Comércio terá Natal melhor do que em anos anteriores
Comércio terá Natal melhor do que em anos anteriores, mas nada muito animador

Monitore o comportamento do emprego e do cenário político

Nossos avós já diziam: prudência e caldo de galinha não fazem mal para ninguém. Pois é. A cautela deve ser prioridade para empresários e consumidores no final de ano para garantir resultados positivos em seus negócios. Mais que nunca, é fundamental ter acesso a informações de qualidade e capacidade de avaliação crítica.

A informação associada ao senso crítico é importante porque os dados são conflitantes. Por um lado, há sinais, reais, de recuperação de alguns setores, como os de automóveis e de imóveis. Por outro lado, há indicadores de um “zig-zag de humores” contraditórios.

Não há um cenário consolidado para o final de ano. A consciência dessa realidade fará diferença adiante. Inclusive no próximo ano. Afinal, as perspectivas sociais, políticas e econômicas são muito mais complexas do que fazem supor o noticiário do cotidiano.

CONTEXTO

Índices refletem a volatilidade do estado de espírito da sociedade

Quer uma indicação de que as coisas estão ainda muito fora do eixo? Os índices de expectativa de consumidores e de empresários retratam, assim como indicadores de desempenho de vendas do comércio, o momento de indefinição do estado de espírito dos brasileiros diante do cenário do país. Em setembro, por exemplo, o Índice Nacional de Expectativas do Consumidor (Inec), levantado pelo Ibope Inteligência para a Confederação das Indústrias, confirmou que há uma predominância das dúvidas.

“A confiança do consumidor continua volátil”, reconhece o relatório da CNI. O índice de setembro ficou em 98,5 pontos, com uma queda de 3,1% na comparação com agosto. O resultado reverteu o crescimento registrado no mês anterior. Na comparação com setembro de 2016, houve recuo de 4,5%. Ou seja, mais pessimismo. Importante destacar que os 98,5 pontos colocam o consumidor no campo do pessimismo. O índice transita entre o zero, do pessimismo absoluto e os 200 pontos, do extremo otimismo.

Há sinais, de fato positivos neste final de ano, como uma pequena queda do desemprego e a redução dos juros. E a retomada de vendas em setores como de automóveis, imobiliário e de supermercados. Os resultados podem levar a um aumento do otimismo que poderá favorecer tanto os segmentos que dependem do consumo quanto as decisões de investimento em novos negócios..

INDICADORES

Índice de Expectativas do Consumidor

 

LINHA DO TEMPO

Acontecimentos recentes

sociais
  • Movimentos conservadores, religiosos e políticos, ampliam as intervenções contra eventos culturais, acusados de atentar contra a “mora da família brasileira”
  • Cresce a desconfiança do brasileiro em re
econômicos
  • Banco Central promove nova redução dos juros básicos, mas anuncia que deve interromper o ciclo de queda.
  • Indicadores econômicos – inflação, câmbio, juros – seguem trajetória favorável para quem vê a economia interna com otimismo
  • O governo promove leilão de áreas de exploração de petróleo do pré-sal.
  • A China e os Estados Unidos garantem maior participação na produção brasileira
políticos-jurídicos
  • Temer se mantém no poder ao derrubar a segunda denúncia no Congresso
  • O desgaste da política se acentua no Brasil. Como resultado da descrença e da ausência de líderes de fato, cresce a polarização entre Lula e Bolsonaro como os principais candidatos em 2018

 

CONTEXTO

Visão geral: o que vem por aí

Será um tédio discutir o Copom nos próximos meses. A afirmação é de um economista do sistema financeiro após a última reunião do Conselho de Política Econômica do Banco Central, que decidiu pela queda da Selic, os juros básicos da economia brasileira. Na realidade, além dos juros, inflação e câmbio não devem apresentar surpresas significativas.

O cenário de final de ano será marcado pela piora das condições políticas e econômicas internas. O contrário do que o governo tenta parecer. Ao vencer a disputa no Congresso contra mais um processo, o presidente Michel Temer ganhou no cenário imediato, mas perdeu no amanhã. A percepção sobre o aumento da corrupção e sobre a incapacidade de reverter os sinais de crises vai crescer.

Nem mesmo o mercado financeiro, seu aliado, dará conta de garantir o lema “ruim com ele, pior sem ele”. O placar da votação no dia 25 de outubro foi menor que o esperado. A base de apoio ficou menor. O cacife para impor novas medidas impopulares está em queda. Deputados e senadores já começam a colocar os olhos nas eleições de 2019.

 

CERTEZAS INCERTEZAS
  • Um novo consumidor: o comprador em busca de alternativas de presentes
  • Aumento da crise política, envolvendo o governo Temer
  • Comportamento geral dos consumidores
  • Novos hábitos de consumo
  • Encaminhamento da reforma previdência
  • Efeitos da reforma da legislação trabalhista

 

ALERTAS

  • O governo federal vai esperar a reação do mercado para regulamentar a legislação trabalhista. Muitos pontos ainda permanecem obscuros.
  • Um dos maiores escritórios da área trabalhista aposta em um ‘brutal aumento de demandas trabalhistas”, frustrando os apoiadores das mudanças. Empregadores que imaginarem que tudo pode ser feito a partir de agora podem ter surpresas amargas.
  • Os mercados de luxo vão manter a recuperação mais rápida das vendas.
  • Mercados populares serão afetados pela queda da renda e pelo medo do desemprego.

 

AGENDA NOVEMBRO/DEZEMBRO

  • 1 de novembro – entra em vigor a bandeira vermelha da tarifa de eletridicidade
  • 11 de novembro – entram em vigor as novas regras da legislação trabalhista
  • 30 de novembro – Black Friday

e mais …

  • Preço do leite deve ter nova queda em novembro
  • A Petrobras planeja para o próximo dia 15 o início da produção na área de Libra
  • Medida Provisória que vai tratar da privatização da Eletrobras deve ser divulgada em novembro

 

ESTRATÉGIAS SUGERIDAS

Olho aberto e mente atenta são essenciais nestes tempos complexos. Há uma grande possibilidade de embarcar em erros de avaliação do ambiente de negócios. Com tanto sufoco já acumulado, a tentação será grande de acreditar em campanhas de estímulo do consumo. O governo e a imprensa vai apelar para um otimismo que tende a não ser muito real.

As vendas serão melhores? Sim. Mas nada que possa ser encarado com empolgação. O consumidor vai às compras com espírito semelhante ao do dia das crianças passado. O brasileiro médio terá ânimo melhor, mas ainda padecendo de um mal estar no corpo decorrente da convivência com as instabilidades da sociedade e do mercado de trabalho.

Planejamento

As empresas de áreas que aproveitam o final de ano para realizar o planejamento de atividades também devem avaliar com maior rigor os sinais do horizonte, ampliando a capacidade de olhar para além dos relatórios de instituições do sistema financeiro. Novembro e dezembro serão críticos para a identificação das perspectivas reais de comportamento dos mercados e da sociedade em 2018.

Para quem planeja, duas variáveis, pelo menos, devem ser vistas como as grandes forças motrizes do futuro: emprego e ambiente político. Novembro será o mês de entrada da nova regulamentação do mercado de trabalho. O governo e analistas econômicos de viés financeiro apostam em aumento das contratações. Economistas heterodoxos e oposições acreditam que o efeito será negativo, com queda de renda. Seja qual for o resultado, será essencial para os planos dos próximos anos.

O ambiente político de novembro e dezembro também dirá muito sobre como será o comportamento dos mercados e da sociedade em 2018. O monitoramento de variáveis políticas deve ser prioridade, ainda mais diante da constatação de que o próximo ano tem eleições para a presidência. Investimentos devem estar condicionados a revisões permanentes das tendências políticas, com redirecionamento de ações para evitar surpresas desagradáveis.