{"id":10349,"date":"2020-05-01T10:44:36","date_gmt":"2020-05-01T13:44:36","guid":{"rendered":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/?p=10349"},"modified":"2020-05-01T10:44:36","modified_gmt":"2020-05-01T13:44:36","slug":"quarta-revolucao-industrial-as-pecas-que-faltavam-para-o-advento-da-economia-circular","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/quarta-revolucao-industrial-as-pecas-que-faltavam-para-o-advento-da-economia-circular\/","title":{"rendered":"Quarta revolu\u00e7\u00e3o industrial, as pe\u00e7as que faltavam para o advento da economia circular"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_10350\" aria-describedby=\"caption-attachment-10350\" style=\"width: 1280px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/reciclagem-lixo-automoveis.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-10350 size-full\" src=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/reciclagem-lixo-automoveis.jpg\" alt='A economia circular encontrou na quarta revolu&ccedil;&atilde;o industrial a \"energia\" que precisava para causar transforma&ccedil;&otilde;es profundas e romper com o modelo gerador de lixo. Foto: P&igrave;xabay' width=\"1280\" height=\"853\" srcset=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/reciclagem-lixo-automoveis.jpg 1280w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/reciclagem-lixo-automoveis-300x200.jpg 300w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/reciclagem-lixo-automoveis-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/reciclagem-lixo-automoveis-768x512.jpg 768w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/reciclagem-lixo-automoveis-696x464.jpg 696w\" sizes=\"auto, (max-width: 1280px) 100vw, 1280px\"><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-10350\" class=\"wp-caption-text\">A economia circular encontrou na quarta revolu&ccedil;&atilde;o industrial a &ldquo;energia&rdquo; que precisava para causar transforma&ccedil;&otilde;es profundas e romper com o modelo gerador de lixo. Foto: P&igrave;xabay<\/figcaption><\/figure>\n<p><!--more--><strong>Marcelo Souza<\/strong> *<\/p>\n<p>Provavelmente voc&ecirc; j&aacute; deve ter escutado o termo economia circular, ainda mais com o aumento da preocupa&ccedil;&atilde;o da popula&ccedil;&atilde;o com rela&ccedil;&atilde;o ao meio ambiente. Isso porque ela prop&otilde;e novos modelos de produtividade e uma nova maneira de gerir neg&oacute;cios e vidas. Contudo, n&atilde;o estamos obrigatoriamente falando de algo &uacute;nico ou novo, mas sim de uma onda que se forma debru&ccedil;ada sobre o ombro de muitos outros conceitos e seus pensadores.<\/p>\n<p>Assim, a economia circular encontrou na quarta revolu&ccedil;&atilde;o industrial a &ldquo;energia&rdquo; que precisava para chegar &agrave; costa e causar transforma&ccedil;&otilde;es profundas. Antes de podermos nos aprofundar propriamente no que chamo de &ldquo;tsunami da nova economia&rdquo;, vamos trazer &agrave; mem&oacute;ria suas ra&iacute;zes, como o pensamento em ciclos ou economia de performance, criado pelo arquiteto su&iacute;&ccedil;o Walter R. Stahel durante a d&eacute;cada de 70, com o conhecido conceito &ldquo;do ber&ccedil;o ao ber&ccedil;o&rdquo; que prop&otilde;e que o produto deve ser pensado desde de sua concep&ccedil;&atilde;o at&eacute; seu descarte correto. Em seguida, emerge o conceito da ecologia industrial, ainda durante a d&eacute;cada de 70 e com forte presen&ccedil;a no Jap&atilde;o, introduzindo a simbiose industrial.<\/p>\n<p>Anos mais tarde, em 1994, John T. Lyle apresentou o conceito do designer regenerativo, pautado no equil&iacute;brio entre efici&ecirc;ncia e resili&ecirc;ncia, colabora&ccedil;&atilde;o e competi&ccedil;&atilde;o, diversidade e coer&ecirc;ncia, observando a necessidade do todo. Mais recentemente, no in&iacute;cio do s&eacute;culo XXI, a bi&oacute;loga Janine Benyus, em um abordagem tecnicista, inspirada na natureza, introduz a biomim&eacute;tica que re&uacute;ne biologia, engenharia, design e planejamento de neg&oacute;cios na busca da mimetiza&ccedil;&atilde;o, ou seja, copiar os processos bioqu&iacute;micos observados na natureza para a gest&atilde;o de fluxos de energias e materiais.<\/p>\n<p>Durante a era das revolu&ccedil;&otilde;es industriais, e de forma mais acentuada a partir do s&eacute;culo XIX, acompanhamos a crescente oferta de produtos e bens de consumo, debru&ccedil;ados sobre o conceito da obsolesc&ecirc;ncia programada. Essa ideia, criada pelo presidente da General Motors, Alfred P. Sloan, durante a d&eacute;cada de 20, fala sobre o fabricante planejar o exato momento em que seus produtos se tornem obsoletos ou n&atilde;o funcionais, com o &uacute;nico prop&oacute;sito de for&ccedil;ar o consumidor a comprar uma nova gera&ccedil;&atilde;o de itens.<\/p>\n<p>Assim, presenciamos o mundo criar muitas riquezas, mas executar uma p&eacute;ssima distribui&ccedil;&atilde;o. O que o senhor Sloan n&atilde;o se atentou &eacute; que em 2050 seremos aproximadamente 10 bilh&otilde;es de pessoas no planeta e estamos consumindo de forma linear, cada vez mais acelerada pela aplica&ccedil;&atilde;o lucrativa, mas gananciosa obsolesc&ecirc;ncia programada. Estamos consumindo recursos naturais finitos e gerando um desgaste ao meio ambiente, nosso fornecedor prim&aacute;rio de tudo.<\/p>\n<p>Esse modelo linear, base da nossa economia atual, &eacute; pautado em extra&ccedil;&atilde;o, produ&ccedil;&atilde;o, uso e descarte. Com o crescimento populacional, e naturalmente esse tipo de molde precisando ser cada vez mais eficaz para o atendimento da crescente demanda, o colapso do sistema fica mais evidente. O dia de sobrecarga da Terra trata-se da data em que consumirmos todos os recursos naturais dispon&iacute;veis para o ano, e a cada ano que passa batemos novos recordes. Se comparado com uma conta banc&aacute;ria, por exemplo, seria o dia que se entra no vermelho.<\/p>\n<p>Em 2019, o dia de sobrecarga da Terra no Brasil foi 31 de julho e, nos EUA, 15 de mar&ccedil;o, ou seja, utilizamos os recursos naturais dispon&iacute;veis para o ano de 2019 inteiro at&eacute; o dia 31 de julho e os americanos meses antes. Para ter par&acirc;metro de compara&ccedil;&atilde;o, o mesmo marco, na d&eacute;cada de 70 acontecia no dia 29 de dezembro. O surgimento da quarta revolu&ccedil;&atilde;o industrial, que chamo de &ldquo;Tsunami da Economia Circular&rdquo;, &eacute; algo que precisa acontecer e, gra&ccedil;as a bilh&otilde;es de pessoas conectadas, isso &eacute; poss&iacute;vel.<\/p>\n<p>Durante minha carreira tenho ministrado in&uacute;meras palestras para os mais diversos p&uacute;blicos e sempre fa&ccedil;o uma pergunta recorrente: Quem aqui tem uma furadeira em casa? Acreditem, &eacute; normal termos mais de 90% das m&atilde;os levantadas. Em seguida pergunto: Quem aqui j&aacute; fez mais de 20 furos com esse equipamento? Nesse caso, as m&atilde;os baixam drasticamente.<\/p>\n<p>Para entender melhor essa din&acirc;mica, por falta de dados t&eacute;cnicos, procurei meus colegas da manuten&ccedil;&atilde;o e perguntei quantos furos uma furadeira tem a capacidade de fazer durante a sua vida &uacute;til. Eles contaram que possuem equipamentos que tem mais de cinco anos e s&atilde;o utilizados, ao menos, tr&ecirc;s vezes por semana, fazendo de 20 a 30 furos cada vez que trabalham, assim entendemos que esse equipamento j&aacute; fez mais de 18 mil furos. As pessoas que conhe&ccedil;o possuem uma furadeira em casa fazem menos de 50 furos em sua vida. Isso sem falar dos novos modelos com bateria mais forte, que fazem o furo, parafusam e possuem outras funcionalidades. Seria obsolesc&ecirc;ncia programada?<\/p>\n<blockquote class=\"td_quote td_quote_left\"><p>A economia circular deixa de consumir linearmente recursos e foca em redu&ccedil;&atilde;o de extra&ccedil;&atilde;o<\/p><\/blockquote>\n<p>Naturalmente isso teria contribu&iacute;do para o dia de sobrecarga da Terra ficar mais pr&oacute;ximo do dia 31 de dezembro, novamente. Perguntas que devem ser feitas para entender essa quest&atilde;o s&atilde;o: Precisamos de um carro ou nos locomover? De um DVD ou do acesso ao filme que queremos assistir? De uma m&aacute;quina de lavar ou da roupa limpa? A economia circular deixa de consumir linearmente recursos e foca em redu&ccedil;&atilde;o de extra&ccedil;&atilde;o, redu&ccedil;&atilde;o de perdas de processo, otimizar o uso dos materiais, circular mais e melhor e retornar os materiais a novos ciclos.<\/p>\n<p>Esse conceito de Economia Circular encontrou no mundo das plataformas uma das marcas da quarta revolu&ccedil;&atilde;o industrial: a possibilidade de se tornar um tsunami, uma nova economia. Como disse o professor Klaus Schwab, fundador do F&oacute;rum Econ&ocirc;mico Mundial em seu livro A Quarta revolu&ccedil;&atilde;o industrial, &ldquo;O conhecimento compartilhado passa a ser especialmente decisivo para moldarmos um futuro coletivo que reflita valores e objetivos comuns&rdquo;. E voc&ecirc; prefere continuar vendendo produtos ou migrar para servi&ccedil;os?<\/p>\n<hr>\n<ul>\n<li><em>Marcelo Souza &eacute; CEO da Ind&uacute;stria Fox, pioneira na reciclagem de refrigeradores com destrui&ccedil;&atilde;o dos gases do efeito estufa.<\/em><\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1,"featured_media":10350,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":"","footnotes":"","jetpack_publicize_message":"","jetpack_publicize_feature_enabled":true,"jetpack_social_post_already_shared":true,"jetpack_social_options":{"image_generator_settings":{"template":"highway","enabled":false},"version":2}},"categories":[20,36,1423],"tags":[1946,452,366,1945,595,797,1543],"class_list":{"0":"post-10349","1":"post","2":"type-post","3":"status-publish","4":"format-standard","5":"has-post-thumbnail","7":"category-destaques","8":"category-pensadores-futuro","9":"category-sustentabilidade","10":"tag-consciencia-ambiental","11":"tag-crise-climatica","12":"tag-economia-circular","13":"tag-futuro-do-capitalismo","14":"tag-futuro-do-consumo","15":"tag-futuro-do-planeta","16":"tag-reciclagem"},"jetpack_publicize_connections":[],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2020\/05\/reciclagem-lixo-automoveis.jpg","post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10349","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=10349"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/10349\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media\/10350"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=10349"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=10349"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=10349"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}