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21 de setembro: O que as árvores nos oferecem

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As árvores são responsáveis pela umidade do ar e pelas chuvas regulares. Foto: Pixabay.
As árvores são responsáveis pela umidade do ar e pelas chuvas regulares. Foto: Pixabay.

Alessandra Grisolia
Jornalista I Radar do Futuro

Vinte e um de setembro é o Dia da Árvore, mas o que vemos é a destruição constante e feroz que o ser humano impõe à natureza. Milhares de hectares são devastados mundo afora, demonstrando que o homem está equivocado quanto às suas escolhas.

As árvores desempenham papel fundamental no ecossistema, pois elas retêm o gás carbônico, ajudam na redução em até 10% do consumo de energia. Elas promovem uma moderação climática local, diminuem a poluição sonora e os ventos, e conservam a umidade do ar e as chuvas regulares. Além disso, são responsáveis por manter mais de 50% da biodiversidade e são capazes de reduzir a incidência de asma, câncer de pele e níveis de estresse.

Mas, infelizmente, muitas vezes, morar no meio do mato é apenas uma opção para aqueles que não têm o suficiente para habitar os arranha-céus. Para outros, viver em meio à natureza é simplesmente exibir o status de usufruir daquilo que o dinheiro pode comprar.

A hipocrisia do homem é descarada, como se preservar 70% de uma vegetação, desmatando” apenas 30%”, fosse algo digno de ser ovacionado. Os condomínios das regiões metropolitanas são exemplos disso. A especulação imobiliária acende a fagulha da vaidade humana, derrubando árvores, expulsando animais de seus habitats naturais.

E quem pode concorrer com o bicho-homem, quando ele resolve jogar bitucas de cigarro nas matas ou atear fogo em propriedades, simplesmente porque ele quer colocar o seu gado para pastar? Quem consegue ser páreo com a imbecilidade; quem pode concorrer com as madeireiras clandestinas, que põem abaixo árvores centenárias, sem dó ou piedade, que não deixam rastros de criminosos?

Poderia discorrer sobre estatísticas, porém, com certeza, elas ficarão desatualizadas em poucas horas, uma vez que o fogo se alastra pelas matas, reservas ambientais e áreas verdes. O Brasil está dominado pelas chamas, mas não apenas no sentido literal: são as chamas do descaso, do despreparo, da falta de educação ambiental e da ausência de políticas severas contra o desmatamento e as queimadas que o ocasionam o assassinato das espécies vegetais e animais.

Quando as florestas queimam, liberam gases de efeito estufa, que tornam o ar insuportável e prejudicam a saúde da população, afetando principalmente crianças e idosos. Além disso, o material particulado sobe com a fumaça e é levado pelo vento para outros estados e, até mesmo, outros países. Alguns centros urbanos já sentem os efeitos das queimadas: o ar está pesado, carregado de fuligem; o céu está acinzentado e as temperaturas vão além do que seria normal para uma época de transição entre inverno e primavera. Os postos de saúde estão superlotados. Fica difícil respirar…

A Amazônia, especificamente, é uma das últimas regiões selvagens da Terra e é considerada a maior floresta tropical do mundo, sendo que 60% dela estão no Brasil, correspondendo à metade do país. Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Floresta Amazônica abriga 20% das espécies terrestres, o que representa cerca de 40 mil tipos de plantas, 300 espécies de mamíferos e 1,3 mil espécies de aves em 4,196.943 Km ² de florestas densas e abertas, e também o maior e mais volumoso rio, o Amazonas.

A Amazônia é de suma importância porque regula o clima em todo o mundo e, em especial, da América do Sul e do Brasil, sendo capaz de influenciar o clima de regiões distantes milhares de quilômetros. Mas, infelizmente, no local, praticamente não há queimada natural, pois a floresta possui altos índices de umidade, e sim a que resulta da ação humana ilegal.

Como a Amazônia é o ecossistema continental com maior quantidade de carbono armazenado, se desmatada, poderá lançar na atmosfera 200 gigatoneladas de carbono. E quando a Floresta Amazônica queima, ela passa a ser uma fonte de emissão de gases de efeito estufa que, em excesso, mudam o clima, causando secas severas e tempestades extremas.

No clássico infantil “A árvore generosa”, original de Shel Silvertein, adaptado por Fernando Sabino, todos os dias o Menino brincava com a Árvore, balançando-se em seus galhos, repousando em sua sombra fresca. Mas, quando cresceu, passou a se esquivar dos convites de sua amiga, para lhe fazer companhia. Agora, ele só queria saber das coisas que o dinheiro podia comprar…

Um dia, o Menino cortou os galhos da Árvore para construir uma casa, mas, mesmo assim, ela ficou feliz. Então, ele ficou longe dela por um longo período, e quando apareceu novamente e a árvore o convidou para brincar, o Menino alegou que já estava velho demais, e ela, com sua generosidade, disse ser apenas um toco, mas um tronco útil para que ele pudesse sentar e descansar. O menino descansou sobre a Árvore e ela ficou feliz.

O texto nos faz refletir sobre o quanto somos egoístas e o quanto as árvores são generosas conosco. O clássico também mostra o quanto mudamos ao longo do tempo, deixando de valorizar aquilo que realmente importa: um ar mais puro, a diversidade da fauna e da flora, o equilíbrio ambiental, climas mais amenos, períodos chuvosos, enfim, tudo o que remete à nossa qualidade de vida, subsistência e sobrevivência, e que depende, incontestavelmente, da preservação do verde.

Nesse sentido, pesquisadores do Instituto Federal Suíço de Tecnologia em Zurique mostraram, em um estudo, que o plantio de árvores é a maneira mais eficaz e barata de combater o aquecimento global. Segundo a pesquisa, 9 milhões de quilômetros quadrados de árvores plantadas, uma área aproximada ao território dos Estados Unidos, seriam capazes de capturar dois terços das emissões de carbono produzidos pelo homem.

De acordo com o estudo, que utilizou também a tecnologia Google Earth, há espaço suficiente para o reflorestamento global, no qual seria possível o plantio de mais de 1 trilhão de árvores, podendo chegar até 1,5 trilhão, somando as já existentes, além do espaço reservado para pessoas e culturas agrícolas. A pesquisa também revelou que Brasil, Estados Unidos, Canadá, Austrália, Rússia e China são os países com mais espaço para novas árvores.

E como contra fatos não há argumentos, dados do pesquisador Thomas Crowther, da ETH Zurich, mostraram que é essencial aumentar as áreas verdes com o plantio de árvores em todos os lugares onde houver espaço, como parques, bosques e terras que precisam ser reflorestadas, como a melhor estratégia para compensar 100 gigatoneladas de gás carbônico produzidos em 10 anos de emissão.

Segundo Crowther, que recebe apoio das Nações Unidas para a campanha The Trillion Tree Campaign, cada um de nós, plantando uma ou mais árvores, pode ajudar a salvar o planeta dos danos da crise climática. A campanha, que conta com um aplicativo e um site, já contribuiu para o plantio de 13,62 bilhões de árvores e tem como objetivo informar e divulgar projetos de plantios de árvores em todo o mundo, para incentivar e facilitar o plantio de árvores por qualquer pessoa.

É importante lembrar que existem iniciativas para tornar as cidades mais verdes e, assim, reduzir as emissões de gases de efeito estufa na atmosfera, além de diminuir as temperaturas e o uso de ar-refrigerado e/ou ventiladores. Podemos citar como exemplos bem-sucedidos os corredores verdes e os telhados verdes, como tentativas de tornar o clima mais ameno e o ar mais puro, além de atingir a meta de redução de gás carbônico nos municípios.

Torna-se necessária uma fiscalização mais intensa em território nacional, além da repressão ao desmatamento e às queimadas ilegais, e penas mais rigorosas aos infratores, pois a derrubada das árvores, além de alterar o fluxo de vapor de água, influenciando na regulação do clima regional, libera o gás carbônico armazenado na vegetação para a atmosfera, tendo como efeito o aumento da temperatura local e, até mesmo, de regiões mais distantes.

Mas, acima de tudo, é primordial que se estabeleça a educação ambiental de forma mais abrangente nas escolas e nos lares, para que cada cidadão cresça conhecendo os benefícios que a natureza nos traz e as implicações de sua destruição para a sobrevivência da espécie humana. É inegável que todos somos responsáveis pelo amanhã. Plante uma árvore hoje e garanta um futuro mais saudável para as gerações futuras!

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