de m&eacute;dicos, enfermeiros e demais profissionais e sistemas de sa&uacute;de. A doen&ccedil;a parece que vai se reduzir ap&oacute;s um per&iacute;odo de tempo, mas em seguida vem uma segunda onda, como &eacute; o caso da Europa.<\/p>\n\n\n\n<p>O segundo eixo &eacute; o Econ&ocirc;mico, relacionado com o primeiro eixo, decorre da paraliza&ccedil;&atilde;o de atividades e da produ&ccedil;&atilde;o de choques de oferta e de demanda, acompanhada de desemprego e aumento da pobreza. A interrup&ccedil;&atilde;o da circula&ccedil;&atilde;o de pessoas e de mercadorias, decorrente da parada produtiva, a queda da renda e o desemprego, tudo comunga para agravar uma situa&ccedil;&atilde;o que j&aacute; era dif&iacute;cil, especialmente no caso brasileiro. J&aacute; com a liberaliza&ccedil;&atilde;o das atividades, a economia come&ccedil;a a reagir com for&ccedil;a, os empregos v&atilde;o voltando, mas ainda falta muito para recuperarmos os n&iacute;veis e indicadores anteriores &agrave; crise em todos os setores. Na verdade a reativa&ccedil;&atilde;o da economia produz novos desafios como a acelera&ccedil;&atilde;o da infla&ccedil;&atilde;o devido &agrave;s press&otilde;es de custo e ao aumento da demanda por bens assalariados. Infla&ccedil;&atilde;o que se agrava com o desabastecimento e com a subida do d&oacute;lar. <\/p>\n\n\n\n<p>A crise viral mostrou de maneira cristalina que algumas concep&ccedil;&otilde;es de sociedade e certos conceitos que vinham sendo defendidos pelos neoliberais est&atilde;o fracassados. O v&iacute;rus mostrou que a sociedade quando entregue &agrave; livre for&ccedil;a do mercado, n&atilde;o consegue sobreviver. O mercado envolto numa crise pand&ecirc;mica desta dimens&atilde;o &eacute; como uma crian&ccedil;a perdida querendo atravessar uma avenida de muito movimento. Problemas que a m&atilde;o-invis&iacute;vel de Adam Smith n&atilde;o consegue resolver dentro dos limites ego&iacute;stas de cada agente econ&ocirc;mico em competi&ccedil;&atilde;o. <\/p>\n\n\n\n<p>A crise vir&oacute;tica mostrou at&eacute; que a natureza &eacute; capaz de melhorar suas condi&ccedil;&otilde;es de exist&ecirc;ncia quando &eacute; reduzida a interfer&ecirc;ncia do homem. As cidades est&atilde;o menos polu&iacute;das, as &aacute;guas do mar est&atilde;o mais limpas, os animais voltaram a circular em ambientes antes tomados pela a&ccedil;&atilde;o dos homens. Exceto onde as pessoas irrespons&aacute;veis tocam fogo, talvez estimulados pela neglig&ecirc;ncia ambiental claramente demonstrada por algumas lideran&ccedil;as pol&iacute;ticas do pa&iacute;s. S&oacute; o Pantanal j&aacute; perdeu cerca de um quarto de seu bioma.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">SUS &ndash; papel estrat&eacute;gico<\/h2>\n\n\n\n<p>A crise demonstrou que o SUS &ndash; Sistema &Uacute;nico de Sa&uacute;de, patrim&ocirc;nio estatal brasileiro, &eacute; uma conquista de todos e a &uacute;nica garantia de se conseguir organizar a sociedade em torno do combate &agrave; pandemia. O sistema, cuja abrang&ecirc;ncia &eacute; &uacute;nica no mundo, atende a todos de maneira ampla e democr&aacute;tica. Um sistema que se for destru&iacute;do, ou minimizado, colocar&aacute; em risco a vida no pa&iacute;s. E sabemos que sa&uacute;de &eacute; direito constitucional e em casos de crise profunda, n&atilde;o h&aacute; sistema privado que seja capaz de dar conta do recado. Sem contar que sistemas privados j&aacute; selecionam por si s&oacute; a qualidade de seu atendimento pelo padr&atilde;o de renda.<\/p>\n\n\n\n<p>Falando ainda do Eixo da Pandemia, o v&iacute;rus nos mostra como &eacute; triste a perda de entes queridos fora da hora, isso porque sem a pandemia talvez vivessem mais alguns anos. Nem sequer podemos vel&aacute;-los ou enterr&aacute;-los. O fim desta hist&oacute;ria depende de vacinas que n&atilde;o existem e rem&eacute;dios para o tratamento que ainda n&atilde;o foram descobertos.<\/p>\n\n\n\n<p>A pandemia mostra, tamb&eacute;m, que fomos negligentes com os investimentos p&uacute;blicos, a sociedade deixou-se levar pelos discursos fiscalistas que s&oacute; faziam pregar cortes de gastos e ajustes nas contas p&uacute;blicas. Narrativas que nos amedrontam com o crescimento da rela&ccedil;&atilde;o d&iacute;vida\/PIB, como se fosse imposs&iacute;vel para um pa&iacute;s como o Brasil n&atilde;o arcar com a rolagem desses compromissos no futuro, mesmo com juros candentes e reservas internacionais da ordem de 340 bilh&otilde;es de d&oacute;lares.<br>Temos uma equipe econ&ocirc;mica que reza religiosamente na cartilha do teto de gastos, dos cortes de despesas e da redu&ccedil;&atilde;o de investimentos. Tudo voltado para o &ldquo;deus equil&iacute;brio fiscal&rdquo;. A Reforma da Previd&ecirc;ncia que era a m&atilde;e de todas as reformas e que abriria espa&ccedil;o para a solu&ccedil;&atilde;o da maioria dos problemas fiscais contribuiu muito pouco, mesmo antes da pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto o mercado aplaudia a tal pol&iacute;tica de restri&ccedil;&atilde;o de gastos, o v&iacute;rus mostrou a exist&ecirc;ncia de brasileiros e de brasileiras sem acesso &agrave; &aacute;gua pot&aacute;vel e encanada, sem emprego, sem futuro e com baixa renda. Mostrou os milh&otilde;es de trabalhadores informais e os muitos que ainda n&atilde;o eram beneficiados pela assist&ecirc;ncia social do Estado. Mostrou um Brasil real, submerso, escondido atr&aacute;s das estat&iacute;sticas de pobreza e desigualdade.<\/p>\n\n\n\n<p>A covid 19 mostra tamb&eacute;m as consequ&ecirc;ncias da falta de esgoto e da coleta de lixo, vetores de muitas doen&ccedil;as que s&oacute; trazem o agravamento da situa&ccedil;&atilde;o. A pandemia faz a sociedade refletir sobre a impossibilidade de seguir pol&iacute;ticas de isolamento quando se &eacute; pobre e se tem que viver em casebres apertados, onde moram v&aacute;rias pessoas de todas as idades, apertadas em cub&iacute;culos miser&aacute;veis. O v&iacute;rus denuncia a falta de investimentos p&uacute;blicos para os mais vulner&aacute;veis. O v&iacute;rus denuncia a falta de interfer&ecirc;ncia inteligente do Estado. <\/p>\n\n\n\n<p>O v&iacute;rus grita que estamos vivendo numa sociedade desigual e injusta, onde sobra para poucos e falta para muitos miser&aacute;veis. Como n&atilde;o ir para as ruas enfrentando doen&ccedil;as e a viol&ecirc;ncia cotidiana se &eacute; preciso levar algum dinheiro para casa? Pobre tem condi&ccedil;&otilde;es de fazer isolamento sem um projeto descente de renda m&iacute;nima? A grande maioria da popula&ccedil;&atilde;o se sente, muitas vezes, abandonada pelos pol&iacute;ticos e autoridades.<\/p>\n\n\n\n<p>E quanto mais se corta gastos, e quanto mais os investimentos se reduzem, mais a economia entra no buraco, mais a arrecada&ccedil;&atilde;o de impostos cair&aacute; e mais o d&eacute;ficit fiscal aumentar&aacute;. Os problemas aumentam, pela falta de receita e aus&ecirc;ncia de dinamismo econ&ocirc;mico. Pela falta de incentivo aos investimentos privados, que caminham sempre juntos com os investimentos p&uacute;blicos. O empres&aacute;rio precisa ter a certeza da possibilidade de fazer o c&aacute;lculo econ&ocirc;mico e enxergar um mercado para vender e lucrar. Inicie-se um grande programa de obras p&uacute;blicas para ver se a economia n&atilde;o deslancha.<\/p>\n\n\n\n<p>No final de mar&ccedil;o o Banco Central liberou algo em torno de 1,2 trilh&atilde;o de reais para irrigar os bancos. A cifra equivale a 16,7% do Produto Interno Bruto. Enquanto o Minist&eacute;rio da Economia fazia cara feia e desaprovava um t&iacute;mido plano de 30 bilh&otilde;es de reais, articulado pela Casa Civil da Presid&ecirc;ncia, para retomada de obras paradas.<\/p>\n\n\n\n<p>A doen&ccedil;a neoliberal, est&aacute;gio infantil da economia brasileira, vem trazendo danos, desde meados de 2014. A recess&atilde;o produzida nos levou a um recuo de algo em torno de 7% do PIB, de 2015 (-3,8%) a 2016 (-3,3%); e nos fez andar de lado em 2017, 2018 e 2019, com p&iacute;fios crescimentos em torno de 1,1%, em cada ano. Ent&atilde;o n&atilde;o &eacute; de agora que o desemprego est&aacute; elevado, cerca de 12 milh&otilde;es de brasileiros estavam fora do mercado de trabalho desde 2018, em outubro j&aacute; s&atilde;o 14 milh&otilde;es e muitos mais perder&atilde;o seus empregos.<\/p>\n\n\n\n<p>A economia brasileira em crise vai envolvendo a sociedade numa falsa dicotomia entre salvar a sa&uacute;de que tr&aacute;s a vida, ou salvar a economia que tr&aacute;s a possibilidade de seguir vivendo. Falso porque sem sa&uacute;de n&atilde;o h&aacute; como qualquer pessoa trabalhar.<br>Para evitar que o sistema de sa&uacute;de entrasse em colapso pelo excesso de demanda, num mesmo momento, com muita gente doente chegando aos hospitais, ao mesmo tempo, foi preciso seguir em isolamento social. E se houver uma segunda onda de cont&aacute;gio da covid nos assolar, novamente ser&aacute; recomendado o isolamento social. At&eacute; que se demonstre que a doen&ccedil;a esteja arrefecida, com queda na velocidade de cont&aacute;gio, redu&ccedil;&atilde;o dos doentes e das mortes. Saber este momento depende de muitas coisas, inclusive da testagem em massa da popula&ccedil;&atilde;o e de estat&iacute;sticas confi&aacute;veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Com isolamento social &eacute; poss&iacute;vel impedir que os sistemas p&uacute;blico e privado de sa&uacute;de entrem em colapso, mas ao mesmo tempo trava o funcionamento pleno da economia, com a paraliza&ccedil;&atilde;o da circula&ccedil;&atilde;o das pessoas e de dinheiro. Paralisa as f&aacute;bricas e mant&eacute;m o com&eacute;rcio fechado, mantendo-se apenas as atividades essenciais. Impossibilita a presta&ccedil;&atilde;o de servi&ccedil;os em condi&ccedil;&otilde;es desej&aacute;veis. Tudo passa a funcionar em m&oacute;dulo lento, produzindo-se uma crise econ&ocirc;mica de choque de oferta (redu&ccedil;&atilde;o dos bens e servi&ccedil;os oferecidos &agrave; sociedade) e de demanda (forte redu&ccedil;&atilde;o do consumo e dos gastos das fam&iacute;lias). Em 2020 o PIB brasileiro ser&aacute; de aproximadamente 5,0% negativo.<\/p>\n\n\n\n<p>A recomenda&ccedil;&atilde;o dos economistas no mundo inteiro &eacute; uma s&oacute; salvar vidas e salvar os agentes econ&ocirc;micos. Como? O Estado deve interferir injetando dinheiro seja para as pessoas gastarem, seja oferecendo liquidez para que n&atilde;o falte cr&eacute;dito, seja apoiando as popula&ccedil;&otilde;es mais carentes, seja apoiando a redu&ccedil;&atilde;o de jornadas de trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Sem apoio e sem cr&eacute;dito, sem planos concretos de retomada da economia, as empresas seguir&atilde;o tendo dificuldades de caixa, dificuldades de seguir investindo e produzindo, dificuldades de pagar seus compromissos, dificuldades de planejar seu futuro e correr riscos. Muitas encerraram suas atividades, porque h&aacute; problemas na forma e na quantidade que o aux&iacute;lio foi disponibilizado. Porque j&aacute; vinham enfrentando problemas e tudo se tornou mais dif&iacute;cil, mesmo que no momento os indicadores mostrem uma retomada do crescimento.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Tend&ecirc;ncias <\/h2>\n\n\n\n<p>Mesmo que as atividades econ&ocirc;micas estejam se recuperando aos poucos, nada ser&aacute; como antes e a chamada normalidade ser&aacute; outra. Especialistas dizem que dos que forem demitidos voltar&atilde;o apenas 80% no curto prazo. Os varejistas ir&atilde;o reabrir suas lojas f&iacute;sicas muito mais no formato de &ldquo;showrooms&rdquo;, porque seu forte passar&aacute; a ser as vendas &ldquo;on line&rdquo; &ndash; a for&ccedil;a estar&aacute; no &ldquo;e-commerce&rdquo;. Bares e restaurantes ter&atilde;o seu layout adequado para menos mesas e mais dist&acirc;ncia entre os clientes.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb&eacute;m as escolas de n&iacute;vel superior estar&atilde;o se voltando para o ensino h&iacute;brido, com forte elemento on-line e alguns encontros presenciais. Os estudantes est&atilde;o reaprendendo a estudar e os professores reaprendendo a lecionar.<br>Mesmo com a reabertura de pontos comerciais e das f&aacute;bricas os problemas de abastecimento em decorr&ecirc;ncia de falhas nas cadeias produtivas nacionais e internacionais est&atilde;o aparecendo. A crise nos mostrou como n&atilde;o temos seguran&ccedil;a de abastecimento e como nos tornamos dependentes de mat&eacute;rias primas, suprimentos em geral e produtos finais importados, principalmente da China. Enquanto isto nosso parque industrial vir&aacute; sucata e o Brasil se desindustrializa rapidamente. Nem mesmo m&aacute;scaras e demais EPIs &ndash; equipamentos de prote&ccedil;&atilde;o individual, conseguimos produzir em solo nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb&eacute;m &eacute; bom lembrar que enquanto setores como hot&eacute;is, bares e restaurantes, companhias a&eacute;reas e setores de atividades tur&iacute;sticas ter&atilde;o muitos problemas para se recuperar da crise, outros setores como supermercados, farm&aacute;cias, ind&uacute;stria farmac&ecirc;utica, ind&uacute;stria de produtos de limpeza, servi&ccedil;os de entrega e setor financeiro, seguir&atilde;o muito bem. O importante &eacute; que cada um de n&oacute;s saiba se reinventar e saiba ficar atento &agrave;s informa&ccedil;&otilde;es verdadeiras para n&atilde;o sermos passados para tr&aacute;s. Para conseguirmos suplantar as animosidades.<\/p>\n\n\n\n<p>O que surge &eacute; uma imensa oportunidade para pensarmos nas sa&iacute;das para a crise com mais investimentos do Estado, contemplando um plano de m&eacute;dio e longo prazo para colocarmos a economia em crescimento sustent&aacute;vel. Recuperar o papel do planejamento econ&ocirc;mico, quem sabe aprender com as economias do Leste da &Aacute;sia. Nunca uma reforma fiscal que reduza o peso dos impostos indiretos e fa&ccedil;a simplifica&ccedil;&otilde;es foi t&atilde;o importante.<\/p>\n\n\n\n<p>Por &uacute;ltimo tenho observado as crescentes crises pol&iacute;ticas da sociedade brasileira, que nada ajudam na recupera&ccedil;&atilde;o da sa&uacute;de, muito menos da economia. Crises produzidas entre ministros e crises que s&atilde;o consequ&ecirc;ncia de um poder executivo, que em seu estilo de governar, produz o caos, porque cresce na desordem. At&eacute; quando?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A crise viral mostrou de maneira cristalina que algumas concep&ccedil;&otilde;es de sociedade e certos conceitos que vinham sendo defendidos pelos neoliberais est&atilde;o fracassados<\/p>\n","protected":false},"author":16,"featured_media":14020,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[2245,2246,36],"tags":[93],"class_list":{"0":"post-13971","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-conjuntura","8":"category-paulo-roberto-bretas","9":"category-pensadores-futuro","10":"tag-tendencias"},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/11\/AcaoRibeiraoPreto3-1024x683-fotos-Filipe-Augusto-Peres-agencia-fotos-publicas.jpeg","post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13971","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/users\/16"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13971"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13971\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media\/14020"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13971"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13971"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13971"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}