A “guerra híbrida” é um conceito que envolve a combinação de múltiplos meios de conflito, tanto convencionais quanto não convencionais, com o objetivo de desestabilizar um adversário.
Esse tipo de guerra é caracterizado pela mescla de ações militares regulares, forças irregulares ou guerrilheiras, operações cibernéticas, guerra econômica, propaganda, manipulação de informações, diplomacia, atividades de espionagem e apoio a manifestações locais.
A produção e propagação de fake news e desinformação são partes fundamentais da guerra híbrida moderna, atuando como armas cognitivas e políticas para moldar percepções, influenciar decisões e promover interesses de grupos ou agentes internos e externos.
Com apoio de segmentos internos dos paises, incluindo imprensa, empresários e membros do judiciário e legislativo, a estratégia busca criar caos, desordem e um vazio de poder no governo ou na sociedade alvo, usando tanto ações diretas quanto indiretas para atingir objetivos políticos, geoestratégicos ou econômicos.
Exemplos notórios de guerra híbrida incluem:
- As chamadas “revoluções coloridas” no Leste Europeu, como a Revolução Laranja na Ucrânia, que envolveram apoio político e informações visando a troca de regimes.
- A Guerra Civil na Síria e a Primavera Árabe, onde diferentes formas de conflito e manipulação política foram empregadas simultaneamente.
- Casos recentes em que os Estados Unidos aplicaram formas de guerra híbrida contra outros países, incluindo sanções econômicas, guerra informacional e apoio a grupos oposicionistas, como na Venezuela e Irã.
- A retórica hostil e sanções econômicas contra a China, combinadas com campanhas diplomáticas e políticas para criar instabilidade.
Em resumo, a guerra híbrida é uma forma sofisticada e multifacetada de conflito que transcende as guerras tradicionais, combinando forças militares com estratégias políticas, econômicas, informacionais e digitais para alcançar seus objetivos.
A guerra híbrida foi utilizada no Brasil através de diferentes estratégias que visaram desestabilizar instituições, criar instabilidade política e influenciar mudanças de governo. Os principais exemplos citados por especialistas e estudos acadêmicos incluem:
- Protestos de junho de 2013: Muitos analistas apontam que as manifestações que começaram por reivindicações específicas evoluíram para uma ampla onda de descontentamento social, com forte influência de aparatos ideológicos e ações coordenadas, caracterizando um processo similar à chamada “revolução colorida”. Táticas típicas de guerra híbrida estariam em jogo, como manipulação de informações e mobilização social massiva para desestabilizar o governo federal.
- Desinformação e Fake News: O uso intensivo de notícias falsas, principalmente nas redes sociais, teve papel fundamental para influenciar debates políticos, disseminar medo e ódio, e minar a credibilidade das instituições democráticas. O fenômeno se intensificou nos últimos anos e foi central na polarização política.
- Lawfare (judicialização da política): A Operação Lava Jato é frequentemente citada como um exemplo de guerra híbrida aplicada via judicialização, com ações judiciais e investigação direcionadas a provocar instabilidade institucional e política, especialmente contra líderes do Partido dos Trabalhadores e figuras ligadas aos governos anteriores. Tais medidas contribuíram para criar um ambiente de desorientação e ambiguidade política.
- Ataques virtuais e manipulação digital: O ambiente informacional brasileiro foi alvo de campanhas coordenadas por agentes externos, influenciando narrativas, polarizando debates, e direcionando as emoções da sociedade para a desconfiança no governo e nas instituições. Estratégias de guerra híbrida incluem uso de robôs, perfis falsos e infiltrados nas redes sociais para acirrar divisões e estimular manifestações.
- Interferência internacional: Especialistas apontam que interesses econômicos e geopolíticos externos, especialmente dos Estados Unidos, contribuíram para fomentar processos de guerra híbrida, seja por meio da instrumentalização da desinformação, do estímulo ao lawfare, ou do incentivo a manifestações e mudanças políticas no Brasil, visando proteger interesses estratégicos, como no caso do pré-sal e da Petrobras.