A tokenização está crescendo e deixando os cibercriminosos com pouco espaço para agir. Foto: Pixabay
A tokenização está crescendo e deixando os cibercriminosos com pouco espaço para agir. Foto: Pixabay

Walter Pimenta *

No mundo dos pagamentos, existe uma tecnologia que tornou as informações do cartão do consumidor inúteis para os ladrões — chama-se tokenização. Com o aumento dos pagamentos digitais e a internet das coisas, os cibercriminosos recorreram a formas criativas de se infiltrar em sistemas digitais e roubar dados. No entanto, a tokenização está crescendo e deixando os cibercriminosos com pouco espaço para agir.

Deixe-me explicar como a tokenização funciona com o exemplo do José.

José gosta da conveniência de armazenar as informações do cartão com seu comerciante digital favorito. Isso oferece a ele uma grande experiência de consumo, já que o poupa de ter que reinserir suas credenciais toda vez que faz uma compra. Nos bastidores, a tecnologia de tokenização protege as informações do cartão dele substituindo o número de 16 dígitos original do cartão por um número alternativo único, ou “token”, que é associado àquele comerciante digital específico e que não pode ser usado em nenhum outro lugar. Em caso de uma violação de dados, os números “tokenizados” do cartão são completamente inúteis para o cibercriminoso.

Essa é a beleza da tokenização. Consumidores como José ganham o melhor dos dois mundos: uma experiência segura de checkout sem atritos e tranquilidade ao saber que os dados de seu cartão não correm risco de ser hackeados.

Além disso, a tecnologia de tokenização traz outra característica essencial para a nova economia digital, fortemente dependente de operações recorrentes: continuidade de pagamento. Em poucas palavras, se o seu cartão perder a validade ou precisar de substituição, a tokenização impede a ocorrência de interrupções de serviço (pense na sua matrícula na academia, serviço de streaming favorito, assinatura de revista ou qualquer outro pagamento on-line recorrente), atualizando automaticamente as credenciais do seu novo cartão no sistema do comerciante e evitando lacunas no serviço.

O armazenamento seguro de dados on-line combinado com a sólida continuidade de pagamento é fundamental para comerciantes grandes, como empresas de transporte compartilhado e streaming de filmes, bem como para comerciantes médios e pequenos buscando ser competitivos no mercado on-line. Ao armazenar informações do cartão dos clientes, os comerciantes podem oferecer uma melhor experiência de usuário e checkout mais rápido, podendo aumentar as vendas em três ou quatro vezes. Manter essas informações armazenadas em segurança – combatendo o cibercrime e violações de dados — e sempre atualizadas, evitando operações perdidas, é uma parte vital do nosso negócio.

Então, qual é o custo das violações de dados?

De acordo com o Estudo sobre Custo da Violação de Dados, de 2018, do Instituto Ponemon, o custo total médio de uma violação de dados para uma empresa pode chegar a $ 3,86 milhões. Violações de dados podem não somente ter impacto nas futuras vendas de uma empresa como também representar custos significativos em termos de litígio, dano aos bancos de dados da empresa e reputação. De fato, o impacto na confiança do consumidor é substancial. Um estudo* recente da Mastercard revela que 93% dos consumidores latino-americanos se preocupam com suas informações armazenadas on-line, enquanto 77% consideram as invasões e as violações de dados “normais”.

A boa notícia é que muito mais consumidores já estão se beneficiando da facilidade e segurança da tokenização, um herói silencioso com muitos mais aliados por vir.

Na América Latina, dezenas de emissores e comerciantes estão adotando a tokenização: de gigantes globais da economia de empregos temporários a varejistas locais e regionais. E vai se tornar a norma, em questão de meses. A tokenização é para o mundo digital o que o cartão com Chip EMV foi para o mundo físico nos últimos anos: o padrão global para operações seguras e convenientes.

Atualmente, mais da metade do volume de operações da Mastercard na América Latina e Caribe já está pronta para ser tokenizada, ajudando a tornar os pagamentos digitais simples, integrados e seguros para os consumidores da região. Essa notícia vem na esteira de nossos novos acordos assinados com players importantes, como Adyen, Braspag e ProCredit Ecuador, além de outros, que agora integrarão as soluções de tokenização da Mastercard para tokenizar as credenciais de pagamento em arquivo com milhares de varejistas pelo Brasil, México, Porto Rico, Equador, Chile e potencialmente qualquer país em nossa região.

Essa é uma ótima notícia para os consumidores, comerciantes e indústria financeira — mas não para os fraudadores. Eles terão de arrumar um novo bico.


  • Vice-Presidente Sênior de Soluções Digitais na Mastercard América Latina e Caribe

*Fonte: Pesquisa da Mastercard de 2018 com consumidores no Brasil, México e Colômbia

Participe das conversas sobre o futuro. Deixe a sua opinião

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.