{"id":13030,"date":"2020-09-26T14:32:04","date_gmt":"2020-09-26T17:32:04","guid":{"rendered":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/?p=13030"},"modified":"2020-09-26T14:32:10","modified_gmt":"2020-09-26T17:32:10","slug":"futuro-da-carne-de-laboratorio-pesquisadores-avancam-no-desenvolvimento-de-produtos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/futuro-da-carne-de-laboratorio-pesquisadores-avancam-no-desenvolvimento-de-produtos\/","title":{"rendered":"Futuro da carne de laborat\u00f3rio: pesquisadores avan\u00e7am no desenvolvimento de produtos"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"690\" src=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/pesquisador-mostra-carne-artificial-1024x690.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-13035\" srcset=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/pesquisador-mostra-carne-artificial-1024x690.jpg 1024w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/pesquisador-mostra-carne-artificial-300x202.jpg 300w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/pesquisador-mostra-carne-artificial-768x517.jpg 768w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/pesquisador-mostra-carne-artificial-696x469.jpg 696w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/pesquisador-mostra-carne-artificial.jpg 1140w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>O holand&ecirc;s Mark Post foi o respons&aacute;vel pelo primeiro hamburguer in vitro<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Produtos alternativos, &agrave; base de vegetal, j&aacute; ganham espa&ccedil;o no mercado, enquanto a carne de laborat&oacute;rio ainda &eacute; uma promessa.<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p><em>Revista Fapesp<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Maior exportador mundial de carne bovina, o Brasil d&aacute; os primeiros passos na corrida por um mercado que tem atra&iacute;do dezenas de milh&otilde;es de d&oacute;lares nos &uacute;ltimos anos, o de produtos alternativos &agrave; carne, mas com as mesmas caracter&iacute;sticas sensoriais. Existem duas rotas para se alcan&ccedil;ar esse objetivo: a produ&ccedil;&atilde;o de carne em laborat&oacute;rio a partir de c&eacute;lulas-tronco de animais, tamb&eacute;m conhecida como carne limpa ou in vitro, e a cria&ccedil;&atilde;o de um produto &agrave; base de prote&iacute;nas vegetais que emule a carne vermelha. <\/p>\n\n\n\n<p>Em maio de 2019, o empreendedor carioca Marcos Leta colocou no mercado o Futuro Burger, um hamb&uacute;rguer vegetal que promete ter a apar&ecirc;ncia e o gosto de carne bovina. Fundador dos sucos Do Bem, o empres&aacute;rio &eacute; dono da <a href=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/ddof\/o-que-e-foodtech\/\" target=\"_self\" title=\"Voc&ecirc; j&aacute; ouviu falar nesta nova categoria? O que &eacute; foodtech Combina&ccedil;&atilde;o da palavra food, comida em ingl&ecirc;s, e technology, foodtech &eacute; a categoria onde est&atilde;o inseridas empresas e projetos que utilizam tecnologias em desenvolvimento de novos produtos e servi&ccedil;os no setor de produ&ccedil;&atilde;o, distribui&ccedil;&atilde;o e comercializa&ccedil;&atilde;o de alimentos, incluindo a cadeia da ind&uacute;stria agroalimentar.&hellip;\" class=\"encyclopedia\">foodtech<\/a> Fazenda Futuro, respons&aacute;vel pela novidade, vendida a cerca de R$ 17 a bandeja com duas unidades.<\/p>\n\n\n\n<p>Leta segue o caminho trilhado por empresas estrangeiras que j&aacute; comercializam alternativas vegetais ao produto de origem animal, conhecidas como <em>plant-based meat<\/em> &mdash; carne produzida &agrave; base de plantas. Os ingredientes do Futuro Burger s&atilde;o formados por prote&iacute;na isolada de soja, de gr&atilde;o-de-bico e de ervilha. A cor avermelhada &eacute; conferida por suco de beterraba. <\/p>\n\n\n\n<p>Segundo Leta, n&atilde;o &eacute; s&oacute; na apar&ecirc;ncia que o alimento &eacute; parecido com a carne de origem animal, mas tamb&eacute;m no sabor, textura e aroma. Uma l&iacute;ngua artificial, equipamento eletr&ocirc;nico composto de sensores gustativos que imitam o funcionamento do &oacute;rg&atilde;o humano, foi utilizada no processo. &ldquo;O valor nutricional tamb&eacute;m &eacute; muito similar&rdquo;, diz Leta. Esse resultado foi obtido por meio da an&aacute;lise, com a ajuda de intelig&ecirc;ncia artificial, das melhores combina&ccedil;&otilde;es de prote&iacute;nas e lip&iacute;dios de origem vegetal.<br><\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:33.33%\">\n<p><strong>Pioneiro<\/strong><br>O Futuro Burger &eacute; o primeiro hamb&uacute;rguer vegetal fabricado no pa&iacute;s que emula carne vermelha<br><strong>Ingredientes<\/strong><br>A base do produto &eacute; formada por prote&iacute;na isolada de soja, gr&atilde;o-de-bico e ervilha<br><strong>Apar&ecirc;ncia<\/strong><br>Sua cor avermelhada, imitando sangue, &eacute; conferida pela adi&ccedil;&atilde;o de suco de beterraba<br><strong>Valor nutricional<\/strong><br>Com ajuda de intelig&ecirc;ncia artificial, a empresa pesquisou a melhor combina&ccedil;&atilde;o de prote&iacute;nas e lip&iacute;dios<br><strong>Mercado em alta<\/strong><br>Nos Estados Unidos, a venda de produtos de origem vegetal similares &agrave; carne chegou a US$ 670 milh&otilde;es no primeiro semestre de 2018<br><strong>Carne limpa<\/strong><br>Al&eacute;m de hamb&uacute;rgueres veganos, outra rota para criar novos produtos &eacute; investir na fabrica&ccedil;&atilde;o de carne a partir de c&eacute;lulas-tronco de animais<\/p>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<p>Al&eacute;m dos <a href=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/encyclopedia\/vegetarianos-2\/\" class=\"rank-math-link\">vegetarianos<\/a>, o objetivo &eacute; atingir quem busca se alimentar de forma ecologicamente sustent&aacute;vel. Estudo divulgado pelo Observat&oacute;rio do Clima, em 2016, mostrou que o setor agropecu&aacute;rio responde por 69% das emiss&otilde;es de gases de efeito estufa no Brasil. &ldquo;Queremos mostrar que &eacute; poss&iacute;vel revolucionar a ind&uacute;stria aliment&iacute;cia sem gerar impactos negativos no ambiente&rdquo;, destaca Leta.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante o projeto, a empresa teve consultoria da organiza&ccedil;&atilde;o norte-americana The Good Food Institute (GFI), especializada no desenvolvimento de prote&iacute;nas alternativas. &ldquo;Trabalhamos para criar um sistema de alimentos mais sustent&aacute;vel, saud&aacute;vel e justo. Nosso time de cientistas, empreendedores e especialistas em pol&iacute;ticas p&uacute;blicas atuam para que a ind&uacute;stria de alimentos passe a usar produtos feitos de plantas ou de c&eacute;lulas de animais&rdquo;, explica Felipe Krelling, coordenador de Inova&ccedil;&atilde;o e Pesquisas do GFI no Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>Novidade no Brasil, o hamb&uacute;rguer vegetal que imita carne bovina existe h&aacute; tr&ecirc;s anos nos Estados Unidos. A <a href=\"https:\/\/www.google.com\/search?safe=active&amp;sxsrf=ALeKk03ry6Qvldgzk2d2CLSU_a55E5XCEQ%3A1601138985853&amp;ei=KXFvX5a4M5y35OUPtq6s-A8&amp;q=%22beyond+burger%22&amp;oq=%22beyond+burger%22&amp;gs_lcp=CgZwc3ktYWIQAzIECCMQJzICCAAyAggAMgUIABDLATICCAAyBggAEAcQHjIGCAAQBxAeMgYIABAHEB4yBggAEAcQHjICCABQqa8CWKrTAmDW4gJoAHAAeACAAbEBiAG1A5IBAzAuM5gBAKABAaoBB2d3cy13aXrAAQE&amp;sclient=psy-ab&amp;ved=0ahUKEwjW8PLDo4fsAhWcG7kGHTYXC_8Q4dUDCA0&amp;uact=5\" class=\"rank-math-link\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Beyond Burger<\/a> foi a primeira empresa a ter seu hamb&uacute;rguer &agrave; base de plantas vendido em redes de supermercados naquele pa&iacute;s. Este ano, tornou-se a primeira fabricante de carne vegetal com a&ccedil;&otilde;es na bolsa norte-americana Nasdaq. Al&eacute;m de hamb&uacute;rguer, ela vende carne mo&iacute;da e salsicha preparadas mediante uma combina&ccedil;&atilde;o de fontes proteicas vegetais.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p><br>J&aacute; a startup californiana <a href=\"https:\/\/www.google.com\/search?safe=active&amp;sxsrf=ALeKk03AGDxzZcQIcOBi7oNVYXDUKsT2mw%3A1601139032747&amp;ei=WHFvX7WALcvF5OUP5-mviA0&amp;q=%22Impossible+Foods%22&amp;oq=%22Impossible+Foods%22&amp;gs_lcp=CgZwc3ktYWIQAzICCAAyAggAMgIIADICCAAyAggAMgUIABDLATIFCAAQywEyBQgAEMsBMgUIABDLATIFCAAQywE6BAgAEEdQv-wCWL_sAmCi-AJoAHABeACAAZ8BiAGfAZIBAzAuMZgBAKABAqABAaoBB2d3cy13aXrIAQjAAQE&amp;sclient=psy-ab&amp;ved=0ahUKEwi1jKHao4fsAhXLIrkGHef0C9EQ4dUDCA0&amp;uact=5\" class=\"rank-math-link\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Impossible Foods<\/a> deu um passo al&eacute;m. A cor vermelha de seu hamb&uacute;rguer vem de uma prote&iacute;na similar &agrave; hemoglobina, produzida por engenharia gen&eacute;tica. Os pesquisadores da empresa usam um componente da hemoglobina, o grupo heme, que confere a cor vermelha de carne crua e o cheiro caracter&iacute;stico exalado durante o cozimento. Ra&iacute;zes de plantas leguminosas t&ecirc;m o grupo heme em uma prote&iacute;na de estrutura e fun&ccedil;&atilde;o muito semelhantes &agrave; hemoglobina, a leg-hemoglobina.<\/p>\n\n\n\n<p>Com base nesse conhecimento, os cientistas da Impossible Foods criaram um m&eacute;todo de produ&ccedil;&atilde;o em alta escala do grupo heme, extraindo-o de ra&iacute;zes da soja. Por meio de engenharia gen&eacute;tica, eles modificaram a levedura Pichia pastoris para que ela produzisse leg-hemoglobina de soja e a cultivaram em fermentadores para multiplicar a prote&iacute;na.<br><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2019\/07\/070-075_Carne-artificial_281-1-1140px.jpg\" alt=\"\"><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Hamb&uacute;rguer in vitro<\/h2>\n\n\n\n<p>Os empreendedores que investem no cultivo de c&eacute;lulas-tronco de bovinos para criar carne sint&eacute;tica, tamb&eacute;m chamada de <em>cell-based meat<\/em> &mdash; carne feita de c&eacute;lulas &ndash;, t&ecirc;m um argumento ainda mais contundente para atrair os amantes de um bom bife: o que eles fazem n&atilde;o &eacute; simplesmente algo parecido com carne, mas a pr&oacute;pria carne. O primeiro hamb&uacute;rguer in vitro nasceu na Universidade de Maastricht, na Holanda, a partir das pesquisas do fisiologista <a href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mark_Post\" class=\"rank-math-link\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Mark Post<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p>Os estudos se iniciaram em 2008 e o resultado foi apresentado cinco anos depois durante uma coletiva de imprensa realizada em Londres. Naquela ocasi&atilde;o, tr&ecirc;s pessoas que provaram o hamb&uacute;rguer &ndash; o pr&oacute;prio Post e dois especialistas em gastronomia &ndash; concordaram que a carne estava um pouco seca e pobre em sabor, devido &agrave; falta de gordura na composi&ccedil;&atilde;o, segundo o jornal The New York Times.<\/p>\n\n\n\n<p>O processo desenvolvido por Post parte da extra&ccedil;&atilde;o de c&eacute;lulas-tronco bovinas de um fragmento de tecido muscular do animal. Essas c&eacute;lulas indiferenciadas multiplicam-se em um meio de cultura contendo nutrientes e fatores de crescimento, transformando-se em fibras musculares. Cerca de 20 mil finas tiras de tecido muscular combinam-se para formar um hamb&uacute;rguer com cerca de 140 gramas. A produ&ccedil;&atilde;o em escala industrial ser&aacute; feita em um biorreator.<\/p>\n\n\n\n<p>O hamb&uacute;rguer holand&ecirc;s custou &euro; 250 mil (R$ 1,1 milh&atilde;o), financiados principalmente por Sergey Brin, cofundador do Google. A fim de colocar o produto no mercado, o pesquisador criou a empresa Mosa Meat, nascida como uma spin-off da Universidade de Maastricht. Em julho de 2018, para continuar o desenvolvimento do produto e iniciar sua comercializa&ccedil;&atilde;o, a startup captou &euro; 7,5 milh&otilde;es do Bell Food Group, l&iacute;der no mercado de carnes na Su&iacute;&ccedil;a, e da holandesa M Ventures.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Engenharia biom&eacute;dica<\/h2>\n\n\n\n<p>No final de 2018 foi a vez da israelense <a href=\"https:\/\/www.google.com\/search?safe=active&amp;sxsrf=ALeKk01QnhBDVlhpHbQb6yDEI6nrkylF2A%3A1601139189585&amp;ei=9XFvX9ylI4DC5OUP8NefmAk&amp;q=%22Aleph+Farms%22&amp;oq=%22Aleph+Farms%22&amp;gs_lcp=CgZwc3ktYWIQAzIFCAAQywEyBQgAEMsBMgUIABDLATIFCAAQywEyBQgAEMsBMgUIABDLATIFCAAQywEyBQgAEMsBMgUIABDLATIFCAAQywE6BAgAEEdQ7rwGWO68BmCh1gZoAHABeACAAYMCiAGDApIBAzItMZgBAKABAqABAaoBB2d3cy13aXrIAQLAAQE&amp;sclient=psy-ab&amp;ved=0ahUKEwic9IWlpIfsAhUAIbkGHfDrB5MQ4dUDCA0&amp;uact=5\" class=\"rank-math-link\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Aleph Farms<\/a> anunciar que criou o primeiro bife cultivado em laborat&oacute;rio. Didier Toubia, CEO da empresa, contou para Pesquisa FAPESP que a decis&atilde;o de pesquisar carne cultivada a partir de c&eacute;lulas animais surgiu em 2016. O projeto se concretizou na Faculdade de Engenharia Biom&eacute;dica do Instituto de Tecnologia de Israel (Technion).<\/p>\n\n\n\n<p>O custo do prot&oacute;tipo, uma pequena tira de bife de algumas dezenas de gramas, foi de US$ 50, valor ainda bastante alto quando comparado ao da carne vendida em a&ccedil;ougues, mas um avan&ccedil;o em rela&ccedil;&atilde;o ao despendido para a produ&ccedil;&atilde;o do hamb&uacute;rguer de Maastricht. A novidade deve chegar ao mercado em at&eacute; cinco anos.<\/p>\n\n\n\n<p>O processo de produ&ccedil;&atilde;o de um bife in vitro &eacute; mais complexo e requer que as c&eacute;lulas se organizem de forma tridimensional (3D), ganhando volume e, consequentemente, espessura. Para isso, &eacute; necess&aacute;rio coloc&aacute;-las em uma estrutura que serve como suporte denominada scaffold (andaime), que normalmente &eacute; produzida a partir de col&aacute;geno, de origem animal. Mas para fabricar carne limpa &eacute; importante que n&atilde;o existam insumos animais nem procedimentos vinculados a eles. Esses pr&eacute;-requisitos t&ecirc;m estimulado o surgimento de empresas que apresentem novas tecnologias. Uma das startups criada para fornecer <a href=\"http:\/\/celulastroncors.org.br\/a-importancia-dos-scaffolds-na-engenharia-de-tecidos\/#:~:text=Atrav%C3%A9s%20da%20combina%C3%A7%C3%A3o%20de%20terapia,e%20com%20aplica%C3%A7%C3%B5es%20cl%C3%ADnicas%20encorajadoras.&amp;text=Os%20scaffolds%20s%C3%A3o%20suportes%20nos,construir%20um%20tecido%20in%20vitro.\" class=\"rank-math-link\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">scaffolds<\/a> &agrave; base de plantas a essa ind&uacute;stria &eacute; a brasileira <a href=\"https:\/\/www.google.com\/search?q=%22Biomimetic+Solutions%22&amp;safe=active&amp;sxsrf=ALeKk02KBymi04QpiltrRw5SmFOJ92XVUA:1601139402266&amp;source=lnms&amp;sa=X&amp;ved=0ahUKEwjM97qKpYfsAhW9HLkGHYz1C6oQ_AUIDigA&amp;biw=1440&amp;bih=757&amp;dpr=1\" class=\"rank-math-link\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Biomimetic Solutions<\/a>, uma spin-off nascida no Centro Federal de Educa&ccedil;&atilde;o Tecnol&oacute;gica de Minas Gerais (Cefet-MG).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"632\" src=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/CarneSintetica-biomimetic-solutions-foto-divugacao-1024x632.jpg\" alt=\"pesquisadora usa mcroscopio para realizar pesquisa\" class=\"wp-image-13034\" srcset=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/CarneSintetica-biomimetic-solutions-foto-divugacao-1024x632.jpg 1024w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/CarneSintetica-biomimetic-solutions-foto-divugacao-300x185.jpg 300w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/CarneSintetica-biomimetic-solutions-foto-divugacao-768x474.jpg 768w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/CarneSintetica-biomimetic-solutions-foto-divugacao-356x220.jpg 356w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/CarneSintetica-biomimetic-solutions-foto-divugacao-712x440.jpg 712w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/CarneSintetica-biomimetic-solutions-foto-divugacao-696x430.jpg 696w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/CarneSintetica-biomimetic-solutions-foto-divugacao.jpg 1140w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>A empresa mineira Biomimetic Solutions fornece a base vegetal para a produ&ccedil;&atilde;o de carne<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&ldquo;Criamos um pol&iacute;mero sint&eacute;tico &agrave; base de plantas. Somos uma das primeiras empresas no mundo especializada na produ&ccedil;&atilde;o de scaffolds com foco na produ&ccedil;&atilde;o de carne limpa&rdquo;, afirma Lorena Viana, mestranda em inova&ccedil;&atilde;o pela UFMG e uma das fundadoras da startup, juntamente com as engenheiras de materiais Ana Elisa Antunes e Alana Benzo e duas pesquisadoras do Cefet-MG, Aline Bruna da Silva e Roberta Viana. &ldquo;Decidimos focar nosso neg&oacute;cio no mercado de carne in vitro, no qual temos poucos concorrentes diretos&rdquo;, ressalta Viana, diretora comercial do neg&oacute;cio. Mosa Meat e Aleph Farms j&aacute; desenvolvem seus pr&oacute;prios scaffolds.<\/p>\n\n\n\n<p>A fim de estimular a agricultura celular &mdash; campo em que se insere o desenvolvimento de carne cultivada em laborat&oacute;rio &ndash;, foi criada nos Estados Unidos em 2016 a Sociedade de Agricultura Celular (CAS). &ldquo;Em todo o mundo, apenas a Am&eacute;rica Latina ainda n&atilde;o desenvolveu projetos de carne in vitro&rdquo;, diz Matheus Saueressig, aluno de ci&ecirc;ncias da computa&ccedil;&atilde;o na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) e diretor de Comunica&ccedil;&otilde;es da CAS na Am&eacute;rica do Sul. &ldquo;O Brasil &eacute; o maior processador de prote&iacute;na animal do mundo e corre o risco de perder esse novo mercado&rdquo;, alerta.<\/p>\n\n\n\n<p>Startups dedicadas &agrave; pesquisa e &agrave; fabrica&ccedil;&atilde;o de carne limpa, segundo Saueressig, v&ecirc;m recebendo investimentos de empresas de capital de risco, de bilion&aacute;rios, como Richard Branson e Bill Gates, que t&ecirc;m participa&ccedil;&atilde;o na Memphis Meat, com sede na Calif&oacute;rnia, e de multinacionais do setor aliment&iacute;cio, entre elas Cargill, Bell Food Group e Tyson Foods. Ao apoiar os novos fabricantes de carne limpa, os grandes processadores de carne bovina querem colocar um p&eacute; nesse mercado para n&atilde;o ficarem de fora caso o neg&oacute;cio d&ecirc; certo.<\/p>\n\n\n\n<p>Por enquanto, as alternativas vegetais dominam o promissor mercado de possibilidades &agrave; carne bovina. Um estudo da consultoria Nielsen revelou que os norte-americanos gastaram US$ 670 milh&otilde;es em produtos de origem vegetal similares &agrave; carne no primeiro semestre de 2018 &ndash; veganos e vegetarianos representam apenas 5% da popula&ccedil;&atilde;o do pa&iacute;s. Neg&oacute;cios dedicados &agrave; produ&ccedil;&atilde;o de carnes baseadas em c&eacute;lulas-tronco miram um mercado bem maior. A carne bovina dever&aacute; ser respons&aacute;vel por uma receita de US$ 2,1 trilh&otilde;es em todo o mundo at&eacute; 2020, conforme a consultoria norte-americana Grand View Research.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Desafios &agrave; vista<\/h2>\n\n\n\n<p>Apesar das boas perspectivas, j&aacute; h&aacute; rea&ccedil;&otilde;es. O termo &ldquo;carne limpa&rdquo;, por exemplo, &eacute; contestado tanto por <a href=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/encyclopedia\/vegetarianos\/\" class=\"rank-math-link\">veganos<\/a> quanto por pecuaristas. Os primeiros s&atilde;o contra o uso do adjetivo &ldquo;limpa&rdquo; quando h&aacute; qualquer tipo de uso de c&eacute;lulas extra&iacute;das de animais, enquanto a ind&uacute;stria de prote&iacute;nas animais se op&otilde;e ao emprego da palavra &ldquo;carne&rdquo; por temer a concorr&ecirc;ncia. A Associa&ccedil;&atilde;o de Pecuaristas dos Estados Unidos pleiteou ao Departamento de Agricultura que produtos n&atilde;o derivados de animais criados ou abatidos sejam impedidos de ser descritos como bife ou carne &ndash; com isso, querem diferenciar o alimento que produzem da novidade que est&aacute; entrando no mercado. <\/p>\n\n\n\n<p>Um dos maiores desafios das novas empresas n&atilde;o &eacute; comercial, mas cient&iacute;fico: elas precisam garantir que o processo de produ&ccedil;&atilde;o n&atilde;o fa&ccedil;a uso de nenhum componente de origem animal. No primeiro hamb&uacute;rguer in vitro, Mark Post usou soro bovino fetal para nutrir as c&eacute;lulas-tronco. Hoje, tanto a Mosa Meat quanto a Aleph Farms garantem que n&atilde;o utilizam mais ingredientes derivados de animal. Para o m&eacute;dico veterin&aacute;rio Fl&aacute;vio Vieira Meirelles, da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de S&atilde;o Paulo (FZEA-USP), no entanto, &eacute; muito dif&iacute;cil substituir amino&aacute;cidos, prote&iacute;nas, a&ccedil;&uacute;cares, vitaminas e fatores de crescimento encontrados no sangue animal por subst&acirc;ncias isoladas de plantas. <\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Existem alternativas ao soro fetal, mas tamb&eacute;m t&ecirc;m origem animal. E h&aacute; v&aacute;rias outras subst&acirc;ncias retiradas de animais envolvidas nas diferentes etapas do processo&rdquo;, avalia. &ldquo;Deve levar tempo at&eacute; que se consiga fazer cultivo celular em escala industrial com um custo vi&aacute;vel que seja completamente livre de produtos de animais.&rdquo; Algumas&nbsp;<a href=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/ddof\/o-que-e-foodtech\/\" target=\"_self\" title=\"Voc&ecirc; j&aacute; ouviu falar nesta nova categoria? O que &eacute; foodtech Combina&ccedil;&atilde;o da palavra food, comida em ingl&ecirc;s, e technology, foodtech &eacute; a categoria onde est&atilde;o inseridas empresas e projetos que utilizam tecnologias em desenvolvimento de novos produtos e servi&ccedil;os no setor de produ&ccedil;&atilde;o, distribui&ccedil;&atilde;o e comercializa&ccedil;&atilde;o de alimentos, incluindo a cadeia da ind&uacute;stria agroalimentar.&hellip;\" class=\"encyclopedia\">foodtech<\/a>s, como as norte-americanas Just e Memphis Meats, investem para produzir carne em laborat&oacute;rio sem fazer nem mesmo uma simples bi&oacute;psia no animal. Essas empresas usam c&eacute;lulas-tronco coletadas de penas do animal para produzir carne de frango. A Just comercializa alimentos vegetais alternativos aos de origem animal, como maionese. A Memphis Meats, por sua vez, dedica-se &agrave; pesquisa de diversos tipos de carne em laborat&oacute;rio, incluindo frango e pato.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mesma textura<\/h2>\n\n\n\n<p>Liz Specht, diretora associada de Ci&ecirc;ncia e Tecnologia do GFI nos Estados Unidos, provou a carne de pato &ndash; feita a partir de c&eacute;lulas-tronco &ndash; da Memphis Meat, em 2017. &ldquo;O que mais me impressionou foi a textura. Quando voc&ecirc; morde fibras musculares, percebe uma elasticidade pr&oacute;pria, e a carne baseada em c&eacute;lulas que comi tinha a mesma qualidade&rdquo;, contou ela logo depois da experi&ecirc;ncia, segundo informou a pr&oacute;pria GFI. &ldquo;A carne estava empanada e tinha um molho. Por isso, foi um pouco dif&iacute;cil avaliar o sabor dela em si, mas a textura era inconfund&iacute;vel.&rdquo;<\/p>\n\n\n\n<p>Outro desafio dos fabricantes de carne in vitro &eacute; provar que o produto seja seguro ao consumo humano. &ldquo;Eles ter&atilde;o de identificar claramente quais as subst&acirc;ncias s&atilde;o empregadas no processo de diferencia&ccedil;&atilde;o celular, comprovando a seguran&ccedil;a e a qualidade nutricional&rdquo;, pondera a bioqu&iacute;mica Viviane Abreu Nunes Cerqueira Dantas, da Escola de Artes, Ci&ecirc;ncias e Humanidades da USP.<br>A pesquisadora v&ecirc; com desconfian&ccedil;a a alega&ccedil;&atilde;o, comum entre as startups do setor, de que a carne de laborat&oacute;rio, ao contr&aacute;rio do produto oriundo de abate, dispensa o uso de antibi&oacute;ticos. <\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Em um primeiro momento, a produ&ccedil;&atilde;o de carne in vitro, em grande escala, n&atilde;o poder&aacute; prescindir do uso de antibi&oacute;ticos para o cultivo das c&eacute;lulas. Desconhe&ccedil;o, entretanto, quais outras subst&acirc;ncias estariam sendo usadas com esse mesmo efeito no contexto da produ&ccedil;&atilde;o da carne de laborat&oacute;rio&rdquo;, avalia. Segundo Dantas, os produtos c&aacute;rneos, particularmente aqueles que passam por maior manipula&ccedil;&atilde;o, constituem um excelente meio de cultura de microrganismos devido &agrave; elevada umidade, ao pH pr&oacute;ximo da neutralidade e &agrave; composi&ccedil;&atilde;o rica em nutrientes.<\/p>\n\n\n\n<p>Felipe Krelling, da GFI, informa que antibi&oacute;ticos podem ser utilizados por um per&iacute;odo curto para minimizar riscos de contamina&ccedil;&atilde;o ao separar uma linha celular de uma bi&oacute;psia, caso ela esteja contaminada por alguma bact&eacute;ria. &ldquo;N&atilde;o h&aacute; nenhuma necessidade de se utilizar antibi&oacute;ticos em qualquer outro processo de produ&ccedil;&atilde;o. J&aacute; existe tecnologia na ind&uacute;stria de bioprocessos que pode ser adotada por empresas cell-based para se obter um ambiente livre de antibi&oacute;tico para a prolifera&ccedil;&atilde;o de c&eacute;lulas&rdquo;, declara Krelling.<br><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\">\n\n\n\n<p><strong>Artigo cient&iacute;fico<\/strong><br>LYNCH, J. e PIERREHUMBERT, R. Climate impacts of cultured meat and beef cattle. Frontiers in Sustainable Food Systems. 19 fev. 2019.<br><a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/2019\/06\/03\/bife-de-laboratorio\/\" class=\"rank-math-link\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">O site da revista Pesquisa FAPESP traz uma vers&atilde;o ampliada desta reportagem.<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Produtos alternativos, &agrave; base de vegetal, j&aacute; ganham espa&ccedil;o no mercado, enquanto a carne de laborat&oacute;rio ainda &eacute; uma promessa.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":13034,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[23,20,19],"tags":[2198,2197],"class_list":{"0":"post-13030","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-carlos-placido-teixeira","8":"category-destaques","9":"category-insights","10":"tag-alimentacao-do-futuro","11":"tag-carne-de-laboratorio"},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/CarneSintetica-biomimetic-solutions-foto-divugacao.jpg","post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13030","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=13030"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/13030\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media\/13034"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=13030"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=13030"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=13030"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}