{"id":12898,"date":"2020-09-21T11:28:44","date_gmt":"2020-09-21T14:28:44","guid":{"rendered":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/?p=12898"},"modified":"2020-09-21T11:28:50","modified_gmt":"2020-09-21T14:28:50","slug":"jovens-mais-interessados-por-conservacao-e-biodiversidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/jovens-mais-interessados-por-conservacao-e-biodiversidade\/","title":{"rendered":"Jovens mais interessados por conserva\u00e7\u00e3o e biodiversidade"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/bike-trilha-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-12899\" srcset=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/bike-trilha-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/bike-trilha-300x200.jpg 300w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/bike-trilha-768x511.jpg 768w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/bike-trilha-696x463.jpg 696w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/bike-trilha.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>Temas como biodiversidade, conserva&ccedil;&atilde;o da Amaz&ocirc;nia e ci&ecirc;ncias s&atilde;o de interesse crescente entre estudantes brasileiros que est&atilde;o ingressando no ensino m&eacute;dio.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Pesquisa tra&ccedil;a um panorama sobre o comportamento dos jovens em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; conserva&ccedil;&atilde;o e biodiversidade<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\">\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Maria Fernanda Ziegler<br>Ag&ecirc;ncia FAPESP<\/p>\n\n\n\n<p>Temas como biodiversidade, conserva&ccedil;&atilde;o da Amaz&ocirc;nia e ci&ecirc;ncias s&atilde;o de interesse crescente entre estudantes brasileiros que est&atilde;o ingressando no ensino m&eacute;dio. A disposi&ccedil;&atilde;o para aprender sobre a fauna e a flora local ocorre, no entanto, de forma desigual: jovens da regi&atilde;o Norte do pa&iacute;s t&ecirc;m maior interesse do que aqueles situados no Sudeste.<\/p>\n\n\n\n<p>&Eacute; o que afirma artigo publicado na revista <a href=\"https:\/\/advances.sciencemag.org\/content\/6\/35\/eabb0110\" class=\"rank-math-link\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Science Advances<\/a>, primeiro fruto de um Projeto Tem&aacute;tico apoiado pela FAPESP, que analisou dados obtidos por cinco estudos de doutoramento e resultados da pesquisa internacional The Relevance of Science Education (Rose). Os autores defendem a necessidade de maior inclus&atilde;o de estudos sobre plantas e animais regionais no curr&iacute;culo escolar nacional. O projeto integra o Programa BIOTA-FAPESP e envolve cinco institui&ccedil;&otilde;es paulistas: Universidade de S&atilde;o Paulo (USP), Universidade Federal de S&atilde;o Paulo (Unifesp), Universidade Federal do ABC (UFABC), Universidade Municipal de S&atilde;o Caetano do Sul (USCS) e Instituto Butantan.<\/p>\n\n\n\n<p>Aplicado em mais de 40 pa&iacute;ses desde 2004, o projeto Rose procurou identificar qual &eacute; o grau de interesse de jovens de 15 anos sobre temas relacionados &agrave; conserva&ccedil;&atilde;o, ci&ecirc;ncia, tecnologia e biodiversidade. &ldquo;Os alunos brasileiros demostraram alto interesse em estudar mais profundamente plantas e animais nativos, muito mais do que ingleses, noruegueses e suecos, por exemplo. No Brasil, realizamos esse estudo tr&ecirc;s vezes entre 2007 e 2014, de modo que possibilita a identifica&ccedil;&atilde;o de <a href=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/ddof\/o-que-sao-tendencias\/\" target=\"_self\" title=\"Confira o que s&atilde;o tend&ecirc;ncias, os fatos ou fen&ocirc;menos que podem acontecer em algum momento adiante na hist&oacute;ria da sociedade, como um novo comportamento individual ou de um grupo\" class=\"encyclopedia\">tend&ecirc;ncias<\/a>: uma delas &eacute; que, ao contr&aacute;rio do que pode propagar o senso comum, o interesse dos jovens por esses temas &eacute; crescente&rdquo;, diz N&eacute;lio Bizzo, professor da Faculdade de Educa&ccedil;&atilde;o da USP e do Instituto de Ci&ecirc;ncias Ambientais, Qu&iacute;micas e Farmac&ecirc;uticas da Unifesp e tamb&eacute;m coordenador do estudo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Desenvolvimento da pesquisa<\/h2>\n\n\n\n<p>Os estudantes foram motivados a opinar livremente sobre ci&ecirc;ncia, tecnologia e interesses sobre biodiversidade. A pesquisa foi realizada em tr&ecirc;s diferentes momentos: em 2007 (apenas em algumas cidades), 2010 e 2014 (com representa&ccedil;&atilde;o nacional). Nesta &uacute;ltima pesquisa, 788 alunos (43,7%) de escolas p&uacute;blicas e privadas do pa&iacute;s demonstraram interesse em estudar a flora e a fauna local, enquanto 1.015 alunos (56,3%) se mostraram desinteressados.<\/p>\n\n\n\n<p>Na compara&ccedil;&atilde;o regional, entre os alunos que vivem na regi&atilde;o Norte, onde est&aacute; a floresta amaz&ocirc;nica, 50,4% tinham interesse em ampliar os conhecimentos sobre a biodiversidade local, enquanto no Sudeste apenas 33,1%.<\/p>\n\n\n\n<p>A regi&atilde;o Nordeste tamb&eacute;m se destaca com o segundo maior n&uacute;mero relativo de entrevistados motivados (46,9%) a conhecer a biodiversidade de sua regi&atilde;o.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Esse resultado &eacute; surpreendente, pois o esperado &eacute; que, quanto maior o IDH [&Iacute;ndice de Desenvolvimento Humano] e o acesso a equipamentos como museus, por exemplo, maior seja o interesse em educa&ccedil;&atilde;o. No entanto, foi justamente o contr&aacute;rio que a pesquisa mostrou. Os motivos dessa desigualdade de interesses precisam ser investigados mais a fundo, entender o alto interesse de uns e encontrar formas de estimular a aten&ccedil;&atilde;o de outros. &Eacute; na regi&atilde;o Norte e Nordeste que est&atilde;o os menores IDHs do pa&iacute;s. Com isso, sugerimos que a cultura ind&iacute;gena seja, de certa maneira, um componente importante para essa atitude positiva dos jovens da regi&atilde;o Norte em rela&ccedil;&atilde;o ao interesse pelo estudo de conserva&ccedil;&atilde;o e biodiversidade da floresta&rdquo;, explica Bizzo.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Educa&ccedil;&atilde;o equivocada<\/h2>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores ressaltam no artigo que a biodiversidade da floresta amaz&ocirc;nica e o conhecimento ancestral dos povos ind&iacute;genas quase inexistem no curr&iacute;culo escolar nacional, que &eacute; unificado para todo o pa&iacute;s. Um exemplo claro est&aacute; nos livros did&aacute;ticos. Neles, a tend&ecirc;ncia &eacute; valorizar a abordagem da fauna ex&oacute;tica &ndash; como ursos polares, elefantes, girafas e le&otilde;es &ndash; em detrimento da diversidade local formada pelo boto-vermelho, quati, pregui&ccedil;a, guar&aacute;, carapan&atilde; (mosquito) e a jaguatirica.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Fica evidente a necessidade de que os estudantes brasileiros conhe&ccedil;am a Amaz&ocirc;nia. Por&eacute;m, o que aprendemos na escola e nos livros did&aacute;ticos se refere a uma floresta impenetr&aacute;vel, apenas recentemente ocupada por ind&iacute;genas. E n&atilde;o &eacute; bem assim, sabe-se que a floresta amaz&ocirc;nica estava muito longe de ser um vazio populacional quando aqui chegaram os portugueses&rdquo;, afirma Bizzo &agrave; Ag&ecirc;ncia FAPESP.<\/p>\n\n\n\n<p>J&aacute; est&aacute; bem estabelecido que a Amaz&ocirc;nia pr&eacute;-colombiana abrigava uma popula&ccedil;&atilde;o grande, complexa e que, inclusive, alterou a floresta. &ldquo;Popula&ccedil;&otilde;es locais intervinham na distribui&ccedil;&atilde;o das &aacute;rvores e domesticaram mais de 80 esp&eacute;cies vegetais. Isso foi comprovado em um estudo muito interessante que associou arqueologia e lingu&iacute;stica. No entanto, esses saberes tradicionais v&ecirc;m sendo silenciados at&eacute; hoje, mesmo que os estudantes estejam &aacute;vidos por conhec&ecirc;-los nas escolas&rdquo;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>O pesquisador ressalta que o caso mais conhecido da domestica&ccedil;&atilde;o de plantas &eacute; o da mandioca, mas entre essas 80 esp&eacute;cies tamb&eacute;m est&atilde;o a batata-doce, o abacaxi, o mam&atilde;o e muitas outras que fazem parte da dieta alimentar de muitas pessoas no mundo. &ldquo;A pr&oacute;pria cloroquina, utilizada para o tratamento da mal&aacute;ria, t&atilde;o em voga e controversa atualmente, tem o princ&iacute;pio ativo oriundo da uma casca de &aacute;rvore descoberto por ind&iacute;genas&rdquo;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>De acordo com os pesquisadores, o interesse ainda carrega um forte aspecto cultural: o fato de as popula&ccedil;&otilde;es locais e ind&iacute;genas da regi&atilde;o Norte contribu&iacute;rem para a difus&atilde;o do conhecimento sobre a biodiversidade. &Eacute; o caso do boto, do curupira ou do mapinguari &ndash; criatura gigantesca que ainda habitaria a floresta. Presentes na cultura rural e urbana da Amaz&ocirc;nia, essas hist&oacute;rias e personagens fazem com que mesmo os jovens de &aacute;reas urbanas do Norte do Brasil tenham um contato distinto com a natureza em compara&ccedil;&atilde;o com alunos urbanos ou de &aacute;reas rurais no Sul e Sudeste.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Dificilmente se encontra algo semelhante no Sul do Brasil, mesmo no oeste catarinense, onde &eacute; importante a presen&ccedil;a de ind&iacute;genas, principalmente das culturas Guarani e Kaingang&rdquo;, conta Bizzo.<\/p>\n\n\n\n<p>Dessa forma, segundo o pesquisador, h&aacute; uma necessidade urgente de fornecer uma abordagem diferente da biodiversidade local e da conserva&ccedil;&atilde;o para estudantes e p&uacute;blico no Brasil, especialmente na regi&atilde;o amaz&ocirc;nica.<\/p>\n\n\n\n<p>Uma quest&atilde;o abordada no programa (em 2014) ilustra bem a desconex&atilde;o existente entre os interesses dos estudantes brasileiros e as pol&iacute;ticas ambientais e de conserva&ccedil;&atilde;o. Ela pedia aos estudantes que se posicionassem sobre o dever de pa&iacute;ses ricos arcarem com indeniza&ccedil;&otilde;es de problemas ambientais. &ldquo;Nossos dados objetivos mostram que a maioria dos estudantes brasileiros foi contr&aacute;ria ao posicionamento de cobrar indeniza&ccedil;&otilde;es dos pa&iacute;ses ricos por problemas ambientais. Obviamente, os jovens n&atilde;o podiam prever que, cinco anos depois de serem questionados sobre esse tema, nosso ministro do Meio Ambiente cobraria a responsabilidade dos pa&iacute;ses ricos na Confer&ecirc;ncia das Na&ccedil;&otilde;es Unidas sobre Mudan&ccedil;as Clim&aacute;ticas (COP-25, em Madri), em dezembro do ano passado&rdquo;, diz.<\/p>\n\n\n\n<p>O artigo Amazon conservation and students&rsquo; interests for biodiversity: The need to boost science education in Brazil (doi: 10.1126\/sciadv.abb0110), de Fernanda Franzolin, Paulo S. Garcia e Nelio Bizzo, pode ser lido em <a href=\"https:\/\/advances.sciencemag.org\/content\/6\/35\/eabb0110\" class=\"rank-math-link\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/advances.sciencemag.org\/content\/6\/35\/eabb0110<\/a>.<br>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pesquisa tra&ccedil;a um panorama sobre o comportamento dos jovens em rela&ccedil;&atilde;o &agrave; conserva&ccedil;&atilde;o e biodiversidade<\/p>\n","protected":false},"author":15,"featured_media":12899,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[20,19],"tags":[2188,2187,2189],"class_list":{"0":"post-12898","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-destaques","8":"category-insights","9":"tag-biodiversidade","10":"tag-conservacao","11":"tag-futuro-da-natureza"},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/09\/bike-trilha.jpg","post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12898","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/users\/15"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12898"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12898\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12899"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12898"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12898"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12898"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}