{"id":16892,"date":"2021-05-20T14:57:41","date_gmt":"2021-05-20T17:57:41","guid":{"rendered":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/?post_type=encyclopedia&#038;p=16892"},"modified":"2021-05-20T14:57:48","modified_gmt":"2021-05-20T17:57:48","slug":"metodo-simplifica-monitoramento-de-remedios-no-organismo","status":"publish","type":"encyclopedia","link":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/ddof\/metodo-simplifica-monitoramento-de-remedios-no-organismo\/","title":{"rendered":"M\u00e9todo simplifica monitoramento de rem\u00e9dios no organismo"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-style-default\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"682\" src=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/remedios-medicamentos-laboratorio-vacinas-1-foto-iqsc-usp-1024x682.jpg\" alt=\"Mais r&aacute;pida, barata e sustent&aacute;vel, t&eacute;cnica anal&iacute;tica de monitoramento de rem&eacute;dios pode ser importante aliada no tratamento de diversos tipos de doen&ccedil;as\nHenrique Fontes\nAssessoria de Comunica&ccedil;&atilde;o do IQSC\/USP\" class=\"wp-image-16894\" srcset=\"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/remedios-medicamentos-laboratorio-vacinas-1-foto-iqsc-usp-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/remedios-medicamentos-laboratorio-vacinas-1-foto-iqsc-usp-300x200.jpg 300w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/remedios-medicamentos-laboratorio-vacinas-1-foto-iqsc-usp-768x512.jpg 768w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/remedios-medicamentos-laboratorio-vacinas-1-foto-iqsc-usp-696x464.jpg 696w, https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/remedios-medicamentos-laboratorio-vacinas-1-foto-iqsc-usp.jpg 1280w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\"><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Mais r&aacute;pida, barata e sustent&aacute;vel, t&eacute;cnica anal&iacute;tica de monitoramento de rem&eacute;dios pode ser importante aliada no tratamento de diversos tipos de doen&ccedil;as<\/strong><\/p>\n\n\n\n<!--more-->\n\n\n\n<p>Henrique Fontes<br>Assessoria de Comunica&ccedil;&atilde;o do IQSC\/USP<\/p>\n\n\n\n<p>Um novo m&eacute;todo desenvolvido por cientistas do Instituto de Qu&iacute;mica de S&atilde;o Carlos (IQSC) da USP promete simplificar o processo para detectar a presen&ccedil;a e determinar a concentra&ccedil;&atilde;o de medicamentos no organismo de uma pessoa. Al&eacute;m de ser mais r&aacute;pida e barata, a t&eacute;cnica exige uma quantidade bem menor de amostras de urina, sangue ou saliva de algu&eacute;m que precisa passar por exames m&eacute;dicos. O procedimento pode ser um importante aliado dos profissionais da sa&uacute;de no tratamento de pacientes acometidos por diversos tipos de doen&ccedil;as e at&eacute; mesmo em per&iacute;cias no caso de intoxica&ccedil;&otilde;es por uso abusivo de f&aacute;rmacos ou mortes por overdose. Os resultados obtidos no trabalho geraram um artigo que foi publicado na Molecules, revista cient&iacute;fica internacional da &aacute;rea de qu&iacute;mica.<\/p>\n\n\n\n<p>A metodologia foi aplicada em amostras de urina humana para identificar cinco tipos de antidepressivos e antiepil&eacute;ticos muito utilizados no Brasil: Carbamazepina, Citalopram, Desipramina, Sertralina e Clomipramina. Segundo os cientistas, monitorar a concentra&ccedil;&atilde;o de medicamentos presentes no organismo &eacute; importante, por exemplo, para avaliar a efic&aacute;cia de um tratamento. Se o paciente excreta uma porcentagem muito alta de certo rem&eacute;dio pela urina, isso pode explicar o fato do composto n&atilde;o estar surtindo efeito, permitindo que o m&eacute;dico mude a estrat&eacute;gia da terapia. Outro motivo que mostra a relev&acirc;ncia de se realizar esse tipo de avalia&ccedil;&atilde;o na &aacute;rea m&eacute;dica &eacute; que, nas &uacute;ltimas d&eacute;cadas, o uso excessivo de alguns f&aacute;rmacos para fins recreativos tem preocupado organiza&ccedil;&otilde;es de sa&uacute;de em todo o mundo. Esse h&aacute;bito pode causar graves problemas de intoxica&ccedil;&atilde;o, o que demanda an&aacute;lises precisas dos medicamentos ingeridos pelo usu&aacute;rio no caso de algum incidente.<\/p>\n\n\n\n<p>Como funciona o m&eacute;todo? &ndash; Primeiramente, a amostra a ser analisada passa por uma esp&eacute;cie de filtro para eliminar algumas impurezas que podem interferir no resultado. Depois disso, a por&ccedil;&atilde;o de urina &eacute; colocada dentro de um equipamento (cromat&oacute;grafo l&iacute;quido) onde um rob&ocirc; suga parte da amostra para que ela seja misturada com os solventes, compostos que ajudam a transport&aacute;-la at&eacute; tubos bem finos, respons&aacute;veis por reter e separar os medicamentos. Ap&oacute;s essa etapa, os f&aacute;rmacos s&atilde;o encaminhados para outro aparelho, chamado espectr&ocirc;metro de massas, que realiza a identifica&ccedil;&atilde;o e quantifica&ccedil;&atilde;o dos rem&eacute;dios. Todo esse processo &eacute; desenvolvido, otimizado e repassado previamente pelos cientistas a um computador, que executa as tarefas de forma autom&aacute;tica.<\/p>\n\n\n\n<p>&ldquo;Diferentemente dos m&eacute;todos tradicionais, que envolvem uma s&eacute;rie de procedimentos manuais trabalhosos e demorados para preparar as amostras, n&oacute;s conseguimos automatizar o processo, eliminando diversas etapas. Isso fez com que o tempo de an&aacute;lise ca&iacute;sse pela metade, passando de aproximadamente 16 minutos no m&eacute;todo convencional para cerca de oito minutos com o nosso m&eacute;todo. Al&eacute;m disso, &eacute; poss&iacute;vel realizar e controlar todos esse passo a passo a dist&acirc;ncia, direto das nossas casas, por exemplo, tornando o procedimento muito mais flex&iacute;vel&rdquo;, explica Edvaldo Vasconcelos Soares Maciel, autor do trabalho e doutorando do IQSC.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Simplifica&ccedil;&atilde;o<\/h2>\n\n\n\n<p>O pesquisador conta que a nova metodologia pode ser adaptada para monitorar e detectar qualquer tipo de medicamento ou produto inger&iacute;vel em outros tipos de fluidos biol&oacute;gicos, como a saliva e o sangue, e at&eacute; mesmo ser utilizada em outras &aacute;reas, como meio ambiente e no ramo aliment&iacute;cio &ndash; os cientistas, inclusive, j&aacute; testaram o m&eacute;todo para avaliar a presen&ccedil;a de agrot&oacute;xicos no mel produzido por abelhas e de toxinas no vinho. Outro benef&iacute;cio da t&eacute;cnica &eacute; que ela demanda uma quantidade bem menor de solventes e amostras para que a detec&ccedil;&atilde;o dos compostos de interesse seja feita, barateando o processo: &ldquo;Pensando em um exame que exige a coleta de sangue do paciente, ou seja, um procedimento invasivo, &eacute; interessante que retiremos a amostra rapidamente, na menor fra&ccedil;&atilde;o poss&iacute;vel, evitando ao m&aacute;ximo qualquer desconforto. J&aacute; com rela&ccedil;&atilde;o aos solventes, com apenas uma gota j&aacute; conseguimos realizar a an&aacute;lise, quantidade aproximadamente 100 vezes menor que a utilizada nos m&eacute;todos tradicionais&rdquo;.<\/p>\n\n\n\n<p>Um outro item que tamb&eacute;m possibilitou o barateamento das an&aacute;lises foi o desenvolvimento dos pequenos tubos utilizados durante o processo de separa&ccedil;&atilde;o, detec&ccedil;&atilde;o e quantifica&ccedil;&atilde;o dos medicamentos. Feitos de &oacute;xido de grafeno e s&iacute;lica (principal componente da areia), os dispositivos criados no IQSC s&atilde;o mais finos que os convencionais e possuem um custo bem menor que os encontrados no mercado. De acordo com o professor Fernando Mauro Lan&ccedil;as, docente do IQSC e orientador de Edvaldo, a redu&ccedil;&atilde;o de custos pode beneficiar, principalmente, a ind&uacute;stria, que muitas vezes realiza experimentos 24 horas por dia. Lan&ccedil;as afirma ainda que a utiliza&ccedil;&atilde;o de quantidades menores de solventes, al&eacute;m de gerar benef&iacute;cios econ&ocirc;micos, tamb&eacute;m contribui para o est&iacute;mulo da sustentabilidade, j&aacute; que o excedente desses compostos, que geralmente s&atilde;o nocivos e t&oacute;xicos ao meio ambiente, &eacute; descartado. &ldquo;Muito maior do que o pre&ccedil;o que se paga para comprar esses solventes s&atilde;o os gastos para dar um destino adequado a eles, que n&atilde;o podem ser jogados em qualquer lugar. Ent&atilde;o, uma vez que n&oacute;s trabalhamos com quantidades menores desses materiais, obviamente teremos menos produtos para descartar, deixando o processo mais ecol&oacute;gico&rdquo;, explica.<\/p>\n\n\n\n<p>Os testes com o novo m&eacute;todo foram realizados em amostras brancas (limpas) de urina humana, nas quais foram adicionados os princ&iacute;pios ativos dos medicamentos que os pesquisadores pretendiam identificar. Os resultados comprovaram a efici&ecirc;ncia na execu&ccedil;&atilde;o de todos os passos da an&aacute;lise, garantindo a separa&ccedil;&atilde;o, detec&ccedil;&atilde;o e quantifica&ccedil;&atilde;o dos rem&eacute;dios. Tamb&eacute;m foram analisadas outras 10 amostras de urina, essas diretamente de doadores que concordaram em participar do trabalho. As amostras n&atilde;o passaram por nenhum tratamento espec&iacute;fico e foram analisadas &ldquo;&agrave;s cegas&rdquo;. Nos testes, foi detectada a presen&ccedil;a de res&iacute;duos de citalopram na urina de um dos volunt&aacute;rios.<\/p>\n\n\n\n<p>Problema mundial &ndash; Os transtornos mentais humanos, como depress&atilde;o e ansiedade, podem ser classificados atualmente como um dos problemas que mais desafiam a medicina. Sem idade certa para afetar as pessoas, esses dist&uacute;rbios causam tanto impactos econ&ocirc;micos como sociais. De acordo com a Organiza&ccedil;&atilde;o Mundial de Sa&uacute;de (OMS), estima-se que 4,4% da popula&ccedil;&atilde;o mundial j&aacute; tenha sofrido dessas patologias e a previs&atilde;o &eacute; de que a depress&atilde;o ser&aacute; o segundo transtorno humano mais prevalente em 2030. Segundo a Pesquisa Nacional de Sa&uacute;de (PNS) de 2019, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat&iacute;stica (IBGE), cerca de 16,3 milh&otilde;es de pessoas com mais de 18 anos sofrem de depress&atilde;o no pa&iacute;s, um aumento de 34,2% no per&iacute;odo de 2013 a 2019. Os tratamentos envolvem psicoterapia cognitiva e, principalmente, a ingest&atilde;o oral de antidepressivos e, em alguns casos, at&eacute; de antiepil&eacute;pticos, que tamb&eacute;m podem ser usados para tratar esses dist&uacute;rbios, pois atuam como estabilizadores do humor.<\/p>\n\n\n\n<p>O m&eacute;todo desenvolvido no IQSC j&aacute; foi validado e est&aacute; pronto para ser incorporado &agrave; ind&uacute;stria ou transferido para hospitais que desejarem utiliz&aacute;-lo. O trabalho foi financiado pela Funda&ccedil;&atilde;o de Amparo &agrave; Pesquisa do Estado de S&atilde;o Paulo (FAPESP), Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient&iacute;fico e Tecnol&oacute;gico (CNPq) e Coordena&ccedil;&atilde;o de Aperfei&ccedil;oamento de Pessoal de N&iacute;vel Superior (CAPES).<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais r&aacute;pida, barata e sustent&aacute;vel, t&eacute;cnica anal&iacute;tica de monitoramento de rem&eacute;dios pode ser importante aliada no tratamento de diversos tipos de doen&ccedil;as<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16894,"comment_status":"open","ping_status":"open","template":"","meta":{"tdm_status":"","tdm_grid_status":""},"categories":[1419,16],"encyclopedia-category":[],"class_list":{"0":"post-16892","1":"encyclopedia","2":"type-encyclopedia","3":"status-publish","4":"has-post-thumbnail","6":"category-inovacoes-inovadores","7":"category-tendencias-setores"},"post_mailing_queue_ids":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia\/16892","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia"}],"about":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/types\/encyclopedia"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16892"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16894"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16892"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16892"},{"taxonomy":"encyclopedia-category","embeddable":true,"href":"https:\/\/radardofuturo.com.br\/test\/wp-json\/wp\/v2\/encyclopedia-category?post=16892"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}