{"id":11149,"date":"2020-06-19T09:41:57","date_gmt":"2020-06-19T12:41:57","guid":{"rendered":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/?p=11149"},"modified":"2020-06-19T10:03:14","modified_gmt":"2020-06-19T13:03:14","slug":"o-novo-protagonismo-da-ciencia-no-pos-pandemia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/o-novo-protagonismo-da-ciencia-no-pos-pandemia\/","title":{"rendered":"O novo protagonismo da ci\u00eancia no p\u00f3s-pandemia"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"681\" src=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ciencia-cientista-pesquisa-cientifica-foto-pixabay-1024x681.jpg\" alt=\"Falar em evid&ecirc;ncias cient&iacute;ficas e monitorar dados com a popula&ccedil;&atilde;o dever&aacute; ficar como legado da pandemia, avalia cientista. Foto: Pixabay\" class=\"wp-image-11150\" srcset=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ciencia-cientista-pesquisa-cientifica-foto-pixabay-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ciencia-cientista-pesquisa-cientifica-foto-pixabay-300x199.jpg 300w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ciencia-cientista-pesquisa-cientifica-foto-pixabay-768x511.jpg 768w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ciencia-cientista-pesquisa-cientifica-foto-pixabay-696x463.jpg 696w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ciencia-cientista-pesquisa-cientifica-foto-pixabay.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><figcaption>Falar em evid&ecirc;ncias cient&iacute;ficas e monitorar dados com a popula&ccedil;&atilde;o dever&aacute; ficar como legado da pandemia, avalia cientista. Foto: Pixabay<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Claudia Izique<br>Ag&ecirc;ncia FAPESP<\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>A pandemia da COVID-19 conferiu &agrave; ci&ecirc;ncia o papel de protagonista no esfor&ccedil;o global de buscar solu&ccedil;&otilde;es para a pior crise sanit&aacute;ria do &uacute;ltimo s&eacute;culo. Mais do que isso: exigiu que a ci&ecirc;ncia estabelecesse di&aacute;logo com a sociedade para explicar conceitos e m&eacute;todos pr&oacute;prios do universo de pesquisa, popularizando, em pouco mais de 100 dias, termos como curva exponencial, ensaios cl&iacute;nicos ou pr&eacute;-cl&iacute;nicos, teste duplo-cego, entre outros. Mas&nbsp;como manter o protagonismo e a inser&ccedil;&atilde;o social da ci&ecirc;ncia depois da pandemia?<\/p>\n\n\n\n<p>Na busca de respostas para essa pergunta, dirigentes de ag&ecirc;ncia de fomento, pesquisadores e secret&aacute;rios das &aacute;reas de ci&ecirc;ncia, tecnologia e inova&ccedil;&atilde;o dos governos de S&atilde;o Paulo e do Rio Grande do Sul&nbsp;no semin&aacute;rio on-line &ldquo;O novo protagonismo da Ci&ecirc;ncia&rdquo;. O evento, realizado nesta quinta-feira, 18 de junho, marcou o&nbsp;encerramento do 3o F&oacute;rum Desempenho Acad&ecirc;mico e Compara&ccedil;&otilde;es Internacionais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-pullquote alignleft is-style-solid-color\"><blockquote><p>&ldquo;Teremos que intensificar os mecanismos de comunica&ccedil;&atilde;o com a sociedade para informar e ouvir o que ela espera da ci&ecirc;ncia&rdquo;<\/p><\/blockquote><\/figure>\n\n\n\n<p>&ldquo;Teremos que intensificar os mecanismos de comunica&ccedil;&atilde;o com a sociedade para informar e ouvir o que ela espera da ci&ecirc;ncia&rdquo;, disse Marco Antonio Zago, presidente da FAPESP. No caso de uma ag&ecirc;ncia de fomento&nbsp;como a FAPESP, isso se traduz no apoio &agrave; pesquisa fundamental, mas tamb&eacute;m &agrave; pesquisa que ofere&ccedil;a solu&ccedil;&otilde;es para a sa&uacute;de, a ind&uacute;stria e a desigualdade, exemplificou.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Na FAPESP j&aacute; h&aacute; um conjunto de a&ccedil;&otilde;es que endere&ccedil;am nessa dire&ccedil;&atilde;o&rdquo;, completou Luiz Eug&ecirc;nio Mello, diretor cient&iacute;fico da Funda&ccedil;&atilde;o. Citou os exemplos do edital Ci&ecirc;ncia para o Desenvolvimento, lan&ccedil;ado no final do ano passado, que articular&aacute; universidades, institutos de pesquisa e &oacute;rg&atilde;os do governo na solu&ccedil;&atilde;o de problemas econ&ocirc;micos e sociais, e do reposit&oacute;rio de informa&ccedil;&otilde;es cl&iacute;nicas de pacientes com COVID-19, lan&ccedil;ado em parceria com o Laborat&oacute;rio Fleury e os hospitais Albert Einstein e S&iacute;rio-Liban&ecirc;s (leia mais em <a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/31980\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">agencia.fapesp.br\/31980\/<\/a> e <a href=\"http:\/\/agencia.fapesp.br\/33427\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">agencia.fapesp.br\/33427\/<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;&Eacute; preciso conciliar oferta e demanda e mostrar para a sociedade o que a ci&ecirc;ncia est&aacute; produzindo&rdquo;, acrescentou. Em sua avalia&ccedil;&atilde;o, se isso n&atilde;o ocorrer, ser&aacute; dif&iacute;cil manter o protagonismo. &ldquo;A sociedade, que paga a conta, precisa enxergar o benef&iacute;cio que recebe.&rdquo;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Carlos Henrique de Brito Cruz, que ocupou o cargo de diretor cient&iacute;fico da FAPESP entre 2005 e 2020, acredita que a implementa&ccedil;&atilde;o de pesquisas orientadas a solu&ccedil;&otilde;es exigiria uma consulta &agrave; sociedade. &ldquo;Para identificar problemas que motivem os pesquisadores e que levem a solu&ccedil;&otilde;es, &eacute; preciso interagir direto com a sociedade. Os Pa&iacute;ses Baixos&nbsp;realizam h&aacute; quatro anos, uma pesquisa com os cidad&atilde;os para saber o que &eacute; importante para sua vida.&rdquo;<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Se quisermos dar &agrave; ci&ecirc;ncia protagonismo, &eacute; preciso caminhar para uma situa&ccedil;&atilde;o estrat&eacute;gica, em que o pesquisador mantenha acesso constante com parceiros fora da academia&rdquo;, sugeriu Elizabeth Balbachevsky, pesquisadora da Universidade de S&atilde;o Paulo (USP).<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Integra&ccedil;&atilde;o e colabora&ccedil;&atilde;o<\/h2>\n\n\n\n<p>&ldquo;Falar em evid&ecirc;ncias cient&iacute;ficas e monitorar dados com a popula&ccedil;&atilde;o dever&aacute; ficar como legado da pandemia&rdquo;, previu Patr&iacute;cia Ellen, secret&aacute;ria de Desenvolvimento Econ&ocirc;mico do Estado de S&atilde;o Paulo. &ldquo;A integra&ccedil;&atilde;o da ci&ecirc;ncia com a aplica&ccedil;&atilde;o em escala &eacute; fundamental.&rdquo;<\/p>\n\n\n\n<p>Ellen acredita que, no p&oacute;s-pandemia, o investimento priorit&aacute;rio da ci&ecirc;ncia dever&aacute; ser em tecnologias para a sa&uacute;de, da aten&ccedil;&atilde;o b&aacute;sica &agrave; alta complexidade, treinamento avan&ccedil;ado para sa&uacute;de e tecnologia para o tratamento. &ldquo;Superamos desafios operacionais e jur&iacute;dicos&rdquo;, disse, citando o exemplo da telemedicina.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Precisamos da ci&ecirc;ncia durante e tamb&eacute;m precisaremos no p&oacute;s-pandemia&rdquo;, afirmou&nbsp;a secret&aacute;ria. No pico da doen&ccedil;a, a sa&uacute;de ficou voltada para o tratamento da COVID-19. &ldquo;Teremos, por exemplo, um backlog de cirurgias. A pausa na educa&ccedil;&atilde;o precisar&aacute;&nbsp;ser recuperada. E ser&aacute; preciso&nbsp;acelerar o trabalho educacional com as classes desfavorecidas, al&eacute;m de fomentar o empreendedorismo&rdquo;, afirmou. &ldquo;Vejo que h&aacute; um movimento para voltar ao modelo de educa&ccedil;&atilde;o antigo. N&atilde;o h&aacute; mais retorno para o tradicional. H&aacute; uma oportunidade de repensar o modelo e sair melhor l&aacute; na frente. O v&iacute;rus nos ensinou que a sa&iacute;da est&aacute; na integra&ccedil;&atilde;o e colabora&ccedil;&atilde;o.&rdquo;<\/p>\n\n\n\n<p>Lu&iacute;s&nbsp;da Cunha Lamb, secret&aacute;rio&nbsp;de Inova&ccedil;&atilde;o, Ci&ecirc;ncia e Tecnologia do Rio Grande do Sul, considerou que, no caso espec&iacute;fico do Brasil, ci&ecirc;ncia precisa alinhar-se a uma economia sustentada por valores intang&iacute;veis. &ldquo;Embora tenhamos percebido isso nos c&iacute;rculos acad&ecirc;micos, n&atilde;o fizemos a transi&ccedil;&atilde;o para colocar essa quest&atilde;o como fundamental para o planejamento nacional. Pensamos a educa&ccedil;&atilde;o para um mundo industrial, focado na normatiza&ccedil;&atilde;o do mercado ou na no&ccedil;&atilde;o de horas de trabalho do taylorismo, quando as empresas de maior valor de mercado t&ecirc;m seus funcion&aacute;rios trabalhando em casa, com maior produtividade.&rdquo;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O futuro da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o<\/h2>\n\n\n\n<p>A pandemia da COVID-19 tamb&eacute;m deixar&aacute; um legado importante para a defini&ccedil;&atilde;o dos planos para o futuro da pesquisa e da educa&ccedil;&atilde;o. Um deles &eacute; a redu&ccedil;&atilde;o da mobilidade dos pesquisadores. &ldquo;Os laborat&oacute;rios ter&atilde;o que adotar novos designs e a colabora&ccedil;&atilde;o internacional ter&aacute; que ser feita com restri&ccedil;&atilde;o ao movimento. Experimentos de dois pa&iacute;ses poder&atilde;o ser executados nos respectivos laborat&oacute;rios, com resultados compartilhados e analisados remotamente. Ser&aacute; preciso adaptar as atividades pr&aacute;ticas num mundo com novos h&aacute;bitos&rdquo;, previu Zago.<\/p>\n\n\n\n<p>A rela&ccedil;&atilde;o entre ci&ecirc;ncia e educa&ccedil;&atilde;o tamb&eacute;m ter&aacute; que ser renovada. &ldquo;A base cient&iacute;fica do processo de educa&ccedil;&atilde;o enfraqueceu e o conte&uacute;do dos curr&iacute;culos passou a dominar o ensino universit&aacute;rio. Com a pandemia, todos viveram a experi&ecirc;ncia de ter que buscar respostas novas, experimentais, num processo organizado que caracteriza a ci&ecirc;ncia. Isso refor&ccedil;ar&aacute; nas universidades a busca de solu&ccedil;&otilde;es interdisciplinares&rdquo;, afirmou o presidente da FAPESP.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;&Eacute; preciso mudar o perfil da p&oacute;s-gradua&ccedil;&atilde;o, que n&atilde;o &eacute; mais um canal de forma&ccedil;&atilde;o de pesquisadores acad&ecirc;micos&rdquo;, disse Balbachevsky, citando dados do Centro de Gest&atilde;o e Estudos Estrat&eacute;gicos (CGEE) que mostram que mais de 50% dos doutores formados no pa&iacute;s desde 1996 est&atilde;o em empresas ou em ambientes n&atilde;o acad&ecirc;micos.<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo ela, j&aacute; h&aacute; um movimento &ldquo;t&aacute;tico&nbsp;que precisa virar estrat&eacute;gico&rdquo;, definindo um perfil novo para o&nbsp;pesquisador: ter conhecimento especializado, dom&iacute;nio de recursos metodol&oacute;gicos, mas tamb&eacute;m&nbsp;flexibilidade e compet&ecirc;ncia para se orientar para a solu&ccedil;&atilde;o de problemas, identificar oportunidades de aplica&ccedil;&atilde;o do conhecimento, negociar agendas comuns e propriedade intelectual e saber se comunicar&nbsp;fora do ambiente acad&ecirc;mico. &ldquo;Estamos falando de um novo protagonismo e de um novo perfil de cientista.&rdquo;<\/p>\n\n\n\n<p>O 3o F&oacute;rum Desempenho Acad&ecirc;mico e Compara&ccedil;&otilde;es Internacionais foi organizado no &acirc;mbito do projeto &ldquo;Indicadores de desempenho nas universidades estaduais paulistas&nbsp;2022&rdquo;, vinculado ao Programa FAPESP de Pesquisa em Pol&iacute;ticas P&uacute;blicas, liderado por Jacques Marcovitch.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Confira o debate:<\/h2>\n\n\n\n<figure><iframe loading=\"lazy\" width=\"560\" height=\"315\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/t7nlOjgvwKw\" allowfullscreen=\"\"><\/iframe><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Os demais debates do 3o F&oacute;rum Desempenho Acad&ecirc;mico e Compara&ccedil;&otilde;es Internacionais est&atilde;o acess&iacute;veis no endere&ccedil;o: https:\/\/metricas.usp.br\/iii-forum\/.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Claudia IziqueAg&ecirc;ncia FAPESP<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":11150,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[20,19,16,37],"tags":[1981],"class_list":{"0":"post-11149","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-destaques","8":"category-insights","9":"category-tendencias-setores","10":"category-um-dia-no-futuro","11":"tag-pos-pandemia-2"},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/ciencia-cientista-pesquisa-cientifica-foto-pixabay.jpg","post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11149","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11149"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11149\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media\/11150"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11149"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11149"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11149"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}