Futuro dos bancos: consultoria sugere cortes de R$ 24 bilhões para manter rentabilidade

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Queda dos juros básicos e concorrência com bancos digitais vão justificar novos cortes de despesas dos bancos tradicionais. Foto: Agência Brasil
Queda dos juros básicos e concorrência com bancos digitais vão justificar novos cortes de despesas dos bancos tradicionais. Foto: Agência Brasil

Carlos Teixeira
Jornalista I Futurista

As instituições financeiras preparam o campo para realizar cortes em suas despesas, que compensem mudanças no cenário econômico brasileiro, onde elas atuam. O aval começará a ser fornecido por estudos desenvolvidos por consultorias, como a alemã Roland Berger, para quem a competição no sistema bancário será maior por causa da queda nas taxas de juros.

De acordo com a consultoria, os cinco maiores bancos do país – Itaú, Bradesco, Banco do Brasil, Caixa e Santander – terão de cortar ao menos R﹩ 24,1 bilhões em custos para manter os atuais níveis de rentabilidade. O valor sugerido é pouco maior do que o lucro de 20,4 bilhões registrado pelas quatro maiores instituições do sistema financeiro do país — Bradesco, Banco do Brasil, Itaú Unibanco e Santander — no segundo semestre de 2019.

A eliminação de gastos é justificada pela pela necessidade de fazer frente a um cenário que prevê spreads e juros menores nos próximos anos, maior competição, além de clientes migrando para bancos digitais,  O valor projetado considera uma redução de 1,5% no spread bancário nos próximos três anos, o cenário mais provável na avaliação da consultoria.

De acordo com o presidente da Roland Berger para a América Latina, Espanha, Itália e Portugal, Antonio Bernardo, embora os atuais níveis de rentabilidade dos bancos nacionais sejam até superiores aos registrados por instituições internacionais consideradas bem-avaliadas, já há sinais de que este cenário não deve se manter no médio prazo, por conta da desconcentração do mercado.

Desempenho no Ibovespa

Antonio Bernardo destaca o fato de as ações de uma parcela expressiva dos grandes bancos brasileiros terem encerrado 2019 com valorização abaixo do índice Ibovespa, que considera o desempenho da bolsa brasileira como um todo. Para ele, à medida que os spreads reduzirem, as ineficiências devem ficar mais evidentes. “Os bancos precisam iniciar já uma nova onda de eficiência”, assinala o consultor.

O executivo diz ainda que cada instituição financeira deve buscar sua própria estratégia de eficiência. Os grandes brancos, paralelamente, à busca por reduzir custos, inclusive no escopo de agências em regiões de sobreposição, devem ainda ampliar os canais de atendimento remoto, remodelar o negócio com foco no cliente e avançar nas atuais estratégias de digitalização.

Na avaliação da consultoria alemã, os bancos digitais precisam focar em estratégias de monetizar a base de clientes, investir na segmentação de áreas, no desenvolvimento de ofertas específicas para um número maior de perfis de clientes, além de sofisticar as estratégias de análise de crédito e risco, com vistas à redução da inadimplência.

Bancos médios com foco em pessoas física devem ter em mente que a competição será intensificada e o portfólio de produtos precisa se ajustar a essa nova realidade. Já os com foco no atendimento à empresas, a busca por novos nichos de mercado e a segmentação de produtos são as estratégias mais adequadas.

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