{"id":13927,"date":"2020-10-30T14:09:23","date_gmt":"2020-10-30T17:09:23","guid":{"rendered":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/?p=13927"},"modified":"2020-10-30T14:10:21","modified_gmt":"2020-10-30T17:10:21","slug":"uma-analise-da-recente-alta-dos-precos-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/uma-analise-da-recente-alta-dos-precos-no-brasil\/","title":{"rendered":"Uma an\u00e1lise da recente alta dos pre\u00e7os no Brasil"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"850\" height=\"568\" src=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/inflacao_alimentos-850x568-Marcelo-Camargo-Agencia-Brasil.jpg\" alt=\"foto interna de corredor de supermercado - Marcelo Camargo\/ Ag&ecirc;ncia Brasil\" class=\"wp-image-13930\" srcset=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/inflacao_alimentos-850x568-Marcelo-Camargo-Agencia-Brasil.jpg 850w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/inflacao_alimentos-850x568-Marcelo-Camargo-Agencia-Brasil-300x200.jpg 300w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/inflacao_alimentos-850x568-Marcelo-Camargo-Agencia-Brasil-768x513.jpg 768w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/inflacao_alimentos-850x568-Marcelo-Camargo-Agencia-Brasil-696x465.jpg 696w\" sizes=\"auto, (max-width: 850px) 100vw, 850px\"><figcaption>O mercado vai se aproveitando do ciclo de demanda aquecida para fazer reajustes de pre&ccedil;os antes contidos<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p><em>Paulo Roberto Bretas<br>Economista e Conselheiro do Corecon-MG<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A infla&ccedil;&atilde;o no Brasil, medida pelo IPCA e v&aacute;rios outros &iacute;ndices de pre&ccedil;os, como o IGP-M, mostra que est&aacute; voltando com certa for&ccedil;a e que poder&aacute; se acelerar caso nada for feito. Os indicadores apontam para necessidade de acender o sinal de alerta na equipe econ&ocirc;mica. Sinalizam para a interrup&ccedil;&atilde;o da temporada de juros baixos. Prejudicam a confian&ccedil;a no futuro do pa&iacute;s. Depois de um per&iacute;odo de conten&ccedil;&otilde;es de repasses aos pre&ccedil;os finais decorrentes dos aumentos de custos, v&iacute;timas que fomos de uma pandemia que cortou a produ&ccedil;&atilde;o em v&aacute;rias atividades e reduziu a circula&ccedil;&atilde;o de pessoas, o mercado vai se aproveitando do ciclo de demanda aquecida para fazer reajustes de pre&ccedil;os antes contidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Da&iacute; que, numa situa&ccedil;&atilde;o em que os custos dos insumos das f&aacute;bricas sobem, devido &agrave; redu&ccedil;&atilde;o da oferta, num momento de reposi&ccedil;&atilde;o de estoques; somada ao aumento do consumo das classes populares, devido ao aux&iacute;lio emergencial; combinadas com a subida do d&oacute;lar, pelo aumento da demanda por divisas e a sa&iacute;da l&iacute;quida de investimentos estrangeiros da bolsa de valores; j&aacute; era de se esperar uma subida de pre&ccedil;os.<\/p>\n\n\n\n<p>A demanda se aqueceu, sobretudo, pela irriga&ccedil;&atilde;o de dinheiro do aux&iacute;lio emergencial e amplia&ccedil;&atilde;o das condi&ccedil;&otilde;es de cr&eacute;dito. O rendimento m&eacute;dio das fam&iacute;lias mais pobres cresceu. Estas e outras medidas emergenciais terminam em dezembro, se nada vier para ocupar seu lugar. Penso tamb&eacute;m no que poder&aacute; acontecer no mercado de trabalho, uma vez que as perspectivas de eleva&ccedil;&atilde;o do desemprego &eacute; bastante concreta. Traz tamb&eacute;m a possibilidade de redu&ccedil;&atilde;o do consumo o que ajudaria a conter as press&otilde;es inflacion&aacute;rias.<\/p>\n\n\n\n<p>Os &iacute;ndices de desemprego est&atilde;o crescendo e parece que crescer&atilde;o ainda mais, j&aacute; s&atilde;o 14 milh&otilde;es de trabalhadores desempregados, podendo chegar a 22 milh&otilde;es, sem contar os desalentados e os que gostariam de poder trabalhar mais horas. Se n&atilde;o houver a continuidade dos incentivos que mantiveram v&aacute;rios postos de trabalho ativos a situa&ccedil;&atilde;o tende a se agravar.<br>Os indicadores de desemprego cresceram porque os sinais de recupera&ccedil;&atilde;o da economia levam mais pessoas desalentadas a procurar trabalho e cresceram porque sem a perspectiva de terem incentivos, muitos empres&aacute;rios voltaram a demitir.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra situa&ccedil;&atilde;o que preocupa s&atilde;o os sinais de uma segunda onda da Covid na Europa. Se uma segunda onda de cont&aacute;gio crescer no mundo com aumento de mortes, vai provocar novas medidas restritivas como o endurecimento do isolamento e &ldquo;lock downs&rdquo;, provocando revoltas populares e instabilidade. Produzindo, ainda, nova paraliza&ccedil;&atilde;o da economia mundial.<br>Voltemos &agrave; infla&ccedil;&atilde;o brasileira, a partir do aumento dos pre&ccedil;os dos bens de consumo assalariados, especialmente alimentos e vestu&aacute;rio, os &iacute;ndices de pre&ccedil;os de outubro parecem dar mostras de dissemina&ccedil;&atilde;o para outros bens que comp&otilde;em a cesta de produtos utilizados nos c&aacute;lculos. Em meses anteriores pesaram tamb&eacute;m os aumentos nos combust&iacute;veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo reportagem do jornal Valor de 28-10-2020, em outubro, o IPCA-15 ficou em 0,94%, o maior para o m&ecirc;s desde 1995, com alimenta&ccedil;&atilde;o no domic&iacute;lio atingindo 16,8% em 12 meses. E na segunda pr&eacute;via de outubro, o &Iacute;ndice Geral de Pre&ccedil;os &ndash; Mercado (IGP-M) subiu 20,56% em 12 meses at&eacute; setembro, com alta de 28,64% no atacado.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre as causas dos aumentos de pre&ccedil;os podemos citar, a alta do d&oacute;lar, uma vez que insumos importados impactam nos pre&ccedil;os finais, mesmo em tempos de recess&atilde;o. E novamente os pre&ccedil;os dos alimentos que subiram bastante, consequ&ecirc;ncia das exporta&ccedil;&otilde;es, que reduziram os estoques para oferta no mercado interno e tamb&eacute;m da pr&oacute;pria dolariza&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;os, pois seus valores acabam sendo cotados na moeda estrangeira. Ali&aacute;s, pode-se comprovar que os chamados estoques reguladores deixaram de ser uma realidade no Brasil, o governo federal n&atilde;o tem mais por pol&iacute;tica mant&ecirc;-los em volumes suficientes para eventuais momentos de escassez de oferta, por raz&otilde;es de prud&ecirc;ncia fiscal e redu&ccedil;&atilde;o de gastos. Isso ajudaria a manter os pre&ccedil;os em patamares mais razo&aacute;veis para a popula&ccedil;&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p>A subida de pre&ccedil;os de alguns itens fora dos produtos de alimenta&ccedil;&atilde;o, no m&ecirc;s de outubro, vai se confirmando a dissemina&ccedil;&atilde;o das press&otilde;es altistas. Muitos produtores dependentes de componentes importados est&atilde;o aproveitando o momento para fazer repasses para os pre&ccedil;os finais. Em que pese terem um baixo peso na cesta de consumo, produtos eletr&ocirc;nicos tiveram um aumento de 15,8% de janeiro a setembro, medidos pelo IPCA-15.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent&atilde;o, podemos perceber que economia n&atilde;o &eacute; mat&eacute;ria simples e tudo depende de <a href=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/ddof\/o-que-sao-tendencias\/\" target=\"_self\" title=\"Confira o que s&atilde;o tend&ecirc;ncias, os fatos ou fen&ocirc;menos que podem acontecer em algum momento adiante na hist&oacute;ria da sociedade, como um novo comportamento individual ou de um grupo\" class=\"encyclopedia\">tend&ecirc;ncias<\/a> e evolu&ccedil;&atilde;o dos fatos, que se estabelecem e que se confirmam ou n&atilde;o. H&aacute; fatores que nos levam a crer na continuidade da eleva&ccedil;&atilde;o de pre&ccedil;os at&eacute; o fim do ano, mas h&aacute; fatores que poder&atilde;o aumentar a recess&atilde;o, interrompendo a retomada da economia, que evitam os repasses de aumentos nos custos para os pre&ccedil;os finais.<\/p>\n\n\n\n<p>Como est&atilde;o as expectativas dos especialistas? No momento, as expectativas do mercado n&atilde;o apontam para um descontrole inflacion&aacute;rio, mas todos os dados apontam para uma infla&ccedil;&atilde;o mais elevada no &uacute;ltimo trimestre de 2020 e maior para 2021. J&aacute; se fala em um &iacute;ndice pr&oacute;ximo da meta do governo de 4% em 2020 e de 3,5% para 2021. Isso se n&atilde;o se perder o controle, mantendo-se as pol&iacute;ticas de responsabilidade fiscal e a ancoragem das expectativas dos agentes econ&ocirc;micos, feita pelo Banco Central com maestria. O risco de n&atilde;o se cumprir a meta de infla&ccedil;&atilde;o no ano est&aacute; na incerteza sobre as contas p&uacute;blicas, devido a seu potencial de depreciar a taxa de c&acirc;mbio. Os riscos est&atilde;o, tamb&eacute;m, na segunda onda de cont&aacute;gios da Covide e na impossibilidade de aprova&ccedil;&atilde;o das reformas que se encontram paradas no Congresso Nacional. Os riscos est&atilde;o presentes na sequ&ecirc;ncia de desentendimentos intra-poderes e entre os poderes da Rep&uacute;blica.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, vale lembrar que os riscos dos desequil&iacute;brios e desacertos econ&ocirc;micos s&atilde;o muitas vezes decorrentes de desacertos e vaidades pol&iacute;ticas, da inseguran&ccedil;a jur&iacute;dico-institucional, de declara&ccedil;&otilde;es infelizes e da falta de lideran&ccedil;as adequadas que o momento exige.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O mercado vai se aproveitando do ciclo de demanda aquecida para fazer reajustes de pre&ccedil;os antes contidos<\/p>\n","protected":false},"author":16,"featured_media":13930,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[2245,22,2246],"tags":[2247,2248],"class_list":{"0":"post-13927","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-conjuntura","8":"category-indicadores","9":"category-paulo-roberto-bretas","10":"tag-conjuntura","11":"tag-tendencias-do-mercado"},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/inflacao_alimentos-850x568-Marcelo-Camargo-Agencia-Brasil.jpg","post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13927","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/users\/16"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13927"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13927\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13930"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13927"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13927"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13927"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}