Os shoppings centers, como modelo de negócios, estão passando por momento de mudanças
Os shoppings centers, como modelo de negócios, estão passando por momento de mudanças

Carlos Teixeira
Editor – Radar do Futuro

Os shoppings brasileiros não terão, no curto prazo, o fechamento acelerado de unidades no Brasil nos próximos anos, como vem acontecendo nos Estados Unidos. Em 2018, há até a previsão de abertura de 27 novos centros de compra. Não há crise propriamente, mesmo que seja crescente o número de lojas vagas atualmente. Nada indica, porém, uma situação confortável.

Não haverá, no caso brasileiro, a mesma crise que fez com que 2017 tenha sido, nos EUA, um ano recorde para o fechamento de lojas e falência no varejo. Para analistas econômicos norte-americanos, o ano passado foi “apocalíptico para os varejistas”.

No balanço do ano passado, dezenas de grandes varejistas, incluindo Macy’s, Sears e J.C Penney fecharam cerca de 9 mil lojas. As falências atingiram 50 redes. A previsão para o futuro não de mudanças. O grande nível de falências e lojas fechadas deve persistir.

Em 2018, segundo a consultoria Cushman & Wakefield, a expectativa é que mais de 12 mil lojas fechem – um aumento de 33% em relação ao período anterior. E, comparado com as 50 redes que abriram falência em 2017, as estimativas da empresa de imóveis é que mais 25 também sigam o mesmo caminho. Das 12 mil lojas estimadas, grandes redes como Walgreens, Gap e Gymboree já anunciaram seus planos de fechar mais de 3.600 lojas neste ano.

O fechamento das lojas, especialmente das âncoras, impacta fortemente os shoppings. A empresa de imóveis CoStar estimou que 310 shoppings dos 1.300 existentes nos Estados Unidos estão com perigo de perder suas lojas “âncora” – e com isso, perder fôlego substancial para a necessidade de sobrevivência.

Ajustes do mercado

Um dos motivos apontados pelos especialistas, como não poderia deixar de ser, é a expansão do comércio eletrônico. A Amazon segue como maior impulsionadora global das mudanças e de seus impactos, em concorrência com a chinesa Alibaba. O domínio das gigantes do varejo on line aumentará ainda mais em 2018. As projeções de crescimento da Amazon, em especial, equivalem a metade da alta no e-commerce nos EUA nos próximos anos.

A sobrevivência dos shoppings no Brasil nos próximos anos será garantida pelas características demográficas diferentes em relação aos países desenvolvidos, de forma geral. As lojas âncoras continuarão a ter papel relevante na garantia de tráfego de consumidores nos shoppings, que continuarão sendo referência de segurança para uma população cada vez mais preocupada com a violência urbana crescente nos próximos anos.

O que deve afetar os resultados dos shoppings, de uma forma geral, é a perda de renda da população, particularmente da classe média urbana. Mesmo com os relativamente bons resultados das vendas de final de ano, o consumidor brasileiro se mostra cético quanto ao futuro. Os dados são confirmados pelos principais índices de expectativas do consumidor, como o Índice de Confiança da FGV.