As universidades ganham acesso mais ágil à rede mundial
Tráfego em IPv6 é ampliado em 237 campi  de universidades brasileiras em 2017

Carlos Teixeira
Jornalista – Futurista

Segundo o balanço da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), em 2017, 237 campi de instituições de ensino e pesquisa em todo o território nacional passaram a estar aptos a trafegar dados em IPv6. Dessa forma, o volume de tráfego por esse protocolo chegou a taxas de 5 Gb/s na rede acadêmica.

O resultado foi alcançado pelo projeto da RNP de alocação de IPv6, que configura as redes de acesso das instituições acadêmicas a fim de incentivar a adesão ao novo protocolo.

No ano anterior, o projeto facilitou o processo de implementação do IPv6 em 546 unidades de 103 instituições, em 24 estados brasileiros. Dessa forma, o volume de tráfego em IPv6 foi oito vezes maior na rede acadêmica, no período entre maio e novembro de 2016.

A iniciativa de lançar um projeto de alocação de IPv6 na comunidade acadêmica foi motivada pelo esgotamento de endereços em IPv4, anunciado pelo Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.Br), e pelo Plano de Disseminação do Uso IPv6, do Ministério do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão (MP), que recomenda a adoção do IPv6 até setembro de 2018.

Uma das medidas adotadas pela RNP foi a alteração da sua política de alocação de blocos IPv4, em março de 2017. Com a decisão, só poderiam ser alocados blocos de no máximo /25 (128 hosts endereçáveis), a cada seis meses, após justificativa da necessidade iminente. Em paralelo, a RNP incentivou a alocação de blocos em IPv6, um /48 por campus. “Novos blocos IPv6 podem ser solicitados a qualquer tempo pelas organizações usuárias, à medida que julgarem necessário”, afirma a gerente de Operações da RNP, Janice Ribeiro.

O Brasil tem 91% dos sistemas autônomos com alocação IPv6, bastante acima da média mundial de 55%. Os números foram divulgados durante palestra sobre numeração e alocação de recursos, ministrada por Ricardo Patara, do NIC.br, durante a 7ª Semana da infraestrutura da internet no Brasil.

Atualização

Atualmente, o País está na terceira fase da política elaborada pelo NIC.br para lidar com o esgotamento dos endereços IPv4. Desde 15 de fevereiro, estão valendo as alocações iniciais de no máximo /22. No total, cerca de 4 milhões de endereços IPv4 estão reservados, sendo que desde fevereiro aproximadamente 1 milhão de endereços foram alocados.

As projeções indicam o esgotamento para o fim de 2019. “Buscamos garantir uma quantidade mínima para novos entrantes”, destacou Patara, explicando que a política tem beneficiado provedores e organizações que estão entrando.

Patara também comentou sobre as novidades da nova política para provedores aprovadas na última assembleia do Lacnic, realizada em maio deste ano. Entrou em vigor em agosto último a nova categoria “nano”, que permite alocação de prefixos menores que /22, podendo ser solicitados /24 ou /23. Desde então, 24 alocações (11 blocos /24 e 13 blocos /23) foram feitas, sendo sete no Brasil.

Além disto, na assembleia do LACNIC, realizada em maio, também foi aprovado o aumento do limite superior da categoria small (de 8 mil endereço para 16 mil) e novas categorias a partir de x-large. Segundo o revelado no evento, quase cem (96) provedores de internet desceram de médium para small.