Evangelizadores tecnológicos difundem as vantagens do uso de inovações - foto Pixabay
Evangelizadores tecnológicos difundem as vantagens do uso de inovações

Evangelistas tecnológicos têm a missão de fazer as previsões de tendências acontecerem.

Carlos Teixeira
Jornalista I Futurista

Carlos Teixeira Jornalista I Futurista
Carlos Teixeira
Jornalista I Futurista

Eles estão em todas as partes. Em pequenos e grandes eventos. Entre grupos de muitas ou poucas pessoas. Sempre dispostos a pregar as suas crenças. A seguir os ensinamentos de grandes líderes materiais e espirituais. A convencer o cidadão e o consumidor que o paraíso e o inferno existem. E que basta seguir o caminho correto para ter lucros na Terra. Alguns são explícitos, outros sutis. São os evangelistas, os pregadores das boas virtudes das tecnologias.

Não estou falando sobre os pregadores de crenças religiosas. Este texto é sobre outro tipo de evangelizador, o da área de tecnologia. São profissionais especializados em convencer as massas ou públicos específicos a adotar uma determinada tecnologia ou plataforma tecnológica. Convencem alguns a ver e pegar a tecnologia como uma boa onda. Outros são convencidos a temer a onda – e comprar produtos para se proteger, claro.

Nada contra os evangelistas tecnológicos, que fique claro. Eles são tão importantes quanto os vendedores e os lobistas, desde que se saiba que eles existem e quais são os seus papeis. Por que isso é importante? Porque estamos expostos, em várias situações, de forma sutil às suas influências de formadores de opinião. Precisamos ter, diante deles, a mesma postura que deveríamos assumir ao ler um jornal: senso crítico, acima de tudo.

Há boas razões. No título “quem não tiver um site está fadado a morrer”, propagado nos primeiros anos da internet, onde estão as intenções? E em “os robôs vão roubar os nossos empregos”? “A inteligência artificial se iguala à humana até 2029” diz o que para as nossas expectativas atuais e futuras? Para algumas pessoas, perguntas assim geram conformismo. Para outros, estimulam a urgência de ter um site ou investir em robôs ou inteligência artificial.

No final das contas, na estrutura de transformação do mundo, evangelistas têm a missão de consolidar algumas das tendências centrais das inovações tecnológicas. Sem o mesmo perfil dos vendedores, ou seja, o foco em “fechar pedidos”, eles fazem o convencimento em massa sobre o que vem pela frente, como oportunidade ou ameaça.

Profissão: evangelizadores tecnológicos

Geralmente, tais pregadores são contratados por empresas que desejam estabelecer suas plataformas tecnológicas proprietárias ou livres como o “padrão” do mercado.  É um mercado formado também por consultores interessados em se beneficiar das ondas gravitacionais geradas pelas inovações das grandes corporações tecnológicas.

O evangelista tecnológico está intimamente envolvido com a estratégia de desenvolvimento do produto, marketing, divulgação, treinamento e é habilidoso em convencer as massas a adotar novos métodos e costumes através de inovações tecnológicas. Na Microsoft Brasil, por exemplo, existe o cargo de “Technical Evangelist (TE). “Como o próprio nome sugere, o evangelista técnico tem como atribuição primária evangelizar (sob as perspectiva técnica, é claro) o mercado em relação a tecnologias e soluções da Microsoft”, descreve um funcionário da multinacional.

O termo “evangelista tecnológico” foi cunhado, na década de 1980, por Mike Murray, um dos responsáveis pelo desenvolvimento do do computador Macintosh, da Apple. A primeira pessoa que foi reconhecida publicamente como um evangelista tecnológico foi o seu companheiro de trabalho, Mike Boich.

Evolução da atividade

Na década de 1990, os evangelistas assumiram a função de convencer os trabalhadores, habituados com as suas máquinas de escrever Remington ou Olivetti e as anotações em papel com as esferográficas Bic a olhar para os computadores sem preconceito. Nos recém-criados softwares de processamento de textos WordStar ou planilhas Lotus 123.

A adoção dos softwares da Microsoft, com destaque para o Windows, como sistema operacional, o Word, o Excel e o Power Point, teve a participação de estratégias de convencimento dos evangelizadores no ambiente das corporações. Nas empresas, pessoas eram escaladas para realizar cursos sobre as novas ferramentas.

Existem diferentes entendimentos a respeito de qual seria o melhor grupo de atividades ou atribuições definidoras do termo “evangelizar”. Por definição, a atividade inclui atividades como a produção de textos de esclarecimentos para veículos especializados ou não, criação de apresentações, realização de oficinas e execução de oficinas. São funções estratégicas de difusão de imagem, exercidas por profissionais especializados.

No passado, os evangelizadores tinham uma missão mais desafiante. Convencer velhos usuários da máquina de escrever a usar a nova ferramenta era um trabalho penoso, diante da resistência à mudança típica do ser humano. Hoje, com a informática consolidada e presente em todas as situações do cotidiano do cidadão, o que há em comum é a resistência à inovação e o desejo de vender produtos e conceitos.