O profissional de veterinária terá a tecnologia como ferramenta integrada de trabalho
O profissional de veterinária terá a tecnologia como ferramenta integrada de trabalho

A pergunta foi enviada ao Radar do Futuro pela mãe de Maria Eduarda, de 12 anos. A menina diz ter interesse em fazer veterinária. “Você acha que é uma boa opção de curso? Como saber?”, questiona a mãe.

 

Carlos Teixeira
Jornalista I Futurista

Maria Eduarda deseja fazer veterinária. Toda profissão que envolve atendimento humanizado terá a existência preservada por alguns bons anos. Inclusive aquelas voltadas aos melhores amigos de crianças, mulheres, homens etc. Tanto podem ser cachorros quanto gatos ou um papagaio. A veterinária, que requer a atenção a um ser em carne e osso e uma conversa “olho no olho” com um dono, com envolvimento afetivo, tende a sobreviver às transformações dos próximos anos.

Primeira constatação, portanto, para aprovar a escolha: Nos próximos anos, bichos continuarão sendo bichos. E ninguém vai querer entregar um membro da família para um robô ou um sistema de inteligência artificial. O veterinário vai continuar a existir. Fará diagnósticos, utilizando recursos que vão identificar rapidamente todas as doenças possíveis. Vai prescrever tratamentos. Vai monitorar a saúde. Os avanços tecnológicos e de genética poderão levar os animais a viver mais.

Com a perspectiva de uma crise climática e de aceleração do processo de extinção de espécies, as atividades dos veterinários também estarão altamente vinculadas com a atuação de ambientalistas. Tenderão a ser envolvidos por projetos de conservação, em núcleos que buscarão resgatar a qualidade de vida da humanidade.

Veterinária tem baixíssima possibilidade de ser extinta no futuro. O principal motivo é o fato de que envolve demandas humanas. Saúde, no caso. Não é uma atividade marcada por rotinas. Hoje cuida de um hottweller, amanhã de um chihuahua. Agora, de uma onça doente (as que ainda existirem), nos próximos dias, de um gato. Trata de bois e vacas. E apoia um ser humano que sofre com a doença de seu animal de estimação ou de fornecimento de carne ou leite.

O que ainda vai rolar

Com 12 anos, em 2017, sua filha tende a fazer um exame de seleção, seja o que for isso, em seis anos. Mais exatamente, em 2024. Não precisa ser muito esperto para concluir que ela certamente gosta de animais. E que vive reclamando que nunca teve um cachorrinho ou gatinho em casa. Daí, pensar em veterinária por conta dos animais domésticos parece uma opção lógica, mas que ainda pode mudar.

Seja como for, eis uma boa ideia, que acerta em uma forte tendência. Nos próximos anos será cada vez mais comum encontrar cachorros, gato, mini-porcos e papagaios em casa. Os bichos suprirão pelo menos duas grandes demandas. Primeiro, de famílias ou de pessoas sem filhos, que encontram nos animais a companhia para momentos dentro de casa, onde as pessoas estarão mais presentes, já que trabalharão em regime de home-office. E há os idosos, saudáveis, mas também carentes de companhias em casa.

Quando ela se formar, por volta dos anos 2030, será muito mais provável que as pessoas tenham animais em casa do que filhos. É que a vida estará muito apertada. E os filhos serão mais raros. E haverá mais gente idosa — como a própria mãe dela, que terá uns 60 anos, com muita saúde — do que crianças.

Em síntese

  • O veterinário de 2030 vai trabalhar intensamente com apoio de inteligência artificial em diagnóstico e prescrição de tratamentos
  • Profissões que envolvem relacionamento humano (veterinários/donos dos animais) tendem a ser preservadas
  • Haverá um número crescente de donos de bichos
  • A população estará cada vez mais envelhecida e, proporcionalmente, menor número de crianças
  • A profissão vai demandar capacidade de gestão e empreendedorismo
  • A veterinária vai ser favorecida por novas consciências globais, como o espírito vegano
  • Evolução de recursos de saúde ampliará a vida dos animais
  • Genética possibilitará tratamento antecipado de doenças

Áreas de conhecimento envolvidas

  • Saúde e bem-estar
  • Biologia
  • Empreendedorismo – administração

Habilidades requeridas

  • Curiosidade
  • Liderança
  • Pensamento crítico
  • Conhecimentos sobre tecnologia
  • Gestão de pessoas